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terça-feira, 1 de março de 2011

Oscar 2011- Que porra foi essa?!

 

Quando a lista de indicados ao Oscar desse ano saiu eu exclamei um sonoro: Caralho, esse ano vai ser épico! Além dos filmes indicados para o grande prêmio serem interessantíssimos, a categoria de melhor diretor estava super concorrida, com os nomes grandiosos de Joel e Ethan Coen, Darren Aronofsky e David Fincher! Para ser perfeito só faltava o melhor diretor do ano ter sido indicado: Christopher Nolan! Mas enfim, ignorando essa gafe fatal, eu tinha certeza que seria um Oscar muito bom, bem distribuído e eclético, garantindo minha diversão durante o mês todo atrás dos longas da lista. Pois bem, eu me enganei, e me enganei feio.

Eu tinha quase certeza que pelo barulho que Rede Social estava fazendo nos prêmios preliminares, ele que seria o grande vencedor da noite mesmo não sendo na minha opinião o melhor filme da lista. Eu estava bem com essa ideia, A Rede Social foi um filme legal de se ver e é do Fincher, um cara que mais que merece o reconhecimento da academia, então tudo para caminha va bem. Mas aí, do nada, o jogo vira. De repente começam a falar muito desse tal Discurso do Rei, que estava papando vários prêmios por aí e ganhando simpatia de muitos. Nisso, começei a ficar preocupado, mas ainda sim, nada demais. No Globo de Ouro, ele perdeu para Rede Social, o que me deixou aliviado pensando: é, esse ano é desse filme mesmo, não tem jeito. Mais uma vez, me enganei.

Mais prêmios rolaram, Discurso do Rei foi ficando cada vez mais aclamado e eu mais preocupado, mas ao mesmo tempo intrigado com a força “ do nada” do filme, cheguei a pensar:”porra, esse filme deve ser bom então, o elenco é maneiro, tenho que ver”. Mas aí adivinhem! Me enganei de novo! O filme é bom, mas realmente nada demais! É totalmente passível de prêmio, é só um filme ok, ele não merece todo esse estardalhaço, sem falar que é super quadrado, não mostrando a virtude “moderna” que a Academia quer passar (coisa que passaria muito bem se dessem o prêmio para Rede Social, ou melhor ainda, para Inception). Fiquei com raiva só em pensar que esse filme “ok” poderia passar a mão e roubar o Oscar de Rede Social, Inception, Cisne Negro e Toy Story 3! Se eu fiquei com raiva só de pensar, imaginem quando eu na grande noite ouvi da boca de Spielberg: “The King’s Speech”! Xinguei muito em plena madrugada com meus pais dormindo do lado! Quem me acompanhou no twitter viu minha reação, foi realmente um choque! E minhas reclamações não param só nessa categoria fatídica, vou postar aqui todos os ganhadores e fazer os devidos comentários:

Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"

Merecido, uma vez que é a única coisa que presta no filme

Melhor fotografia
- "A origem"

Vocês vão achar estranho eu estar torcendo contra, mas nessa categoria estava torcendo para Bravura Indômita, que tem uma fotografia espetacular! Mas beleza, contribuiu para que A Origem seja o grande ganhador da noite (em números) junto com o Discurso do Rei.

Melhor atriz coadjuvante:
- Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
- "Toy story 3"

Nenhuma surpresa!

Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”

Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”

Pois então, que merda né! A Origem tem esse prêmio no nome praticamente! Não é possível, o academia deve ter fumado muito antes de votar! ROTEIRO ORIGINAL, me mostrem algo mais ORIGINAL que a A ORIGEM! Quero ver! E outra, até mesmo Minhas Mães e Meu Pai tinham mais direito de levar esse filme pra casa do que O Discurso do Rei!

Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)

Uma categoria bem bipolar, temos que dizer. O mês todo anunciam que Biutiful era um grande filme, que poderia até ser indicado a Melhor Filme de fato, aí chega na premiação quem leva é outro! Vai entender.

Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
- "A origem"

\o/ Muito merecido \o/

Melhor edição de som
- "A origem"

\o/ Muito merecido \o/

Melhor maquiagem
- "O lobisomem"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"

Melhor curta-metragem
- "God of love"

O cara que fez esse filme é muito bizarro, pqp!

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"

Melhores efeitos visuais
- "A origem"

Mega merecido! Efeitos especiais melhores que Avatar \o/

Melhor edição
- "A rede social"

Merecido, embora 127 Horas tenha uma edição que se equipara bem.

Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"

Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”

Agora chegamos aonde eu queria. O pior erro da noite não foi na categoria de melhor filme, foi na de melhor diretor! Como a academia prestigiou aquele diretor de merda, Young Cameron (é a cara dele) quando podia entregar o prêmio para 4 dos maiores diretores da atualidade: Darren Aronofsky(Requiem para um Sonho, Pi), David Fincher (Clube da Luta, Seven, O Curioso Caso de Benjamin Button) e Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos não tem vez)?! Eu fiquei putasso quando vi que eles perderam para esse cara! Nossa, tipo, tava na maior torcida por Aronofsky e Fincher, qualquer um que levasse eu ficaria muito feliz e aí vem esse cara, Tom Hooper, que já é odiável só por parecer com o James Cameron, levando o Oscar! Isso foi sem dúvida nenhuma, o maior desastre da noite, um verdadeiro balde de água fria, mas que parando para analisar nos mostra uma coisa boa, os grandes diretores que tanto adoramos hoje como Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Quentin Tarantino nunca ganharam um Oscar, apenas indicações, invalidando quaase que totalmente a premiação xD

Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”

Ufa, depois de Tom Hooper levar de melhor diretor, só faltava Annete Bening levar de Atriz.

Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
- “O discurso do rei”

Porque Kubrick, por que? (Deus do cinema, entenderam?) Olha, dos 10 indicados, qualquer um, exceto O Inverno da Alma, poderia ganhar o Oscar e me deixar feliz! E desses nove 8 restantes, 5 me deixariam em orgasmo eterno: Inception (dã), Rede Social, Cisne Negro, Toy Story 3 e Minhas Mães e Meu Pai. Mas não, quem levou o prêmio foi a porra do Discurso do Rei! Na relação que eu fiz dos filmes indicados, de ordem de superiodade, ele só é melhor que O Vencedor e O Inverno da Alma, vejam só: Inception>Cisne Negro>Toy Story 3>Rede Social>Minhas Mães e Meu Pai>127 Horas>Bravura Indômita>Discurso do Rei>O Vencedor>Inverno da Alma. Agora, vamos a explicação porque do filme levou o prêmio: A ACADEMIA ADORA ESSE TIPO DE FILME! Mais “oscariano” impossível! Sem falar que na minha ideia de teoria de conspiração, O Discurso do Rei só recebeu mais atenção ultimamente para que no Oscar (facilmente manipulado) não fique tão estranho esse filme de merda levar o troféu. Acho que a Academia não está preparada para tanta modernidade que vemos em Inception, Cisne Negro e Rede Social, e muito menos, disposta a dar o prêmio para uma animação. Mas agora, sendo otimista e adaptando o que Spielberg disse muito bem, o ganhador da noite vai para um lista de filmes que conta com Lista de Schindler, Os Infiltrados, Rocky, e Poderoso Chefão, e os nove outros filmes vão para a mesma lista de Star Wars, Taxi Driver, Apocalypse Now! E é realmente assim que funciona, esqueceremos Discurso do Rei com um tempo, mas Cisne Negro, Inception e Rede Social se manteram presentes em nossas mentes e nas listas de filmes favoritos, sem dúvida nenhuma!

