sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Um Olhar do Paraíso-Visão blockbusteriana do pós-morte

O problema dos filmes ambiciosos é a sua falta de cuidado nos detalhes e sua pressa para que seja logo lançado e reconhecido como o novo “Poderoso Chefão” do cinema. “Um Olhar do Paraíso”, o novo filme do respeitável Peter Jackson, sofre infelizmente deste mal que acaba totalmente com um filme e o faz se tornar uma grande vergonha e decepção tanto para quem o fez quanto para quem o assiste.

 

A história melodrámatica que trata de temas sobrenaturais do pós-morte tem foco na vida (e morte) de Susie Salmon (Saoirse Ronan) que um dia ao voltar para casa do colégio é abordada por George Harvey (Stanley Tucci), um vizinho que mora sozinho que a convence de entrar em um “clube” subterrâneo que ele construíu. Lá dentro, Susie é assassinada. Os pais de Susie, Jack (Mark Wahlberg) e Abigail (Rachel Weisz), inicialmente se recusam a acreditar na morte da filha, mas precisam aceitar a situação quando seu gorro é encontrado em meio a um milharal, junto a destroços do retiro que estão repletos de sangue. Em meio às investigações, a polícia conversa com George mas não o coloca entre os suspeitos. Com o tempo Jack e Lindsey (Rose McIver), a irmã de Susie, passam a desconfiar de George. Toda esta situação é observada por Susie, que agora está em um local entre o paraíso e o inferno. Lá ela precisa lidar com o sentimento de vingança que nutre em relação a George e a vontade de ajudar sua família a superar o trauma de sua morte.

 

O filme se esforçou tanto para ser “excelente” que acabou ficando, digamos assim, metido demais, e não acerta direito em seus objetivos principais, que seriam emocionar, comover e dar uma visão sobre a vida pós-morte. Ele parece querer sempre se exaltar, forçar a lágrima do telespectador, e não consegue, infelizmente não. Eu devo reconhecer que é um filme bonito, tem uma história densa, mas que não envolve, e se perde em muitos momentos, não tendo ritmo, e francamente, dando sono. Os personagens não são bem definidos também, e beiram muito a caricatura, mas uma vez sendo forçado. Tudo é tão “falso” e longe da realidade que não nos causa apatia, e muito menos simpatia porque os personagens também não são muitos simpáticos, então não nos causa emoções. O que nós temos na tela é uma visão hollywoodiana e  blockbusteriana da vida após a morte, então fica muito forçado e grosseiro, então perdemos as nuâncias dos sentimentos.

 

O elenco é bom, tirando o Mark Wallberg que tá mais perdido que cego em labirinto, há ótimos atores que tentam levar a história pra frente, mas com o roteiro dando falas enlatadas e nada naturais não tem como. Susan Sarandon é uma atriz que gosto muito, e encarnou bem uma maluca no longa, mas não o salva. Stanley Tucci, um ótimo ator que realmente se destaca nos filmes que faz, atua bem no papel de assassino, dando umas vaciladas, mas nada que o impedisse de levar uma indicação ao Oscar ano passado. Rachel Weizz e Saoirse Ronan são duas atrizes que são ótimas no geral, mas nesse filme foram mal desenvolvidas para os papéis, ou melhor, os papéis foram mal desenvolvidas para elas. Num computo geral as performances são boas, mas são ofuscadas pelo roteiro mal desenvolvido.

 

Sendo um filme do Peter Jackson os efeitos especiais são no mínimo excelentes. A visão do diretor sobre o paraíso é magnífica, sensacionalista sem dúvida, mas magnífica em seus detalhes. Todas as cenas do além vida são verdadeiras obras de artes que enchem os olhos, lembrando muito, irônicamente ou propositalmente, o filme “Amor Além da Vida” cuja temática, como podem ver, também é “vida após a morte”. Ainda na parte técnica, os cenários e os figurinos são bem arrumados, beirando o caricato, porém segue a linha certa dos anos 80.

 

Recomendo o filme para quando não tiver nada melhor para se fazer, porque realmente não é dos melhores. Não é ruim, reconheço que não, deve agradar uma parte do público blockbuster, mas não garanto nada. Acredito que a abordagem usada pelo longa não deva agradar nem aqueles que crêem na vida após a morte devido ao seu surrealismo hollywoodiano, aqueles que sabem mais do assunto principalmente correm o risco de sairem ofendidos da sessão, então recomendo o filme com cuidado. O que me entristece é ver como um filme com tanto potencial deu tão errado, se fosse mais meticuloso esse seria a obra prima dos filmes “pós-morte”, foi uma grande chance perdida, mas enfim, a vida e a morte são imprevisiveis.

