segunda-feira, 4 de julho de 2011

Na Natureza Selvagem- Com vocês, a Verdade

Poucos filmes me fizeram chorar de verdade, já tive ânsia de choro em vários, mas chorar mesmo só em três filmes: Click, Toy Story 3 e Na Natureza Selvagem. Não porque eu faço o tipo machão que nunca chora, mas porque realmente é difícil eu chorar em filme, só esses três me fizeram escorrer lágrimas, e deles o mais emocionante é sem dúvida Na Natureza Selvagem, que é na minha opinião uma das maiores obras primas do cinema!

O filme dirigido pelo excelente Sean Penn conta a história real de Alex, um jovem idealista que cansado da hipocrisia de seus pais foge de casa para a vida! Ele junta suas economias e coloca um objetivo na cabeça: aprender tudo que é necessário para sobreviver na natureza sem usar muita tecnologia e ir viver no Alasca selvagem por um tempo. No caminho ele vai encontrando pessoas incríveis que te ensinarão grandes lições de vida que lhe farão rever seus conceitos e ver se tudo aquilo realmente valerá a pena.

Inspirado no livro baseado numa história real, Na Natureza Selvagem tem um roteiro impressionante, cheio de citações de escritores famosos filosofando sobre vida e a sociedade, nos fazendo refletir bastante. Somado a isso, temos atuações pontuais de Emile Hirsh como Alex, e William Hurt como pai dele, que pra mim tem a melhor atuação do filme. No final, o olhar dele passa tanta emoção que é o gatilho para que as lágrimas comecem a cair, é realmente um grande ator.

Ilustrando bem a grande aventura, temos uma fotografia exuberante, enquadrando belas imagens da natureza na sua forma mais livre, captando momentos de luz e escuridão, além de nos dar belos contrastes com a luz do sol. Outro ponto técnico excelente é a trilha sonora entoada pelo vocalista do Pearl Jam, cujas músicas traduzem bem o momento em que a história se encontra.

Na Natureza Selvagem trata de vários assuntos ao longo da jornada de Alex, temos na história filosofias sobre a família, a sociedade, o materialismo, o amor, o certo, o errado, o trabalho, em resumo, sobre a vida. Alex sai de casa por não agüentar a hipocrisia dos pais e tudo aquilo que eles prezam, que pra ele não faz sentido algum, como status, carreira, dinheiro, e até mesmo família, já que a sua é seriamente desestruturada e representa pra ele um órgão opressor e controlador, e não protetor e acolhedor. Porém, no seu caminho, ele passa por um verdadeiro processo de renovação espiritual, encontrando pessoas extraordinárias que o acolhem como uma família, fazendo-o ver as coisas de um jeito diferente. Quer dizer, em termos, porque ele passa a não ver a família mais como uma instituição falida, acha apenas que exclusivamente a sua é. Na melhor passagem do filme (em minha opinião), Alex conversa com um senhor de idade sobre Deus, ele, como bom revolucionário não acredita, e o senhor de idade lhe dá a melhor definição de força superior que eu já vi, e a cena termina de uma maneira incrivelmente tocante, se tornando a referencia do filme pra mim. Alex caracteriza bem o espírito jovem ao rejeitar qualquer tipo de controle, seja dos pais ou da sociedade, e se rebelando contra eles, mas como todo jovem, as vezes comete erros pela empolgação, não enxergando precipícios eminentes e perdendo totalmente o objetivo de sua causa. Essa é a grande moral que o filme quer passar, quando chegamos no final, depois de ficarmos atônitos com a belíssima cena conclusiva e deixamos os créditos subirem sem nos movermos para trocar de canal ou desligar o DVD, ficamos pensando: será que tudo isso valeu a pena? Ele conseguiu a sua liberdade, mas a que preço? É triste, mas o final desse filme simples e revolucionário é moralista, totalmente moralista. Ele acaba com os sonhos. É pessimista. Mostra que o sistema é mais forte, ainda é mais forte. Na Natureza Selvagem tem grandiosas lições de vida, mas a maior delas é que no final não importa, tudo é em vão. Mas, com um ângulo mais otimista sobre o filme, talvez a grande mensagem seja que o que importa não é o destino, e sim a viagem, que é o que realmente ocorre. Enquanto não chega ao Alasca, Alex se sente vivo e pleno ao se relacionar com essas pessoas, pessoas que passam a representar sua família, de um modo que a sua verdadeira família nunca conseguiu representar pra ele. Sendo assim, podemos perceber que o filme é ambíguo em sua mensagem, escolha aquela que preferir, ou fique com as duas, sua visão sobre o mundo será ainda melhor.

O longa com certeza não é para qualquer um, é preciso ter uma mente aberta e pensante para compreende-lo por inteiro, então assista-o com bastante calma, num dia que você esteja disposto a raciocinar, mas não passe a vida sem vê-lo, por favor. Mesmo com um final cruelmente triste e destruidor de sonhos, Na Natureza Selvagem é um dos melhores filmes já feitos, e com certeza um dos mais belos, não por nos apresentar um mundo maravilhoso, mas por nos apresentar a verdade.

Um comentário:

  1. Eu tive que comentar esse post, eu acabei de conhecer esse blog pela sua explicação de donnie darko, dai eu dei uma fuçada no seu blog e lí isto "Poucos filmes me fizeram chorar de verdade, já tive ânsia de choro em vários, mas chorar mesmo só em três filmes: Click, Toy Story 3 e Na Natureza Selvagem" não tem palavra, nem letra, pra tirar deste seu comentário, 100% das suas palavras são minhas tambem xD Ia ser legal se vc continuasse as postangens deste blog, pq eu me interessei bastante.

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