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terça-feira, 1 de março de 2011

Oscar 2011- Que porra foi essa?!

 

Quando a lista de indicados ao Oscar desse ano saiu eu exclamei um sonoro: Caralho, esse ano vai ser épico! Além dos filmes indicados para o grande prêmio serem interessantíssimos, a categoria de melhor diretor estava super concorrida, com os nomes grandiosos de Joel e Ethan Coen, Darren Aronofsky e David Fincher! Para ser perfeito só faltava o melhor diretor do ano ter sido indicado: Christopher Nolan! Mas enfim, ignorando essa gafe fatal, eu tinha certeza que seria um Oscar muito bom, bem distribuído e eclético, garantindo minha diversão durante o mês todo atrás dos longas da lista. Pois bem, eu me enganei, e me enganei feio.

Eu tinha quase certeza que pelo barulho que Rede Social estava fazendo nos prêmios preliminares, ele que seria o grande vencedor da noite mesmo não sendo na minha opinião o melhor filme da lista. Eu estava bem com essa ideia, A Rede Social foi um filme legal de se ver e é do Fincher, um cara que mais que merece o reconhecimento da academia, então tudo para caminha va bem. Mas aí, do nada, o jogo vira. De repente começam a falar muito desse tal Discurso do Rei, que estava papando vários prêmios por aí e ganhando simpatia de muitos. Nisso, começei a ficar preocupado, mas ainda sim, nada demais. No Globo de Ouro, ele perdeu para Rede Social, o que me deixou aliviado pensando: é, esse ano é desse filme mesmo, não tem jeito. Mais uma vez, me enganei.

Mais prêmios rolaram, Discurso do Rei foi ficando cada vez mais aclamado e eu mais preocupado, mas ao mesmo tempo intrigado com a força “ do nada” do filme, cheguei a pensar:”porra, esse filme deve ser bom então, o elenco é maneiro, tenho que ver”. Mas aí adivinhem! Me enganei de novo! O filme é bom, mas realmente nada demais! É totalmente passível de prêmio, é só um filme ok, ele não merece todo esse estardalhaço, sem falar que é super quadrado, não mostrando a virtude “moderna” que a Academia quer passar (coisa que passaria muito bem se dessem o prêmio para Rede Social, ou melhor ainda, para Inception). Fiquei com raiva só em pensar que esse filme “ok” poderia passar a mão e roubar o Oscar de Rede Social, Inception, Cisne Negro e Toy Story 3! Se eu fiquei com raiva só de pensar, imaginem quando eu na grande noite ouvi da boca de Spielberg: “The King’s Speech”! Xinguei muito em plena madrugada com meus pais dormindo do lado! Quem me acompanhou no twitter viu minha reação, foi realmente um choque! E minhas reclamações não param só nessa categoria fatídica, vou postar aqui todos os ganhadores e fazer os devidos comentários:

Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"

Merecido, uma vez que é a única coisa que presta no filme

Melhor fotografia
- "A origem"

Vocês vão achar estranho eu estar torcendo contra, mas nessa categoria estava torcendo para Bravura Indômita, que tem uma fotografia espetacular! Mas beleza, contribuiu para que A Origem seja o grande ganhador da noite (em números) junto com o Discurso do Rei.

Melhor atriz coadjuvante:
- Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
- "Toy story 3"

Nenhuma surpresa!

Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”

Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”

Pois então, que merda né! A Origem tem esse prêmio no nome praticamente! Não é possível, o academia deve ter fumado muito antes de votar! ROTEIRO ORIGINAL, me mostrem algo mais ORIGINAL que a A ORIGEM! Quero ver! E outra, até mesmo Minhas Mães e Meu Pai tinham mais direito de levar esse filme pra casa do que O Discurso do Rei!

Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)

Uma categoria bem bipolar, temos que dizer. O mês todo anunciam que Biutiful era um grande filme, que poderia até ser indicado a Melhor Filme de fato, aí chega na premiação quem leva é outro! Vai entender.

Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
- "A origem"

\o/ Muito merecido \o/

Melhor edição de som
- "A origem"

\o/ Muito merecido \o/

Melhor maquiagem
- "O lobisomem"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"

Melhor curta-metragem
- "God of love"

O cara que fez esse filme é muito bizarro, pqp!

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"

Melhores efeitos visuais
- "A origem"

Mega merecido! Efeitos especiais melhores que Avatar \o/

Melhor edição
- "A rede social"

Merecido, embora 127 Horas tenha uma edição que se equipara bem.

Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"

Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”

Agora chegamos aonde eu queria. O pior erro da noite não foi na categoria de melhor filme, foi na de melhor diretor! Como a academia prestigiou aquele diretor de merda, Young Cameron (é a cara dele) quando podia entregar o prêmio para 4 dos maiores diretores da atualidade: Darren Aronofsky(Requiem para um Sonho, Pi), David Fincher (Clube da Luta, Seven, O Curioso Caso de Benjamin Button) e Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos não tem vez)?! Eu fiquei putasso quando vi que eles perderam para esse cara! Nossa, tipo, tava na maior torcida por Aronofsky e Fincher, qualquer um que levasse eu ficaria muito feliz e aí vem esse cara, Tom Hooper, que já é odiável só por parecer com o James Cameron, levando o Oscar! Isso foi sem dúvida nenhuma, o maior desastre da noite, um verdadeiro balde de água fria, mas que parando para analisar nos mostra uma coisa boa, os grandes diretores que tanto adoramos hoje como Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Quentin Tarantino nunca ganharam um Oscar, apenas indicações, invalidando quaase que totalmente a premiação xD

Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”

Ufa, depois de Tom Hooper levar de melhor diretor, só faltava Annete Bening levar de Atriz.

Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
- “O discurso do rei”

Porque Kubrick, por que? (Deus do cinema, entenderam?) Olha, dos 10 indicados, qualquer um, exceto O Inverno da Alma, poderia ganhar o Oscar e me deixar feliz! E desses nove 8 restantes, 5 me deixariam em orgasmo eterno: Inception (dã), Rede Social, Cisne Negro, Toy Story 3 e Minhas Mães e Meu Pai. Mas não, quem levou o prêmio foi a porra do Discurso do Rei! Na relação que eu fiz dos filmes indicados, de ordem de superiodade, ele só é melhor que O Vencedor e O Inverno da Alma, vejam só: Inception>Cisne Negro>Toy Story 3>Rede Social>Minhas Mães e Meu Pai>127 Horas>Bravura Indômita>Discurso do Rei>O Vencedor>Inverno da Alma. Agora, vamos a explicação porque do filme levou o prêmio: A ACADEMIA ADORA ESSE TIPO DE FILME! Mais “oscariano” impossível! Sem falar que na minha ideia de teoria de conspiração, O Discurso do Rei só recebeu mais atenção ultimamente para que no Oscar (facilmente manipulado) não fique tão estranho esse filme de merda levar o troféu. Acho que a Academia não está preparada para tanta modernidade que vemos em Inception, Cisne Negro e Rede Social, e muito menos, disposta a dar o prêmio para uma animação. Mas agora, sendo otimista e adaptando o que Spielberg disse muito bem, o ganhador da noite vai para um lista de filmes que conta com Lista de Schindler, Os Infiltrados, Rocky, e Poderoso Chefão, e os nove outros filmes vão para a mesma lista de Star Wars, Taxi Driver, Apocalypse Now! E é realmente assim que funciona, esqueceremos Discurso do Rei com um tempo, mas Cisne Negro, Inception e Rede Social se manteram presentes em nossas mentes e nas listas de filmes favoritos, sem dúvida nenhuma!

Com seus acertos (na parte de atuação, não houve nenhuma injustiça) e erros, o Oscar 2011 fez polêmica e tirou o sono de muita gente que ficou indignada com Discurso do Rei levando tudo, mas enfim, ninguem disse que esse mundo é justo. Para finalizar, digo apenas o seguinte: Nolan, você é um puta gênio, mas cometeu um erro bobo de marketing, não deixou para lançar Inception no final do ano! Se ele tivesse estreiado só agora, com toda certeza, Inception teria maior presença no Oscar, levaria de melhor filme, Nolan de melhor diretor e Marion Cottilard pelo menos levaria uma indicação a melhor atriz coadjuvante! Disso, tenho certeza! Nolan, deu mole!

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os Infiltrados- Dando uma olhada no abismo..

Um dos filmes mais aclamados da carreira de Martin Scorsese, e, sem dúvida, um dos melhores longas de ação de ultimamente, Os Infiltrados com toda a sua riqueza de detalhes e uma história incrivelmente impactante e sufocante atinge o principal requisito de um bom filme: entreter o público, sem perder o conteúdo e a classe. E digo desde de já, não querendo fazer polêmica, que acho que Os Infiltrados é a verdadeira obra prima de Scorsese! Taxi Driver é ótimo, realmente gosto muito e vou um dia fazer um post sobre ele, mas Os Infiltrados é um filme muito mais completo e até mesmo mais complexo, sendo assim, na minha opinião, a grande obra prima de Martin Scorsese é Os Infiltrados (levando em consideração todos dele que eu já vi).

Baseado no filme oriental (também muito bom) “Conflitos Internos”, Os Infiltrados mostra dois pontos de vista antagonicos: o da polícia e o dos criminosos, e propõe a seguinte reflexão genial, “quando se esta com uma arma na mão, qual a diferença?”. De um lado vemos o novato policial Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) que por ter crescido em meio a criminalidade se torna a pessoal certa para se infiltrar no grupo do grande mafioso Frank Costello (Jack Nicholson). Seus chefes (Mark Wahlberg e Martin Sheen) o colocam lá como espião, com o intuito de prender o tão procurado chefão do crime. Porém, eles não sabem que Costello também tem um infiltrado na policia que lhe mantém informado de tudo, Colin Sullivan (Matt Damon). Com essa grande rede de segredos e inversão de papéis, tece-se um impressionante história, onde não existe bem nem mal, e muito menos lados realmente declarados, mas sim interesse individual.

Acho o roteiro desse filme espetacular, simplesmente espetacular! O jogo de identidade proposto pelo longa é envolvente demais, tira seu fôlego com tamanha genialidade e originalidade. Em cenas temos um policial tendo que fingir ser um criminoso e criminoso tendo que fingir ser um policial, isso é brilhante, lembra muito “A Outra Face”, mas em proporções e profundidades diferentes.Os Infiltrados é um grande filme de espiões numa dança da morte em que se vê os dois lados da moeda e a linha tênue que os separa. Incrivel.

As atuações desse filme são vicerais! Com um elenco forte e pontual, tudo corre bem na narrativa que não se perde em momento algum. Em destaque podemos apontar DiCaprio, numa performance sofrida que conseguiu demonstrar todas as camadas de seu personagem que entra em desespero e depressão na situação incomoda em que se encontra; Matt Damon com uma arrongância e prepotencia exemplar, qualificando bem seu personagem egoísta e malicioso;Vera Farmiga numa personagem excepcional que é disputada pelos dois infiltrados sem que nenhum deles saibam; e o mestre Jack Nicholson que tem uma atuação fascinante, sendo uma das melhores de sua carreira e se equiparando a Marlon Brando como Don Vito Corleone, na minha singela opinião.

A edição do longa também é muito boa, dinâmica e ágil, acompanhando bem o clima tenso do filme, onde enquanto uma ação ocorre, uma reação já está sendo armada pela troca de informções entre os infiltrados e seus chefes, o que nos deixam eufóricos com os conflitos eminentes. A música tema do filme também é excelente, se chama “I’m Shipping up to Boston” da banda “Dropkick Murphys”, é realmente viciante. Embora a música tema seja ótima, a trilha num todo não é muito boa, tem muitas músicas desconexas com as cenas, o que fica estranho e acaba incomodando um pouco, mas nada demais.

