sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pulp Fiction-A violência como estilo de vida

Descrever obras-primas é sempre difícil, a gente acaba tentando falar de tudo, aí fica um post gigantesco e confuso e você acaba não falando aquilo que realmente sente em relação ao filme, por isso nesse post tentarei ser bem direto e objetivo ao falar do meu filme favorito: PULP FICTION *-*.

 

Baseado nos livros pulp de antigamente que eram cheios de contos violentos, o filme segue o estilo de “várias histórias independentes que se entrelaçam” mas inova em seu roteiro não linear onde o inicio é o fim, o meio é o final, e o final é o inicio, de um jeito que brinca com nossa memória e percepção. Inicialmente, o filme é dividido em 3 histórias: a primeira mostra os criminosos Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) indo buscar uma maleta misteriosa de seu chefe Marcellus na casa de uns moleques que acaba de modo inesperado; depois temos a história da missão especial de Vicent que era entreter a mulher de seu chefe, Mia (Uma Thurman) enquanto este viaja; e fechando o ciclo temos a história de Butch (Bruce Willis), um boxeador que ganha uma luta que era para ele ter perdido e agora tem que fugir do mafioso que o contratou para perder, que é o próprio Marcellus Wallace. No final, vemos como cada uma  parte perfeitamente se encaixa na outra, fazendo com que Pulp Fiction seja um dos filmes mais bem bolados e complexos que o cinema americano já viu.

 

Acho o roteiro de Pulp Fiction o melhor já feito, não só pela riqueza das histórias, mas principalmente pelos diálogos. Em todas cenas, eu disse todas, tem um diálogo que não tem muito a ver com a trama, mas que demonstra os pontos de vistas dos personagens sobre coisas que nunca paramos para pensar. Os diálogos vão de nomes de sanduiches à silêncios que incomodam, passando por regras de condutas masculinas e a sensação de matar uma pessoa, sendo assim um filme bem reflexivo e muito divertido, já que são sempre regados de muito humor negro.

 

As atuações são exatas, se adequam muito bem aos papéis, o que é quase um dom do Tarantino, o de escolher personagens para os atores certos. Ele conseguiu nesse filme ressucitar John Travolta num papel cool demais, tirando ele do esquecimento. Nesse filme onde o que não faltam são personagens, temos ainda participações ótimas de Tim Roth, Harvey Keitel, Christopher Walken e inclusive uma ponta do próprio Tarantino! Gosto especialmente da atuação de Thurman nesse filme, que atinge um charme sensual e superficial incrivel, além de transparecer  naturalidade e ironia, fazendo com que a parte dela no filme seja a que eu mais gosto, e sendo também uma das personagens que eu mais gosto do cinema, prestigiando assim a imagem de abertura do meu blog.

 

A trilha sonora do filme ficou famosa por englobar grandes hits antigos e atuais, além de se encaixarem perfeitamente ao filme. As músicas que eu mais curto são: Misirlou do Dick Dale que toca no início bombástico do filme e Girl You’lll Be A Woman Soon de Leonard Cohen.

 

O legal de Pulp Fiction é o modo como ele aborda seu tema principal: a violência. Ele nos mostra ela como se fosse algo comum, rotineiro na vida daqueles personagens, sem muita melancolia e muito menos moralismo. A questão da violência no filme é tratada de modo divertido, porém ainda maduro, usando o humor negro para amenizá-la e fazê-la ser melhor ingerida pelos telespectadores. Tarantino também não faz apologia a violência como muitos acham, nesse filme principalmente ele enfatiza o lado ruim da vida dessas pessoas, mas não sendo muito moralista como eu já disse, e também não se comprometendo muito com a realidade, fazendo realmente uma ficção sobre a vida de pessoas que adotaram a violência como estilo de vida.

 

Esse é o tipo de filme que se assiste pulando no sofá, ele tem um ritmo envolvente e que agrada a todo momento, com ótimas tiradas, diálogos e tramas intrigantes, sendo um prato cheio para aqueles que apreciam um bom roteiro. Pulp Fiction é um filme simplesmente atemporal, acredito que daqui a 10 anos eu o assistirei e sentirei as mesmas emoções empolgantes da 1º vez, sendo este o trunfo do filmaço dirigido pelo sempre genial Quentin Tarantino.

