domingo, 30 de maio de 2010

A Estrada- O Importante Não É o Destino…

Sabe aqueles filmes que começam do nada, terminam do nada e passam boa parte do tempo no nada, mas ainda assim é interessante de assistir? Então, “A Estrada” é o melhor exemplo desse tipo de filme recentemente, que mostra até onde um homem pode chegar pela sua sobrevivência.

 

A história é de certa forma simples. Num futuro pós apocaliptico onde a humanidade já foi quase toda devastada, a natureza destruída e os poucos que restaram brigam entre si por comida, um homem com seu filho lutam pela sobrevivência em tempos dificeis e cruéis. Sem muitos recursos, os dois vagam em direção ao sul do país onde acham que a situação não está tão ruim por não ser tão frio, e assim seguem seus caminhos observando toda destruição ao seus redores e fugindo de qualquer um, pois nessa época todos são possíveis inimigos. No percurso, diante de tantas atrocidades, o pai ainda tentar ensinar o filho a ser digno e bom, o que será na verdade o maior desafio, já que ele mesmo já não é tão bom assim.

 

Com belas imagens de destruição (se é que posso chamar de belas) e uma fotografia cinzenta esfumaçada, o filme se garante apresentando uma visão bem realista de como seria o mundo depois de seu fim, e como os homens que restaram se comportariam diante disso, mostrando cenas de canibalismo e outras selvagerias. Selvagem. Essa é a  palavra que representa como os homens seriam, de acordo com o filme, o que realmente não é dificil de acontecer. E no meio disso tudo vemos 2 pessoas que só podem contar uma com a outra, e enfrentam juntas todas as dificuldades, fortalecendo assim suas relações de pai e filho, o que é bem expresso no longa de forma tocante. Nesse ponto, as atuações ajudam bastante. Viggo Mortensen está exato, transpirando cansaço e determinação na luta pela suas vidas e ainda tentando manter a calma para não assustar o filho, interpretado por Kodi Smit-McPhee que traduz bem a ingenuidade de seu personagem. No elenco também temos Charlize Theron, Robert Duvall e Guy  Pearce, que fazem aparições rápidas, nada demais.

 

“A Estrada” é um filme para se ver com calma, quando se quer calma, pois não verá  muita ação. Há momentos de tensão muito bem armados, mas não é algo frequente, o foco do filme não é esse, o que está em foco é a relação entre pai e filho. Tanto é que o final é meio “nada a ver”, e pode desagradar aos adoradores de cinemão. Então recomendo o longa àqueles dispostos a ver um filme pós-apocaliptico fiel a realidade, sem muitas explosões, efeitos especiais e final glorioso. É um filme que traduz bem a célebre frase: “O importante não é o destino, mas sim a jornada”.

sábado, 29 de maio de 2010

Zelig-Genial,Irônico,Filosófico,Crítico,Engraçado

Quantos adjetivos eu consigo dar a esse filme? É realmente algo a pensar, pois poderia ficar horas e horas escrevendo sobre ele, elogiando a cada frase. Mas não me estenderei muito, tentarei ser objetivo na análise desse transgressor cult.

 

Zelig é um longa do genial Woody Allen, um dos meus diretores favoritos, que reiventa o cinema com algo nunca antes feito, e que hoje é um estilo muito usado: o pseudo-documentário. Sim, foi titio Allen que teve essa ideia brilhante, e graças a ele temos Borat, Brüno, Bruxa de Blair entre outros plágiadores ou seguidores, chamem como quiserem. Zelig, diferente desses “seguidores”, consegue transmitir uma mensagem bem mais crítica e forte, que consegue mexer com os pensamentos de todos, sem precisar quebrar muito a cabeça. A história que nos é contada como um documentário sério é a do peculiar Leonard Zelig, o “Homem-Camaleão” (interpretado por Allen), que impressionou os EUA na década de 20 com sua habilidade estranhamente especial: se transformar instantaneamente na pessoa mais próxima, não ficando um clone, mas sim adquirindo suas características, exemplo, conversando com um obeso Zelig fica obeso, conversando com um negro, ele fica negro, e assim por diante. Zelig vira então uma celebridade da noite para o dia, todos ficam curiosos com suas habilidades, principalmente a comunidade médica que fica fascinada com a capacidade de Zelig de se transformar, e como ele não tem escolha, é algo automático, os médicos a consideram uma doença, e pedem para analisa-lo. Sem muitas descobertas ou sucesso na “cura” da doença de Zelig, os médicos desistem, exceto a Dr. Eudora (Mia Farrow) que persiste na ideia que é algo psicológico e que conseguiria curá-lo com terapias. Então, lhe é concebida a permissão de trata-lo, e a partir daí descobrimos aos poucos mais sobre o “Homem-Camaleão” e suas bizarrices.