O mais legal desse filme é a profundidade dos personagens. Todos foram tomados pelos papéis que representam, de forma boa e ruim. Ao se infiltrar no grupo de mafiosos, Billy entre em choque com seus próprios valores, luta contra si mesmo para poder manter as aparencias, o que promove um grande rebuliço de sentimentos nele que o afetam psicológicamente, se tornando algo muito reflexivo no filme. O mesmo acontece com Collin, que vê como é bom estar no poder no lado do “bem”, onde você recebe proteão e não precisa ficar se escondendo dos outros, tudo é legalizado e seu status é respeitoso, sendo o grande fator que o move em tudo, virando o jogo de maneira sensacional. Esses dois personagens caracterizam bem como um homem pode reagir as circunstancias que os cercam, aplicando a regra do Determinismo, ou melhor, colocando-a a prova uma vez que Billy representa aquele se mostra forte, resistindo ao meio e mantendo seus principios, sendo o que o próprio Costello disse no inicio (“não quero ser determinado pelo meio, mas sim determinar o meio), e Colin é aquele que se submete ao meio de certa forma, mais pelo fato de lhe ser conveniente do que por fraqueza ou algo do tipo. Essas relações no filme são fascinantes, nem tenho palavras, termino então esse paragrafo com a célebre, e já mencionada por mim antes, frase de Nietzche: “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

Em resumo, Os Infiltrados é um dos melhores filmes policiais já produzidos pelos EUA, e mesmo que os americanos não recebam o mérito de uma ideia tão genial eles souberam aproveita-la muito bem, dando toques estilosos a trama e profundidade, fazendo desse longa indispensável para os amantes do gênero de qualquer lugar do planeta. E fica o aviso, quando uma pessoa está armada, não importa se ela é um policial ou um bandido, ela é uma pessoa com o poder de tirar a sua vida, e ponto. (Que final de texto estranho e repressor :s)

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pulp Fiction-A violência como estilo de vida

Descrever obras-primas é sempre difícil, a gente acaba tentando falar de tudo, aí fica um post gigantesco e confuso e você acaba não falando aquilo que realmente sente em relação ao filme, por isso nesse post tentarei ser bem direto e objetivo ao falar do meu filme favorito: PULP FICTION *-*.

 

Baseado nos livros pulp de antigamente que eram cheios de contos violentos, o filme segue o estilo de “várias histórias independentes que se entrelaçam” mas inova em seu roteiro não linear onde o inicio é o fim, o meio é o final, e o final é o inicio, de um jeito que brinca com nossa memória e percepção. Inicialmente, o filme é dividido em 3 histórias: a primeira mostra os criminosos Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) indo buscar uma maleta misteriosa de seu chefe Marcellus na casa de uns moleques que acaba de modo inesperado; depois temos a história da missão especial de Vicent que era entreter a mulher de seu chefe, Mia (Uma Thurman) enquanto este viaja; e fechando o ciclo temos a história de Butch (Bruce Willis), um boxeador que ganha uma luta que era para ele ter perdido e agora tem que fugir do mafioso que o contratou para perder, que é o próprio Marcellus Wallace. No final, vemos como cada uma  parte perfeitamente se encaixa na outra, fazendo com que Pulp Fiction seja um dos filmes mais bem bolados e complexos que o cinema americano já viu.

 

Acho o roteiro de Pulp Fiction o melhor já feito, não só pela riqueza das histórias, mas principalmente pelos diálogos. Em todas cenas, eu disse todas, tem um diálogo que não tem muito a ver com a trama, mas que demonstra os pontos de vistas dos personagens sobre coisas que nunca paramos para pensar. Os diálogos vão de nomes de sanduiches à silêncios que incomodam, passando por regras de condutas masculinas e a sensação de matar uma pessoa, sendo assim um filme bem reflexivo e muito divertido, já que são sempre regados de muito humor negro.

 

As atuações são exatas, se adequam muito bem aos papéis, o que é quase um dom do Tarantino, o de escolher personagens para os atores certos. Ele conseguiu nesse filme ressucitar John Travolta num papel cool demais, tirando ele do esquecimento. Nesse filme onde o que não faltam são personagens, temos ainda participações ótimas de Tim Roth, Harvey Keitel, Christopher Walken e inclusive uma ponta do próprio Tarantino! Gosto especialmente da atuação de Thurman nesse filme, que atinge um charme sensual e superficial incrivel, além de transparecer  naturalidade e ironia, fazendo com que a parte dela no filme seja a que eu mais gosto, e sendo também uma das personagens que eu mais gosto do cinema, prestigiando assim a imagem de abertura do meu blog.

 

A trilha sonora do filme ficou famosa por englobar grandes hits antigos e atuais, além de se encaixarem perfeitamente ao filme. As músicas que eu mais curto são: Misirlou do Dick Dale que toca no início bombástico do filme e Girl You’lll Be A Woman Soon de Leonard Cohen.

 

O legal de Pulp Fiction é o modo como ele aborda seu tema principal: a violência. Ele nos mostra ela como se fosse algo comum, rotineiro na vida daqueles personagens, sem muita melancolia e muito menos moralismo. A questão da violência no filme é tratada de modo divertido, porém ainda maduro, usando o humor negro para amenizá-la e fazê-la ser melhor ingerida pelos telespectadores. Tarantino também não faz apologia a violência como muitos acham, nesse filme principalmente ele enfatiza o lado ruim da vida dessas pessoas, mas não sendo muito moralista como eu já disse, e também não se comprometendo muito com a realidade, fazendo realmente uma ficção sobre a vida de pessoas que adotaram a violência como estilo de vida.

 

Esse é o tipo de filme que se assiste pulando no sofá, ele tem um ritmo envolvente e que agrada a todo momento, com ótimas tiradas, diálogos e tramas intrigantes, sendo um prato cheio para aqueles que apreciam um bom roteiro. Pulp Fiction é um filme simplesmente atemporal, acredito que daqui a 10 anos eu o assistirei e sentirei as mesmas emoções empolgantes da 1º vez, sendo este o trunfo do filmaço dirigido pelo sempre genial Quentin Tarantino.

