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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Harry Potter 7- This is the end…

It all ends. Nunca mais esperaremos ansiosos pelo trailer do próximo filme. Nunca mais correremos para as bilheterias ao saber que a pré venda de ingressos já começou. Nunca mais ficaremos horas nas filas das pré estreias rodeados de malucos vestidos a caráter. Nunca mais lutaremos com desconhecidos que conjuram Avadas Kedavras pelos melhores lugares na sala de cinema. Nunca mais escutaremos a tocante trilha sonora mágica enquanto o logo da Warner se aproxima. Nunca mais teremos a sensação que estamos cada vez mais perto do fim, porque, simplesmente, o fim já chegou.

Como podem ver, esse post será bem sentimental e fará uso de palavras terminais exaustivamente, uma vez que chegou ao fim a saga Harry Potter nos cinemas, talvez a mais importante série cinematográfica da minha geração. O último filme, como sempre, agradou muitos e desagradou vários, na eterna luta entre adaptação e original. Digo desde já que sou um sujeitinho de sangue ruim por não ter lido o livro, e dessa forma, adorei o filme e o analisarei como se não houvesse a série de livros. Além disso, não me preocuparei em esconder detalhes do filme, a partir de um parágrafo despejarei spoillers sobre a aventura final sem peso na consciência. Que o fim comece! (ahh terão várias frases de efeitos como essa também)

Na última parte da história do menino que sobreviveu, Harry, Rony e Hermione estão atrás das últimas horcruxes que restam para que seja possível destruir o poderoso Lord Voldemort de uma vez por todas, tarefa não muito fácil por simplesmente não fazerem ideia do que são e por poderem ser qualquer coisa. Enquanto o trio está ocupado com as horcruxes, Hogwarts está decadente sob o controle de Severo Snape, e o exército de Voldemort cresce a cada dia, deixando-o ainda mais forte para a inevitável batalha final. Últimos mistérios são revelados, e lados são enfim definitivamente estabelecidos, criando o momento angustiante onde apenas um pode sobreviver. (PAN PAN PANNNN)

[INÍCIO DA ZONA DE SPOILLERS]

Que trama magnífica foi criada com apenas uma cicatriz num sobrevivente da morte! Realmente me arrependo de não ter lido o livro, mas já vou consertar isso em breve. Nas suas 2h de duração, Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2, consegue nos impedir de piscar e respirar com gosto, arrancando suspiros de alívio, gargalhadas desesperadas, e palmas fervorosas em cenas que esperávamos a 10 anos! Quem leu meu post da primeira parte (umas 3 ou 4 pessoas) viu que, na minha opinião, para que a 2° parte ficasse boa, teria que ser em ritmo de clímax constante, e de fato foi isso que aconteceu! A batalha em Hogwarts tomou quase o filme todo, como devia ser, prestando atenção em detalhes primorosos que fizeram diferença na composição do longa. O tema do filme é a morte em sua essência, fazendo desta presente o tempo inteiro. Se preparem, personagens importantes vão morrendo em ritmo desesperador, e um erro do diretor foi não ter enfatizado algumas mortes para arrancar algumas saudosas lágrimas, como é o caso de Lupin, Tonks e principalmente Fred, mas enfim, não dá pra ser perfeito. A grande jogada desse filme é que nessa última parte, aconteceu tudo que nós queríamos que tivesse acontecido desde o primeiro filme. Citando algumas coisas temos o grande beijo de Rony e Hermione, que não foi nenhum selinho estilo Daniel Radclif; os professores de Hogwarts lutando contra os inimigos, fazendo deles bruxos badass, sendo a mais foda de todas a Minerva; a grande revelação sobre a vida de Snape, onde percebemos que ele sempre esteve do lado do Harry por amor a Lily Potter; e, na minha opinião, a melhor cena de todas, que foi a adorável Molly Weasley matando a Belatrix e proferindo com força digna de Samuel L. Jackson: “Not my daughter, BITCH!”.