Com seus acertos (na parte de atuação, não houve nenhuma injustiça) e erros, o Oscar 2011 fez polêmica e tirou o sono de muita gente que ficou indignada com Discurso do Rei levando tudo, mas enfim, ninguem disse que esse mundo é justo. Para finalizar, digo apenas o seguinte: Nolan, você é um puta gênio, mas cometeu um erro bobo de marketing, não deixou para lançar Inception no final do ano! Se ele tivesse estreiado só agora, com toda certeza, Inception teria maior presença no Oscar, levaria de melhor filme, Nolan de melhor diretor e Marion Cottilard pelo menos levaria uma indicação a melhor atriz coadjuvante! Disso, tenho certeza! Nolan, deu mole!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Meus votos finais para o Oscar 2011

Agora ta valendo mesmo. Tirando meu emocional de lado, votei naqueles que realmente acho que serão os escolhidos pela academia. Espero que eu esteja errado em algumas xD #inceptionnascabeças

Melhor filme:
---> “A rede social”
- “O discurso do rei”
- “Cisne negro”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “Toy Story 3”
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”

Melhor diretor:
---> David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei”
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”

Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
---> Colin Firth – “O discurso do rei”
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”

Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
---> Natalie Portman – “Cisne negro”
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”

Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
---> Christian Bale – “O vencedor”
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"

Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
---> Melissa Leo – “O vencedor”
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”

Melhor roteiro original:
---> “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei”
- "Another year"

Melhor roteiro adaptado:
---> “A rede social”
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"

Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
---> "Toy Story 3"

Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas"
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
---> "Bravura indômita"

Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
---> "Bravura indômita"

Melhor figurino
---> "Alice no País das Maravilhas"
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
---> "Inside job"
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"

Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
---> "Poster girl"
- "Strangers no more"
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"

Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
---> "A rede social"

Melhor filme de língua estrangeira
---> "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca)
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)

Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" -  John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
---> "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
---> "We belong together", de "Toy Story 3"

Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
---> "God of love"
- "Na wewe"
- "Wish 143"

Melhor curta-metragem de animação
---> "Day & night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing"
- "Madagascar, carnet de voyage"

Melhor edição de som
---> "A origem"
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"

Melhor mixagem de som
---> "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
---> "A origem"
- "O Homem de Ferro 2"

Melhor maquiagem
- "Minha versão para o amor"
- "Caminho da liberdade"
---> "O lobisomem"

Se esse Oscar fosse meu…

… Inception seria indicado para todas as categorias (inclusive animação, filme estrangeiro, curta metragem e etc, porque o Oscar é meu porra) e ganharia em todas, além de levar um Oscar honorário por sua contribuição a história da sétima arte! Mas não serei tão escroto assim, e terei um pouco de bom senso. Antes de mandar meus votos oficiais para a noite, colocarei aqui pra quem eu daria o Oscar se tudo dependesse da minha escolha. And the oscar goes to…

  • Melhor filme:
    - “A rede social”
    - “O discurso do rei”
    - “Cisne negro”
    - “O vencedor”
    ---> “A origem”
    - “Toy Story 3”
    - “Bravura indômita”
    - “Minhas mães e meu pai”
    - “127 horas”
    - “Inverno da alma”
  • Melhor diretor:
    ---> David Fincher – “A rede social”
    - Tom Hooper – “O discurso do rei”
    - Darren Aronofsky – “Cisne negro”
    - Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
    - David O. Russell – “O vencedor”
  • Melhor ator:
    - Jesse Eisenberg – “A rede social”
    - Colin Firth – “O discurso do rei”
    ---> James Franco – “127 horas”
    - Jeff Bridges – “Bravura indômita”
    - Javier Bardem – “Biutiful”
  • Melhor atriz:
    - Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
    ---> Natalie Portman – “Cisne negro”
    - Nicole Kidman - “Rabbit hole”
    - Michelle Williams - “Blue valentine”
    - Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”
  • Melhor ator coadjuvante:
    - Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
    - Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
    ---> Christian Bale – “O vencedor”
    - Jeremy Renner – “Atração perigosa”
    - John Hawkes – "Inverno da alma"
  • Melhor atriz coadjuvante:
    - Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
    ---> Melissa Leo – “O vencedor”
    - Amy Adams – “O vencedor”
    - Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
    - Jacki Weaver - “Reino animal”
  • Melhor roteiro original:
    - “Minhas mães e meu pai”
    - “O vencedor”
    ---> “A origem”
    - “O discurso do rei”
    - "Another year"
  • Melhor roteiro adaptado:
    - “A rede social”
    ---> “127 horas”
    - “Bravura indômita”
    - “Toy Story 3”
    - "Inverno da alma"
  • Melhor longa-metragem de animação:
    - "Como treinar o seu dragão"
    - "O mágico"
    ---> "Toy Story 3"
  • Melhor direção de arte:
    - "Alice no País das Maravilhas"
    - "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
    ---> "A origem"
    - "O discurso do rei"
    - "Bravura indômita"
  • Melhor fotografia
    - "Cisne negro"
    - "A origem"
    - "O discurso do rei"
    - "A rede social"
    ---> "Bravura indômita"
  • Melhor figurino
    - "Alice no País das Maravilhas"
    - "I am love"
    - "O discurso do rei"
    ---> "Bravura indômita"
    - "The tempest"
  • Melhor documentário (longa-metragem)
    - "Exit through the gift shop"
    - "Gasland"
    - "Inside job"
    - "Restrepo"
    ---> "Lixo extraordinário"
  • Melhor documentário (curta-metragem)
    ---> "Killing in the name"
    - "Poster girl"
    - "Strangers no more"
    - "Sun come up"
    - "The warriors of Qiugang"
  • Melhor edição
    - "Cisne negro"
    - "O vencedor"
    - "O discurso do rei"
    ---> "127 horas"
    - "A rede social"
  • Melhor filme de língua estrangeira
    ---> "Biutiful"(México)
    - "Dogtooth" (Grécia)
    - "In a better world" (Dinamarca)
    - "Incendies" (Canadá)
    - "Outside the law" (Argélia)
  • Melhor trilha sonora original
    - "Como treinar seu dragão" -  John Powell
    - "A origem" - Hans Zimmer
    - "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
    - "127 horas" - A.R. Rahman
     ---> "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross
  • Melhor canção original
    - "Coming home", de "Country Strong"
    - "I see the light", de "Enrolados"
    - "If I rise", de "127 horas"
    ---> "We belong together", de "Toy Story 3"
  • Melhor curta-metragem
    - "The confession"
    - "The crush"
    ---> "God of love"
    - "Na wewe"
    - "Wish 143"
  • Melhor curta-metragem de animação
    ---> "Day & night"
    - "The gruffalo"
    - "Let's pollute"
    - "The lost thing"
    - "Madagascar, carnet de voyage"
  • Melhor edição de som
    ---> "A origem"
    - "Toy Story 3"
    - "Tron: o legado"
    - "Bravura indômita"
    - "Incontrolável"
  • Melhor mixagem de som
    ---> "A origem"
    - "O discurso do rei"
    - "Salt"
    - "A rede social"
    - "Bravura indômita"
  • Melhores efeitos visuais
    - "Alice no País das Maravilhas"
    - Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
    - "Além da vida"
    ---> "A origem"
    - "O Homem de Ferro 2"
  • Melhor maquiagem
    - "Minha versão para o amor"
    - "Caminho da liberdade"
    ---> "O lobisomem"

Inception levaria 6 prêmios e o mundo seria um lugar melhor, mas enfim, acho dificil rolar isso hoje xD Nas categorias mais “excluídas” como curta metragem, documentário e tals, eu fui no chute da ignorancia mesmo, não vi nenhum deles e não tenho base para opinar em nada (essa regra vale também para as minhas apostas finais).