Frases Fodas do Filme (FFF):

  • “We should have shotguns for this kind of deal” -Jules (Nós devíamos ter shotguns para este tipo de trabalho)
  • “Any of you fucking pricks move, and I'll execute every motherfucking last one of ya!” –Honey Bunny (Que se mova qualquer filho da puta, e eu vou matar todos os filhos da puta até restar um)
  • “Say 'what' again. Say 'what' again, I dare you, I double dare you motherfucker, say what one more Goddamn time!” – Jules (Diga ‘o que’ denovo. Diga ‘o que’ denovo, eu te desafio, eu duplamente te desafio filho da puta, diga ‘o que’ mais uma maldita vez!)

Músicas Fodas do Filme:

  • Misirlou- Dick Dale
  • Comanche-The Revels
  • Girl You’ll Be A Woman Soon- Urge Overkill
  • Surf Rider-The Lively Ones

segunda-feira, 8 de março de 2010

Conclusões de um bom Oscar (2010)

É, amigos cinéfilos, podemos dormir descansados agora, a cerimônia do Oscar fez a escolha certa: optou por premiar um filme realmente bom, inovador e profundo. O grande ganhador da noite foi Guerra ao Terror, desbancando o odiado por mim, Avatar! O evento, em si, foi bem justo nas premiações, não foi perfeito, nunca é, há algumas que eu discordei, mas num geral foi bem legal, foram escolhas bem sábias, e ver Guerra ao Terror ganhando em categorias que não eram esperadas e ver a cara do Cameron indo aos poucos ficando séria não tem preço! Vou comentar melhor a partir da lista dos ganhadores a seguir:

  • Melhor filme: Guerra ao Terror. Só digo uma coisa: #chupaAVATAR !!!!
  • Melhor direção: Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror). Só digo uma coisa: #chupaCameron !!!! Já chupou né, pois é, perdeu (literalmente)!!!
  • Melhor atriz: Sandra Bullock (Um sonho possível). Torcia muito pra ela, agora ela pode esfregar o Oscar na cara do pessoal da Framboesa de Ouro, que deu à ela o “prêmio” de pior atriz no sábado.
  • Melhor ator: Jeff Bridges (Coração louco). Barbada! (literalmente). Não vi o filme, não posso dizer muito, mas queria muito que o Clooney saísse com a estatueta.
  • Melhor filme estrangeiro: O segredo dos seus olhos(Argentina). Muita gente reclamou, disse que devia ter sido a Fita Branca, mas ainda não sou cinéfilo xiita para me afundar nos cinemas estrangeiros.
  • Melhor edição: Guerra ao terror
  • Melhor documentário: The cove
  • Melhores efeitos visuais: Avatar. Se não ganhasse eu ia ri muito, mas não tinha como, o Oscar já era dele antes sequer do filme estreiar.
  • Melhor trilha sonora: Up – Altas aventuras
  • Melhor fotografia: Avatar. Eu meio que discordo, por achar que Fotografia boa, é aquela feita analógicamente, através de truques de câmeras e iluminações, e Avatar foi feito quase todo em ambiente digital, mas enfim, são os novos parâmetros de hoje em dia.
  • Melhor mixagem de som: Guerra ao terror
  • Melhor edição de som: Guerra ao terror
  • Melhor figurino: The young Victoria. A Academia simplesmente idolatra figurino de época, então esse filme levou a estatueta.
  • Melhor direção de arte: Avatar
  • Melhor atriz coadjuvante: Mo’Nique (Preciosa). Oscar merissidíssimo, a atuação dela é forte, é monstruosa, bem superior às outras indicadas, embora eu torcesse muito para Vera Farmiga, que me conquistou em Amor Sem Escalas
  • Melhor roteiro adaptado: Preciosa. As únicas reais injustiças pra mim nesse Oscar foram relativas aos prêmio para roteiros, vou falar aqui só do adaptado. Eu achei bem mais legal a adaptação de Amor Sem Escalas, filme que não merecia sair com as mãos vazias ontem. Não foi uma escolha insensata, mas acho que devia ter ido para Amor Sem Escalas.
  • Melhor maquiagem: Star trek
  • Melhor curta-metragem: The new tenants
  • Melhor documentário em curta-metragem: Music by Prudence
  • Melhor curta-metragem de animação: Logorama
  • Melhor roteiro original: Guerra ao Terror. Mesmo eu tendo gostado muito da história de Guerra ao Terror, não engoli o prêmio não ter ido para Bastardos Inglórios, esse sim foi um filme que transpirava originalidade sobre um tema já batido, diferente de Guerra ao Terror que só falou de algo que ninguém falava.
  • Melhor canção: The weary kind (Coração louco)
  • Melhor animação: Up – Altas aventuras
  • Melhor ator coadjuvante: Christoph Waltz (Bastardos Inglórios). Graças a ele o meu filme favorito do ano não saiu sem nada nas mãos!

Como já disse, no geral gostei muito dos vencedores, só achei mesmo que deviam ter pensado melhor nas categorias de roteiros. E também deviam ter saído mais prêmios para Bastardos Inglórios, foi um filmaço. A cerimônia foi muito divertida, graças a dupla de apresentadores hilários, Steve Martin e Alec Baldwin, que entra muitas coisas fizeram uma paródia de Atividade Paranormal e zoaram todos os indicados da noite. Muito engraçado mesmo, não vejo uma edição tão engraçada assim desde aquela que foi apresentada pela Ellen Degeneres! E ainda teve momentos estranhos, como o Ben Stiller vestido de Na’vi para entregar o prêmio de melhor maquiagem, sendo que Avatar nem tinha sido indicado para categoria, mas ficou foda! Então é isso, agora o rumo do cinema está bem decidido, espero ver sempre filmes que desafiam, que inovam, que tentam a todo instante aprimorar e privilegiar cada vez mais a sétima ARTE!