Frases Fodas do Filme (FFF):

  • “We should have shotguns for this kind of deal” -Jules (Nós devíamos ter shotguns para este tipo de trabalho)
  • “Any of you fucking pricks move, and I'll execute every motherfucking last one of ya!” –Honey Bunny (Que se mova qualquer filho da puta, e eu vou matar todos os filhos da puta até restar um)
  • “Say 'what' again. Say 'what' again, I dare you, I double dare you motherfucker, say what one more Goddamn time!” – Jules (Diga ‘o que’ denovo. Diga ‘o que’ denovo, eu te desafio, eu duplamente te desafio filho da puta, diga ‘o que’ mais uma maldita vez!)

Músicas Fodas do Filme:

  • Misirlou- Dick Dale
  • Comanche-The Revels
  • Girl You’ll Be A Woman Soon- Urge Overkill
  • Surf Rider-The Lively Ones

O post definitivo sobre meu filme favorito

Nesses dias, eu estava olhando meus posts antigos, lá do início do blog, revendo as coisas que eu escrevi, o modo de eu falar sobre as coisas, enfim, momento nostalgia do ano passado. Então de repente me deparo com meu 2º post, que foi o 1º analisando um filme. O filme era PULP FICTION, o meu filme favorito de todos os tempos e que eu fiz questão que fosse a primeira coisa a ser analisada nesse blog. Fui ler o post. Não estava ruim, mas não fazia jus ao filme que eu estava retratando. Na época, eu escrevia apenas um parágrafo sobre os filmes, o que fazia de minhas “críticas” superficiais e incompletas, então o post ficou bem fraquinho. É aí que veio a minha “grande” ideia.

 

Como o post sobre Pulp Fiction ficou bem regular, eu tive a ideia de fazer um novo post sobre o longa, mais completo, caindo como uma luva no mês de aniversário do blog e ainda mais perfeitamente no contexto de mudança do blog que agora será batizado com o sangue de Pulp Fiction. Então, no post a seguir virá a minha analise definitiva do meu filme favorito: PULP FICTION!

sábado, 24 de abril de 2010

Sobre Café e Cigarros-um filme a ser apreciado com calma

Sabe aqueles filmes cults até o último momento, então, “Sobre Café e Cigarros” é um ótimo exemplo disso, e transpira originalidade, genialidade e elegância. Não é qualquer um que vai gostar do filme. Para entende-lo é preciso calma e mente aberta.

 

O filme é dividido em 11 curtas, onde sempre há pessoas em cafeterias fumando e bebendo café (capitão óbvio na área), falando sobre diversos temas, dos mais banais aos mais interessantes, permeando teorias, histórias de vida e elogios fortes a bela combinação de café e cigarro. No longa temos diversos ótimos atores, sendo que alguns até interpretam a si mesmo no filme, o que é muito legal. Os nomes mais famosos no elenco são: Cate Blanchett, Roberto Benigni, Bill Murray, Alfred Molina, Steve Buscemi e os músicos Iggy Pop e Jack White. Todos tem atuações brilhantes que soam bem naturais, que caem como uma luva num filme que se sustenta apenas em conversas entre pessoas estranhas sobre assuntos estranhos.

 

Sem fazer apologia ao cigarro (nunca fumei), o filme consegue ser extramamente elegante com essa mistura de café, cigarro, bons atores e uma fotografia preto e branco impecável, criando um ambiente estético perfeitamente belo. Quem viu sabe, aquela fumaça saindo do cigarro numa tela preta e branca é muito estiloso, parece que estamos de volta aos filmes noir dos anos 40 e 50.

 

As conversas são inteligentíssimas, mesmo aquelas sobre o exato nada conseguem demonstrar certa genialidade, apresentando um roteiro muito bem montado de modo que não fica nada forçado, nada robótico, tudo ocorre com uma naturalidade assustadora, como se estivessemos numa mesa ao lado dessas pessoas. Tem muita coisa por trás dos dialogos, muita mensagem a ser desvendada ao assistir com mais calma ao filme, transformando-o num daqueles que merecem ser vistos mais de uma vez. A melhor parte pra mim é a da Cate Blanchett em que ela contracena com ela mesma, se dividindo entre duas personagens que seriam de certa forma duas partes da sua personalidade: a Cate atriz, certinha e formal, e a Shelly toda errada, alternativa e livre, fazendo uma critica a ela mesma. Naõ consigo explicar direito, só assistindo para pegar essa metalinguistica excepcional. A parte do Bill Murray também é sensacional, é a mais hilária do filme, onde ele interpreta si mesmo como um viciado a café que tem delírios, muito engraçado mesmo! Em algumas partes o filme pode ficar tedioso, mas são minimas, na conclusão da obra essas partes são esquecidas e o que resta é um longa fascinante.