Não podemos esquecer, é claro, do grande final, a luta entre Voldemort e Harry, que, sinceramente, não me agradou muito. Pra início de conversa, eu queria que o Harry morresse, mas isso nunca ia acontecer porque a Rowling não quer amanhecer morta. Se o Harry morresse, a série ficaria bem mais épica! Voldemort morreria também, é claro, mas Harry teria que ir junto, fazendo dele o maior herói de todos: aquele que se sacrifica. Nossa, ia ser uma chuva de elogios, os críticos iam adorar fazer comparações a Jesus Cristo e coisas assim, mas enfim, infelizmente todo blockbuster tem que seguir duas regras: final feliz e possibilidade de continuação. Voltando ao que realmente aconteceu, a luta dos dois não foi lá grandes coisas, foi bem rápida, nem metade do que poderia ter sido, mas não foi ruim a ponto de estragar o filme, então tudo bem.

Pra finalizar o filme, temos uma ceninha bem água com açucar, onde 19 anos se passaram, todo mundo casou e tiveram filhos que foram pra Hogwarts, e os grandes amigos se encontraram na Estação 9 3/4 vendo a nova geração seguir em frente. Esse foi o momento em que se apelou lágrimas, mas de mim não saiu nada, não esperava que isso acontecesse. Sei lá, pensei que ao chegar no final viria uma cena foda e nostálgica que me faria rever toda essa década e acabaria por arrancar algumas lágrimas, mas não. O momento mais tocante do filme foi mesmo as memórias de Snape, em que entendemos toda a sua história, seu amor escondido por Lily Potter, e sua posição na batalha que era de um espião duplo, confirmando o que eu digo a tempos, que o ele é o personagem mais foda e complexo da trama toda, que caiu como uma luva nas mãos do brilhante Alan Rickman.

Uma última observação na zona de spoiller: O HARRY É UMA MULA SEM CABEÇA COM RETARDO MENTAL! O viado termina com, nada mais nada menos, que: a pedra da ressurreição, a varinha das varinhas e a capa de invisibilidade, ou seja, as 3 relíquias da morte, ou seja, o demônio poderia se tornar o Senhor da Morte, o bruxo dos bruxos, o grande líder da nação, a mais nova paquita da xuxa se ele quisesse, mas nããããão, o que sequelado faz? QUEBRA A PORRA DA VARINHA DAS VARINHAS E JOGA LONGE!! A PEDRA FICA PERDIDA NA FLORESTA NEGRA! Ficando só com a capa da invisibilidade, provavelmente porque era presente do seu pai, o que vai ser útil pra ele se esconder da vergonha de não ter ficado com as coisas mais preciosas do mundo bruxo! Fazer o que né, mocinho tem que fazer burrice, se não não é mocinho, é vilão ¬¬

[FIM DA ZONA DE SPOILLERS]

Uma das coisas que sempre me irritou na série e estava presente nesse filme também é o roteiro seguir o “Harry Potter for dummies”, colocando o elenco todo para fazer perguntas óbvias para situar a platéia que já estava situada, além de fazê-los falar sozinhos para expressar suas brilhantes deduções epifânicas que todos nós já tínhamos feitos a 30 minutos atrás! Eu sei que por ser uma febre infanto-juvenil o filme tem que ser “compreensível” para crianças de 10 anos, mas por favor, elas são mais inteligentes que isso, e mesmo que não sejam, elas estão lá para ver efeitos especiais, dragões e vilões morrendo, não importando o “porquê”. Essa “bestialização” acabou estragando uma trama tão bem elaborada e criativa, reforçando a minha ideia de que se Harry Potter fosse feito para adultos, seria perfeito!

Bem, não tenho mais nada para dizer, é o fim. Não quero encher mais linhas sobre como esse filme foi importante pra mim e meu crescimento e etc tal, mas não posso terminar esse post sem dizer que vai fazer falta o convívio com os personagens da série e tudo que a envolve, é uma despedida triste com certeza. Tudo que nos resta são essas boas lembranças que a saga nos proporcionou e a certeza de que mostraremos todos os filmes e livros para nossos filhos um dia, que rirão da nossa cara cheia de lágrimas comovidas e diremos com nostalgia: “não se fazem mais sagas como antigamente”. Por enquanto, é isso, o fim, e nós, bem, ficamos órfãos, tendo a certeza de que com esse fim, não estamos voltando para casa, não mesmo.

domingo, 24 de abril de 2011

Minority Report- O Futuro é Certo [?]