Obs: Vocês não imaginam o prazer que eu vou ter agora de ir para o post de “Guerra ao Terror” e marca-lo como: Ganhador do Oscar! E logo em seguida gritar: Os Na’viados se fuderam!!!!

sábado, 6 de março de 2010

O Silêncio dos Inocentes-Como gelar o sangue

Mais um ótimo filme da Maratona do Oscar, Silêncio dos Inocentes é um dos meus filmes de perseguição à psicopata favorito, porque tem na sua fórmula: um ótimo roteiro de base, atuações magníficas, cenas de ação de tirar o fôlego, um visual gelado aterrorizante e um dos maiores vilões de todos os tempo, Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins na atuação mais marcante de sua vida.

Gosto muita da história pela sua originalidade simples. Ao invés de botar Hannibal como o grande psicopata canibal a ser perseguido, o longa nos apresenta uma nova configuração de filmes como este, colocando Lecter como um “ajudante” de Clarice (Jodie Foster) na busca pelo serial killer Buffalo Bill. Isso se dá porque Buffalo foi um ex-paciente de Hannibal, então a policial Clarice, a mando de seu chefe, vai atrás dele para buscar informações sobre o assassino, mas Lecter não aceitará fazer isso gratuitamente, é claro, ele pede para que Calrice divida sua vida com ele, contando relatos do passado dela, criando um laço sinistro com o canibal enjaulado que transpira tensão. Clarice aceita a proposta de Hannibal, mas fica a cada encontro mais abalada com as coisas que Lecter diz, e sente a cada instante que ele está entrando aos poucos em sua mente.

O filme é uma obra prima do suspense, sendo o 1º filme do gênero suspense/terror a levar a estatueta de Melhor Filme, dando mais prestígio ao estilo. Silêncio dos Inocentes levou ainda mais 4 Oscars: Melhor Diretor (Jonathan Demme), Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Jodie Foster) e Roteiro Adaptado, conseguindo então os 5 prêmios mais desejados da noite.

A história é incrivel, te prende do início ao fim, mas o que sustenta o filme e deu toda a sua popularidade são os personagens/atores interessantíssimos, só vendo para realmente enteder o que eu estou falando. A relação firmada entre Hannibal/Anthony Hopkins e Clarice/Jodie Foster é uma mistura de medo e tensão sexual reprimida que na tela é algo nunca antes visto na história do cinema, é sensacional. Hopkins rouba a cena interpretando um psicopata canibal calmo,inteligente e perspicaz, que repara cada detalhe e consegue delinear com isso o perfil da pessoa num segundo. Foster também mantém sua força e se impõe no filme, não se deixando ser apagada por Hopkins. Ambos encorporaram muito bem seus papéis e ficaram marcados por eles para sempre.

Hannibal Lecter merece um páragrafo a parte, o jeito dele falar é de gelar o sangue, tudo é dito com tanta calma e segurança que nós não acreditamos que ele é um cara que come carne humana. Mas então vemos ele protagonizando cenas de ação canibalescas e ele se torna um monstro diante de nosso olhos, só o cinema para nos proporcionar uma experiência como esta. Sua frase mais  memorável, entre inúmeras, é “Um recenseador uma vez tentou me testar. Eu comi seu fígado com grãos de ervilha e um bom Chianti.”Ele dizendo isso é delicioso (péssima palavra), é inevitável fugir daqueles olhos psicóticos fixos, chega a dar arrepio.

Esse filme é essencial para qualquer um que gosta de filme de suspense, é um dos melhores do gênero, se não o melhor. Ele teve sequencias colocando em evidência, é claro, Hannibal, mas nenhuma é realmente destacável, eu ainda não vi nenhuma, mas as críticas não são simpáticas com essas continuações. Então recomendo no momento apenas esse, que é um suspense diferente de tudo aquilo que você já viu e verá.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Forrest Gump-O Contador de mais de uma história…

Mais que um filme, uma lição de vida, Forrest Gump é sem dúvida um dos filmes mais adorados de todos os tempos, pois consegue botar na sua receita um humor leve e inocente, um drama por vezes melancólico mas bem interessante, e uma história incrível que se entrelaça com muitas outras, sendo assim um dos filmes mais legais da década de 90.

O filme nos mostra a vida de Forrest Gump narrada por ele mesmo enquanto está conversando com desconhecidos num ponto de ônibus. Forrest conta a eles toda a sua história desde o início, desde criança. Ele tem um QI abaixo da média, sendo assim retardado em relação às outras pessoas, o que desde pequeno lhe influenciou muito. Ele então vai contando toda a sua trajetória de vida, todas as coisas incríveis que ele fez, mesmo não sendo assim tão inteligente e nós ficamos fascinados com aquilo tudo, principalmente pelo modo ingenuo e divertido que ele vai narrando os acontecimentos. Forrest conta realmente tudo que aconteceu com ele até aquele ponto (de ônibus, desculpem, não pude resistir a esse trocadilho esperto), mas as coisas na vida de Gump ainda estavam para mudar, e sua história assim continua…

O filme te conquista porque Forrest te conquista, Tom Hanks atua brilhantemente bem, captando toda a ingenuidade e sutileza de Gump, gerando uma empatia enorme com o público. Ficamos felizes ao vê-lo feliz, ficamos tristes quando ele perde alguem querido, ficamos putos quando começam a caçoar ele e ficamos satisfeitos ao vê-lo realizado, mexendo assim com todas as nossas emoções, transformando Forrest Gump num filme irresistível.

O roteiro do filme é bem montado, e foge totalmente do padrão início-meio-fim empacotados. O filme é progressivo, ele não para, é como uma metáfora das corridas de Forrest, e principalmente não se concentra numa coisa só, a história vai mudando, é um filme imprevisível, não temos ideia do que pode acontecer. No fundo, Forrest Gump é uma metáfora sobre a vida (lá vou eu de novo) que é uma coisa continua, incessante e que nós nunca saberemos realmente o rumo que ela tomará [Mamãe sempre dizia que a vida é uma caixinha de chocolates, nunca sabemos o que podemos achar dentro dela…]. Outra coisa legal do roteiro é o contexto histórico em que ele está inserido. Quando Forrest conta suas aventuras, ele não só faz um resumo de sua vida até ali, mas faz também um resumão da história dos EUA dos anos 50 aos 90, mostrando o desenvolvimento das culturas, das modas, dos fatos decorridos, sendo que ele até participa de alguns acontecimentos históricos importantes. Em alguns momentos hilariantes, nos é mostrado a história através de reportagens televisivas reais da época, onde incluem digitalmente Forrest, mas de forma real, perfeita, nos fazendo crer que ele sempre esteve nessas imagens, o que é pra mim o ponto alto do filme visualmente. Veja a foto embaixo mostrando uma dessas gravações, que conseguiu unir Forrest e John Lennon perfeitamente na cena, com um interagindo com o outro, só vendo para crer.