 

O filme é extremamente engraçado, como todo filme satírico de Allen, o que não faltam são piadas irônicas e gags visuais, que nos ajudam a digerir toda a mensagem que o filme nos quer passar. A crítica principal que o filme faz é a questão de nós humanos estarmos sempre tentando mudar nosso jeito de ser para que assim nos sintamos mais a vontade e seguros diante dos outros, que julgamos serem melhores que nós, o que não é verdade. O mais incrível é o modo escolhido por Woody para nos dizer isso, a sacada de uma doença que faz um homem se transformar nos outros para se sentir bem é inteligentíssima, é uma analogia simples e sútil mas que nos atinge como uma bala de canhão, e nos faz refletir, ou melhor nos convence a deixarmos de tentar copiar os outros e termos nossos próprios jeitos de ser e nossas próprias opiniões. E no meio disso nos faz dar gargalhadas histéricas, o que é a especialidade de Allen: nos enfiar uma faca sem percebermos, pois estamos rindo! (FODA!) Como se fosse pouco, o filme ainda crítica a questão das “celebridades instantaneas” que geram movimentações populares e principalmente exploração pelo comércio que suga até a última gota do sucesso de tal pessoa. Genial.

 

Recomendo àqueles sem preconceitos com filmes não convencionais, pois esse é mega  não convencional e pode desagradar a muitos. Mas quem curte Woody Allen vai adorar essa crítica inovadora e assustadoramente atual que só esse doido paranóico consegue fazer com tanta perfeição.Quantos aos adjetivos para o filme, a lista continua: inteligente, satírico, diferente, impressionante, inacreditavel, surreal, foda, estranho, excêntrico, transgressor, excelente…

domingo, 23 de maio de 2010

Sin City- O estiloso neo-noir da cidade do pecado

Como um filme pode ser tão perfeito, eu realmente não sei, mas não questiono, simplesmente agradeço por existir. Sin City é algo sobrenatural de tão bom, que enche os olhos com uma estética inovadora, histórias que chamam atenção e sequencias de ação de tirar o fôlego, além de um elenco de estrelas que caminham juntos pela perfeição do longa.

 

O filme dirigido por Robert Rodiguez leva as telas 4 contos da série de quadrinhos de mesmo nome criada por Frank Miller, que também ajudou na direção do longa. No primeiro conto temos um misterioso assassino de aluguel (Josh Hartnett) cumprindo uma missão. Num outro, temos Marv (Mickey Rourke), um cara durão grotesco que após se apaixonar (lê-se “transar com mais intensidade”) por uma prostituta se vê envolvido numa trama estranha que mistura padres, canibalismo e policiais. No terceiro conto conhecemos Dwight (Clive Owen), que ajuda a proteger a Old Town, parte da Sin City que é povoada pelas belas garotas de programa locais, que se vêem ameaçadas após a morte de um policial (Benicio Del Toro) no lugar, e desencadeiam uma matança sangrenta do jeito que Rodriguez gosta. Fechando o ciclo, temos a história de Hartigan (Bruce Willis), o último policial honesto de Sin City, que chegando perto da sua aposentadoria, encara o caso do rapto de uma menina de 11 anos pelo filho do senador, que gera uma busca incansável e muda a vida de muitos  na história.

 

Sin City levou o título de melhor adaptação para cinema de um HQ, o que é merecidissímo! Quem viu sabe que a estética do filme é perfeita, e a semelhança com os quadrinhos chega a assustar, nas palavras de um famoso desconhecido que eu vi na net “não parece que estamos vendo um filme, mas sim uma HQ em movimento”. Sua fotografia estilosa remete os traços gráficos neo-noir dos quadrinhos, fazendo de Sin City um bom filme a ser apreciado em Blu-ray numa tela gigante. O que eu acho mais legal na sua fotografia é o seguinte: o filme é praticamente todo em preto e branco, mas com alguns elementos coloridos, como lábios, vestidos, sangue, fazendo contrastes chamativos e extremamente estilosos. Além disso, há momentos em que vemos só as  formas dos personagens preenchidas por tons escuros, criando jogos de imagens impressionantes. Posso dizer sem medo que Sin City é o filme com melhor apelo visual da história do cinema.