 

Não escondo a minha vontade de dirigir um filme assim se um dia eu me tornar diretor, achei a proposta do filme muito interessante. Recomendo o filme aos cinéfilos mais cults, porque a maioria das pessoas tendem a achar esse filme chato, já que não tem uma história certa, nada chega a lugar nenhum, e bla bla bla, enfim, medíocres. Se você gosta mesmo de cinema e está com a cabeça enfiada no mundo cult, esse filme é essencial, e talvez, quem sabe, deva ser apreciado a belos goles de café e algumas tragadas de cigarro… (mais uma vez digo: não faço apologia a cigarro e não fumo :D)

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Um ano se completa, e o blog renasce

Mudança drástica né? Do nada, uma mudança geral assim, tão repentina. É a vida… Tá parei, to parecendo o Pedro Bial. Enfim, mudei! Mudei o nome do blog, o endereço do blog na web, o estilo estético do blog, a imagem de exibição, as ferramentas, tudo! Viva la revolucion! Acho que com o passar do tempo, eu amadureci (ou não) e o blog consequentemente também, e então percebi que aquele estilo antigo não combinava mais. O nome era banal, convenhamos, um trocadilho mais do que batido, e acabava sendo meio infantil, mesmo que eu deixasse bem claro que o blog são para os cinéfilos mais jovens, os adolescentes. A proposta do blog continua a mesma, falar sobre cinema de forma fácil, informal e sem nenhum moralismo. O blog continua sendo jovem, só que agora, com mais estilo, agora é “Cappuccinema”.

Esse novo nome, que como podem ver também é formado por um trocadilho que surgiu numa noite intensa de coca-cola com limão (minha Cuba Libre Virgem), une duas coisas que eu venero na vida: cinema (dã!) e cappuccino, a melhor bebida quente já feita. Inicialmente seria algo do tipo “Cinema e Cappuccino”, mas aí, metido a engraçadinho como eu sou, me veio o trocadilho na hora, e então nasce “Cappuccinema”, “porque cinema não combina só com pipoca”.

A imagem do cabeçalho está mais objetiva, diferente das outras duas que já passaram pelo blog, onde eu tentava colocar o maior número de figuras do cinema possível na imagem, o que acabava por vezes ficando estranho. Dessa vez, preferi me limitar a duas figuras importantes (lê-se “fodas”): Don Vito Corleone, o nosso grande Poderoso Chefão (tenho tara por trocadilhos), e a minha musa do cinema que esteve presente nas outras imagens do blog, a bela Mia Wallace de Pulp Fiction.

Espero que tenham gostado desse novo estilo do blog, estou aberto a criticas de vocês (que não ligarei muito =D). Mas sério, fiz essas mudanças necessárias para dar um novo ar ao blog, um ar mais maduro, porém sem perder a graça. Então, fecho este post anunciando o próximo, que fala de um filme que, de certa forma, tem a ver com o novo estilo do blog, e é, sem dúvidas, um dos mais criativos que eu já vi. Aguardem…

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Ainda não é hoje.Mas finjamos que é…

Bem, sábado é o aniversário do blog, que irá completar 1 ano de existência e paixão cinéfila, mas nesse dia estarei viajando. Voltarei domingo, mas também não poderei me dedicar ao site pois estarei estudando para as provas (é triste, eu sei), então decidi adiar as comemorações, apresentando-lhes todas as mudanças que eu estava programando. A seguir, o texto que eu já tinha escrito para o grande dia, não mudei nada:

Caramba! Não acredito que passou tão rápido! Hoje, dia 24/04/2010 se completa um ano de existência do blog. É muito gratificante pra mim conseguir ter levado esse blog até esse momento, onde estou mais ativo e empolgado do que nunca, ainda mais com a colaboração de vocês (tem alguém aí?). Eu digo e repito que o blog pra mim é um grande e divertido hobby, onde eu posso expressar meus gostos e sentimentos sobre a minha paixão ao cinema, então faço isso sem pretensão nenhuma, tanto é que não fico nervoso ou triste ao ver que poucos lêem o que eu escrevo. Não vou me estender muito. Estou realmente muito feliz por essa data e afirmo ao cinéfilo leitor que o blog vai passar por boas mudanças, sem perder sua essencia é claro, com o objetivo de melhor se apresentar para os leitores e se tornar mais eficiente. Então por fim, com vocês, a sra Marilyn Monroe que irá cantar para o blog seu famoso “happy birthday to you…”

sábado, 17 de abril de 2010

Pra Frente Brasil, Salve o Cinemão

Como eu disse no post de Cidade de Deus, eu nunca fui um cinéfilo muito patriótico, realmente tinha uma certa aversão ao cinema brasileiro, salvo alguns filmes. Mas ultimamente é visivel a tentativa brasileira de avançar no campo cinematográfico, lançando cada vez mais filmes de genêros diferentes, saindo dos habituais dramas sobre miséria ou comédias com apelo sexual.

Em 2009, praticamente, a cada semana lançava-se um novo filme brasileiro que conseguia atrair um bom público, lógico que não se compara com uma estréia internacional, mas se tem um número significativo, coisa que o cinema brasileiro não via faz um tempo. Foram cerca de 296 filmes lançados ano passado, sendo que houve um aumento de 79% no público para filmes nacionais. Esse número se deve especialmente a filmes como “Se Eu Fosse Você 2”, que conseguiu uma bilheteria incrível, “A Mulher Invisivel”, “Divã”, “Lula”, “Xuxa e o mistério de feiurinha” e “Os Normais 2”. Agora, saindo um pouco da analise de bilheteria que não importa muito nos bons filmes, o Brasil lançou muitos filmes diferentes, digo, filmes com histórias não convencionais ao cinema brasileiro. Ano passado tivemos filmes como “Besouro”, que foi um longa de ação com lutas estilo Matrix, uma novidade no cinema nacional, tivemos também filmes com temáticas diferenciadas como “Apenas o Fim”, “Hotel Atlântico”, “Histórias de amor duram apenas 90 minutos” “Os famosos e os Duendes da Morte” e “Federal”, ação que conta com Michael Madsen no elenco.

Agora em 2010, está previsto o lançamento de ainda mais filmes nacionais interessantes, como “Segurança Nacional”, filme de ação estilo Holywoodiano com Thiago Lacerda, “O Doce Veneno do Escorpião”, adaptação do livro homônimo que conta os relatos sensuais da prostituta Bruna Surfistinha, vivida por Debora Secco (esse eu não perco), “Tropa de Elite 2”, que deve repetir o sucesso do primeiro, e há ainda o filme “Faroeste Caboclo”, que contará a história relatada na famosa música do Legião Urbana. Conseguimos notar uma grande aposta do cinema brasileiro agora em filmes de ação, que vem rendendo um bom público.

Esse momento do cinema brasileiro é realmente muito bom, creio eu que agora pegaremos um embalo e continuaremos nos expandindo nessa área, receberemos mais investimentos e conseguiremos nos firmar no cinema entreterimento com comédias sobre temas diferentes e teremos reconhecimento no cinema crítico, avançando em termos de história, arte, e atuação, buscando o tão sonhado Oscar. Quem sabe no futuro não será considerado maluquice ingressar numa faculdade de cinema no Brasil? (dilema pessoal)

terça-feira, 13 de abril de 2010

Realidade no Cinema

Não sei se vocês perceberam, mas uma boa parte dos filmes que vem se destacando nos últimos anos estão tentando se mostrar os mais fiéis possíveis à realidade, o que pode ser bom ou ruim, dependendo do ponto de vista. Esses filmes tentam transmitir sua alta verossimilhança através de diferentes modos, seja pela história carregada de realidade cruel, pelo jeito da câmera e da fotografia como os filmes filmados com câmera na mão, ou até mesmo através do 3D que dá profundidade a imagem, criando uma espécie de teatro programado tecnológico.

