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domingo, 4 de abril de 2010

Nine-O pior jeito de matar um filme é falar sobre ele

Sabe qual é o maior problema dos filmes que são muito esperados? Serem muito esperados. Frase óbvia e sem graça nenhuma de seu escritor que aqui vos fala, mas que caracteriza bem o que aconteceu com Nine, o musical comentadissimo do mesmo diretor do excelente Chicago. O filme foi muito aguardado pelos amantes do cinema, todos comentavam pela sua grandiosidade, pelo seu elenco estrelar e principalmente por se tratar de uma remontagem da obra prima de Fellini, e quando o dia de sua estreia finalmente chegou, derrubou um grande balde de agua fria na plateia e foi exculhambado pela critica, mesmo sendo um bom filme, me explicarei mais tarde.

Nine conta a história de Guido Contini (Daniel Day Lewis), um diretor italiano que posteriormente fizera muito sucesso, sendo um dos grandes nomes do cinema italiano, mas que se encontra num momento de bloqueio criativo que pode ter, ou não, uma conexão com sua vida completamente excêntrica que lhe vem tirado o sono. Ele sempre foi rodeado por belas mulheres, mas nunca soube escolher apenas uma. Contini é casado com Luisa (Marion Cottilard), mas tem como amante fixa a gostosa Carla Albanese (Penélope Cruz), além disso tem a sua atriz preferida Claudia (Nicole Kidman) como musa inspiradora. Na sua vida ainda há: o fantasma de sua mãe, que sempre aparece nas lembranças de Contini, a sua figurinista Lili (Judi Dench) que sempre tem bons conselhos para dar, a prostituta de sua infância Saraghina (Fergie) que nas suas lembranças ainda habita, e por último ainda tem a reporter Stephanie (Kate Hudson) que fará de tudo para saber mais da vida do misterioso diretor. No meio de tantos casos a parte a história se desenrola tentando equilibrar a criação do filme e a vida de Contini que está por um triz.

Serei direto: eu achei bom, nada mais. A história é bem legal, o roteiro tem ótimas tiradas e te envolve bem, porém há momentos bem cansativos, tanto musicais quanto normais, por assim dizer. Acho que até talvez funcionaria melhor se não fosse musical, porque realmente se formos comparar com Chicago, as músicas não são tão empolgantes. Apenas duas me chamaram atenção, mas foram bem intensas, a da Fergie, “Be Italian”, que tem uma boa montagem e um ritmo ótimo, e da melhor cena do filme na minha opinião, cantada e encenada por Cotillard “Take it All”, que é algo inexplicavel de tão bom, só vendo pra entender. Analisando agora como um filme “normal”, ele tem uma boa intenção e na minha opinião à atinge, que é fazer a metalinguagem entre o filme Nine em si e o filme que Guido está “dirigindo”, o que é algo bem interessante e bem elaborado, e que me fez gostar do filme mesmo com os momentos borings.

As atuações são boas, não de todos, mas analisando aqueles que mais importam, que são Lewis, Cruz e Cotillard, tudo sicroniza com perfeição. Lewis nem precisa de elogios, ele é um dos melhores atores, se não o melhor, da nossa geração, e no filme não é diferente, e mostra toda sua desenvoltura fazendo um papel diferente daqueles em que ele está acostumado, sendo um ótimo e irônico diretor mulherengo. Penélope Cruz está de tirar o fôlego, sua primeira apresentação musical é a mais sexy do filme, fazendo poses que divertirão todos os marmanjos (me divertiu), e como sempre tem ótimas performances nas partes mais densas do longa, conseguindo mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. E Cotillard nos conquista da primeira à última cena, seu olhar expressivo, acompanhado de sua atuação formidável nos apresenta uma personagem que por mais que pareça submissa, nos surpreende e tem, como eu já disse, a melhor cena do longa. As outras mulheres ajudam a compor o cenário, mas nenhuma tem grandes participações, a não ser Dench, que não adianta, em qualquer filme que faça chamará minha atenção, é uma das melhores.

Aqueles que criticaram Nine não estão completamente errados, há falhas no filme sim, mas não é algo a ser tão condenável, há muitos filmes piores nesse vasto mundo incerto do cinema, e merece sim ser visto. O grande pecado irônico de Nine é ter sido muito aguardado, por tudo aquilo que eu já disse, e como diz o próprio Contini no filme “há vários jeitos de matar seu filme, e o pior deles é falando sobre ele”. Ironia meus caros, ironia. Pra resumir, eu recomendo, mas vá assistir desarmado, esqueça qualquer coisa que tenha lido sobre o filme e até esqueça do filme do Felini se possível, e acredito que você vá achar o filme pelo menos bom.

Obs: As mulheres do elenco estão mais bonitas do que o normal, é uma coisa impressionante, é um musical que merece ser visto por todos os homens, principalmente aqueles que torcem o nariz para musicais.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Conclusões de um bom Oscar (2010)

É, amigos cinéfilos, podemos dormir descansados agora, a cerimônia do Oscar fez a escolha certa: optou por premiar um filme realmente bom, inovador e profundo. O grande ganhador da noite foi Guerra ao Terror, desbancando o odiado por mim, Avatar! O evento, em si, foi bem justo nas premiações, não foi perfeito, nunca é, há algumas que eu discordei, mas num geral foi bem legal, foram escolhas bem sábias, e ver Guerra ao Terror ganhando em categorias que não eram esperadas e ver a cara do Cameron indo aos poucos ficando séria não tem preço! Vou comentar melhor a partir da lista dos ganhadores a seguir:

  • Melhor filme: Guerra ao Terror. Só digo uma coisa: #chupaAVATAR !!!!
  • Melhor direção: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror). Só digo uma coisa: #chupaCameron !!!! Já chupou né, pois é, perdeu (literalmente)!!!
  • Melhor atriz: Sandra Bullock (Um sonho possível). Torcia muito pra ela, agora ela pode esfregar o Oscar na cara do pessoal da Framboesa de Ouro, que deu à ela o “prêmio” de pior atriz no sábado.
  • Melhor ator: Jeff Bridges (Coração louco). Barbada! (literalmente). Não vi o filme, não posso dizer muito, mas queria muito que o Clooney saísse com a estatueta.
  • Melhor filme estrangeiro: O segredo dos seus olhos(Argentina). Muita gente reclamou, disse que devia ter sido a Fita Branca, mas ainda não sou cinéfilo xiita para me afundar nos cinemas estrangeiros.
  • Melhor edição: Guerra ao terror
  • Melhor documentário: The cove
  • Melhores efeitos visuais: Avatar. Se não ganhasse eu ia ri muito, mas não tinha como, o Oscar já era dele antes sequer do filme estreiar.
  • Melhor trilha sonora: Up – Altas aventuras
  • Melhor fotografia: Avatar. Eu meio que discordo, por achar que Fotografia boa, é aquela feita analógicamente, através de truques de câmeras e iluminações, e Avatar foi feito quase todo em ambiente digital, mas enfim, são os novos parâmetros de hoje em dia.
  • Melhor mixagem de som: Guerra ao terror
  • Melhor edição de som: Guerra ao terror
  • Melhor figurino: The young Victoria. A Academia simplesmente idolatra figurino de época, então esse filme levou a estatueta.
  • Melhor direção de arte: Avatar
  • Melhor atriz coadjuvante: Mo’Nique (Preciosa). Oscar merissidíssimo, a atuação dela é forte, é monstruosa, bem superior às outras indicadas, embora eu torcesse muito para Vera Farmiga, que me conquistou em Amor Sem Escalas
  • Melhor roteiro adaptado: Preciosa. As únicas reais injustiças pra mim nesse Oscar foram relativas aos prêmio para roteiros, vou falar aqui só do adaptado. Eu achei bem mais legal a adaptação de Amor Sem Escalas, filme que não merecia sair com as mãos vazias ontem. Não foi uma escolha insensata, mas acho que devia ter ido para Amor Sem Escalas.
  • Melhor maquiagem: Star trek
  • Melhor curta-metragem: The new tenants
  • Melhor documentário em curta-metragem: Music by Prudence
  • Melhor curta-metragem de animação: Logorama
  • Melhor roteiro original: Guerra ao Terror. Mesmo eu tendo gostado muito da história de Guerra ao Terror, não engoli o prêmio não ter ido para Bastardos Inglórios, esse sim foi um filme que transpirava originalidade sobre um tema já batido, diferente de Guerra ao Terror que só falou de algo que ninguém falava.
  • Melhor canção: The weary kind (Coração louco)
  • Melhor animação: Up – Altas aventuras
  • Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios). Graças a ele o meu filme favorito do ano não saiu sem nada nas mãos!

Como já disse, no geral gostei muito dos vencedores, só achei mesmo que deviam ter pensado melhor nas categorias de roteiros. E também deviam ter saído mais prêmios para Bastardos Inglórios, foi um filmaço. A cerimônia foi muito divertida, graças a dupla de apresentadores hilários, Steve Martin e Alec Baldwin, que entra muitas coisas fizeram uma paródia de Atividade Paranormal e zoaram todos os indicados da noite. Muito engraçado mesmo, não vejo uma edição tão engraçada assim desde aquela que foi apresentada pela Ellen Degeneres! E ainda teve momentos estranhos, como o Ben Stiller vestido de Na’vi para entregar o prêmio de melhor maquiagem, sendo que Avatar nem tinha sido indicado para categoria, mas ficou foda! Então é isso, agora o rumo do cinema está bem decidido, espero ver sempre filmes que desafiam, que inovam, que tentam a todo instante aprimorar e privilegiar cada vez mais a sétima ARTE!

Obs: Vocês não imaginam o prazer que eu vou ter agora de ir para o post de “Guerra ao Terror” e marca-lo como: Ganhador do Oscar! E logo em seguida gritar: Os Na’viados se fuderam!!!!

domingo, 7 de março de 2010

Minhas apostas para o Oscar 2010

Depois que eu vi os 10 indicados ao Oscar desse ano de Melhor filme, pude reavaliar meus conceitos e fazer minhas apostas para cada categoria, então lá vai (deixarei os melhores para o final):

Legenda: P=Provável  T=Torço (no meu bolão, quando acerto colocando P ganho 5 pontos, quando coloco T ganho 10 :D)

  • Efeitos Especiais: Avatar (alguma dúvida?) [PT]
  • Mixagem de Som: Avatar [P] // Guerra ao Terror [T]
  • Edição de Som: Avatar [P] // Bastardos Inglórios [T]
  • Maquiagem: Star Trek [PT]
  • Trilha Sonora Original: Avatar [P] // Sherlock Holmes [T]
  • Canção Original: Almost There (A Princesa e o Sapo) [P] // Loin The Paname (Faubourg 36) [T]
  • Edição: Distrito 9 [P] // Bastardos Inglórios [T]
  • Figurino: Coco Antes de Chanel [PT]
  • Fotografia: Avatar [P] // Bastardos Inglórios [T]
  • Direção de Arte: Avatar [PT]

Antes de entrar nas mais importantes categorias, tem aquelas que ninguem sabe direito, só os cinéfilos mais xiitas, que eu simplesmente chutei, colocarei de qualquer forma:

  • Documentário de Longa-metragem: The Cove [PT]
  • Documentário de Curta-metragem: The Last Campaign of Governor Booth Gardner [PT]
  • Curta-metragem de Animação: A Matter of Loaf and Death [PT]
  • Curta-metragem: Instead of Abracadabra [PT]
  • Filme em língua estrangeira: A Fita Branca [PT]

Agora, finalmente, as categorias mais almejadas da noite:

  • Animação: Up-Altas Aventuras [PT]
  • Roteiro Adaptado: Preciosa [P] // Amor Sem Escalas [T]
  • Roteiro Original: Bastardos Inglórios [PT]
  • Atriz Coadjuvante: Mo’Nique (Preciosa) [P] // Vera Farmiga (Amor Sem Escalas) [T]
  • Ator Coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios) [PT]
  • Atriz Principal: Sandra Bullock (Um Sonho Possível) [PT]
  • Ator Principal: Jeff Bridges (Coração Louco) [P] // George Clooney (Amor Sem Escalas) [T]
  • Diretor: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) [P] // Quentin Tarantino (Bastardos Inglórios) [T] (óbvio)

E agora o prêmio que mais importa, o que mudará os rumos do Oscar, rufem os tambores…. Nessa categoria, como há muitos indicados, escolhi dois filmes que provavelmente ganharão [P] e um que u torço que ganhe [T]:

  • Melhor Filme: Avatar [P] // Guerra ao Terror [P] // Bastardos Inglórios [T] (óbvio again!)

Agora, me resta esperar ansioso pelo evento, que será transmitido a partir das 21h na TNT e depois do BBB (sabe lá quando) na Globo. Informo que na Globo perdemos metade do evento e temos que aguentar o José Wilker demonstrando toda sua arrogância cinéfila. Acho que haverá transmissão online streaming, procurem, eu recomendo.

Porque Avatar não merece o Oscar de Melhor Filme?