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Fim do Caminho (Crônica)

Não gosto de andar por essas ruas de noite. Nem é tão tarde ainda, não passam das dez, mas aqui não posso me dar o luxo de andar despreocupado por essas calçadas sujas de sangue. Não estou em Sin City, só para esclarecer, mas é quase impossível não fazer a comparação. Por incrível que pareça, Sin City tem uma beleza que essa cidade não tem. É aquela: a realidade é sempre mais crua e sem graça do que a ficção. Enfim, é melhor apertar o passo.

Ai meu Deus! O que que ta acontecendo ali? Puta merda, é um assalto, o cara ta armado! Vou passar sem nem olhar para o lado. Ainda não me acostumei com isso, essa vida ordinária nessa dita cidade maravilhosa. Caralho! O cara acabou de dar um tiro! O babaca assaltado ta fugindo! Nessas situações não se pode bancar o machão Marvin! Entrega logo a porra que o bandido quer e pronto! A sua vida não vale uns trocados! Que merda, agora o bandido ta correndo pra cá atrás do cara!

Continuo andando como se não tivesse vida, como se eu fosse cego. Não quero nem servir como testemunha ocular. Só quero chegar em casa, preparar um miojo e ir dormir. Meu coração nunca esteve tão acelerado. Se controla. Não deixe ele perceber. Pára! Continuo andando tentando manter o controle. Que sensação horrível! Só quero chegar em casa. Meu Deus me ajude! Isso não estaria acontecendo se o desgraçado tivesse dado o que o ladrão queria de uma vez! Ando meio desnorteado, mas continuo no meu caminho. Não precisava passar por isso. Eu vim pra cá para estudar, fazer uma boa faculdade federal. Aqui era onde eu iria começar a realmente viver a minha vida. Ouço mais um tiro. Meu Deus, porque? Só quero chegar em casa. Continuo andando como se não tivesse vida. Sinto o impacto do meu corpo ao cair no chão.

domingo, 12 de setembro de 2010

Vicky Cristina Barcelona-Épico Sensual!

Woody Allen é um cara sensacional. Me desculpem por essa atitude de fãnatico, mas é algo inegável, Woody é um cineasta genial quando se trata de comédias dramáticas ou de dramas cômicos, ele é praticamente infálivel! Conhecido pelo seu padrão de história passada em NY, onde o que está em foco é um relacionamente peculiar entre um homem neurótico e uma mulher complexa, Woody Allen estabeleceu sua marca no cinema de filmes nesse estilo. Mas ultimamente, ele tem se aventurado e se desafiado a mudar, e posso afirmar, está conseguindo manter a excelência.

 

Em Vicky Cristina Barcelona, Woody abandona sua querida NY e parte para as belas ruas de (adivinhem) Barcelona. Lá seus personagens tecem suas histórias entrelaçadas de forma deliciosa e provocativa. No centro temos Vicky (Rebecca Hall) uma mulher certinha que está prestes a se casar e vai a Barcelona estudar artes com sua amiga Cristina (Scarllet Johansson) que acaba de se sair de um relacionamento errante e quer partir para outro, sendo ela um pouco mais atirada. Num restaurante de lá elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um artista charmoso e direto que as convida sem muitos rodeios para que elas voem com ele para Oliviedo para que elas fiquem na casa dele durante o verão. Vicky destesta a ideia e também o cara, ao contrário de Cristina que se apaixona de cara por ele e acaba convencendo a amiga de ir para a casa dele, e assim o fazem. Muitas coisas acontecem, até que a história chegue num ponto em que Vicky após se entender melhor com Juan se apaixona por ele e fica com remorso por ser comprometida, ele também se apaixona por Vicky, mas também passa a gostar de Cristina, que vai morar na casa dele por também estar apaixonada por este. Como se a situação não estivesse complicada o bastante, chega a ex-mulher problemática (e extremamente gostosa) de Juan, María Helena (Penélope Cruz), para morar na casa dele, já que esta tentou suicidio. Então com essa complicação toda Woody Allen se diverte dando diversos rumos para a trama e filosofando sobre a vida, o amor, as relações, o sexo, a sociedade e todo o resto.