O longa abocanhou 6 Oscars: Melhor Filme, Diretor (Robert Zemeckis), Ator (Tom Hanks), Roteiro Adaptado, Efeitos especiais e Montagem. Eu tinha uma certa “richa” com esse filme porque ele ganhou o Oscar de melhor filme que pertencia a Pulp Fiction (meu filme preferido, idolatria master) em 95, mas agora percebi que o que tinha que acontecer era um empate técnico. São filmes muito bons, grandes obras primas do cinema que mereciam a estatueta. Fico muito honrado em ter nascido no ano em que eles foram lançados (1994) (Mais uma viagem sem sentido da minha cabeça cheia de coca-cola).

Outra coisa que eu queria ressaltar é a trilha sonora espetacular do filme que vai desde a melancólica música inicial até clássicos pop como California Dreaming, o que dá um ritmo delicioso ao longa. Além disso, também sou obrigado a elogiar a fotografia do filme, que nos apresenta imagens incríveis da América nas caminhadas obcessivas de Forrest.

Não tenho mais palavras para descrever o quão bom esse filme é, repleto de ótimas atuações, ótimas falas [run Forrest, run!], ótimas paisagens e um roteiro brilhantemente original que consegue com maestria entrelaçar a história de Forrest com a dos Estados Unidos. É uma forma bem leve de entreterimento para toda a família, recomendo mesmo, é um daqueles que não se pode deixar de ver, você tem que ir pro túmulo com esse filme na sua grande lista do Filmow de filmes assistidos e favoritos. ASSISTAM!!!! E GRITEM: #morteaAVATAR !

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Onde Os Fracos Não Tem Vez-nasce um monstro no cinema

Há muito tempo que os irmãos Coen vem se destacando no mundo do cinema, produzindo ótimos cults como Fargo, e alguns não tão bons como Matadores de Velhinhas, mas é com Onde Os Fracos Não Tem Vez que eles atingem o auge de suas carreiras fazendo essa ambiciosa obra prima de suspense.

Este thriller de ação com toques de western, conta a história de Llewelyn Moss (Josh Brolin), soldador aposentado que ao acaso encontra vários homens mortos diante de uma maleta cheia de dinheiro e uma caminhonete cheia de drogas. Aproveitando-se da situação, ele parte com o dinheiro, mas não sabe que essa maleta tem um rastreador permitindo que seu “verdadeiro” dono psicopata, Anton Chigurth (Javier Bardem), encontre-a e acerte as contas com ele. Nessa perseguição ainda temos o xerife Bell (Tommy Lee Jones), que está atrás do psicopata, intensificando o clima tenso do filme e triplicando a ação.

Com essa história, de certa forma, simples, os Irmãos Coen conseguem criar um filme fascinante do início ao fim, com ótimas cenas de ação e diálogos incríveis. Além disso, eles criaram um dos maiores monstros do cinema moderno: o impiedoso, indestrutível e frio Anton Chigurth, que logo nas primeiras cenas, executa um policial enforcando-o com suas algemas, fazendo expressões faciais que trasmitiam calma, força e um certo olhar de prazer estranho e sádico, o que rendeu a seu intérprete, Bardem, um merecido Oscar de melhor ator coadjuvante. E o filme ainda foi premiado nas categorias de melhor filme, direção e roteiro adaptado, realmente uma grande façanha dos irmãos Coen. Só faltou o Oscar de melhor fotografia, pois o filme tem ótimas imagens desérticas do interior do Texas com belos tons amarelados.

Uma coisa que eu não gostei, mas se tivesse no filme eu não gostaria ainda mais, foi a falta de trilha sonora. Claro, tem algumas músicas, porém tem certas partes em que o silêncio é total, o que deixa o filme um pouco cansativo de certo modo. Mas é o que eu estou dizendo, o filme tem um jeito bem sério, tem humor negro como qualquer filme dos Coen, mas é bem moderado, não é Fargo, ele se concentra em se manter tenso, então músicas estilo “filmes do Tarantino” poderiam cortar o clima e acabar com a proposta do filme. Só disse isso por ser preferência minha, adoro trilhas sonoras de filmes, sendo que muitas das vezes sou atraído por um filme pela trilha sonora, coisa minha, é só mais um devaneio, ignorem.

Este é um filme obrigatório para quem curte filmes de psicopatas e para aqueles que acham que filmes que ganham Oscar são chatos e entediantes. Uma vez que assistirem “Onde Os Fracos Não Tem Vez”, muitas de suas ideias e concepções mudarão…

Fotografia espetacular!

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Beleza Americana-atravesse a cortina

Beleza Americana é um filme que eu gosto incondicionalmente. Tudo no filme pode (e deve) ser elogiado sem medo, é sem dúvida uma das melhores dramédias de todos os tempos que crítica e provoca sem ser agressiva. O filme propõe vermos o que há por trás da aparente perfeição das famílias americanas do século XXI, ameaçando destruir o conceito de “American Way of Life”, revelando os segredos e os podres daqueles que à primeira vista são bem sucedidos, felizes e perfeitos.