Lendo meus últimos posts, vocês devem ter notado minha luta para mostrar que Avatar não é um filme merecedor de Oscar. Em questões técnicas, por mim, ele poderia levar todas. Eles podiam, até para diminuir o tempo do evento, dizer todas as categorias técnicas e no fim dizer: “Quem leva todos esses prêmios técnicos é…Avatar!”. E depois, lá do palco, eles jogavam as estatuetas na cabeça de Cameron e falavam:”Muito bem Sr Cameron, parabéns, pode ir pra casa. Agora, vamos aos prêmios que realmente interessam aos filmes realmente bons…”. Pronto, facilitava a vida de todos.

Em fato, eu não tenho nada contra a Avatar, embora pareça que sim, eu só fico puto com as várias indicações para ele, principalmente a de Melhor Filme, fora isso, ele é apenas um filme ruim que eu assisti, seria apenas esquecido. Vou me concentrar na indicação de Melhor Filme. Dentre os 10 indicados, sem brincadeira, qualquer um merece mais o prêmio do que ele, todos tem uma história envolvente, diferente e divertida, enquanto Avatar recria Pocahhontas e revive os Smurfs! Tirando todo o efeito do filme, sobram apenas péssimas atuações, uma história manjada e falas de efeitos ridículas. Avatar é uma bela caixa de presente sem nada dentro.

Nesse Oscar, a Academia decidirá que rumo quer tomar: se ela quer se tornar popular, premiando filmes que agradam o povão e valorizam só o visual, ou executar o belo trabalho do ano passado, premiando filmes que merecem pela história, filmes que tentam em todos os requisitos atingir a perfeição e demonstrar coisas novas, como aconteceu com “Quem Quer Ser Um Milionário”. E essa grande batalha/decisão será travada por Avatar com seus mirabolantes efeitos visuais caríssimos e Guerra ao Terror com sua história densa, uma nova abordagem sobre a guerra e seus custos mínimos de um filme independente. Avatar tem um grande apelo do público pela experiencia que proporciona que é realmente incrível, mas em termos de cinema como arte, pouco nos é mostrado, é um filme quase que infantil. Já Guerra ao Terror conta com ótimas atuações, um roteiro brilhante e reflexivo, chegando a ser filosófico, e além disso bota na roda o tema polêmico atual: a guerra do Iraque.

O que nos resta é esperar o grande momento, em que o envelope se abrirá e o destino do Oscar estará escrito no papel. Para que lado você vai torcer?

Distrito 9- A Ficção-Científica mais realista já feita

Sabe quando você antes de ver o filme já sabe que ele será bom e depois que vê o filme, percebe que ele é melhor do que pensava, Distrito 9 é um desses raros exemplos de filmes que cumprem o que prometem e vão além das expectativas. Com uma dinâmica que lembra um documentário e uma história que vai muito além do que parece, Distrito 9 consegue seu lugar no Oscar com 3 indicações: Melhor Filme, Roteiro Adaptado e Edição.

Não conseguiria fazer uma sinopse tão boa quanto à original, então a colocarei: “Há 20 anos uma gigantesca nave espacial pairou sobre Joanesburgo, capital da África do Sul. Como estava defeituosa, milhões de seres alienígenas foram obrigados a descer à Terra. Eles foram confinados no Distrito 9, um local com péssimas condições e onde são constantemente maltratados pelo governo. Pressionado por problemas políticos e financeiros, o governo local deseja transferir os alienígenas para outra área. Para tanto é preciso realizar um despejo geral, o que cria atritos com os extra-terrestres. Durante este processo Wikus Van De Merwe (Sharlto Copley), um funcionário do governo, é contaminado por um fluido alienígena. A partir de então ele se torna um simbionte, já que seu organismo gera algumas partes extra-terrestres. Com o governo desejando usá-lo como arma política, Wikus conta apenas com a ajuda do extra-terrestre Christopher para escapar.”

Eu considero Distrito 9 a ficção científica com Aliens mais próxima da realidade, mais próximo de como seria se isso acontecesse. O filme não cai na mesmice de outros longas que nos dão uma visão idealizada da situação, ele afunda de cabeça nas reais consequências de um acontecimento polêmico como a chegada de aliens no planeta. Tudo é muito convincente, desde a aparência dos extra-terrestres até a decisão que o governo toma no filme, deixando o filme mais sério, mais maduro. E também, tira aquela nossa visão “Independence Day”, nada de naves espaciais ultra modernas cheias de luzinhas piscantes azuis e verdes, o filme nos apresenta aliens fudidos, com aparelhagens fudidas, sujas, estragadas, aumentando o realismo da situação desesperadora em questão.

O filme faz uma analogia quase que explícita do Apartheid, quando separa os aliens dos humanos, colocando eles no Distrito 9, que vira uma favela. Esse engajamento do filme e sua visão crítica dessa situação “passada” é sem dúvida o ponto forte do filme, e ainda ajuda a definir quem são os verdadeiros mocinhos e vilões da história, fazendo a inversão. Antes, éramos nós os coitados que os Aliens invadiam e atacavam sem piedade, agora quem estão sofrendo são eles, e nós somos os impiedosos que causamos toda a destruição, pegaram a analogia?

Vocês vão dizer que eu sou um escroto que quer a todo instante detonar Avatar e o James Cameron, e estão certos! Mas eu faço isso com razão, o cara fez um Ctrl+C Ctrl+V de todas as ficções cientificas da história, incluindo esse filme. É incrível a cara de pau dele! Em Distrito 9 temos a concepção da formação híbrida de humano com alienígena, que é usado em Avatar de forma mais bonitinha em tons azulados. Outra, na história esse humano/alienigena depois ajuda os aliens à lutarem contra os humanos, com uma explicação mais plausível do que a usada por  Avatar, e também gera uma luta mais equilibrada, ambos tem boas armas, qualquer um dos lados podiam vencer, em Avatar os humanos tem mega naves com bazucas saindo para todos os lados enquanto os Na’viados tinham arcos e flechas infinitas que saiam do rabo deles, e ainda venciam, cadê a verossímilhança? Se é para termos a 1º ficção científica premiada com o Oscar de Melhor Filme, que seja Distrito 9! #morteaAVATAR

Sem mais palavras para descrever o filme, ele tem ótimos efeitos e boas atuações também, conseguiram tirar cenas emocionantes com alienigenas, o que é foda demais. Super recomendo mesmo, uma das melhores ficções científicas que eu já vi.