127 Horas-História Simples, Filme Soberbo

Comprovando a minha tese de que para realmente adorarmos um filme temos que detesta-lo antes de vê-lo, 127 Horas calou minha boca nos primeiros 20 minutos de filme, me apresentando um jeito inteligentíssimo de se contar uma história que conta com pouco recursos, que se resume a: um aventureiro, uma pedra gigante sobre seu braço e um canivete cego.

“Baseado na história de Aron Ralston, montanhista que, em 2003, durante uma escalada no Estado americano de Utah, sofreu um acidente e ficou com o antebraço preso sob uma rocha durante cinco dias. Ele teve de amputar seu braço com uma faca que carregava. O drama durou cerca de 127 horas.”

127 Horas é um excelente exemplo de filme bem explorado. Ele foi além do que poderia ser. Danny Boyle poderia simplesmente fincar uma camera no meio do Grand Canion e registrar James Franco aflito por 1h30, vê-lo cortar o braço e pronto, eis um filme ok baseado numa história real. Mas não, o cara foi esperto e pegou essa simples história de superação e sobrevivencia e a aprofundou de maneira categórica! Não só preocupado em mostrar a situação desesperadora do cara, ele entrou na sua mente, colocou em tela tudo que estava passando na cabeça de Aron, suas lembranças, seus arrependimentos e seus desejos (no caso, o principal era sair de lá, coisa que me surpreendeu bastante).

Tendo que carregar o filme todo nas costas (e a pedra na mão), James Franco surpreende a todos com uma atuação magnífica! Ele quando está preso só fala quando vai registrar seu momento de agonia em sua câmera, sendo que boa parte do tempo ele fica em silêncio, mostrando o que está sentido apenas com o olhar, com as expressões de dor, de desespero, e isso faz com que ele seja sim, um grande concorrente para o Oscar desse ano.

A parte técnica do filme é impecável. Embora tenha certas partes de “câmera na mão”, coisa que eu odeio, o longa nos oferece ótimos angulos de câmeras e vários truques de filmagem que deixam o filme ainda mais interessante de se ver. Uma parte que me chamou muita atenção foi em que tinhamos o rosto de Aron sendo mostrado de 3 perspectivas diferentes sobre o mesmo plano. Foi mais ou menos assim: aparece Aron no fundo falando, o visor da câmera dele o filmando, e a lente da câmera o mostrando também. Achei isso de uma sagacidade sem tamanho, muito criativo mesmo! Acompanhando bem os truques de câmera, a edição do filme é sensacional e essencial também, uma vez que enquanto Aron está refletindo sobre seu passado e tem suas lembranças, as imagens são entrecortadas com o presente e as vezes até dividem a tela com ele, o que o torna dinâmico e incansável de se assistir. A Rede Social encontrou um concorrente bem forte nesse quisito. Outras coisas que chamam atenção também são a fotografia, que realmente é muito bem feita, mostrando lindas imagens do deserto e das pedras num tom de amarelo bem forte, e a trilha sonora que acompanha bem os momentos de tensão e principalmente o de superação final no seu clímax intenso e perfeitamente elaborado, dando uma naturalidade fora de série para o corte de braço de Aron, cena que dificilmente será esquecida tão cedo.

Além de contar a história real do cara que passou 127 horas preso numa pedra e que teve que cortar o próprio braço para sair de lá, o longa faz reflexão sobre algo muito importante: independencia. Aron costumava se orgulhar por ser um cara que nunca precisou de ninguém, que sempre gostou de ser sozinho e que raramente pediu ajuda ou deu satisfações para alguem. Quando ele se encontra naquela situação complicada (palavra fraca para tal) ele percebe que não tem como viver na singularidade, sem ninguém, ele precisa sim de alguém ao seu lado, ele precisa sim de ajuda, e isso é uma puta mensagem, que é muito bem passada com as imagens de pessoas unidas se sentido bem em grupo, se sentindo fortes para o que der e vier. Além disso, 127 Horas passa sutilmente uma boa “bronca” na gente, nos fazendo ver o quão sortudos nós somos por estarmos bem acomodados numa cadeira de cinema, desfrutando de uma coca cola gelada e uma pipoca quentinha, enquanto que o cara teve que guardar sua própria urina para beber mais tarde para garantir sua sobrevivencia por mais alguns dias.

Mais do que excelente, 127 Horas é um filme obrigatório, e o melhor de tudo é que é um filme acessivel, nada massante demais, todos podem ver que sairão do cinema realizados, tocados pela história e satisfeitos com a certeza de que foi dinheiro bem gasto. Como se isso fosse pouco, ainda irão para casa com ótimas mensagens na cabeça como: agradeça pela boa vida que tem; aproveite suas relações sociais,elas são muito importantes; sempre saía com um canivete bom no bolso; e principalmente, NÃO VÁ PAGAR DE AVENTUREIRO RADICAL SUBINDO NUMA MONTANHA PARA DEPOIS DESCER, ISSO É COISA DE BABACA, BUCOLISMO É O MEU CU!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Inverno da Alma- O Filme Mais Frio de Todos os Tempos

De todos os filmes da lista de indicados o único que eu não tinha ouvido falar era esse “O Inverno da Alma”. Não fiquei muito a fim de ver, seu estilo não combina nem um pouco com o Oscar, tem mais cara de filme de Festival de Cannes, mas de qualquer modo, tive que ver. No final das contas achei o filme legal, bom, mas é daqueles que a gente não quer ver de novo.

“Inverno da Alma elabora o retrato da adolescente Ree Dolly, uma jovem que vive numa região montanhosa localizada na região central dos EUA, e que, mesmo com a desaprovação das pessoas que lhe são mais próximas, atravessa a região selvagem das montanhas de Ozark, no coração dos Estados Unidos, para reencontrar o seu pai, um conceituado traficante de droga.”

O filme todo é bem frio, fazendo eco com o título do filme. A fotografia é fria (e excelente), os personagens são frios, os cenários são gelados e a história é sufocantemente fria. Se o objetivo do filme era ser o mais frio possível, parabéns conseguiu. O filme funciona como um suspense não convencional, mas acaba virando um verdadeiro filme drámatico, mostrando o quão forte essa menina teve que ser para poder sustentar sua familia e protege-la o tempo todo.

“O Inverno da Alma” tem uma visão bem crítica sobre a sociedade em cidadezinhas pequenas. Ele mostra o quão forte as mulheres nesse lugar são, determinadas e auto suficientes, porém como contradição, todas acabam ficando reféns de seus maridos, que mandam nelas o tempo todo, e muitas das vezes, até as maltratam. Além disso, o filme faz questão de mostrar o lado cruel e (adivinhem) frio das pessoas que na luta pela sobrevivência pensam apenas nelas mesmas, não oferecendo ajuda por medo de se envolverem e acabarem presos.

O que surpreende em O Inverno da Alma é, sem dúvida nenhuma, a atuação forte e determinada de Jennifer Lawrence, que foi com razão indicada ao Oscar de Melhor Atriz, sendo uma grande pena competir com duas atrizes tão fortes como Natalie Portman e Annete Bening. John Hawks que faz um velho parceiro do pai da menina no filme recebeu uma indicação também, mas nem achei grandes coisas.