 

Os personagens são bem únicos, e traduzem bem a cidade do pecado, onde não há nenhum mocinho e a lei que vigora é a dos mais fortes. O elenco é bem recheado e ninguem tenta ofuscar o outro, além dos já mencionados, temos ainda Jessica Alba, Brittany Murphy, Rosario Dawson, Elijah Wood, Carla Gugino e Michael Madsen. Assim como em Pulp Fiction, as histórias e os personagens se cruzam de diversas maneiras, transformando 4 histórias soltas em um jogo violento bem entrelaçado e não-cronológico. A ação é bem armada de acordo com as histórias, que são narradas em off quase em sussurros pelos próprios personagens, adaptando bem o estilo de narração da HQ. Quando ver o filme, não ligue muito para sua verossimilhança, pois há situações bem bizarras, como um cara levar trocentos tiros no peito e permanecer vivo, mas isso não diminiu o filme, só o deixa mais atrativo, então  não venha bancar o físico chato.

 

Um fato curioso é a participação especial de ninguem menos que Quentin Tarantino na direção do longa. Ele dirige a cena de Clive Owen e Benicio Del Toro no carro. Não é uma cena muito grande, mas é grandiosa pelos seus detalhes absurdos, entenderam?(eu não).

 

Recomendo a obra prima de Robert Rodriguez para aqueles que têm mente aberta e nenhuma aversão por inovações e cenas violentas, pois o filme pode desagradar os que vivem no século passado. Quem gosta, assim como eu, de filmes com personagens independentes que se cruzam por situações violentas, vai adorar Sin City. Acreditem em mim, suas vidas mudarão depois de ver esse delírio visual sobre a cidade do pecado criada por Frank Miller.

“Andando pelo beco certo em Sin City você pode encontrar de tudo”

Perfeita comparação do filme com a HQ

 

Música mais marcante do filme:

  • Cells- The Servant

 

Frase marcante do filme:

  • Um homem velho morre. Uma jovem mulher vive. Uma troca justa. Eu te amo Nancy.

quinta-feira, 20 de maio de 2010

1001 filmes para ver antes de morrer- O LIVRO!

Você amigo leitor, se você se “acha” cinéfilo você tem praticamente a obrigação de ter esse livro! Pra mim, ele não é apenas um livro. Pra mim, “1001 Filmes para ver antes de morrer” é uma bíblia.

 

O livro trás a resenha de exatos 1001 filmes que, adivinhem, você deve assistir antes de morrer. Na lista estão presentes desde filmes blockbusters interessantes até clássicos do cinema B, passando por filmes de arte japonês e trashs dos anos 80. É uma lista bem completa mesmo, que menciona realmente só a nata do cinema, se um filme for realmente bom e tiver sido lançado até 2007, está na lista!

 

O sistema de organização é bem legal, há vários menus que vão te ajudar a encontrar o filme desejado em meio de 960 páginas. E além disso, tem um índice bem legal, onde você pode marcar aqueles que você já viu, para assim controlar melhor os adoraveis longas que terá que assistir para ter uma morte tranquila. No livro em si, os filmes são postos em ordem cronológica, o que facilita bastante na leitura e na procura.

 

Eu li o livro todo 2 vezes, e fui fazendo realmente uma lista daqueles que eu queria mesmo ver, e falando sério, eu fiz uma lista na primeira vez que eu li, quando li de novo tudo, acrescentei à lista quase que o dobro do que tinha antes! É uma leitura que passa voando, você não vê o tempo passar, e nos dá uma carga de conhecimento cinéfilo extraordinária.

 

  “1001 Filmes Para Ver Antes de Morrer” é o tipo de livro de cabeceira que você pode comprar sem medo que não será dinheiro jogado fora, ou a situação clássica de “livro q se lê uma vez só”. Recomendo mesmo, se quer presentear um cinéfilo, dê isso e ele te idolatrará, acredite, mas dê rápido, pois ninguém sabe em que dia vai morrer, então é bom todos já estarem preparados e com a consciência tranquila que aproveitou bem de sua cinefilia!