Que Steven Spielberg é um cara foda, todos nós sabemos. Que ele é o rei dos blockbusters e responsável por toda a banalização do cinema para fins lucrativos também sabemos. Mas o que temos esquecido (e ele também) é que ele já fez coisas realmente muito boas, e uma delas, que poucos falam, é Minority Report, um filmaço de ficção cientifica policial que mexe com vários temas e nos deixa ligados até o fim. Minority Report é um filme que NÃO PODE ser esquecido de maneira alguma!

A história inteligentíssima gira em torno da agência Pré Crime, que conta com 3 gêmeos “videntes”, os pré-cogs, que prevêem futuros crimes, e assim, os agentes são capazes de impedir o criminoso antes do ato em si, garantindo a “segurança” nacional. Nenhum crime tem ocorrido desde sua implantação, e a eficiência do agente John (Tom Cruise) tem contribuído para isso. Tudo vai bem até que os pré-cogs prevêem John assassinando um homem, um homem que até então John nem conhecia. Quando John fica sabendo disso, entra em desespero e foge em busca de respostas, e de segurança própria, já que agora toda a agência está atrás dele, afinal, o sistema é perfeito, não tem e nem pode ter erros, e o destino de John tem que ser confirmado, se não toda a agência entrará em caos.

O brilhante roteiro é baseado no livro do genial Phillip K. Dick, responsável também por Blade Runner, e é muito bem conduzido por Spielberg, colocando em tela todo o suspense do livro. A história em si é muito bem elaborada, ao longo do filme percebemos que vários crimes que nos são apresentados “a toa” na verdade estão interligados de maneira tal que um não teria acontecido se não fosse pelo outro, e a rede de mistérios formada é resolvida apenas no segundo final, onde contemplamos toda a genialidade de Dick ao bolar tudo isso.

E o legal de todo o filme é a questão do “futuro” que ele debate. Ao prender um futuro criminoso, os agentes poderiam estar cometendo uma grande injustiça, afinal o sujeito ainda não tinha consumido o ato em si, mas de qualquer forma o prendem e previne a sociedade do possível crime. Então aí vem a questão: o nosso futuro está escrito? O sistema responde que sim para não haver falhas, mas se contradiz, já que os agentes impedem o crime e mudam radicalmente o futuro. Temos um impasse. Quando John descobre que irá matar alguém que nem conhece em 30 horas ele vai atrás de respostas, e cada caminho que pega para isso acaba o conduzindo para a cena do crime previsto e ele no final o comete. Aí então temos 2 dilemas: primeiro, se ele não soubesse que iria cometer o crime, ele simplesmente não o cometeria, ele não chegaria no lugar do assassinato com uma arma na mão, ficaria em casa se drogando e ponto; e segundo, ele sabendo do crime, ele também poderia evitá-lo ficando em casa se drogando, ou seja ele tinha a escolha, mas mesmo assim o fez. E agora? Somos realmente donos dos nossos destinos ou estamos a mercê deles? Será que mesmo quando tomamos escolhas “diferentes” o destino já se encarregou de mudar seu caminho para o lugar que deve ser segundo ele? Haha, é realmente de pirar mesmo, o filme consegue fazer a gente refletir bastante sobre isso tudo e nos deixa no chão, em posição fetal sem a menor sombra de resposta. Philip K. Dick é o mestre em fazer isso, né Blade Runner?

Gosto desse filme também pelo “futuro segundo Steven Spielberg”. Nem preciso dizer que o filme é cheio de efeitos especiais, mas como já disse, afirmo que são da melhor qualidade! Os cenários são bem tecnológicos, mas não piram loucamente a ponto de ficar parecendo os Jetsons! O filme se passa em 2046, sendo assim, aqueles que podem tem acesso a tecnologia avançada e os outros continuam com a vida mais ou menos como estamos agora. Além disso, as casas permanecem um pouco aos moldes de hoje, nada muito extravagante com luzes por todo lado e portas que se abrem com comando de voz, o que dá realidade e bom senso ao longa. Spielberg foi esperto em usar uma fotografia iluminada nesse ponto, conseguiu mostrar que é um filme do futuro sem perder as estribeiras, demonstrando toda a sua maestria na direção.