Não recomendo o filme para quase ninguem, só para o povo cinéfilo mesmo (não me enquadro nesse grupo), daqueles que adoram um filme de arte francês e filmes pós-modernos de Israel. Realmente não vejo uma chance sequer desse filme levar o Oscar de Melhor Filme.

O Discurso do Rei-Poder da Expressão e Expressão do Poder

Um dos grandes favoritos para o grande prêmio desse domingo infelizmente não é o melhor filme da lista dos indicados, uma vez que a boa história não é explorada como poderia, deixando a desejar bastante, além disso, o filme compete com o extremamente superior Inception (que tem toda a minha torcida mesmo sabendo que não vai levar). Mesmo não sendo tão bom quanto anunciam, o filme tem seus bons momentos além de passar ótimas mensagens indiretas para o espectador sobre força, poder e expressão.

“Albert, duque de York, relutantemente assume o reino como George VI, depois que seu irmão abdica. Perseguido por soluços nervosos e considerado inapto para reinar, George VI pede ajuda a um fonoaudiólogo nada ortodoxo chamado Lionel Logue. À medida em que a Inglaterra se aprofunda na Segunda Guerra Mundial, a voz do rei e os seus discursos se tornam mais exigidos.” (é eu copiei de novo a sinopse, e daí?)

Não posso negar que o filme é bem trabalhado em seus diálogos, porém perdeu-se um pouco no ritmo de contar a história. No filme podemos perceber um bom equilibrio entre cenas dramáticas e engraçadas, de modo que o filme não fica tão massante quanto eu imaginava. O roteiro tem umas tiradas irônicas bem espertas sobre a vida  "real" (no sentido de "realeza", é um bom trocadilho). Com isso, acaba nos fazendo ver o outro lado da história, de toda complicação que envolve a familia real, sendo vigiada a cada segundo e tendo que se conter em seus momentos mais trágicos.

No filme temos grandes atores em ótimas performances muito tocantes. Colin Firth protagoniza o filme com extrema segurança, sabendo irônicamente se expressar bem como um gago, soando bem natural e nos traduzindo com perfeição o sentimento de incapacidade e raiva que ele tem por ser desse jeito na sua posição de rei. Helena Bohan Carter tem uma atuação até que bem pontual, embora não apareça muito e fique meio apagada, de forma que não acho q mereceria o Oscar, ela já teve performances bem mais "premiaveis". E Geoffrey Rush mais uma vez dá uma aula de atuação como o professor do rei, que com muita simplicidade e firmeza estabele uma relação de confiança com ele, fazendo o ter mais segurança e força para guiar a sua nação no período de guerra que está passando. Ao longo do filme ainda encontramos rostos “conhecidos” como Guy Pearce, o novo Dumbledore, e o Rabicho!

Uma coisa que muitos acharam bom mas que eu achei bem fraco foi o cenário. Sendo um filme dessa proporção, com toda essa preocupação histórica, podiam ter caprichado mais. Até a fotografia e o figurino não vão muito bem, perdendo um pouco a “graça” de filmes épicos inglês.

O Discurso do Rei vale mais pelas mensagens de força que ele passa. Na sequencia final do filme, onde temos o rei fazendo seus exercicios vocais junto com o professor dele para poder comunicar ao povo as suas decisões sobre o cenário de guerra que se instala, podemos sentir todo o poder que invadiu o rei naquele momento. Vamos gradativamente vendo como ele foi ganhando confiança para se expressar, de se impor, e isso é emocionante demais. Os diálogos entre o rei e o professor não saíram da minha cabeça pelas suas mensagens. “Porque você merece ser ouvido?”. “Porque eu tenho uma voz, droga!” Cara, isso é bonito demais. Todos podemos e temos que nos expressar, somos mais fortes e seguros do que imaginamos. Nós somos capazes de falar, tudo que precisamos está dentro da gente! Yes, we can! (Don’t stop belieeeeeven!)

Mesmo o filme tendo me desapontado por todo alarde que o povo tava fazendo e no final nem ser grandes coisas, O Discurso do Rei merece ser visto, mas infelizmente, não merece o Oscar de Melhor Filme. O pior de tudo é saber que as chances dele ganhar são gigantes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita-Fotografia impressionante, e os Coen de sempre

Com a refilmagem de Bravura Indômita, pela primeiríssima grande vez os irmãos Coen realmente me fizeram dizer: caralho, quero muito ver esse filme! O mais perto que eles chegaram disso antes foi com Queime Depois que Ler e Fargo, mas mesmo assim não foi com a mesma força. Embora tenha animado muito para ver um genuino western de antigamente, na hora que eu vi, mais uma vez os brothers não conseguiram me agradar por inteiro. Nem “Onde os Fracos Não Tem Vez” me agradou, embora seja um filme excelente, é muito estranho, sei lá, não gera grandes emoções na gente. Bravura Indômita, pelo menos chega perto disso, mas falo desde já que não acho que mereça o Oscar.

O filme acompanha o bêbado, grosseiro e totalmente destemido comissário Rooster Cogburn (Jeff Bridges). O rabugento Rooster é contratado por uma decidida garota (Hailee Steinfeld) para encontrar o homem que matou seu pai e fugiu com as economias da família. Quando a nova patroa de Cogburn insiste em acompanhá-lo na empreitada, voam faíscas. Mas a situação vai de problemática a desastrosa quando o inexperiente, mas entusiasmado, Texas Ranger entra na festa. [sinopse copiada de um site pois estou sem tempo (e saco) para isso]

Pois bem, como o filme não foi originalmente idealizado pelos Coen, acreditem ou não o filme é conclusivo! \o/ Tem começo, meio e fim bem declarados. Não que eu não goste de mudanças brutas na cronologia, na verdade adoro, mas com os Coen fica seco, sem graça, sem emoção.Voltando, temos uma história muito boa de vingança e os personagens são muito bem feitos e interpretados, mas poderia ser melhor, bem melhor. Não sei como explicar, mas o filme não te envolve, não te faz perder o fôlego na cadeira, você não fica tocado pela história, nada. Se o filme tivesse um pouco mais de sal, com certeza Bravura Indômita disputaria pelo meu voto para o grande prêmio (que importa muito, vocês sabem). O filme tem um humor bem legal, te proporciona risadas sinceras com as situações de impasse ente os 3 protagonistas e as tiradas sagaz de Rooster, sendo um ponto bem positivo do filme.

Agora, os dois pontos fortes mesmo do filme são: atuações e parte técnica. Jeff Bridges está mais que perfeito no papel do sarcástico Rooster, com uma voz bem “faroéstica” e olhares profundos (ou olhar xD). Mas a grande estrela na verdade é Hailee Steinfeld, numa interpretação fortissima! Não conseguia tirar o olho dela, as expressões, os olhares, as entonações de sua voz, tudo está num nível de atriz grande, num nível de (vão me crucificar) Meryl Streep, falando sério, ela deu um show, apagando os ditos grandes atores Matt Damon (ta bem fraco) e Josh Brolin (infelizmente quase não aparece).

A parte técnica do filme é uma obra prima a parte. Pegando traços da fotografia excelenlente de Onde os Fracos Não Tem Vez, os irmãos Coen esbanjam habilidade em Bravura Indômita, nos proporcionando imagens áridas de extrema qualidade, além de ótimos momentos de contraste, coisa que aprecio muito mesmo. Na sequencia final do filme, os diretores exibem uma das cenas mais bonitas fotograficamente que eu já vi, quando vocês a verem a reconhecerão na hora, é realmente impressionante.