Isso é bom? Sim, é ótimo. Mostra amadurecimento, nós saimos do mundo idealizado romântico onde tudo da certo e eventos acontecem convenientemente até um final feliz clichê, e vamos para uma narrativa mais concreta, menos hipócrita e mais ligada ao nosso tipo de vida. Filmes como Adaptação, Um Homem Sério, Onde os Fracos Não tem Vez, Borat, Amor Sem Escalas e Preciosa são ótimos exemplos de filmes que não querem a todo tempo estarem no plano “bobo feliz” do cinema, mostrando as coisas como são, mesmo que para isso seja preciso quebrar o cilma da trama no final ou simplesmente não dar um grande final cinematográfico ao filme, apenas cortando a imagem, entendem? Não estou dizendo que eles deixam de lado todo romântismo, mas não abusam dele, preferindo manter-se real e verdadeiro. Nessa roda de filmes, ainda podemos colocar títulos como Distrito 9, Atividade Paranormal, A Bruxa de Blair e Watchmen, que por mais que saiam da nossa realidade, por assim dizer, mantem-se verdadeiros e lógicos, presos a fatores que interferem na trama, fatores que pertecem a nossas vidas, fazendo esse jogo de realidade alternativa que permanece verossímel.

Isso é ruim? Pode ser se avaliarmos da seguinte forma: não há nada mais belo que a imaginação humana, que é supremamente exaltada no romantismo, ou seja, criando tramas românticas, distantes da nossa realidade, criamos mundos diferentes, situações diferentes, para onde podemos fugir quando nossas vidas ficarem chatas, o que é bem legal, não desmereço esses tipos de narrativas. Temos como exemplos: Avatar, Star Trek, O Fabuloso Destino de Amelie Poulain, Um Sonho Possível, filmes que usam e abusam da imaginação de seus autores ou que “enfeitam” histórias reais.

Acho que é realmente necessário essa nova onda de filmes “reais”, isso demonstra que cinema não é só “viagem”, é reflexão sobre como são as coisas, como o mundo pode ser (e é) cruel, como as pessoas realmente tratam umas as outras e como elas são de verdade, sem muitas maquiagens ou atrativos físicos, ou seja, temos numa tela grande o “normal”. Mas, em contra partida, acho ainda mais necessário essa parte de filmes idealizados, porque desenvolve demais a originalidade dos filmes, quando é feito direito é claro, e não simplesmente quando se copia. Em resumo, acho que o equilibrio é o essencial, os dois tipos de filmes devem coexistir, para que o telespectador não feche os olhos para a realidade, mas que também não se esqueça de sonhar.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

A Ilha do Medo- Suspense Psicológico Angustiante

Martin Scorsese se aventura mais uma vez no campo do suspense psicológico, sendo que agora ele repete a parceria de sucesso com Leonardo DiCaprio que vem dando certo nos últimos longas do diretor. Em A Ilha do Medo, ele mostra que a parceria não só funciona em filmes para prêmios, mas também em filmes de entreterimento inteligente, com uma obra que fará você dar muitas voltas na sua cabeça.

No filme, DiCaprio dá vida ao detetive Teddy Daniels que na década de 50 vai investigar o desaparecimento da assassina psicopata internada na peculiar Shutter Island, ilha usada como “clínica” de reabilitação de doentes mentais onde novos tratamentos inovadores são testados nos “pacientes”. Daniels vai descobrindo cada vez mais coisas sobre o local, e ficando horrorizado com suas descobertas que vão muito além de suas iniciais expectativas de forma que da sanidade para a insanidade resta apenas um passo.

Com um ritmo intenso e um roteiro regado de lembranças, flashbacks e visões, A Ilha do Medo é um prato cheio para os amantes de filmes cabeça. O filme nos faz acompanhar de perto a investigação de Daniels, nós sabemos o que ele sabe e apenas isso. Nós, assim como Daniels, não fazemos ideia do que virá a acontecer, e vamos aos poucos ligando as peças para desvendar os mistérios da ilha, que só são revelados realmente no final, até lá, o número de reviravoltas é enorme. Mas algo que eu tenho que ressaltar é o seguinte: há um certo momento no filme em que você começa a desconfiar do que se trata tudo aquilo, você supõe já com uma certa certeza, pois a pista que o filme nos dá é realmente bem clara, quebrando um pouco a expectativa para o final, porém, o longa é tão bem elaborado e conduzido que você depois começa a se questionar novamente sobre suas deduções sherlockianas, o que trás o filme de volta para o campo das incertezas. Acho que se não tivessem dado a tal pista, talvez a gente se surpreenderia mais no final, mas de um modo geral, isso não atrapalha muito, confiem em mim.