Educação-É preciso saber viver

O típico filme inglês Educação é glorificado e ao mesmo tempo apunhalado pela crítica que por mais que elogie o filme em vários quisitos, diz que não vê motivos para o que o filme fosse indicado a Oscar de Melhor Filme desse ano. Acho que também penso assim, adorei o filme, é bem legal de assistir, mas não chega a ser um filme Oscariano (acabo de inventar). Embora, ficaria muito mais satisfeito se este filme ganhasse no lugar de Avatar, assim como qualquer um dos outros indicados. #morteaAVATAR

Educação trata com bastante simplicidade e agilidade temas como rebeldia adolescente, carpe diem (adoro filmes com esse tema), e principalmente fala do momento difícil dos jovens da passagem para a vida adulta, representada pela escolha da faculdade, e assim, da vida que quer seguir. Esse filme caiu como uma luva para esse meu momento presente, mas vocês não dão a mínima para isso, claro. Temos como protagonista a lindíssima e inteligente Jenny, interpretada graciosamente pela indicada ao Oscar desse ano Carey Mulligan, que é uma esforçada aluna cujo pai praticamente à obriga a demonstrar excelência em tudo que faz para assim garantir sua vaga na renomada Oxford. Sua vida  então não tem tanta graça, vive para os estudos, mas nos “tempos livres” aprecia arte como nenhuma outra de sua idade, principalmente arte francesa, desde pinturas à músicas, isso tudo meio que escondida de seu pai, que não quer que ela gaste seu tempo com “bobagens”. Tudo muda quando ela conhece o bon vivan David, relativamente mais velho que ela e que a introduz num mundo de diversões e prazeres artísticos e culturais, fazendo ela repensar sobre o seu futuro idealizado por seus pais.

Como boa parte dos filmes ingleses, Educação tem um charme embriagante, isso se deve em parte por Carey, que com sua interpretação doce, porém madura da adolescente Jenny, nos encanta a cada frase, a cada semblante, a cada sorriso tímido que dá, justificando sua indicação ao Oscar. E ela, ainda por cima, adora falar francês, o que a deixa mais charmosa, me conquistando de vez. (Acho que tenho uma queda por francesas, européias em geral, mas principalmente por francesas, sei lá) [mais uma coisa que vocês não dão a mínima].

Recomendo o filme para adolescentes principalmente, o final nos dá uma impressão de como as coisas realmente são, para assim possamos fazer as escolhas certas em relação ao nosso incerto futuro. E acima de tudo, é um filme divertido, que não fica chato um segundo sequer, e é bem rápido, conseguindo passar bem sua mensagem nos seus 96 minutos. Assistam, e…. #morteaAVATAR

Um Sonho Possível- Utopia incrívelmente real

Mais um drama sobre história de vida difícil indicado ao Oscar desse ano, Um Sonho Possível conquista o público pela sua abordagem simples, comovente e bem humorada.

O filme conta uma história bem peculiar nos tempos insanamente cruéis em que vivemos: Michael Oher, um adolescente pobre com dimensões gigantescas que vive sozinho no mundo, é acolhido por Leigh Anne e sua família ao encontrá-lo vestindo um short e uma camiseta numa noite fria de inverno. Leigh o convida a ficar na tua casa sem hesitar ao saber que ele estuda na mesma sala de sua filha e ao ver que ele é uma pessoa doce e confiante. Simpatizando com Michael, Leigh e sua família praticamente o adotam, fazendo dele um membro da família. Eles então descobrem o grande potencial de Michael para o futebol americano, e Leigh, que tem seus contatos na área, o incentiva a cada instante, dando a Michael uma chance de reescrever sua história.

O filme é uma ótima lição de vida, e saber que é uma história real nos dá esperança, ao saber que ainda existem boas pessoas nesse mundo podre. É meio difícil de acreditar nisso tudo, mas no final do filme temos imagens da família comprovando isso tudo, o que mexe muito com a gente. E não é um filme que apela muito, não é melodramático, é bem leve e divertido, tem ótimas tiradas a todo instante, então você o assiste numa boa, ele te desarma, e assim você, no final, quando digere aquilo tudo, se emociona facilmente, o que é um grande truque o longa.

A atuação destaque do filme, e posso até ousar dizer do ano, é de Sandra Bullock, que exprime uma naturalidade no papel de uma mulher forte, decidida e divertida digna de Oscar, assim espero. Realmente, agora estou apostando nela, antes já apostava pelo o que todos diziam e elogiavam, mas agora pude ver com os próprios olhos, é algo que palavras não explicam. Cada gesto dela condiz perfeitamente com a da personagem, e suas expressões conseguem dizer mais que monólogos, acho que isso é o que faz de uma atuação boa. A performance dela me lembrou muito a Julia Roberts no papel da Erin Brockovich (que a premiou, by the way), quem viu sabe que há como comparar, é bem interessante. Um Sonho Possível foi indicado também na categoria de Melhor Filme (lógico, se não, não estaria nessa minha meta)!

Gostei muito, tenho quase certeza de que não leva o de Melhor Filme, mas como filme, puro e simplesmente, é um dos melhores do ano. Assistam, e talvez quem sabe, você não se motiva a mudar essa porra de sociedade!

sexta-feira, 5 de março de 2010

Preciosa- Realidade que incomoda

Faltam poucos dias para o Oscar, e poucos filmes que eu ainda tenho que assistir antes do grande evento, e este foi um da lista que me surpreendeu, em vários aspectos, me surpreendeu muito. Não é uma típica história de jornada de vida difícil, Preciosa inova no meio de contar os acontecimentos, com uma edição bem legal nos mostrando outros pontos de vistas interessantíssimos.

Nosso foco no filme é a vida sofrida de Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe), uma menina de 16 anos, obesa, pobre, grávida do segundo filho, sendo que ambos são do pai que a estrupava e deixava a mãe problemática com ciúmes (Mo'Nique). Ela vive com a mãe numa casa mal arrumada e largada pela mãe que a faz de empregada o tempo todo, e ainda a menospreza por tudo que faz, trocando xingamentos e agressões físicas, tornando o ambiente familiar o mais hostil de todos. Claireece tem problemas de adaptação na escola que frequenta pelas suas características físicas, mas demonstra um ótimo rendimento em matemática, despertando a atenção da diretora, mas o fato de estar grávida a leva a expulsão, só que Claireece não sabe que essa pode ter sido a melhor coisa da sua vida. A diretora então recomenda que ela vá à uma escola alternativa, onde vê que em sua imaginação pode estar a resolução de seus problemas.