Bravura Indômita, no geral é um filme bom, mas não é aquilo tudo que esperamos. Sei lá, os Coen tem um jeito estranho de dirigir que acaba cortando alguns dos grandes baratos do cinema, e na maioria das vezes nem passam grandes mensagens escondidas, apenas filmam, de forma fria, uma história peculiar, não gosto disso. Eu sei que posso estar vomitando ignorancias aqui, mas fazer o que? Não consigo achar os filmes dos caras tão bom assim! De qualquer forma, recomendo o filme, dá para distrair, e em questão de filme como um todo, contando com a parte de “te entreter”, Bravura Indômita é melhor que Onde os Fracos Não Tem Vez.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Vencedor- Atuações brilhantes num clichê filme de boxe

Umas das coisas que a academia mais gosta são filmes de lutadores! Pode ver, a lista de ocorrências é grande: Rocky, O Touro Indomável, Menina de Ouro, Ali, O Lutador, e agora o filme da vez é O Vencedor, que mostra as dificuldades de ser reconhecido como boxeador e os dramas das famílias envolvidas no esporte.

O filme gira em torno de Micky (Mark Walberg), lutador de boxe real, que tenta alavancar a carreira com o seu irmão, Dick (Christian Bale), ex-lutador, como treinador e sua mãe (Melissa Leo) como agente. As coisas não vão muito bem, uma vez que seu irmão é irresponsável e é viciado em crack, trazendo transtornos para toda a família e atrapalhando a carreira de Micky. Ao conhecer Charlene (Amy Adams), Micky passa a ver sua carreira de modo diferente, já que ela o incentiva a se valorizar mais e não deixar a sua família atrapalhá-lo, propondo que ele corte as relações profissionais com os parentes, o que vai trazer ainda mais problemas para Mickey.

Com um estilo meio “falso documentário”, a história é bem desenvolvida embora enjoada em alguns momentos. Como um bom filme de boxe, temos a progressão clichê: o cara só se fode no inicio e no final se levanta vitorioso, dando uma grande lição de moral. Incrível como isso ainda funciona tão bem, já que ao vermos as lutas ficamos angustiados com o cara levando porrada e vibramos ao ver que ele conseguiu se reerguer e jogar o cara na lona! Acho que essa é a grande graça dos filmes de boxe!

O que realmente impressiona no filme são as atuações assustadoramente naturais! Não conseguimos enxergar na tela Christian Bale, Amy Adams e muito menos Melissa Leo, o que vemos são pessoas reais, pessoas com manias pessoais, esquecendo do que iam falar, errando as vezes, e isso é o ponto máximo de uma boa atuação, naturalidade e espontaneidade de pessoas reais. Essas soberbas atuações, creio eu, levarão os Oscars da noite de coadjuvantes, Christian Bale e Melissa Leo são as minhas apostas até o momento, e acho difícil mudar de opinião. Bale está irreconhecível, seu papel requer uma leveza misturada a uma prepotência que ele soube equilibrar muito bem. Agora, a grande performance do filme é da, até então desconhecida por mim, Melissa Leo que incorpora uma escandalosa mãe de gênio forte, parecendo muito com aquelas que vemos em reallity shows whatever da TV a cabo, uma interpretação realmente impressionante.

Valendo mais pelas atuações do filme, O Vencedor fará presença na noite do Oscar, mas está longe do prêmio principal, o que não significa que não mereça uma olhada. Recomendo para aqueles que gostam de boas atuações, sairão do cinema bem satisfeitos, se sentindo os Vencedores. (É P.A, vc não conseguiu terminar o texto de nenhum jeito melhor né?)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cisne Negro- A Dança da Morte com seu lado Negro

Mais uma grande aposta para o Oscar desse ano é o novo filme de Darren Aronofsky, Cisne Negro, que adentra no mundo do balé e principalmente no âmago da alma da bela, para não dizer gostosa, Nina (Natalie Portman) uma bailarina dedicada que consegue o grande papel de Cisne Rainha na nova montagem de O Lago dos Cisnes, tendo seu trabalho dobrado já que interpretará gêmeas antagônicas: a doce e bondosa Cisne Branco, e a pervesa e sexual Cisne Negro. Nina tem todas as características do Cisne Branco, ela é meiga, delicada, amavel, e beira a perfeição, porém seu auto controle é tanto que a impede desenvolver bem o papel de Cisne Negro, cujas características se assemelham mais a sua colega da companhia de balé, Lily (Mila Kunis) que é espontanea, sensual, debochada e até mesmo maliciosa. Com o tempo, Nina mergulha mais no seu papel de forma obcecada, passando a ter alucinações e entrando em contato com seu lado negro, até a transformação total onde nem ela se reconhecerá mais.

Com um roteiro magnífico, Aronofsky brinca com a mente do telespectador fazendo ele duvidar de tudo até o seu intrigante final, já que nossa protagonista permeia o tempo todo entre o mundo real e seu imaginário pertubado pelo Cisne Negro, fazendo com que entremos em suas alucinações junto com ela, o que é sensacional! O jeito que o diretor aborda o tema de bem e mal é realmente notável, nos faz pensar qual lado que verdadeiramente vale a pena, se é que um dos dois vale a pena, e ainda filosofa sobre o que é perfeição realmente, já que ser bom e correto nos dias de hoje não são o bastante para ser considerado perfeito. Além disso, o filme todo se sobrepõe a história do Lago dos Cisnes, fazendo uma ótima metalinguistica com seus personagens seguindo a ideia que Nina é o Cisne Branco, cuja irmã gêmea Lily, o Cisne Negro, quer roubar o seu lugar na academia e seu principe, o diretor artistico do espetaculo, vivido por Vicent Cassel, e que no final, bem, vocês verão.

Entoando o brilhante roteiro temos duas atrizes que souberam administrar muito bem os seus papéis, traduzindo as caracteristicas de cada cisne (negro e branco) para os seus personagens sem se tornar forçado, mas sim natural. Mila Kunis tem uma sensualidade fora de série, não consigo imaginar outra pessoa no seu papel! O jeito que ela fala, que ela se move, tem uma sensualidade natural, o que a torna ainda mais forte! E Natalie Portman tira o seu fôlego no filme, não tenho nem palavras direito, ela é uma excelente atriz e esse papel caiu como uma luva pra ela! Ela é perfeita, tem um dos rostos mais lindos que eu já vi, e tem uma sensualidade contida que nos faz perder a cabeça! Sua progressão de certinha para maliciosa é muito bem delineada, Natalie a faz com maestria, sem perder o tom, o que com certeza lhe renderá muitos prêmios. Agora impressionante mesmo é ver as duas interagindo entre si, fazendo sair faíscas da tela de tão fortes que eram as cenas, seja cenas de discussão, olhares ou as de pegação (que são as melhores). A cena de sexo entre as duas é muito bem filmada, acelerou meus batimentos cardíacos, e ainda me deixou maluco, porque ela foi feita de tal forma que não sabemos se elas realmente transaram ou foi uma ilusão de Nina que estava na verdade se masturbando, transando consigo mesma! É uma cena para nunca mais se esquecer!

A parte artistica do filme é uma obra prima por si só! Os cenários muito bem feitos acompanham o clima da cena e sempre fazem os contrastes do preto e do branco, o que é brilhante! A fotografia sabe balancear muito bem os momentos claros e negros, e câmera captura com perfeição os movimentos das atrizes, dando o foco certo para o momento certo. O filme ainda conta com uma ótima maquiagem, que ajuda a dar o aspecto certo para as ilusões perturbadoras de Nina.