Minority Report merece tomar 2h20 do seu tempo, sua genialidade misturada a um thriller de tirar o fôlego faz do filme uma verdadeira obra prima de Spielberg que vai abalar as suas estruturas com uma concepção de futuro diferente do que vimos até agora! E como se isso fosse pouco, ainda faz você refletir bastante sobre a vida e os caminhos que nós pegamos. Será que seríamos assim se tivéssemos virado a direita e não a esquerda? E se tivéssemos tomado a pílula azul?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Onze Homens e Um Segredo-Roubar é uma arte

Filmes de grandes roubos sempre são interessantes, os planos perfeitamente calculados e as viradas sensacionais no final sempre são emocionantes e fazem você exclamar “PUTA QUE PARIU” com gosto. O filme símbolo desse gênero é sem dúvida Onze Homens e um Segredo (mais recente), que junta um elenco carismático e de peso para contar a história do grande roubo de 3 cassinos numa única noite. Não vi o filme original com Frank Sinatra e Cia, por isso não vou saber dizer se esse é melhor que o outro, só vou dizer que esse é bom.

Daniel Ocean (George Clooney) acaba de sair da prisão e a única coisa que pensa é em voltar a ativa (será?), e para isso precisa reunir um bom grupo para aplicar o golpe do século: roubar o dinheiro de 3 cassinos de uma só vez! Aos poucos Daniel vai reencontrando velhos aliados como (Brad Pitt), (Bernie Mac) e (Don Cheadle), além de contratar novos como (Matt Damon). Cada um terá uma função essencial para adentrarem no grande cofre e sair de lá com a grana sem serem notados. Tudo seria relativamente fácil se o cassino não pertencesse ao inescrupuloso (Andy Garcia), que não só controla seus negócios com mãos de ferro, como também agora está com a ex-mulher de Ocean, Tess (Julia Roberts), o que vai pesar bastante no funcionamento desse grandioso roubo.

O que diferencia esse filme dos tantos outros do gênero são duas coisas: o elenco  perfeitamente escolhido, é legal ver todos esses grandes atores juntos interagindo na tela; e a astúcia do golpe, somos conduzidos a achar que será de tal modo, mas na hora a situação vira do avesso e dá tudo impressionantemente certo, ficamos dando risadas no final por não conseguir entender como fomos enganados, estava tudo tão claro! Embora tenhamos que engolir muitos “chutes” hollywoodianos para que aquilo tudo fosse possível no mundo real, o filme é uma ótima diversão para fechar a noite com muito estilo. As grandes doses de humor no roteiro, muitas vezes irônico e negro, deixam o filme ainda mais interessante e essencial para qualquer um que goste do gênero.

Como uma grande diversão estilosa e bem feita, Onze Homens e um Segredo é um filme memorável! O grande elenco sustenta perfeitamente bem toda a história sem ninguém ofuscar ninguém, o que o faz uma grande pérola do cinema americano e merece ser visto por todos, sem exceção! Esqueçam as penosas continuações e fiquem só com esse primeiro filme que vai explodir a sua cabeça com o brilhante plano de Dany Ocean e seus 10 parceiros de crime, além de sua linda mulher Tess, que consegue ser a mais perigosa de todos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

127 Horas-História Simples, Filme Soberbo

Comprovando a minha tese de que para realmente adorarmos um filme temos que detesta-lo antes de vê-lo, 127 Horas calou minha boca nos primeiros 20 minutos de filme, me apresentando um jeito inteligentíssimo de se contar uma história que conta com pouco recursos, que se resume a: um aventureiro, uma pedra gigante sobre seu braço e um canivete cego.

“Baseado na história de Aron Ralston, montanhista que, em 2003, durante uma escalada no Estado americano de Utah, sofreu um acidente e ficou com o antebraço preso sob uma rocha durante cinco dias. Ele teve de amputar seu braço com uma faca que carregava. O drama durou cerca de 127 horas.”