As atuações no filme estão impecáveis, DiCaprio como sempre tem uma atuação que se adequa ao personagem de forma assustadora tamanha a perfeição de sua performance. Os personagens secundários estão todos muito bem alinhados. Ben Kingsley faz o Dr Cawley que acompanha a investigação de Daniels de modo suspeito, tendo uma atuação bem sínica, muito boa mesmo. Ao lado de Daniels, está o parceiro dele da polícia, Chuck, vivido por Mark Ruffalo, um ator que se dá muito bem em papéis secundários. Fechando o ciclo de boas atuações, temos a, até então desconhecida por mim, Patricia Clarkson, que dá um show de atuação no papel da assassina fugitiva que descreve para Daniels toda uma teoria de conspiração sobre a ilha, tudo de modo extremamente natural, o que me deixou fascinado não sei porque.

Scorsese fez em A Ilha do Medo, jogos de câmera e iluminação que te deixa “louco”, literalmente, de tão bom, nos aproximando do ambiente insano que é um hospício completamente isolado do mundo, dando a sensação angustiante de como seria estar lá. Sem falar nos momentos de tensão, que chegam a dar sustos em algumas partes, atigindo o ponto pretendido por Martin desde o começo. A trilha sonora pesada contribui, e muito, para isso, podendo até ser comparada a trilha sonora de Cabo do Medo, filme TENSO de Scorsese com DeNiro que tem uma das músicas de vilão mais famosas e intensas da história do cinema, que fazem seu sangue gelar num segundo. A parte estética do filme é ótima, os figurinos, os cenários, as mobílias, tudo é armado com muita perfeição nos mínimos detalhes.

Eu simplesmente adoro esses filmes “quebra-cabeça”, e sendo assim gostei muito de A Ilha do Medo, que tem tudo para agradar os fãs do gênero, e inclusive os fãs do Scorsese, que serão anestesiados por mais essa grande obra do diretor que consegue prender bem a sua atenção do inicio ao fim com reviravoltas inimáginaveis. É um filme bem psicológico mesmo, ele faz você entrar no mundo dele, e como diz a frase do poster: “Alguns lugares nunca te deixam sair”

Deixo a seguir o trailer do filme que é fodástico:

domingo, 4 de abril de 2010

Nine-O pior jeito de matar um filme é falar sobre ele

Sabe qual é o maior problema dos filmes que são muito esperados? Serem muito esperados. Frase óbvia e sem graça nenhuma de seu escritor que aqui vos fala, mas que caracteriza bem o que aconteceu com Nine, o musical comentadissimo do mesmo diretor do excelente Chicago. O filme foi muito aguardado pelos amantes do cinema, todos comentavam pela sua grandiosidade, pelo seu elenco estrelar e principalmente por se tratar de uma remontagem da obra prima de Fellini, e quando o dia de sua estreia finalmente chegou, derrubou um grande balde de agua fria na plateia e foi exculhambado pela critica, mesmo sendo um bom filme, me explicarei mais tarde.

Nine conta a história de Guido Contini (Daniel Day Lewis), um diretor italiano que posteriormente fizera muito sucesso, sendo um dos grandes nomes do cinema italiano, mas que se encontra num momento de bloqueio criativo que pode ter, ou não, uma conexão com sua vida completamente excêntrica que lhe vem tirado o sono. Ele sempre foi rodeado por belas mulheres, mas nunca soube escolher apenas uma. Contini é casado com Luisa (Marion Cottilard), mas tem como amante fixa a gostosa Carla Albanese (Penélope Cruz), além disso tem a sua atriz preferida Claudia (Nicole Kidman) como musa inspiradora. Na sua vida ainda há: o fantasma de sua mãe, que sempre aparece nas lembranças de Contini, a sua figurinista Lili (Judi Dench) que sempre tem bons conselhos para dar, a prostituta de sua infância Saraghina (Fergie) que nas suas lembranças ainda habita, e por último ainda tem a reporter Stephanie (Kate Hudson) que fará de tudo para saber mais da vida do misterioso diretor. No meio de tantos casos a parte a história se desenrola tentando equilibrar a criação do filme e a vida de Contini que está por um triz.