O legal de Cisne Negro é todo o jogo psicológico que ele cria, nesse ponto Aronofsky acertou em cheio, sabendo expressar muito bem os conflitos de uma mente inquieta de uma suposta bailarina perfeita, que na verdade sofre com a pressão que sempre lhe foi imposta pela mãe e até por si mesma, que a travava muito, a impedia de fazer o que realmente queria, descartando qualquer hipótese de ela tomar alguma atitude por impulso. Quando ela entra em contato com seu lado negro, no caso a sua rival/amante Lily, ela se liberta, se torna agressiva, impulsiva, passa a encarar a vida de frente e se permite ter mais prazeres. Essa transgressão se reflete muito bem no seu psicológico que vira do avesso e é belamente mostrado para nós pelas mãos do gênio Darren Aronofsky.

Cisne Negro é um filme impactante, acho que é essa a palavra que melhor o descreve: impacto. Nós somos completamente envolvidos pela trama, não há um momento sequer que nos desconcentremos dessa história tão densa e fascinante que a cada segundo que passa se torna mais sombria e viceral. Recomendo a todos aqueles com cabeça para pensar e que esteja disposto a enfrentar um thriller diferente que adentrará na sua mente e talvez nunca mais sairá, convidando você para uma dança da morte eterna com o seu lado negro, que talvez você nem conhecesse (sinistro). Recomendo esse filme até para você, machão que não quer ver o filme porque é sobre bailarinas e isso afetará a sua suposta masculinidade, larga de ser viado e assista a essa obra prima moderna do brilhante Darren Aronofsky.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Rede Social- Quem você conhece?

O último filme do aclamado diretor David Fincher, A Rede Social, chegou aos cinemas fazendo barulho e dividindo muitas opiniões. Teve gente que gostou pra caralho, teve gente que odiou pra cacete e teve gente que viu o filme, enfim, opiniões variadas. Digo desde já que gostei muito do filme, mas não de maneira exagerada, é apenas um bom filme. Entenderão o que eu digo nos próximos páragrafos.

O filme conta a interessante história da criação do Facebook pelo, ironicamente, anti-social Mark Zuckerberg (Jesse Eisenberg), analista de sistemas graduado em Harvard que supostamente rouba a ideia de outros caras da faculdade e se vê numa situação complicada quando o site começa a fazer sucesso. Além disso, as coisas vão se atropelando em sua vida social e profissional, fazendo com que ele conheça o verdadeiro preço da popularidade: para se ter amigos, é necessário criar alguns inimigos.

Como um bom filme de Fincher, o roteiro é impecável, e dessa vez, querendo mostrar todo o dinamismo de uma rede social, tudo passa na velocidade da luz, exigindo toda a sua atenção para acompanhar os dialogos que são praticamente disparados pelos atores freneticamente. Admito que em alguns momentos isso é um belo pé no saco, mas não atrapalha em nada. E o melhor de tudo é como a história é contada, o roteiro é não linear, enquanto acompanhamos Mark sendo processado no presente, ele vai contando a história do desenvolvimento da sua ideia no passado, e vamos assim indo e voltando na história, o que acabam por gerar ótimas viradas.

As atuações são bem pontuais, Jesse Eisenberg dá um show no papel principal, sua esquisitisse misturada a sua vontade de ser reconhecido é muito bem expressa na tela o que pode até render a ele uma indicação ao Oscar desse ano. Andrew Garfield que interpreta Eduardo Saverin, o melhor amigo de Mark que se torna sócio dele no empreendimento, tem uma boa atuação, mas não é lá grandes coisas. O papel de Justin Timberlake é bem interessante, ambicioso e irônico, mas foi dado a pessoa errada! Embora seja algo interessante colocar um músico num papel de um cara que criou o Napster, site que ferrou com a industria fonografica por disponibilizar musicas para download gratuitamente, Timberlake não estava pronto para o papel, ele até tem um certo carisma, mas podiam ter escolhido alguem melhor, com certeza.

A edição de A Rede Social é soberba! Com muito controle e elegancia, Fincher conseguiu montar sua história de forma excepcional, passando cenas rapidamente na tela sem que nos perdamos em momento algum, fazendo do longa um dos mais dinâmicos que eu já vi, perdendo apenas para os filmes de Guy Ritchie. A trilha sonora escolhida por ele também é ótima, acompanha bem todo o desenvolvimento do longa com músicas em ritmo frenético, o que condiz bastante com toda a ideia do filme.

A Rede Social dá um bom panorama da nossa situação atual em muitos aspectos, tudo hoje em dia é a velocidade em que as noticias correm e seu comportamento na internet, o que importa é o que você diz na sua página virtual, o seu status, o número de pessoas que te tem como “amigo”, é isso que te define hoje em dia, fazendo das relações sociais grandes fraudes, movidas apenas por interesse pessoal em ascensão social. Mark era um cara que tinha 3 amigos apenas, e por ter alguns contatos que o levavam a outros contatos, ele conseguiu que sua ideia se tornasse um grande sucesso comercial. Então o que isso nos diz? Que o importante para o sucesso é quem você conhece e quem conhece você, função básica do site Facebook. Adeus as relações de verdade, adeus as pessoas de verdade e bem vindo a Rede Social que se tornou a vida.

Por essa grande ideia que o filme passa e pela história que surpreende por ser verdadeira, A Rede Social é um bom filme, que com certeza terá destaque no Oscar desse ano. Como eu disse no inicio ele é de fato apenas um bom filme, nada demais, ele não consegue superar os outros grandes filmes de Fincher, então não merece tanta exaltação assim. Numa ordem de sucessos de Fincher temos o seguinte: Clube da Luta>Seven>A Rede Social>O Curioso Caso de Benjamim Button;sendo assim dá para vocês terem uma ideia de o quão bom o filme é. Dos filme em cartaz no momento esse é sem dúvida um dos melhores para se ver, se possível com amigos que gostem de tecnologia e redes sociais, dá para se identificar bastante com aquilo tudo o que vai gerar boas discussões depois da sessão.Ah, e antes que me esqueça, add me on facebook: http://www.facebook.com/#!/pedro.tafuri

sábado, 7 de agosto de 2010

Inception- Genialidade Fora de Compreensão!

Em 2008, quando Christopher Nolan lançou o seu sensacional Dark Knight, ele mostrou ao mundo que é possível fazer grandes blockbusters com conteúdo e inteligência, e mais ainda, mostrou que é capaz de dirigir um grande projeto com maestria, sendo assim conseguiu crédito para realizar talvez o seu mais ambicioso projeto: A Origem (Inception- vou me referir ao filme assim, prefiro), que chega comprovando que sim, é possível divertir com tramas inteligentes e complexas. Prepare-se para mudar várias de suas concepções.

 

Esse é mais um daqueles filmes cuja a trama é tão complexa que se eu escrever com as minhas próprias palavras ninguem entederá nada, então mandarei essa que eu vi num site que sintetiza bem a história sem contar spoillers ou coisas do gênero: “Dom Cobb (Leonardo DiCaprio) é um habilidoso ladrão, o melhor na perigosa arte da extração, o roubo de valiosos segredos das profundezas do subconsciente durante os sonhos das pessoas, quando a mente fica totalmente vulnerável. Essa rara habilidade de Cobb fez dele um cobiçado jogador nesse traiçoeiro novo mundo da espionagem corporativa, mas também fez dele um fugitivo internacional que perdeu tudo o que mais amava. Agora, uma chance de redenção foi oferecida a Cobb. Um último trabalho pode trazer sua vida normal de volta, mas somente se ele conseguir o impossível – inserção. Ao invés de fazer o roubo perfeito, Cobb e sua equipe de especialistas têm que fazer o oposto: a missão não é roubar uma ideia, mas sim plantar uma ideia. Se eles obtiverem sucesso, pode ser o crime perfeito. Mas nem mesmo um plano cuidadoso poderia prepará-los para um perigoso inimigo que parece prever cada movimento deles. Um inimigo que somente Cobb poderia prever.” Foda, não?