Preciosa é um dos melhores dramas do ano, não tenho dúvida, o jeito que a história é conduzida te faz refletir sobre muitas coisas e os sentimentos que o filme lhe proporciona são diversos, fazendo o longa ganhar certo destaque. O que mais me agradou no filme foram as atuações. De todos os lados, vemos ótimas atuações dignas de Oscar, realmente todas conseguem transmitir uma convicção, uma verossímilhança que é raro de se ver em tanta abundância nos filmes de hoje. Quero destacar a estreiante Gabourey Sidibe e a Mo’Nique, ambas indicadas ao Oscar, uma de Melhor Atriz e outra de Melhor Atriz Coadjuvante, que tiveram desempenhos excelentes, cada uma com sua forma excepcional de atuar, sem se forçar a mostrar sentimento, simplesmente sentiram e deixaram as palavras sairem naturalmente, demonstrando um ótimo trabalho do diretor, também indicado ao Oscar, Lee Daniels. Outra atuação motherfucker é a de Paula Patton, que faz a professora da escola alternativa que se mantém rígida e firme diante da situação de Claireece e a ajuda a ser mais confiante e segura, além disso, o filme nos dá ótimas cenas dela deixando a sua imagem de durona de lado ao encarar a realidade absurdamente difícil e triste de Preciosa. Agora, pra mim, a atuação que mais me surpreendeu e simplesmente calou a minha boca preconceituosa foi a da Mariah Carey! Quando eu vi que ela ia fazer o filme, já pensei, “cantora pop, fazendo filme dramático, coisas que não combinam não costumam dar certo, bla bla bla”, e outra, o papel dela é de uma assistente social, “lá se vai a integridade do filme, não existem assistentes socias loiras gostosas que usam mini saias”. Mas aí fui ver o filme, quando ela apareceu pela primeira vez eu mal a reconheci: cabelos pretos, sem maquiagem, roupas que disfarçam seus belos seios e acima de tudo atuando bem, com convicção, meu queixo caiu à uma altura de um metro e setenta! Não esperava mesmo, ela tá ótima, ela soube o que sua personagem era, como ela deveria se comportar, afastando-se completamente da imagem luxuosa da cantora. O papel dela é de uma assistente social que cuida dos casos de Preciosa e que tem no olhar uma imagem de cansaço representado pelas enormes olheiras que nos dá uma sensação de realidade impressionante, sei que ela nunca lerá isso, mas dou os parabéns a ela!

O longa foi indicado a 6 Oscars: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado,Atriz principal, Atriz Coadjuvante e Edição. Acho que deve levar o de Melhor Atriz Coadjuvante, a atuação de Mo’Nique é soberba, essa mulher sabe como ser escrota mesmo, então deve levar a estatueta, embora eu torça para qualquer uma das duas atrizes de Amor Sem Escalas indicadas (Vera Farmiga e Anna Kendrick), tenho que ser sensato e ver que a possibilidade de Mo’Nique ganhar é bem maior.

Esse filme é legal de assistir pelo choque de realidade que ele nos proporciona, e a sensação de incômodo de estar em pleno conforto enquanto o vê é quase insuportável, mas se deve assistir o filme até o fim, aguente o sofrimento e não perca essa incrível história de superação.

terça-feira, 2 de março de 2010

Um Homem Sério-assim como o filme…

Continuando com a minha promessa de assistir e postar sobre todos os indicados do Oscar de Melhor Filme desse ano, me deparei com o novo filme dos Coen, Um Homem Sério, que não me agradou nem anteriormente nem posteriormente de eu assistir ao filme. Realmente não gostei, mas é bem feito, tenho que reconhecer, e sua história tem lá sua originalidade, então, adivinhem, prefiro que ele ganhe no lugar de Avatar! #morteaAVATAR

Não me darei o trabalho de escrever a história, que a propósito eu nem entendi tão bem, então copiarei a sinopse original: “1967. Larry Gopnik (Michael Stuhlberg) trabalha como professor de física na Universidade de Midwestern. Ele vê sua vida mudar radicalmente quando sua esposa, Judith (Sari Lennick), decide deixá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Além disto, uma carta anônima ameaça sua carreira na universidade. Larry ainda precisa lidar com os problemas de Arthur (Richard Kind), seu irmão, que mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolff), problemático e rebelde; e ainda Sarah (Jessica McManus), sua filha, que constantemente pega dinheiro de sua carteira para uma futura cirurgia plástica no nariz. Sem saber o que fazer, Larry busca os conselhos de três rabinos.” No desenvolver da história, ela se mostra bem diferente dos filmes que tratam de dramas familiares (nunca espere algo convencional dos Coen), é um filme bem firmado na religião judáica, e bem reprimido, então acho que é por isso que eu achei tão tedioso.

O roteiro é bem elaborado, admito, e quer nos dizer algo, ele quer nos passar uma mensagem, isso eu sei, mas só não sei que mensagem é essa. Tem a mensagem óbvia do “não seja certinho”, mas há mais coisas além dessa simples camada, se alguem descobrir, divida conosco :D. O filme é engraçado em certas partes, afinal é categorizado muitas das vezes como uma comédia, mas ele tem momento realmente, perdoem o trocadilho, mto sérios, e também nem chegam a emocionar, então fica nesta linha 0 fellings, o que não me agradou muito. O final é igual aos demais filmes dos Coen, não é uma grande cena final com o protagonista tomando a paixão de sua vida nos braços e dando-a um beijo de tirar o fôlego, não, é aquele final cortado grosseiramente, por assim dizer, as coisas ainda rolarão mas não serão mostradas. O filme foi indicado à 2 Oscars: Melhor Filme e Roteiro, acho que não leva nenhum.

Eu não recomendo o filme para aqueles que não são cinéfilos. Vai ter gente que vai gostar do filme, sem dúvida, judeus talvez, mas para a pessoa que conhece os Coen por Queime Depois de Ler ou Onde Os Fracos não tem vez o filme não trará grandes emoções e será rapidamente categorizado como “filme mais chato que a pessoa já viu”. Um Homem Sério para mim é Queime Depois de Ler sem as piadas, e Onde os Fracos Não Tem Vez sem o suspense e a ação, então, já visualizou o resultado. Assistam, talvez, para conhecer um pouco mais sobre a cultura judáica, porque não?

domingo, 28 de fevereiro de 2010

Up Altas Aventuras- Cultura numa leveza impressionante

Não fiquei surpreso com a indicação de Up para o Oscar de Melhor Filme. Ano passado quase indicaram Wall-E para ganharem popularidade, sendo assim não perderiam essa chance neste ano com um filme tão rico e forte como Up Altas Aventuras. É um filme que teve uma estratégica para agradar o público bem inteligente: o filme é engraçado e divertido para as crianças e tocante e inteligente para os pais dessas crianças, conseguindo num único filme agradar os dois públicos fortes.