A história tem como protagonista Lester Burham (Kevin Spacey) que leva uma vida medíocre e sem emoções, ao lado de sua família que o odeia. Sua mulher, Carolyn, é uma corretora que vive de aparências, se esforçando para que a todo instante passe uma imagem de sucesso e realização, vivida por Annette Bening. E ainda tem sua filha adolescente, Jane, interpretada por Thora Birch, que se revolta com tudo e vive os dramas da idade, além de se relacionar com o estranho novo vizinho, Ricky (Wes  Bentley) que sempre está filmando as coisas em seu redor. Cansado dessa vida de merda, Lester propõe a si mesmo uma transformação, e decide ser mais ativo e nunca mais se deixar dominar pelos outros. Essa mudança repentina pode ser atribuida, entre muitas outras coisas, ao fato de Lester conhecer e vidrar na amiga da filha, a sensual Angela (Mena Suvari), tendo ela como musa inspiradora em seus sonhos e no seu desejo de ficar diferente, mais atraente, para assim conseguir conquistar sua ninfeta de cabelos loiros. Ele então muda seu modo de agir totalmente, o que desencadeia várias excitantes consequêcias até o seu sombrio final.

Beleza Americana foi um grande sucesso de público e crítica, que levou 5 Oscars: de Melhor Filme, Diretor (o estreiante Sam Mendes), Ator (Kevin Spacey), Roteiro Original e Fotografia, com razão em todas as categorias premiadas.

O filme é uma comédia bem crítica e sombria sobre a sociedade, podendo até ser comparada exageradamente com “Clube da Luta”, sem é claro toda a violência deste, já que ambos os filmes discutem questões como aproveitar a vida, parar de se rebaixar aos outros, e discuti temas como o mal do consumismo, hipocrisias da sociedade e relações sociais, aproximando esses dois filmes aparentemente distintos, curiosamente lançados no mesmo ano (99). Beleza Americana nos convida a analisar a vida, sem farças ou aparências, simplesmente do jeito que ela é, com problemas, bizarrices e excentricidades geradas pelo modo de vida padrão estranho que nós seguimos. O roteiro é bem afiado nesse ponto, com direito a tiradas espertas e sarcásticas que você sempre sonhou a dizer, te dando prazer ao assistir aos diálogos, e às vezes, até aos monólogos bem estruturados e proferidos que o longa nos apresenta, com ajuda, é claro, das atuações precisas dos atores, fazendo a combinação roteiro e elenco ir longe! Dou destaque à Kevin Spacey, um dos meus atores favoritos, até mesmo por causa desse filme, que mostra todas as nuâncias de seu personagem que se transforma de maneira drástica, como muitos adorariam fazer em suas vidas chatas e normais [“Pois não há nada pior na vida do que ser normal…”]

Uma das coisas que eu mais adoro nesse filme são as cenas deliciosas dos sonhos de Lester com Angela envolta de várias pétalas de rosa, cena que marcou o cinema para sempre. Outra coisa é a trilha sonora do longa que é irresistível! A música inicial é, na minha opinião, uma das mais legais do cinema e é a música-simbolo do filme, é envolvente, sedutora, divertida e parece que quer nos dizer alguma coisa, traduzindo exatamente a essência do filme.

Eu tenho um certo problema ao ver filmes como esse: eu sempre tento jogar na subjetividade, vendo coisas que talvez nem existam realmente, mas nesse caso acho que não estarei mirando em moinhos de ventos. Se você analisar Beleza Americana com uma visão mais, digamos, filosófica, verá o que cada personagem representa. Lester é a sociedade, fraca e impotente, que se vê rodiado por influências externas que o leva a tomar decisões a qual ele não está de acordo: sua mulher que é a tentativa de manter as aparências; seus superiores que representam o sistema controlador , a base da sociedade; sua filha sendo a geração seguinte que é desajustada devido a problemas da anterior (Lester) e Angela que é a proposta de mudança que pode não ser aquilo que se esperava quando a alcança. Ainda temos personagens secundários como Buddy Kane “o rei dos imóveis” com quem Carolyn tem um caso, e que representa o sucesso concreto que ela sempre quis; temos também o novo vizinho, Fitts (Chris Cooper), ex oficial da marinha que representa a hipocrisia por intolerar algo que ele mesmo é, e por final temos o seu filho, Ricky, que está sempre filmando o que acha belo, até mesmo se isso significar invadir privacidade alheia, sendo então a representação de nosso diretor que com sua lente atravessa as cortinas da aparência e nos mostra o que as pessoas realmente são. Viu como tudo se encaixa? (É, sou mesmo maluco…)

Uma curiosidade do fime que eu achei realmente interessante é relacionada ao seu título, American Beauty, que faz referência a um tipo de flor americana, uma rosa (pegou né?), bela e perfeita porém sem perfume. Não preciso nem dizer que é a maior crítica a sociedade americana feita num título na história do cinema.

Como ganhador de Oscar de Melhor Filme, Beleza Americana se mostra um dos mais divertidos de se assistir. É um filme que faz rir e emociona alternadamente, funcionando numa simetria perfeita. É um filme que lhe enfia uma faca no peito enquanto você está rindo, e quando para de rir, percebe o que realmente está acontecendo. Profundo demais! Assistam!

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Guerra ao Terror- Morte à Avatar!

Poucos filmes conseguiram retratar a realidade de maneira tão real quanto Guerra ao Terror conseguiu, isso sem deixar de ser incrível e mantendo o padrão de filme e não documentário. Com uma abordagem inovadora sobre a guerra do Iraque e truques de câmera que te colocam no meio da ação, Guerra ao Terror por enquanto é o meu favorito ao Oscar desse ano e que eu espero que detone Avatar com uma bomba atômica!

O filme mostra a situação angustiante de um grupo de soldados americanos em missão no Iraque, que enfrentam todo dia as dificuldades do ambiente inóspito em que estão, onde a qualquer momento pode estourar uma bomba ou alguma rebelião. A tensão no filme é constante, chega a dar aflição, ainda mais por nós sabermos que aquilo tudo realmente acontece, e também pelo fato da maioria das missões serem anti-bombas, te deixando preocupado o tempo todo. Além desses problemas da guerra, os soldados entram em conflito entre eles mesmo, entre suas próprias ideias e conceitos, que foram totalmente devastados pela guerra, levantando questionamentos sobre os efeitos das guerras e sobre os motivos das guerras.