 

Vicky Cristina Barcelona é sem dúvida um filme charmoso até a sua cena final. Woody Allen tem um toque que consegue dar elegância a qualquer trama que ele deseja elaborar, em qualquer lugarr, seja em New York, Barcelona, Londres, favela da rocinha, não importa, seus filmes sempre serão charmosos, e esse principalmente por ter um elenco impecável! Na boa, esqueçamos o Javier Bardem, ele tem uma boa atuação e tals, mas nossos olhos (nós homens e as lésbicas) estarão olhando apenas para o trio feminino enlouquecedor! Rebecca Hall é a menos bonita (o que já quer dizer que o resto é foda), ela não desenvolve seu lado sensual, seu papel é a de intelectual formal, mas não deixa de ser belíssima. Scarllet Johansson é uma perfeição, seu rosto, seu corpo, nossa, ela é fantástica e soube encarnar bem o seu papel, ficando com o segundo lugar de mais bela. Agora, com muita certeza que falo isso, Penélope Cruz é a mais sensacional de todas presentes no filme, e provavelmente no mundo do cinema! Sua beleza fora do comum, seu corpo bem modelado aos toques espanhóis, seu olhar  forte e convicto, e sua atuação arrebatadora faz dela uma atriz magnífica, porque acima de toda a sua perfeição ela ainda atua bem, então é do tipo com quem se casa (Penélope, quer casar comigo?). Sua personagem é a mais interessante de todas e caiu feito uma luva para ela! María Helena é uma mulher maluca, deprimida, auto destrutiva, mas encantadora ao mesmo tempo, e extremamente sensual em cada coisa que faz, ela rouba a cena sem dó nem piedade. Além disso, é mente aberta como Juan, e aceita um relacionamento a três juntamente com Cristina, o que nos dá belas cenas, poucas, porém belas cenas…

 

Uma coisa marcante em todo filme de Allen é a sua preocupação com o cenário e a trilha sonora, que nesse longa estão andando em perfeita harmonia. O lugar escolhido para a história é incrível por si só. As ruas de Barcelona são supremamente charmosas devido a sua arquitetura rústica, e isso somado a uma trilha sonora bem característica do país entonadas por guitarras espanholas faz de Vicky Cristina Barcelona uma verdadeira obra de arte requintada, do tipo que se aprecia tomando vinho numa noite fria.

 

Outra coisa que não podia faltar num filme de Allen são seus diálogos bem armados e naturais, que fogem um pouco do estilo paranóico dos seus filmes mais antigos e se tornam mais voltados as relações entre os personagens e as decisões que tomarão num caráter mais sexual, porque o longa no geral é bem sensual. Em Vicky Cristina Barcelona não temos os famosos monólogos neuróticos dos filmes de Allen, mas temos ótimas conversas que refletem sobre o que vale a pena na vida.

 

Mesmo sendo Woody Allen um gênio, não são todos que gostam do estilo dele. Muitos repudiam, até mesmo cinéfilos, acham que ele é muito enrolado e suas histórias sempre terminam como começaram, sendo assim, Vicky Cristina Barcelona não é o tipo de filme que recomendo a todos. Mas para quem gosta de comédias sobre relacionamentos complicados e arte, este é um excelente filme que agradará bastante com todo o seu charme, elegância, sensualidade e Penélope Cruz!

Scarllet Johansson+Penélope Cruz+Mente Aberta=épico sensual

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

Feiúra Brasileira (Crônica)

Vou dormir. Depois de tudo, vou dormir. Minha mulher me despreza. Meu filho adolescente me odeia. Meu emprego é uma merda. Legal, sou o Lester de Beleza Americana. Só que pior, sem nenhuma ninfeta querendo algo comigo. Que merda. Que merda. Estou tão cansado que mal consigo admirar minha desgraça. A única coisa que chega a me confortar é saber que existem outros na mesma situação que eu. 45 anos. Fracassado profissionalmente. Fracassado amorosamente. Fracassado humanamente. Fracassado. Ah, não vou pensar nisso. Vou dormir, ainda não tiraram meu direito de sonhar, pelo menos enquanto eu durmo.