A história é bem original, tipo, muito original para um filme infantil, chega a espantar! Num resumo (pois não consiguiria explicar a históra toda do filme como se deve em poucas linhas) o filme mostra a jornada do velhinho Carl até o lugar dos sonhos de sua falecida esposa, uma montanha na América do Sul, para onde ele decide ir após receber um mandato para ir para um asilo. Ele então vai, mas de maneira peculiar (e improvável, mas nós não ligamos), ele amarra trocentos balões na casa dele e vai em busca do lugar tão desejado. Só que ele não sabe que tem um passageiro mais inconveniente do que o Alien na casa (pensem um pouquinho e entenderam a piada), o inquieto Russel, que conquista o nosso carisma imediatamente. É então formada a base para muitas confusões onde nada pode ser previsto.

Up Altas Aventuras tem uma carga dramática gigante comparada aos outros filmes da Pixar. É realmente emocionante o modo como a história se desenrola, ela causa muita empatia com o telespectador, é um filme vivo, ele te faz sentir emoções, não sei explicar. Isso se deve por dois fatores: os dois personagens principais, que te divertem e muito, e em certos momentos te comovem por terem histórias que são tristes. No filme, elas são tratadas de forma bem leve, afinal é um filme para crianças, mas há sentimento, e a superação no final é o grande gancho para que nós saíamos sorrindo do cinema, tendo um saldo positivo em todos os aspectos.

Técnicamente o filme dá um show, como qualquer obra prima da Pixar. Tudo é bem detalhado, as feições ficam mais perfeitas a cada filme e a trilha sonora também não fica atrás. Quem dubla o Carl na versão brasileira, altamente recomendavel, é o mestre do humor Chico Anysio que tem fisionomias que se aparentam muito com o personagem, e uma voz que se adequa muito bem ao velhinho. Up recebeu 4 indicações ao Oscar desse ano: Melhor Filme, Animação, Edição de Som e Roteiro Original.

Esse é um filme que posso recomendar sem medo para todas as idades, todas mesmos, sem exceção. Você, pai cinéfilo que está lendo este post e quer começar desde cedo a introduzir o cinema na vida de seu filho, leve-o para ver esse filme, é um excelente começo! Não digo que levará o Oscar de Melhor Filme, mas que é sem dúvida muito, mas muito superior a Avatar. Up é muito mais rico do que Avatar, nossa, que vergonha Cameron, que vergonha! (#morteaAVATAR !) Mas enfim, este filme leva concerteza o Oscar de melhor animação, se foi indicado a melhor filme, óbvio que levará a estatueta. Vejam esse filme, é quase obrigatório, é cultura numa leveza impressionante.

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Amor sem Escalas-Roteiro sem Clichês

Esqueçam o título brasileiro, pois não tem nada a ver com a história, só coloquei ele no título para facilitar o reconhecimento e fazer um jogo de palavras, o nome do filme é Up In The Air, e vai muito mais além de uma comédia romântica como sugere o título brazuka. É impressionante a mixagem de temas que esse filme consegue fazer em menos de 2h de duração e sem se atrapalhar, um grande mérito sem dúvida para o diretor Jason Reitman que também assina o roteiro adaptado e que vem se destacando ultimamente com sucessos como Obrigado por Fumar e Juno.

Como está no título do post, o roteiro não tem clichês nem final empacotado. Se gosta de filmes originais que lhe propõem situações novas, assistam esse filme (e não Avatar). A história gira em torno de Ryan Bingham (George Clooney) cujo trabalho é viajar pela empresa que trabalha para demitir funcionários das filiais. Numa dessas viagens, ele conhece Alex (Vera Farmiga), uma mulher incrivel com quem começa ter um caso sem muito compromisso, tendo encontros casuais, pois assim como ele, ela viaja bastante em função do trabalho. Ryan, que vive uma vida desapegada aos outros, sem muitos relacionamentos sociais firmes, se vê abalado com a nova proposta de sua empresa, criada pela eficiente funcionária novata Natalie (Anna Kendrick), de demitir os funcionários através de video-conferênciais, para assim diminuir custos. Ryan tenta então provar o quão complicado essa nova técnica seria, e os efeitos que sua impessoalidade causaria nos empregados, mas pouco lhe dão atenção e ele então parte com Natalie para suas últimas viagens da empresa, onde o convivio e as situações que ocorrem geraram grandes mudanças no modo de Ryan de ver o mundo.

Com uma sagacidade e originalidade impressionantes, esse filme foi um dos que eu mais curti assistir ultimamente. É o tipo de filme que nos conquista a cada cena, a cada diálogo reflexivo, não queremos que ele acabe. O filme trata de muitos assuntos da atualidade como crise economica, afastamento das pessoas devido à internet, relações problemáticas entre muitos outros tópicos com que nos deparamos todos os dias, isso tudo sem que nós percebamos, mas que, depois que o filme acaba e nós vemos os créditos subirem e nós refletimos sobre tudo que vimos, nos damos conta de toda mensagem que o filme tenta nos passar.

As atuações do trio que sustenta o filme (Clooney, Kendrick e Farmiga) são muito bem realizadas, todas com uma naturalidade de movimentos excepcional, coisa rara no cinema. George Clooney está como sempre excelente, tendo ótimas tiradas durante todo o longa. Vera e Anna também não ficam atrás, suas atuações conquistam o telespectador por se aproximarem da realidade, já que todos nós conhecemos mulheres como essas. Com essas perfomances incriveis, os 3 foram indicados ao Oscar desse ano, para melhor ator e atrizes coadjuvantes, sendo fortes concorrentes para o prêmio. Além dessas 3 indicações, o filme ainda conseguiu mais 3 outras: de melhor filme, diretor e roteiro adaptado. Esse filme é ainda melhor do que Avatar, então prefiro que ele ganhe no lugar de Avatar. ( #morteaAVATAR )

A visão de Reitman é bem realista, ele não se incomoda de sair dos padrões cinematográficos para passar a ideia dele, ele simplesmente faz do jeito que ele sabe que as coisas são, sem uma visão romântica sobre os fatos, é nesse ponto em que o filme pode até, de certa forma, desagradar um pouco aos mais convencionais, mas o jeito como a obra é concluida é bem melhor do que se fosse um final romântico, iria talvez até contra tudo aquilo que o filme tentou comprovar. Eu, quando terminei de ver o filme, achei que o final poderia ser melhor, não diferente, mas terminar com palavras melhores, porque depois de todo aquele deleite de dialogos e teorias o filme teria que terminar com um texto foda, o filme até termina bem, mas faltou alguma coisa, não sei explicar, mas faltou alguma coisa… O filme tem um final meio “irmãos Coen”, as coisas não terminam, elas continuam, como uma rotina.