 

Com um roteiro bem fechado, reflexivo e intrigante, Inception nos envolve até o desolador final, que joga a gente no chão, perplexos com tudo aquilo que vimos. O filme nos desafia pensar mais a cada cena, exige de nós total atenção para acompanharmos essa incrível história que não nos dá tantas informações. Não é um filme extremamente difícil de entender, há vários outros que exigem mais da nossa massa cinzenta, mas para um blockbuster que quer encher as salas sem ser ignorante está perfeito. É realmente um grande trabalho criativo de Nolan, que deve ter suado para controlar toda a situação absurda que ele criou, não deve ter sido nada fácil controlar as ações de pessoas que estão num sonho, dentro de um sonho, dentro de outro sonho! É uma confusão deliciosa que se instala na sua mente, tentando juntar as imagens para enfim entender o que realmente está acontecendo. É ótimo ver um filme assim, um filme que busca uma atenção maior, e não simplesmente quer que a gente o veja parado. Ele quer que a gente participe, que junto com os personagens nós entremos na situação, de sonho para sonho, tentando completar a missão e resolver o grande mistério que se instala. Acho isso o melhor de tudo, é como se fosse uma outra dimensão que o filme nos propõe, uma dimensão interativa, uma dimensão inteligente que por ser tão envolvente nos joga pra dentro da situação do filme, o que, na boa, é bem mais interessante do que uma terceira dimensão digital avatar neon.

 

As atuações do filme, eu tenho que admitir, não são lá grandes coisas, não são ruins, mas nada muito destacável, como foi em Dark Knight onde tivemos uma das melhores atuações de todos os tempos graças ao grande Heath Ledger e seu fenômenal Coringa. Em Inception acho que foi mais um problema com os personagens do que com os atores em si, pois acho que faltou um pouco mais de tempero e até mesmo carisma. DiCaprio fez seu já famoso papel de “esquentadinho” como diria Osw, mas o faz bem pelo menos. Ellen Page, que é uma atriz encantadora, está meio apagada no longa, repito em dizer que acho é um problema com a personagem. Marion Cotillard está impressionante como sempre, seu papel é o melhor de todos por sua complexidade doentia e diferente, e acima de tudo misteriosa. Cillian Murphy interpreta bem um almofadinha que recebe uma grande herança, personagem que encaixa bem ao seu tipo físico. No elenco ainda temos Ken Watanabe, Joseph Gordon-Levitt, Michael Caine, Tom Berenger e Tom Hardy.

 

A estética do filme é surreal. A gente fica atordoado diante dos acontecimentos que ocorrem no filme. No campo dos sonhos muita coisa pode acontecer, sendo assim, o filme dá um show em efeitos especiais. Há uma cena em especial que eu creio que  entrará para história assim como a esquivada das balas de Neo em Matrix, não falarei como é para não estragar a boa surpresa. É algo realmente inédito, ficamos boquiabertos com a cena. Mas em todos os aspectos visuais o filme arrebenta, é necessário muita habilidade para criar tantos mundos, de diferentes arquiteturas que saltam os olhos, palmas para a direção de arte e todos os envolvidos. Outro pessoal que merece palmas calorosas, são os responsáveis pela edição do longa, que fizeram um trabalho excepcional de imagens e sons cujo propósito principal era de nos confundir. Tudo que temos são imagens, o que aparece na tela pode ser parte do sonho, realidade ou uma lembrança, é aí que entramos com a nossa massa cinzenta e fazemos as devidas conexões, mantendo o suspense e o mistério do filme.

 

Embora Inception seja para mim até agora o melhor filme do ano, eu ainda esperava mais. Pelo grande barulho que estava fazendo antes de sua estréia, pelo mistério que rondava o longa com as sinopses com poucas informações e muitos segredos, pelo sucesso que fez nos EUA sendo muito bem criticado e avaliado, Inception gerou em mim uma grande expectativa, só não sei se isso foi bom. Vamos ver se vocês me entendem. Quando fui ver Dark Knight, eu fui com a galera depois da última prova do bimestre, eu não tava com tanta expectativa para o filme, fui ver como qualquer outro, fui ver como vi Salt, totalmente desarmado, just for fun. Chego lá, vejo a primeira cena. Meu coração acelera ao ver uma cena inicial tão foda quanto aquela. Vejo o Coringa. Mais exatamente, vejo a atuação soberba de Heath Ledger como Coringa. Minha cabeça explode aos 30 minutos do longa quando o Coringa simplesmente enfia um lápis na cabeça de um bandido num curioso truque de mágica. Quando chega na metade do filme, onde muitas cenas de ação dignas de clímax já aconteceram, eu percebo que ainda estavámos apenas na metade do filme, me animo, me animo muito. Quando chego ao verdadeiro clímax, e que clímax, estou pulando na cadeira de animação. A sensação que batia no meu peito era indescritível, sensação que diga-se de passagem ainda não senti de novo num filme. Vem a cena final, o Batman fugindo, Gordon narrando, e a excepcional trilha de Hans Zimmer ao fundo, pronuncia-se as últimas duas palavras: Dark Knight. Tela preta. Fim. Eu tenho um orgasmo. Pelo o que diziam de A Origem, eu esperava isso, ou ainda superior. Eu queria ter aquela sensação indescritível de novo, mas acho que para isso eu teria que estar desarmado. E acho que foi isso que não me fez ter aquela emoção toda, eu estava contando os dias para o momento, para o grande momento, e estava tão animado que não me contive com a obra prima que eu vi, eu queria mais. Mas em resumo, Inception é um filmaço, e eu não tenho dúvidas, se eu tivesse ido desarmado, teria a sensação, e quem for ver vai senti-la.

 

Há muitas comparações entre Inception e Matrix. Não só no seu esquema “blockbuster cabeça”, mas no seu tema, o mundo dos sonhos e etc. Realmente há semelhanças, mas acho que conseguimos diferir bem um do outro e não podemos acusar plágios ou coisas do gênero, cada um seguiu um caminho diferente a partir de uma ideia primitiva bem parecida, mas não igual. Matrix tem uma ideia mais global e revolucionária, fala de sistemas de controle de pensamentos, de opiniões, dá um tratamento diferente a concepção de sonho e realidade. Inception é mais fechado, o objetivo é totalmente diferente, as proporções são menores e não há nenhum grande sistema controlando aquilo tudo, há um grande mistério em torno de nós mesmos, de nós não sabermos realmente com total certeza o que é sonho e o que é realidade. A vertente da filosofia dos filmes em questão é mesma, mas os caminhos tomados são diferentes. Há mais semelhanças, mas se relaciona a parte física da história, o modo de como as pessoas entram no sonho é  parecidíssimo, o lance do arquiteto, e muitas outras. Agora, sendo sincero, Matrix me impressionou mais do que Inception.