Pétalas de um flor brasileira começam a cair em minha volta na cama. Hun, bela adaptação subconsciente. Quem é aquela? A namorada do meu filho? Meu Deus. Oh sim é ela. Mais uma vez, bela adaptação subconsciente. E olha, ela está totalmente descoberta, diferente do filme, eu sei que é repetitivo, mas, bela adaptação subconsciente. Olha, tem até música. É meio um bolero, algo assim, lembra Brasil mesmo. Gosto tanto da trilha original, prefiro a versão americana. Enfim, deixe me concentrar na namorada do meu filho nua. Bela morena, fartos seios, cabelos lisos e nenhum pêlo cobrindo o corpo. Perfeita adaptação subconsciente. Ei, porque ela tá indo embora? O que tá acontecendo? Não, espera por mim! Para! Tá tudo escuro agora. Olha dinheiro. Ahh dinheiro. Tá chovendo notas de 50. Nunca vi uma nota de cem. Triste. Foda-se, pego 2 de 50 e dá no mesmo. Não, também estão indo embora, as notas estão desaparecendo das minhas mãos. Que pesadelo é esse? É a minha vida? Ah não. Eu quero um sonho de verdade. Um sonho que me faça querer nunca mais acordar. Se desse para voltar para a imagem inicial eu aceito na hora! O problema é esse, não se pode ter tudo que se quer, não controlamos nossos sonhos. Que imagem horrenda é essa? Um rosto gordo, estranho, um sorriso meio falso. Espera. Ah não. Não, não, não, não! Dilma Rousself! Isso já é demais. Eu quero acordar! Eu quero acordar!Ahhh!

-Ah ah ah (Ofegante). Meu Deus. Que porra foi essa.

-O que que está acontecendo? Quando enfim consigo dormir, você me acorda!- disse minha esposa, se é que ainda posso chamá-la assim.

-Desculpa. Tive um puta pesadelo.

-Ah, pelo amor de Deus! Tá muito grandinho para ter esses tipos de coisa. Vai dormir ou pelo menos tenha pesadelos mais silenciosos e me deixa dormir que amanhã acordo cedo para poder colocar o pão de cada dia na mesa dessa casa!

-Tá bom, não vou te incomodar mais. VACA! (essa última palavra eu falei mentalmente)

Desgraçada! Já foi tão gostosa, agora ta aí, vomitando sobre mim todo dia cada vez mais xingamentos e verdades escrotas. Me desculpe por ter pesadelos. Eu preferia não tê-los, mais é difícil não ter com uma MONSTRA DORMINDO NO MEU LADO! Pior do que ela só a monstra que apareceu no meu sonho/pesadelo. Dilma Rousself. Puta merda, meu subconsciente começou tão bem. Pensando agora, isso é quase uma metáfora. Sei lá, os sonhos começam tão bem, mas terminam tão mal. Acho que é por isso que de uns tempos para cá prefiro não tê-los, acho que a realidade tem como objetivo destruí-los, então decidi ir contra o sistema e não dar esse privilégio para a realidade. Se eu não tiver sonhos, ela não pode destruí-los! RÁ, xeque-mate! Que merda. Que vida medíocre. Vou tentar dormir de novo, e já vou avisando subconsciente, se for pra sonhar que seja com a namorada do meu filho, porque de desgraças já basta a minha vida.

 

“O que aconteceu com o sonho brasileiro? Virou realidade”

Mega adaptação conveniente ao texto de Watchmen

Crônicas Cinéfilas

Para um cara como eu que tem muitas ideias para filmes na cabeça mas não tem recursos e nem técnica para tal, escrever crônicas é a saída mais viável. Eu sempre gostei de escrever histórias, e numa crônica posso escrever do jeito que eu quiser, sem muitas regras ou coisas do tipo, sendo assim um ótimo lugar para eu despejar as tramas que surgem na minha cabeça do nada. De uns tempos para cá eu tenho escrito muito. Vários tipo de tramas passaram na minha cabeça e eu acabei tomando gosto pela coisa e escrevendo cada vez mais, só que ninguém lia além de mim. Eis então que tive a seguinte ideia: “hun, que tal eu incomodar os leitores fantasmas do meu blog com uma coisa nova! Ah, já sei, postarei minha crônicas cinéfilas estranhas, assim além de incomoda-los eles terão a sensação que o blog está sempre sendo atualizado! Genial!” Então, assim farei, postarei aqui algumas crônicas quando me der vontade. As crônicas normalmente terão alguma conexão com cinema, sempre fazendo referências cinéfilas e coisas do tipo, posso até desenvolver crônicas interligadas, mas ainda estou amadurecendo a ideia. É isso, o post a seguir já é uma das crônicas, divirtam-se, ou não. Mas por favor, não deixem de comentar, adoro conversar com fantasmas! I see dead readers…