Serei direto: eu achei bom, nada mais. A história é bem legal, o roteiro tem ótimas tiradas e te envolve bem, porém há momentos bem cansativos, tanto musicais quanto normais, por assim dizer. Acho que até talvez funcionaria melhor se não fosse musical, porque realmente se formos comparar com Chicago, as músicas não são tão empolgantes. Apenas duas me chamaram atenção, mas foram bem intensas, a da Fergie, “Be Italian”, que tem uma boa montagem e um ritmo ótimo, e da melhor cena do filme na minha opinião, cantada e encenada por Cotillard “Take it All”, que é algo inexplicavel de tão bom, só vendo pra entender. Analisando agora como um filme “normal”, ele tem uma boa intenção e na minha opinião à atinge, que é fazer a metalinguagem entre o filme Nine em si e o filme que Guido está “dirigindo”, o que é algo bem interessante e bem elaborado, e que me fez gostar do filme mesmo com os momentos borings.

As atuações são boas, não de todos, mas analisando aqueles que mais importam, que são Lewis, Cruz e Cotillard, tudo sicroniza com perfeição. Lewis nem precisa de elogios, ele é um dos melhores atores, se não o melhor, da nossa geração, e no filme não é diferente, e mostra toda sua desenvoltura fazendo um papel diferente daqueles em que ele está acostumado, sendo um ótimo e irônico diretor mulherengo. Penélope Cruz está de tirar o fôlego, sua primeira apresentação musical é a mais sexy do filme, fazendo poses que divertirão todos os marmanjos (me divertiu), e como sempre tem ótimas performances nas partes mais densas do longa, conseguindo mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. E Cotillard nos conquista da primeira à última cena, seu olhar expressivo, acompanhado de sua atuação formidável nos apresenta uma personagem que por mais que pareça submissa, nos surpreende e tem, como eu já disse, a melhor cena do longa. As outras mulheres ajudam a compor o cenário, mas nenhuma tem grandes participações, a não ser Dench, que não adianta, em qualquer filme que faça chamará minha atenção, é uma das melhores.

Aqueles que criticaram Nine não estão completamente errados, há falhas no filme sim, mas não é algo a ser tão condenável, há muitos filmes piores nesse vasto mundo incerto do cinema, e merece sim ser visto. O grande pecado irônico de Nine é ter sido muito aguardado, por tudo aquilo que eu já disse, e como diz o próprio Contini no filme “há vários jeitos de matar seu filme, e o pior deles é falando sobre ele”. Ironia meus caros, ironia. Pra resumir, eu recomendo, mas vá assistir desarmado, esqueça qualquer coisa que tenha lido sobre o filme e até esqueça do filme do Felini se possível, e acredito que você vá achar o filme pelo menos bom.

Obs: As mulheres do elenco estão mais bonitas do que o normal, é uma coisa impressionante, é um musical que merece ser visto por todos os homens, principalmente aqueles que torcem o nariz para musicais.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Mês de Aniversário do Cinemania!!!

Cara, eu nem acredito que estou quase completando um ano com esse blog. É o 1º que eu consigo sustentar por tanto tempo, não sei como vocês aguentaram ler tanta besteira que eu escrevo! Quando eu criei esse blog, estava pensando apenas num lugar para eu desabafar sobre essa minha paixão pelo cinema, nada demais, mas acabou crescendo (ahan,senta lá), e eu fui ficando viciado em postar, sempre querendo coisas novas pro blog, querendo deixa-lo mais interessante, mais atrativo, e fui também fazendo propaganda, no Twitter principalmente, divulgando mais o blog e ficando bem feliz por receber visitas de várias partes do Brasil (bem, isso é o que diz o contador).

Mas enfim, nesse mês, tentarei postar ainda mais, mudar um pouco o estilo, escrever coisas diferentes, para comemorar o aniversário do Cinemania Jovem que no dia 24/04 (sem piadinhas) completará 1 ano de existência!

Obs: Não postarei nesse fim de semana porque estarei viajando, mas quando voltar, meltralho vocês com novos posts ;D

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