127 Horas é um excelente exemplo de filme bem explorado. Ele foi além do que poderia ser. Danny Boyle poderia simplesmente fincar uma camera no meio do Grand Canion e registrar James Franco aflito por 1h30, vê-lo cortar o braço e pronto, eis um filme ok baseado numa história real. Mas não, o cara foi esperto e pegou essa simples história de superação e sobrevivencia e a aprofundou de maneira categórica! Não só preocupado em mostrar a situação desesperadora do cara, ele entrou na sua mente, colocou em tela tudo que estava passando na cabeça de Aron, suas lembranças, seus arrependimentos e seus desejos (no caso, o principal era sair de lá, coisa que me surpreendeu bastante).

Tendo que carregar o filme todo nas costas (e a pedra na mão), James Franco surpreende a todos com uma atuação magnífica! Ele quando está preso só fala quando vai registrar seu momento de agonia em sua câmera, sendo que boa parte do tempo ele fica em silêncio, mostrando o que está sentido apenas com o olhar, com as expressões de dor, de desespero, e isso faz com que ele seja sim, um grande concorrente para o Oscar desse ano.

A parte técnica do filme é impecável. Embora tenha certas partes de “câmera na mão”, coisa que eu odeio, o longa nos oferece ótimos angulos de câmeras e vários truques de filmagem que deixam o filme ainda mais interessante de se ver. Uma parte que me chamou muita atenção foi em que tinhamos o rosto de Aron sendo mostrado de 3 perspectivas diferentes sobre o mesmo plano. Foi mais ou menos assim: aparece Aron no fundo falando, o visor da câmera dele o filmando, e a lente da câmera o mostrando também. Achei isso de uma sagacidade sem tamanho, muito criativo mesmo! Acompanhando bem os truques de câmera, a edição do filme é sensacional e essencial também, uma vez que enquanto Aron está refletindo sobre seu passado e tem suas lembranças, as imagens são entrecortadas com o presente e as vezes até dividem a tela com ele, o que o torna dinâmico e incansável de se assistir. A Rede Social encontrou um concorrente bem forte nesse quisito. Outras coisas que chamam atenção também são a fotografia, que realmente é muito bem feita, mostrando lindas imagens do deserto e das pedras num tom de amarelo bem forte, e a trilha sonora que acompanha bem os momentos de tensão e principalmente o de superação final no seu clímax intenso e perfeitamente elaborado, dando uma naturalidade fora de série para o corte de braço de Aron, cena que dificilmente será esquecida tão cedo.

Além de contar a história real do cara que passou 127 horas preso numa pedra e que teve que cortar o próprio braço para sair de lá, o longa faz reflexão sobre algo muito importante: independencia. Aron costumava se orgulhar por ser um cara que nunca precisou de ninguém, que sempre gostou de ser sozinho e que raramente pediu ajuda ou deu satisfações para alguem. Quando ele se encontra naquela situação complicada (palavra fraca para tal) ele percebe que não tem como viver na singularidade, sem ninguém, ele precisa sim de alguém ao seu lado, ele precisa sim de ajuda, e isso é uma puta mensagem, que é muito bem passada com as imagens de pessoas unidas se sentido bem em grupo, se sentindo fortes para o que der e vier. Além disso, 127 Horas passa sutilmente uma boa “bronca” na gente, nos fazendo ver o quão sortudos nós somos por estarmos bem acomodados numa cadeira de cinema, desfrutando de uma coca cola gelada e uma pipoca quentinha, enquanto que o cara teve que guardar sua própria urina para beber mais tarde para garantir sua sobrevivencia por mais alguns dias.