No geral gostei muito do filme, e agora pesquisando, inclui mais um diretor na minha lista de favoritos, Jason Reitman, que tem uma ótima visão representada nos seus filmes. Recomendo mesmo. Eu me identifiquei muito com o personagem de Clooney, e acredito que muitos também se identificaram, sei lá, não a questão de ser solitário, mas de gostar de viver sozinho, isso não é solidão, é uma escolha, de achar que não precisar dos outros para ser feliz, mas acaba vendo que precisa sim. Só para esclarecer, eu não sou solitário, tenho muitos amigos e familiares e tals, mas curto muito um momento só meu. Espero que gostem, é realmente um filme gostoso de assistir e voltar a pensar sobre ele antes de dormir.

[Ryan pensando qual será o seu destino…]

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Guerra ao Terror- Morte à Avatar!

Poucos filmes conseguiram retratar a realidade de maneira tão real quanto Guerra ao Terror conseguiu, isso sem deixar de ser incrível e mantendo o padrão de filme e não documentário. Com uma abordagem inovadora sobre a guerra do Iraque e truques de câmera que te colocam no meio da ação, Guerra ao Terror por enquanto é o meu favorito ao Oscar desse ano e que eu espero que detone Avatar com uma bomba atômica!

O filme mostra a situação angustiante de um grupo de soldados americanos em missão no Iraque, que enfrentam todo dia as dificuldades do ambiente inóspito em que estão, onde a qualquer momento pode estourar uma bomba ou alguma rebelião. A tensão no filme é constante, chega a dar aflição, ainda mais por nós sabermos que aquilo tudo realmente acontece, e também pelo fato da maioria das missões serem anti-bombas, te deixando preocupado o tempo todo. Além desses problemas da guerra, os soldados entram em conflito entre eles mesmo, entre suas próprias ideias e conceitos, que foram totalmente devastados pela guerra, levantando questionamentos sobre os efeitos das guerras e sobre os motivos das guerras.

Com essa história básica, que não precisa ser explicada já que se trata de uma realidade que nos é mostrada todo dia nos noticiários, Guerra ao Terror consegue ser profundo na simplicidade e nos causar uma extrema empatia com os personagens que nada mais são do que pessoas seguindo ordens. O filme inicia com uma frase que perpetua durante todo o longa: “A guerra é uma droga”, uma frase com dois sentidos extremamente significativos. O primeiro, metafórico, dizendo que guerra é algo ruim, e o segundo, literal, comparando a guerra com uma droga, como o crack e a cocaína, algo que vicia, como se o ser humano necessitasse da guerra, da batalha, da dor dos outros para que se sinta bem, se sinta confortavel, o que pra mim é o ponto alto do filme. Essa visão radical e inovadora me conquistou desde o início, e ao longo do filme percebemos isso em pratica na pele do personagem de Jeremy Renner, Willian James, que parece ter prazer em estar em situações perigosas em que a adrenalina vai às alturas, concluindo essa ideia que o filme quer passar.

A parte estética do filme é impecável. Os cenários, os trajes dos soldados, a fotografia em cores quentes, a trilha sonora frenética, os efeitos sonoros que são cruciais em filmes de guerra, os objetos usados, os efeitos especiais essenciais nos momentos de explosões, tudo está muito bem trabalhado, compondo um espaço visual perfeito para que os atores entrem e nos comovam com as ideias e situações da guerra, tornando esse filme ótimo para os dois tipos de públicos: cinéfilos cults e blockbusterianos.

As atuações mantem o nível do filme, chegando a render uma indicação para Jeremy, que em certos momentos não precisa nem falar para expressar o que está sentindo, é aí que vemos se o ator sabe ou não representar. O interessante é que esse filme não tem um elenco famoso, os mais conhecidos tem cenas pequenas, quase minúsculas, como é o caso das participações de Guy Pearce e Ralph Fiennes, que aparecem e morrem na mesma cena. Pode até ser uma viagem minha nas minhas ideias e conexões sem sentido, mas isso é um meio da diretora dizer que não importa quem você seja, na guerra a qualquer momento você pode morrer…reflitam.

Esse filme está concorrendo, assim como Avatar, à 9 categorias do Oscar, incluindo melhor filme e direção, sendo assim os dois grandes rivais do evento. É nesse momento em que a Academia terá que escolher um lado: ou premiar filmes que atraiam o grande público e arrecadem bilhões por todo o mundo, ou filmes que realmente fazem do cinema uma arte, uma forma de expressão sublime, filmes que inovam, fazem pensar, refletir, nos oferecem muito mais que um simples momento de diversão. Será muito triste e decepcionante se Avatar levar o Oscar de melhor filme, será uma afronta a todos, sem excessão, a todos os outros indicados que são muito mais maduros e inteligentes que Avatar, que não passa de uma reciclagem.

Esse se tornou um dos meus favoritos, pela sua inovação sem exageros, sendo puramente simples e ao mesmo tempo impactante. Torço por ele no Oscar nas categorias de melhor filme, diretor (diretora no caso), edição de som e mixagem de som, digo isso por enquanto porque ainda pretendo ver os outros indicados, talvez minha opinião mude, mas será dificil. Termino esse post recomendando o filme (como sempre) e propondo o grito de guerra: MORTE À AVATAR!

sábado, 16 de janeiro de 2010

Avatar-Revolução visual, história habitual

Muito tempo depois de ter estreiado no cinema, só agora eu finalmente vi o tão comentado filme do aclamado diretor James Cameron, que antes de seu lançamento já prometia revolucionar tudo aquilo que chamamos de cinema. E assim o fez, não posso negar, mesmo não tendo idolatrado o filme como alguns tenho que reconhecer que este filme é um puta trabalho artístico, sendo uma obra de arte, e não uma obra prima.