Se você for escolher um único filme para ver esse ano no cinema, o filme que você deve escolher é Inception, sem sombras de dúvida. Não é só um filme, é um evento cinematográfico. Assim como uma boa garrafa de vinho, daqui a algum tempo vão saber apreciar o longa melhor, muito ainda vai ser discutido sobre ele, grandes debates se formaram para tentarem compreender melhor essa obra prima contemporanea, exatamente como aconteceu com Blade Runner. Com certeza, Inception já entrou para a história do cinema! Não deixe de fazer parte dessa história e vá no cinema, mas mesmo depois de tudo que você leu aqui, vai desarmado, esvazie sua mente, o efeito será supremamente melhor, você sentirá algo impressionante, indescritível. Depois de ver o filme, você ficará abalado, até meio bobo (como aconteceu comigo), você perde o chão com o final, você começa a tentar rever todo o filme na sua cabeça e juntar os pedaços, e isso é sem dúvida a coisa mais legal que Inception nos proporciona. E assim como Blade Runner, tudo está nos detalhes. Bons sonhos…

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Toy Story 3- Para todas as crianças interiores

Quando Up Altas Aventuras foi lançado confirmamos que a intenção óbvia da Pixar é fazer filmes de animação que entretessem as crianças e emocionassem os adultos, agradando os dois públicos principais desse tipo de filme e ainda garantindo seus Oscars na estante. Com Toy Story 3 isso se confirma com intensidade e chega ao seu ápice! Todo esse tempo que esperamos valeu muito a pena. A perfeição leva tempo para ser atingida, Toy Story 3 é a prova concreta disso.

 

No terceiro longa da série chega o momento mais temido pelos brinquedos: Andy cresceu e está indo para a faculdade. Desesperados, os últimos brinquedos que restaram no quarto fazem de tudo para continuarem ao lado de seu querido dono, mas confusões acontecem e eles acabam se separando, e agora Woody, Buzz e toda turma estão numa creche aparentemente perfeita, mas que se tornará cada vez mais estranha, de onde talvez nunca saiam…

 

Toy Story 3, e toda a série, está sem dúvida na lista de filmes mais adoráveis de todos os tempos, não tem como não se identificar com Andy e sua imaginação fértil e não tem como não querer ter todos aqueles brinquedos carismáticos. Sou muito suspeito para falar desse filme. Toy Story fez parte da minha infância, sou muito feliz por viver nessa época. Meu sonho era ter um boneco do Buzz que fizesse tudo aquilo, não precisava necessáriamente falar, mas ter todas aquelas funções que ele tem, o laser, as asas, as vozes. Na época do lançamento do 1 não tinham feito nada parecido, só agora a pouco tempo que vi finalmente um Buzz com todas as funções “originais” (menos falar :/), mas custava tanto a ponto de destruir o sonho e me jogar na realidade. Enfim, do que eu tava falando mesmo? Ah é, o filme. Não adianta, quem já foi criança um dia se sentirá tocado por Toy Story 3 que nos traz uma carga de nostalgia incrível, o nosso coração fica na mão, falarei mais sobre isso depois.

 

  Em questões técnicas o filme arrebenta mesmo! Se o primeiro filme já tinha um gráfico bom, o terceiro chega explodindo a cabeça, com cores fortes e uma perfeição de assustar. Os rostos das crianças acompanham perfeitamente suas feições, é algo fenomenal, e os brinquedos estão mais vivos do que nunca, simulando a realidade de um jeito muito divertido. O filme manteve sua música clássica que todos saem cantarolando do cinema (“amigo estou aqui, amigo estou aqui…), o que foi uma agradavel surpresa nostálgica pra mim.

 

A história do filme é muito boa, mexe com muitos assuntos de forma leve, mas intensa (entendem?). O grande lance de Toy Story é justamente esse, lidar com situações adultas de forma doce e inocente, e nem um momento sendo infantil boboca. Toy Story 3 não vê as crianças como “idiotas”, mas sim como seres capazes de entender tudo se usar os métodos certos, e o filme usa e abusa desses métodos, fazendo de Toy Story 3 um filme inteligente demais em suas proporções. Como se fosse pouco, o longa ainda esbanja eficiência em tratar do ritual de passagem da vida juvenil para adulta com a história do Andy que desencadeia todos os fatos do filme e lhe dá o desfecho perfeito, indicando o fim de uma fase e o inicio de outra. A única crítica negativa que posso fazer ao filme é o fato de ter algumas repetições desnecessárias dos outros dois filmes, como o vilão óbvio desse que é praticamente igual ao do 2. Fora isso o filme alcança perfeição. Além de tudo isso, o filme também tem uma ótima carga de humor, recheada de piadas adultas escondidas que só os maiores entenderam, mas que ao mesmo tempo não desrespeitará os menores.

 

  Agora vamos para o melhor parágrafo, onde falarei sobre a melhor coisa do filme: os sentimentos que ele passa. Eu sou homem o bastante para admitir que derramei algumas lágrimas durante o filme, e acredito que apenas um insensível sem pai, nem mãe, sem infância e sem coração não se sentirá emocionado ao ver o filme. É surpreendente como eu me emocionei num filme infantil de animação e não num filme drámatico com atores, engraçado pensar nisso. A inocência dos personagens parece que potencializa nossas emoções e nos contagia com ela, de modo que quem viu o filme não foi o meu “eu” de 15 anos, mas sim o meu “eu” de 8 anos, eu voltei a ser criança por 2h, eu cheguei em casa e fui pegar meus bonecos do Woody e do Buzz. Eu estava elétrico como nunca, meu coração não parava de bater, e cada vez que eu lembrava de uma parte do filme, ou eu ria sozinho ou me batia uma emoção, uma emoção tão forte e pura que chega a ser indescritivel. A mensagem do filme é simples, porém intensa na sua forma: é a amizade, são as relações despretensiosas que temos puramente para nos sentir bem, nos sentir amados e sermos fiéis a ela e fazer o que for para mantê-las. Isso é muito bonito, isso é humano, pelo menos foi um dia, e é irônico ver bonecos agindo de modo  mais humano do que nós mesmos (:/). Tem um momento do filme, o seu clímax, que é um verdadeiro nocaute nos nossos nervos, se a pessoa não chorou até aquele momento, chorará nesse, é de perder o fôlego mesmo, o coração acelera, você não sabe o que vai acontecer e fica na expectativa, que com a trilha sonora progressiva só aumenta e te deixa tenso e emocionado a ver tal cena tão incrivelmente bonita e tocante. Fazia tempo que eu não sentia tantas emoções juntas vendo um filme, muito obrigado Pixar.

 

Não consigo dizer mais nada, não dá para descrever esse filme, você tem que ver, mas veja no cinema, acompanhado de amigos se possível, se forem de infância então melhor ainda, mas veja, é uma experiência e tanto. Você sai do cinema com a alma lavada, purificada talvez. Você sai do cinema e fica por um tempo enxergando o mundo com olhos de criança, com espirito de criança, pena que esse mundo sujo e cruel não aceita isso, e nos faz cair novamente nesse poço imundo e sem fundo. Mas Toy Story 3 tem uma força tão grande, que entrará no seu ser, e ficará por lá junto com sua criança interior, que nos momentos difíceis cantará: “Amigo estou aqui, amigo estou aqui, se a fase é ruim e são tantos problemas que não tem fim, não se esqueça que ouviu de mim, amigo estou aqui…”. Eis o verdadeiro sentido dessa música, e de Toy Story 3, o melhor amigo que temos é a nossa criança interior, nunca devemos esquecer dela, pois ela nunca nos esquece.

 

Meus eternos amigos de infância…

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