Mais do que excelente, 127 Horas é um filme obrigatório, e o melhor de tudo é que é um filme acessivel, nada massante demais, todos podem ver que sairão do cinema realizados, tocados pela história e satisfeitos com a certeza de que foi dinheiro bem gasto. Como se isso fosse pouco, ainda irão para casa com ótimas mensagens na cabeça como: agradeça pela boa vida que tem; aproveite suas relações sociais,elas são muito importantes; sempre saía com um canivete bom no bolso; e principalmente, NÃO VÁ PAGAR DE AVENTUREIRO RADICAL SUBINDO NUMA MONTANHA PARA DEPOIS DESCER, ISSO É COISA DE BABACA, BUCOLISMO É O MEU CU!

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Vencedor- Atuações brilhantes num clichê filme de boxe

Umas das coisas que a academia mais gosta são filmes de lutadores! Pode ver, a lista de ocorrências é grande: Rocky, O Touro Indomável, Menina de Ouro, Ali, O Lutador, e agora o filme da vez é O Vencedor, que mostra as dificuldades de ser reconhecido como boxeador e os dramas das famílias envolvidas no esporte.

O filme gira em torno de Micky (Mark Walberg), lutador de boxe real, que tenta alavancar a carreira com o seu irmão, Dick (Christian Bale), ex-lutador, como treinador e sua mãe (Melissa Leo) como agente. As coisas não vão muito bem, uma vez que seu irmão é irresponsável e é viciado em crack, trazendo transtornos para toda a família e atrapalhando a carreira de Micky. Ao conhecer Charlene (Amy Adams), Micky passa a ver sua carreira de modo diferente, já que ela o incentiva a se valorizar mais e não deixar a sua família atrapalhá-lo, propondo que ele corte as relações profissionais com os parentes, o que vai trazer ainda mais problemas para Mickey.

Com um estilo meio “falso documentário”, a história é bem desenvolvida embora enjoada em alguns momentos. Como um bom filme de boxe, temos a progressão clichê: o cara só se fode no inicio e no final se levanta vitorioso, dando uma grande lição de moral. Incrível como isso ainda funciona tão bem, já que ao vermos as lutas ficamos angustiados com o cara levando porrada e vibramos ao ver que ele conseguiu se reerguer e jogar o cara na lona! Acho que essa é a grande graça dos filmes de boxe!

O que realmente impressiona no filme são as atuações assustadoramente naturais! Não conseguimos enxergar na tela Christian Bale, Amy Adams e muito menos Melissa Leo, o que vemos são pessoas reais, pessoas com manias pessoais, esquecendo do que iam falar, errando as vezes, e isso é o ponto máximo de uma boa atuação, naturalidade e espontaneidade de pessoas reais. Essas soberbas atuações, creio eu, levarão os Oscars da noite de coadjuvantes, Christian Bale e Melissa Leo são as minhas apostas até o momento, e acho difícil mudar de opinião. Bale está irreconhecível, seu papel requer uma leveza misturada a uma prepotência que ele soube equilibrar muito bem. Agora, a grande performance do filme é da, até então desconhecida por mim, Melissa Leo que incorpora uma escandalosa mãe de gênio forte, parecendo muito com aquelas que vemos em reallity shows whatever da TV a cabo, uma interpretação realmente impressionante.

Valendo mais pelas atuações do filme, O Vencedor fará presença na noite do Oscar, mas está longe do prêmio principal, o que não significa que não mereça uma olhada. Recomendo para aqueles que gostam de boas atuações, sairão do cinema bem satisfeitos, se sentindo os Vencedores. (É P.A, vc não conseguiu terminar o texto de nenhum jeito melhor né?)

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família-Tudo que temos é um elenco!

A continuação da divertida série Entrando numa Fria chegou ao cinema fazendo sucesso, chamando o grande público para as salas pela promessa de gargalhadas incessantes com os personagens mais adorados da década. Pena que a promessa não é totalmente comprida.