“OOOOOH My love……My darling……I hunger for your touch…”

sábado, 4 de setembro de 2010

Matrix- Revolução Visual e Cerebral

O que é real? Com certeza vocês já fizeram essa pergunta a vocês mesmos, senão vai embora que este texto e este filme não é para você. O que faz algo real? Só porque sentimos, vemos, tocamos a coisa é real? São exatamente essas perguntas que o genial Matrix não responde, mas pelo menos elabora de forma espetacular e se transforma num grande marco da história do cinema. Matrix, sem dúvida, fez não só uma revolução visual, mas principalmente uma revolução cerebral!

 

A trama cheia de referências gira em torno de Thomas Anderson (Keanu Reeves), um pacato desenvolvedor de softwares que vive uma vida dupla como o hacker Neo e estranhamente conhece Morpheus, um homem misterioso que mostra a Neo a grande verdade: o mundo é uma ilusão criada por computadores super desenvolvidos com AI que usam os humanos para obter energia. Morpheus explica que ele e sua equipe tem o objetivo de combater essas maquinas e o sistema na Matrix (ilusão da realidade) e assim libertar toda a humanidade do seu controle.

 

O roteiro de Matrix foi uma grande porrada na mente de todos quando foi lançado em 1999. Antes do longa, a junção de filme de ação foda com filosofia ainda não tinha sido feita, e era considerada algo quase que impossível, a mentalidade da época é que eram públicos muito distintos, e os próprios temas eram difíceis de unir, mas eis que surge Matrix quebrando paradigmas, chutando preconceitos, abrindo mentes e principalmente revolucionando a sétima arte. O filme é tão bem bolado em sua teoria que fez muita gente acreditar nessa “realidade”, criando quase uma espécie de “religião Matrix”, o que nos mostra o quão forte o filme é. Agora, vamos desmitificar isso antes que comecem com críticas fdps: eu não acredito nisso, e quando digo “nisso” me refiro ao mundo controlado por máquinas que criaram uma ilusão virtual de mundo, ponto. Porque? Entrando na ideia maluca, se isso realmente fosse verdade, os agentes não deixariam um filme desses ser lançado ;-D

 

A parte técnica do filme é excepcional, e como já foi dito inúmeras vezes, fez uma revolução visual e é sem dúvida um marco na história do cinema, bla bla bla. Os efeitos especiais são impressionantes até hoje, mesmo depois de mais de 10 anos (pasmem, Matrix tem mais de 10 anos!). O lance do bullet time deixou todas as platéias de queixos caídos! Não havia nada no cinema comparado aquilo. Quando chega no seu clímax, Matrix explode em efeitos especiais fodas, resultando em cenas inesquecíveis e brilhantemente boladas, como a invasão no prédio onde as balas nunca acabam, o resgate de Morpheus quebrando a janela em 1000 pedaços, a imortal esquivada de Neo das balas (uma das cenas mais copiadas e satirizadas do cinema!) e o grande combate entre Neo e Agente Smith. Uma palavra para todas essas cenas: ESTUPENDAS! O legal da parte técnica de Matrix também é sua fotografia diferente, que eternizou o verde e preto de maneira criativa, fazendo com que o mundo, de um jeito que eu não sei explicar, ficasse normal e ao mesmo tempo estranho. A trilha sonora escolhida encaixa muito bem no longa, fechando o filme com Rage Against the Machine em grande estilo.

 

As atuações de Matrix não são excelentes, tenho que admitir. Para mim, apenas 2 atores estão bem nesse longa: Laurence Fishburne, o Morpheus, e Gloria Foster, o Oráculo. Eles entraram bem nos seus papéis e deram o tom que os personagens precisavam. Keanu Reeves não é um bom ator, não mesmo, mas está bem encaixado no papel principal, acho que um Daniel Day Lewis não encarnaria melhor [?]