Com essa história básica, que não precisa ser explicada já que se trata de uma realidade que nos é mostrada todo dia nos noticiários, Guerra ao Terror consegue ser profundo na simplicidade e nos causar uma extrema empatia com os personagens que nada mais são do que pessoas seguindo ordens. O filme inicia com uma frase que perpetua durante todo o longa: “A guerra é uma droga”, uma frase com dois sentidos extremamente significativos. O primeiro, metafórico, dizendo que guerra é algo ruim, e o segundo, literal, comparando a guerra com uma droga, como o crack e a cocaína, algo que vicia, como se o ser humano necessitasse da guerra, da batalha, da dor dos outros para que se sinta bem, se sinta confortavel, o que pra mim é o ponto alto do filme. Essa visão radical e inovadora me conquistou desde o início, e ao longo do filme percebemos isso em pratica na pele do personagem de Jeremy Renner, Willian James, que parece ter prazer em estar em situações perigosas em que a adrenalina vai às alturas, concluindo essa ideia que o filme quer passar.

A parte estética do filme é impecável. Os cenários, os trajes dos soldados, a fotografia em cores quentes, a trilha sonora frenética, os efeitos sonoros que são cruciais em filmes de guerra, os objetos usados, os efeitos especiais essenciais nos momentos de explosões, tudo está muito bem trabalhado, compondo um espaço visual perfeito para que os atores entrem e nos comovam com as ideias e situações da guerra, tornando esse filme ótimo para os dois tipos de públicos: cinéfilos cults e blockbusterianos.

As atuações mantem o nível do filme, chegando a render uma indicação para Jeremy, que em certos momentos não precisa nem falar para expressar o que está sentindo, é aí que vemos se o ator sabe ou não representar. O interessante é que esse filme não tem um elenco famoso, os mais conhecidos tem cenas pequenas, quase minúsculas, como é o caso das participações de Guy Pearce e Ralph Fiennes, que aparecem e morrem na mesma cena. Pode até ser uma viagem minha nas minhas ideias e conexões sem sentido, mas isso é um meio da diretora dizer que não importa quem você seja, na guerra a qualquer momento você pode morrer…reflitam.

Esse filme está concorrendo, assim como Avatar, à 9 categorias do Oscar, incluindo melhor filme e direção, sendo assim os dois grandes rivais do evento. É nesse momento em que a Academia terá que escolher um lado: ou premiar filmes que atraiam o grande público e arrecadem bilhões por todo o mundo, ou filmes que realmente fazem do cinema uma arte, uma forma de expressão sublime, filmes que inovam, fazem pensar, refletir, nos oferecem muito mais que um simples momento de diversão. Será muito triste e decepcionante se Avatar levar o Oscar de melhor filme, será uma afronta a todos, sem excessão, a todos os outros indicados que são muito mais maduros e inteligentes que Avatar, que não passa de uma reciclagem.

Esse se tornou um dos meus favoritos, pela sua inovação sem exageros, sendo puramente simples e ao mesmo tempo impactante. Torço por ele no Oscar nas categorias de melhor filme, diretor (diretora no caso), edição de som e mixagem de som, digo isso por enquanto porque ainda pretendo ver os outros indicados, talvez minha opinião mude, mas será dificil. Termino esse post recomendando o filme (como sempre) e propondo o grito de guerra: MORTE À AVATAR!

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Noivo Neurótico, Noiva Nervosa- Amor Paranóico por NY

Obra prima de Woody Allen, essa comédia romântica nada convencional conquistou publico e critica e levou muitos prêmios, além de elevar Allen a condição de gênio cinematográfico.

A história monta as características que passariam a ser marcas registradas do diretor como exemplo a própria trama de “Noivo..”: humorista judeu paranóico que mora em Nova Iorque conhece uma garota diferentemente interessante, se apaixona e a partir daí várias situações cômicas acontecem. A história é em resumo isso, mas o interessante desse e de outros filmes do Woody é que durante o longa o personagem dele (Alvy) interage com o telespectador, contando sobre seus relacionamentos frustrados do passado, experiencias traumaticas da sua infância entre outras histórias q dão ao filme uma leveza  sem tamanho. A excêntrica garota por quem Alvy se apaixona é Annie Hall (Diane Keaton) q também se apaixona por ele e assim começam um relacionamento instavel até o último e brilhante monólogo do filme, e até lá a inteligencia e o humor andam juntos.

O que eu mais gosto no filme, não só nesse mas na maioria dos filmes do Woody, são os dialogos e os monólogos, que são feitos com a mais pura sagacidade tendo frases geniais em cada cena, e como são ditos com muita velocidade, principalmente quando são falados pelo Allen, toda vez que vemos os filmes percebemos coisas novas, entendemos tiradas mais subjetivas e conseguimos cada vez mais adentrar nesses mundos paranóicos criados por Woody Allen. Nas partes mais interessantes do filme, em q Alvy fala direto com o público, tudo pode acontecer. Ele pode voltar no passado e visitar sua antiga escola, pode contar com a participação de famosos, conversar com estranhos como se fosse um jornalista preenchendo uma pesquisa, pode virar um desenho animado, enfim, é como se estivessemos na cabeça do personagem, onde tudo é possível (e paranóico).

As atuações são perfeitas, Allen vive um personagem bem parecido com ele, então ficou muito natural, e Diane Keaton tem uma das suas melhores atuações e uma de suas melhores personagens que consegue expressar o q está sentindo com apenas um olhar, valendo mais que um monólogo inteiro de duas páginas.

Uma coisa q eu não entendi e achei ridiculo foi o título em portugues. Eu queria saber como que “Annie Hall” acabou se tornando “Noivo Neurótico, Noiva Nervosa”, podia deixar como no original! #tosco

Mas enfim, esse é um ótimo filme, que influenciou muitos outros do gênero, e até na brilhante série brasileira “Os Normais”, que em alguns momentos até chegou a copiar cenas e frases do longa. Então, como sempre, eu recomendo este filme a qualquer um q goste de humor inteligente que é transmitido com perfeição pelo gênio Woody Allen.

“O problema é que precisamos de ovos”

(spqm)

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