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Alice no País das Maravilhas- O preço do sucesso

Cinéfilos que acompanharam a carreira de Tim Burton, acredito que vocês, assim como eu, tiveram uma bela de uma brochada quando assistiram Alice. A expectativa gigantesca e o resultado final culminaram num sentimento de insatisfação enorme, embora o filme possa ser enquadrado como bom (apenas bom). O que pode ter gerado isso foi a perda de certas características básicas de Burton, que, por causa da publicidade, teve que “idiotizar” o seu longa e tranformá-lo num blockbuster, pagando o famoso “preço do sucesso”.

 

O longa leva para as telas os personagens criados por Lewis Carrol numa espécie de continuação do clássico livro, porém com situações praticamente iguais ao original, colocando agora Alice de volta ao Mundo das Maravilhas 10 anos depois, sem que ela se lembre que já esteve lá. Dessa vez, Alice foge para seu encantado mundo durante uma festa vitoriana onde estava planejado dela ser pedida em casamento por um nobre bundão, então mais uma vez segue o peculiar coelho branco e acaba   caindo no mundo do impossível, onde as coisas estão mais estranhas que o normal, por assim dizer.

 

Quem conhece a história do livro, mesmo que seja pelo antigo desenho da Disney (eu), sabe que por trás de toda a “beleza” do lugar dos sonhos, há uma carga grotesca de excêntricidade obscura que faz gelar o sangue daqueles que se aprofundam mais na subjetividade do conto (eu). Então simplesmente encaixaram a luva na mão de Burton. Prestem atenção. Tim Burton é considerado um dos diretores mais darks e excêntricos do cinema atual, seus filmes passados mostram claramente isso, Edward Mãos de Tesoura fala por si só. Então nos vem a notícia de que ele, the motherfucker do cinema gótico, assumiria a direção de uma nova adaptação de Alice no País das Maravilhas e ainda teria no elenco Johnny Depp e Helena Bohan Carter (amante e esposa dele, respectivamente). O que acontece? Cria-se uma expectativa bem grande. Quando começaram a sair os postêrs, os fãs ficaram enlouquecidos, o visual prometia, e muito, aparentava traduzir a peculiaridade local com coisas psicodélicas, explorando cores fortes e chamativas, fazendo nossa curiosidade subir a graus inimagináveis. Todos estavam confiantes que deram o trabalho certo para o homem certo, o toque sombrio e estranho de Burton conseguiria passar com mais intensidade a mensagem do conto que o antigo desenho da Disney não conseguiu passar, obviamente por se tratar de um desenho, então os ânimos para estreia só aumentavam… Só que os fãs, tanto de Burton quanto de Alice, se esqueceram de uma coisa bem trágica: o filme é da DISNEY, e pelo lúdico nome “país das maravilhas” o longa ganhou proporções infantis, ou seja, não podia ter coisas que assustassem as criancinhas que queriam ver coelhos falantes e o chapaleiro dançando rebolation. Resultado: adeus Alice cheia de simbologismo e profunda, olá Alice Barbie “ousada” e ratinhos falantes mosqueteiros.

 

O filme não é de todo ruim, como eu disse, pode até ser qualificado como bom, porém não mais do que isso. Há momentos bem cansativos, e não nos é apresentado nenhum grande roteiro, até porque o filme acabou realmente se direcionando para o público infantil. O problema gira todo em torno do direcionamento do filme, nós esperávamos algo um pouco mais maduro, mas tudo que recebemos é um passeio num parque temático estranho e bobo. Mas enfim, vamos aos elogios. A parte estética é bonita, ótimos figurinos, o cenário enche os olhos, a trilha sonora é bem composta e temos leves momentos de boas atuações. Os efeitos especiais dão um tom certo para o Gato de Cheshire, uma boa surpresa para mim, pois manteve a sua astúcia e o jeito dele aparecer e desaparecer ficou bem legal. O elenco foi bem escolhido, não dava para ser outro. A desconhecida atriz que interpretou Alice estava bem posicionada, Depp estava incorporado como sempre e Bohan Carter poderia ter exagerado um pouco mais na dose de excêntricidade, mas estava bem. Agora vamos ver como eu (e muitos) queriam que o filme tivessem sido:

  • Gótico, já falei disso incontáveis vezes, o Tim Burtom é um cara gótico e devia agir como tal, Alice dava para se enquadrar perfeitamente numa aparência sombria, pois se pensarmos bem sonhos e pesadelos são as mesmas coisas, só dependem do ponto de vista.
  • O filme devia ser mais adulto, seria perfeito. O longa seria mais inteligente, não teria que se preocupar ao mostrar coisas assustadoramente bizarras e poderia usar e abusar de recursos linguísticos mais complicados de se entender, e assim, se tornaria uma obra prima de Burton (perdeu feio essa chance). E tipo, por mais que o nome “Alice No País das Maravilhas” remeta algo infantil dá para afastar as criancinhas, colocava um aviso nos trailers bem explicito do tipo: “não é um filme infantil, vão na sala ao lado que vai estar passando ’Como Treinar Seu Dragão’ “, e colocava também uma censura de 14 anos e pronto.
  • Ouso dizer que se fosse uma adaptação fiel do conto seria bem melhor, esse lance de “continuação da história dez anos depois com uma suposta amnésia que leva Alice a fazer quase as mesmas coisas sem perceber que já tinha feito” ficou bem tosco, mexeu com a lembrança de muitos, que ficaram indignados ao ver tanta diferença entre as versões, o que gera críticas desfavoráveis ao filme. Um filme com a Alice original (pequena) contribuiria surpreendentemente à uma história mais gótica e pertubadora, incitando mais a busca pelo desconhecido mundo dos sonhos.
  • Outra, o filme deveria focar mais na Alice, e não no Chapeleiro Maluco por motivos óbvios. Ok, Johnny Depp é foda, mas não é ele que faz a Alice do título, e na história original ele nem tem tanto destaque, então foi uma apelação do caramba para chamar o público.

 

Burton foi tomado pela cobiça e cegado pelo sucesso, optou por um filme comercial à um subversivo, preferiu ser reconhecido hoje à ser lembrado amanhã, e deu no que deu. É triste ver isso acontecer no cinema, mas Burton já estava se encaminhando para esse lado. Sua genialidade ainda é visível, mas não é explorada como deveria, o que é uma grande pena. Enfim, espero que essa “moda” não se espalhe entre os diretores, o cinema de verdade tem que continuar mesmo depois de Avatar e dos filmes em 3-D. O capitalismo já destruiu os homens, não podemos deixa-lo destruir a arte.

 

Recomendo o filme como algo interessante para se fazer com a família quando as outras opções de filmes forem muito ruins. É um filme que deve ser assistido sem grandes esperanças, assim talvez ele passe raspando num “ótimo”. Mas na boa, saudades dos filmes antigos do Burton onde os efeitos eram feitos de massinha em stop-motion, Beetlejuice que o diga…

Bem vindo a Disney! Aqui, todos nós somos malucos….por dinheiro!

sábado, 8 de maio de 2010

Mateus, O Balconista- Mais uma surpresa brasileira

O Brasil já me surpreendeu uma vez com o genial curta do Selton Melo com o Seu Jorge, o Tarantino’s Mind, porque eu realmente não esperava algo assim dos brasileiros (sem ofenças, também sou). Agora, outro curta, que é melhor qualificado como série, que me fez acreditar na cinefilia brasileira foi “Mateus, O Balconista”, estrelado por Mateus Solano (os gêmeos da novela, como todos o chamam) que interpreta, vejam só, um balconista de uma videolocadora fã do Tarantino (*-*) e que sonha em se tornar um diretor como o ídolo, seguindo seus passos, já começando por ser um balconista de videolocadora. No curta inicial, ele se apresenta, e depois conversa com um cliente que não gosta muito do Tarantino, o que faz com que Mateus entre em guerra com o cara. De forma muito engraçada, o curta diverte e esbanja cultura cinéfila, sendo um prato cheio para nós.

“Mateus, O Balconista” é uma espécie de série criada para ser transmitida pelo celular, tendo vários episódios de poucos minutos que podem ser encontrados no You Tube fácilmente. Parece que o sucesso da série foi tanto que lançaram um dvd com os episódios, inacreditavel. É realmente imperdível, super recomendo já deixando o episódio inicial aqui em baixo!