Normalmente, no segundo páragrafo eu escrevo com as minhas palavras a história do filme e tals, mas  como neste caso a história é bem complexa e até mesmo confusa, preferi colocar a sinopse fornecida pelo filme:

“Jake Sully (Sam Worthington) ficou paraplégico após um combate na Terra. Ele é selecionado para participar do programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo, falecido. Jake viaja a Pandora, uma lua extraterrestre, onde encontra diversas e estranhas formas de vida. O local é também o lar dos Na'Vi, seres humanóides que, apesar de primitivos, possuem maior capacidade física que os humanos. Os humanos desejam explorar a lua, de forma a encontrar metais valiosos, o que faz com que os Na'Vi aperfeiçoem suas habilidades guerreiras. Como são incapazes de respirar o ar de Pandora, os humanos criam seres híbridos chamados de Avatar. Eles são controlados por seres humanos, através de uma tecnologia que permite que seus pensamentos sejam aplicados no corpo do Avatar. Desta forma Jake pode novamente voltar à ativa, com seu Avatar percorrendo as florestas de Pandora e liderando soldados. Até conhecer Neytiri (Zoe Saldana), uma feroz Na'Vi que conhece acidentalmente e que serve de tutora para sua ambientação na civilização alienígena.”

Em questões técnicas esse filme atinge a perfeição, sendo assim deve levar todas as estatuetas técnicas do Oscar. É tudo muito bem trabalhado, cada detalhe tem sua importância, transformando Cameron num novo Peter Jackson. Queria ter visto o filme em 3D, o que deve ser uma experiência magnífica, o longa deve realmente ganhar “vida” diante de nossos olhos. Se em 2D o filme já quase conseguiu esse feito, imagina em 3D! Cameron já havia conseguido escrever seu nome na história do cinema com seu grandioso Titanic, mas agora ele escreveu seu nome na história da tecnologia dos efeitos especiais. Os filmes que vierem a serem lançados agora com efeitos visuais beberá da fonte de Cameron, e será enquadrado como filme pós-Avatar, assim como ocorreu com os filmes depois de Matrix (pós-Matrix). O cinema não vê uma mega produção dessas desde de Senhor dos Anéis, por isso há tanto mérito para Cameron, que desde 95 vem criando um novo “mundo”, com diferentes espécies, uma sociedade totalmente nova, com diferentes conceitos e formas de se relacionarem entre eles e com a natureza, o que é belíssimo na tela. Ouso fazer a comparação (estranha) que Pandora é a Terra Média do futuro! Ainda na área dos efeitos, Avatar tem uma fotografia estupenda! Pandora é um lugar incrível, não dá pra explicar o quão belo ele é. Lá é um ambiente todo natural, digamos assim, cheio de florestas e montanhas flutuantes, com uma fauna e flora exóticas, completamente diferentes das nossas e que se relaciona com os nativos de uma forma excepcional, como se fossem um único organismo vivo. Nisso o filme realmente agrada, e muito.

O filme é realmente inacreditavel visualmente, mas tem uma história que ao meu ver já está bem passada. Claro que não é todo dia que vemos um filme em que os personagens criam avatares alienígenas para poderem se adaptar num lugar estranho para roubarem uma pedra estranha, claro, mas eu estou falando dos personagens e da história em si, tirando todas essas “excentricidades” em questão. Se formos avaliar é uma história que já foi contada diversas vezes, esse lance de amor proibido entre pessoas totalmente diferentes (levado ao extremo) está manjado desde de Shakespeare! Também é manjado a história do cara mauricinho q paga por algo que lhe vai trazer mais riqueza e destruir o meio ambiente, mas que depois se ferra no final e se arrepende de tudo. Ainda mais manjado de todos é a história do cara infiltrado que tem como missão se aproximar de uma mulher para obter informações mas que depois acaba se apaixonando por esta e tem toda aquela carga melodramatica de “você me traiu, nunca me amou, bla bla bla”. O que eu quero dizer é que enquanto Cameron está mais preocupado com a parte técnica ele meio que se esquece do roteiro, o que é o grande mal dos blockbusters, deixando o filme mais “pobre” nesse sentido. Enquanto ele inova de um lado, copia de outro!

A história é simplesmente uma mistura de várias ficções cientificas, conseguimos perceber traços claros de diversos filmes como Matrix, Jurassic Park, Alien, King Kong, A ilha, 2001 uma odisseia no espaço e por aí vai, tendo até semelhança com a história de Pocahhontas. Esses traços não estão na história necessariamente, na maioria das vezes eles exercem mais influencias na parte visual, nos aparelhos e nos cenários. Percebi traços também de Star Wars e Apocalypse Now.

Uma coisa positiva que eu aponto do filme é a metáfora que ele passa, q mesmo q já esteja muito usada hoje em dia, em Avatar gera um bom impacto, que é o grande debate homem X natureza, onde o homem ferra com a natureza e a natureza ferra com o homem, bonito não? Pandora nada mais é do que o nosso meio ambiente (metafóricamente) e que nós destruimos para obtermos algo de valor, no caso a pedrinha estranha lá, e que assim como o nosso meio ambiente, revida contra nós e acaba, por fim, ganhando, não importando o quão tecnologicamente avançado estivermos. Outra lição que o filme passa é que não tem como nós tirarmos algo da natureza sem que ela não nos venha cobrar depois, o que deveria estar na cabeça de muitas pessoas atualmente. É muito legal ver no filme os nativos interagindo com o ambiente em que vivem, sendo que nesse momento eles se mostram superiores aos humanos, pois eles são plenos, não precisando de bens materiais para serem felizes, pois vivem em harmonia com o lugar deles, é uma coisa foda, é o Cameron dizendo para nós nessa era de aquecimento global: Para vivermos bem devemos conviver bem com a natureza!

Há rumores e críticos que estão prevendo uma indicação ao Oscar de Melhor Filme para Avatar. Eu posso até engolir uma indicação, mas se ganhar aí eu fico puto. O filme é muito “surreal” pra Oscar, não tem base pra isso, a não ser se for pela sua metáfora, mas mesmo assim ainda não se enquadra nos parâmetros do Oscar. Mas estou bem tranquilo em relação a isso, já que se for indicado ele provavelmente irá competir com filmes muito, mas muito mais superiores a ele, como Invictus do Clint Eastwood (bye bye Avatar) e o badalado Nine, cheio de estrelas ganhadoras de Oscar do calibre de Nicole Kidman e Daniel Day Lewis e que tem a cara do Oscar, so don’t worry about the thing..

Numa analise geral, Avatar é só bom! Ganha na parte dos efeitos, perde na história, então acaba no zero a zero, não fede nem cheira, pra mim é claro, mas eu aconselho a todos a virem esse filme enquanto está no cinema, pois é um filme que merece ser visto numa tela gigante com um som fodástico para assim podermos realmente senti-lo, se tiverem a oportunidade de verem em 3D não percam, deve ser uma experiência e tanto! No fim de tudo ainda levanto meu chapéu a James Cameron devido ao seu puta trabalho artistico, nunca esqueceremos.

 

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