 

O grande lance de Matrix, pra mim, não são os efeitos fodásticos ou a trama empolgante, mas sim a grande mensagem que o filme quer passar, e se enganam aqueles que acham que é sobre os computadores dominando os humanos, na verdade isso é uma grande metáfora do SISTEMA. Vamos por partes. Há sim a jogada de máquinas terem evoluído tanto que são superiores aos humanos e assim os dominam fácilmente, numa espécie de profecia e alerta sobre o uso exagerado de tecnologias, das quais nos tornamos cada vez mais dependentes.Ok. Mas o que a Matrix representa, metafóricamente, é o Sistema, o desprezível Sistema que nos rege, que nos organiza, que nos junta, que nos controla. E nós fazemos parte do Sistema sem nem sequer indagar, estamos tão cegos e alienados que não percebemos que a todo momento fazemos coisas porque o Sistema manda. Sistema lê-se o “how to live” da sociedade que é controlado e criado por um orgão de poder (que pode ser desde uma  pessoa a um país inteiro) que implanta esse Sistema de modo que lhe for mais conveniente, ou seja, a orquestra toca do jeito que for melhor para ele, o grande maestro. O filme mostra essa relação de dominação através de várias simbologias, como o fato de todas as pessoas da Matrix serem softwares que funcionam para que a Matrix funcione, e o diálogo genial entre Morpheus e Neo, quando este é “liberto” e sente seus olhos doerem e Morpheus explica que é porque ele nunca os usou. O grupo revolucionário de Morpheus luta contra a Matrix (o Sistema) que por sua vez revida, com todo o seu poder de controle e tenta de todas as formas impedir que os objetivos do grupo sejam alcançados já que isso significaria perder toda a sua estrutura de controle, que é exatamente o que o nosso querido Sistema faz. A maioria das coisas que abalariam a estrutura do Sistema são rapidamente silenciadas, não dando tempo de virem a tona, mantendo as coisas do jeito que o Poderoso Chefão deseja. A intenção do filme é fazer as pessoas perceberem isso e olharem um pouco para o mundo a sua volta, e tentarem ver o que realmente está acontecendo e o que ela está fazendo, e indagar se é isso que ela quer fazer, se esse é o verdadeiro gosto dela, se ela realmente tem que seguir esse padrão imposto pelo Sistema. E sendo um pouco mais ambicioso, o longa quer abrir mentes, e libertar as pessoas desse Sistema castrador. Pena que para isso, a pessoa tem que escolher tomar  a pílula vermelha, o que poucas fazem…

 

Outra coisa que não podemos dizer que não é genial em Matrix é a sua estratégia de marketing, graças a ela o longa se tornou um dos mais bem sucedidos da história. O filme agrada dois grandes públicos, os adoradores de filmes de ação e os cinéfilos cabeças, e de forma perfeitamente equilibrada, nenhum dos dois públicos sai perdendo. Matrix sobretudo é um filme cool demais, estabeleceu uma marca muito forte. O lance das roupas pretas, os óculos escuros, as armas pesadas, os efeitos especiais impressionantes, tudo soou muito “maneiro”, e reuniu num único filme tudo que um homem de bom gosto precisa: ótimas cenas de ação, roteiro inteligente e reflexivo, um estilo único e uma trilha sonora empolgante, só faltou nudez feminina. Bem, temos a Trinity de roupa colada pelo menos.

 

Matrix é um filme indispensável, você tem que assistir e ponto. É o tipo de filme que  dá sentido a palavra “incrível”. Sua influencia no mundo do cinema é gigantesca, os filmes de ação depois dele foram enquadrados como filme “pós-matrix”, devido as inúmeras influencias que eram encontradas neles. Essa influencia podemos ver até hoje em dois ótimos exemplos que na verdade dividem Matrix em 2: Avatar, pegando a parte dos efeitos inovadores de Matrix, e Inception, pegando a parte reflexiva e cerebral do longa. Um comentário rápido: Matrix é superior a esses dois, mas enfim. É uma grande pena terem banalizado o longa com suas medíocres continuações, que se perderam no caminho reflexivo, ficou confuso e acabou virando uma série de efeitos fodas e nenhum sentido. Mas o bom é que Matrix 1 é um filme único que não precisa de continuação, ele se fecha, e termina o circulo, e pronto, já basta, então, esqueça as continuações. Não posso obrigar ninguém a ver o filme, mesmo que eu queira, é você que tem que tomar a decisão, você que tem que escolher se quer ficar na Matrix ou sair dela.

“There is no spoon”

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