terça-feira, 4 de maio de 2010

Um cinéfilo no Barra Shopping

No feriado combo de Tiradentes+São Jorge da semana retrasada eu e minha família decidimos passar 2 dias no Rio de Janeiro para que, de uma vez por todas, eu pudesse me entitular como brasileiro visitando os pontos turísticos do Rio (Cristo, Pão de Açucar, Copacabana, Rocinha, etc). Mas, como a metereologia me odeia profundamente, o tempo estava péssimo, de forma que eu não vi o Rio como ele parece nas novelas de Manoel Carlos. Então, decidimos deixar essas vistas de gringo no Rio para uma próxima vez, e fomos apenas no Barra Shopping, o que de maneira nenhuma foi ruim. Ficamos lá o dia todo e depois voltamos para a podre Volta Redonda (Bosta Redonda, para os íntimos moradores). Lá no shopping, me foquei na parte cinéfila cultural do lugar, e nas bundas femininas locais, mas enfim, voltando, fui nos lugares mais interessantes para um cinéfilo e para alguém que curta mídias em gerais. Quando estava lá me ocorreu a ideia de passar todas essas minhas experiências para o blog, tirando fotos das coisas mais interessantes que via e fazendo notas mentais para escrever aqui. Além disso, pensei em tornar isso uma coisa frequente no blog, toda vez que visse algo diferente relacionado a cinema postaria aqui, criando até uma espécie de guia para aqueles que curtem uma cinefilia externa e divertida.

 

DSC00102No grotescamente grande shopping há três lugares básicos que um cinéfilo tem que ir: Fnac, Saraiva e Livraria da Travessa. Na Fnac dá para se passar a tarde inteira sem se cansar do lugar. A variedade de coisas é tamanha que a gente se perde na loja labirintica. Não me estenderei muito no geral, manterei o foco no cinema. Temos uma variedade de filmes bem extensa, dando para encontrar tanto filmes cult superficiais como blockbusters comerciais, agradando bem os dois públicos com preços normais de vendas. Além de filmes, encontramos também bons livros sobre a sétima arte, inclusive aqueles bem raros em línguas estrangeiras. Também encontramos muitas HQs que viraram filmes, e lógico, fui atrás a edição definitiva de Watchmen, que é algo de chorar de tão perfeito, a embalagem chegou a brilhar na minha mão, até o momento em que eu fui ver o preço (R$120,00) onde fui jogado na realidade de forma brusca e cruel. Na loja ainda temos muitos, mas muitos cd’s com trilhas sonoras de filmes que se tornaram lendas pela trilha sonora. Encontramos Blade Runner, Laranja Mecânica, Kill Bill, Bastardos Inglórios, Chicago e PULP FICTION!! Os preços, assim como os dvds são bem rázoaveis. Curiosamente, também encontrei uma seção só de posters de filmes cult (Poderoso Chefão, Casablanca, Pulp Fiction), mas com preços esfaquiadores (R$30,95), além disso também há camisas cinéfilas bem legais. Também tem seções de miniaturas de personagens de filmes perfeitamente feitas, bem legal msm. Veja alguns achados:

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Mega coleção dos filmes do Hitchcock= R$120,00

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Miniatura grande do novo batmovel= R$2999,90 (ta né)

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Os cd’s das trilhas sonoras. O do Pulp Fiction eu vou comprar!!

Na Saraiva há também uma boa variedade de coisas, não tanto quanto a Fnac, mas é uma loja ótima, o clima é muito bom. O mais legal que eu vi lá foi uma seção de imagens clássicas do cinema em preto e branco com moldura por um bom preço, que eu não lembro qual.

DSC00114Agora, a melhor loja que eu fui foi a Livraria da Travessa. Você entra na loja e é teletransportado para um mundo de cultura que te rodeia por todos os lados, é impressionante. Quando eu vi de longe, pensei que não era grande coisa, quando eu entrei e olhei em volta tive orgasmos! Sabe a cara do esquilinho de A Era do Gelo 2 quando ele vê a noz gigante no céu, então, minha cara era a MESMA! É muito grande a loja, tem dois andares repletos de cultura em todos os tipos: livros, cds, dvds, tudo. E é o lugar em que eu mais vi filmes cults! Mas filmes cults mesmo! Filmes cult que eu achava que não existia em dvds, só barra pesada do cinema. É lógico que os preços não são baixos, mas vale pela raridade deles.

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Achei legal, só isso :D

Achei esse relógio em formato de claquete numa loja chamada Jou Jou, muito interessante né não?

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Esse quiosque foi o maior achado do shopping, tem muitos souvenirs cinéfilos, tem de tudo, por preços caros, mas é muito legal. Tem máscaras do Jason, do Freddy Kruegger, do Darth Vader, do Hannibal, tem botons diversos, canecas estilizadas, realmente só coisa inútil e divertida!

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Termino aqui o post, recomendando muito a visita desses lugares. Quero deixar bem claro para os escrotos que eu não tenho ligação com nenhuma dessas lojas, estou só passando a informação de lugares que eu realmente curti e que tenho certeza que muitos cinéfilos também gostarão. Vou tentar fazer isso mais vezes, achei bem divertido.

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