Mesmo com todo o excelente elenco dos filmes anteriores e o acréscimo de Jessica Alba, Laura Dern e Harvey Keitel, o filme não passa de “legalzinho”, não apresentando nenhuma grande novidade e mantendo mais ou menos a mesma fórmula: maus entendidos que fazem Jack (De Niro) desconfiar da lealdade de Greg (Ben Stiller). Agora com um casal de gêmeos, Greg e Pam (Teri Polo) passam a enfrentar o cotidiano da vida com filhos, tendo três grandes desafios pela frente: matricular os filhos numa boa escola, terminar a construção de sua nova casa a tempo de preparar a festa de aniversário deles lá. Além disso, Jack não está muito bem de saúde, tendo algumas complicações cardíacas e ficando preocupado com a continuidade da perfeição de sua família, passando a procurar algum parente para ser o próximo Poderoso Chefão, e esse parente é justamente Greg, sendo assim, Jack passa a avaliar cada passo do genro para ver se ele é capaz de assumir tamanha responsabilidade. Tudo vai bem até que ele comece a desconfiar que Greg está tendo um caso com sua nova parceira de trabalho (Jessica Alba), colocando Greg mais uma vez por um fio no “circulo de confiança” de Jack. No filme ainda reaparecem os divertidos personagens de Dustin Hoffman, Barbara Streisser e Owen Wilson. Harvey Keitel também aparece como chefe de obras da nova casa de Greg.

Quando eu vi o trailer no cinema, fiquei muito animado com a sequencia, gostei muito dos dois primeiros e sempre achei os personagens muito bem armados, e no trailer tinha várias passagens de Jack aliciando Greg para ser o novo patriarca da família, fazendo várias piadas com Poderoso Chefão e tals, o trocadilho de God Focker me fez rir bastante. Mas o filme em si não faz mais que isso, esperava mais referencias a esses filmes, e até mesmo alguma piada interna entre De Niro e Keitel de Taxi Driver, mas nada, foi um filminho bem água com açúcar mesmo.

O que vale mesmo em Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família (ou Little Fockers que é bem mais legal) é o elenco de peso! Todos desempenham seus papéis muito bem, e tiram mais gargalhadas pelo jeito de serem do que pelo texto em si. Além dos antagonistas eternos De Niro e Stiller, podemos destacar Dustin Hoffman e Barbara Streisser que são divertidíssimos, a química entre eles é perfeita e suas excentricidades não se excedem a ponto de ficarem surreais, sendo os mais engraçados em cena na minha opinião.

Não é um grande filme de comédia, não é mesmo, mas Little Fockers merece uma olhada num sábado a toa com a galera pelos personagens, por quem tomamos tanta simpatia ao longo da sua evolução. Sem muito mais a acrescentar, me despeço com o seguinte anuncio: não esperem um filme melhor que Entrando numa Fria Maior Ainda.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os Infiltrados- Dando uma olhada no abismo..

Um dos filmes mais aclamados da carreira de Martin Scorsese, e, sem dúvida, um dos melhores longas de ação de ultimamente, Os Infiltrados com toda a sua riqueza de detalhes e uma história incrivelmente impactante e sufocante atinge o principal requisito de um bom filme: entreter o público, sem perder o conteúdo e a classe. E digo desde de já, não querendo fazer polêmica, que acho que Os Infiltrados é a verdadeira obra prima de Scorsese! Taxi Driver é ótimo, realmente gosto muito e vou um dia fazer um post sobre ele, mas Os Infiltrados é um filme muito mais completo e até mesmo mais complexo, sendo assim, na minha opinião, a grande obra prima de Martin Scorsese é Os Infiltrados (levando em consideração todos dele que eu já vi).

Baseado no filme oriental (também muito bom) “Conflitos Internos”, Os Infiltrados mostra dois pontos de vista antagonicos: o da polícia e o dos criminosos, e propõe a seguinte reflexão genial, “quando se esta com uma arma na mão, qual a diferença?”. De um lado vemos o novato policial Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) que por ter crescido em meio a criminalidade se torna a pessoal certa para se infiltrar no grupo do grande mafioso Frank Costello (Jack Nicholson). Seus chefes (Mark Wahlberg e Martin Sheen) o colocam lá como espião, com o intuito de prender o tão procurado chefão do crime. Porém, eles não sabem que Costello também tem um infiltrado na policia que lhe mantém informado de tudo, Colin Sullivan (Matt Damon). Com essa grande rede de segredos e inversão de papéis, tece-se um impressionante história, onde não existe bem nem mal, e muito menos lados realmente declarados, mas sim interesse individual.

Acho o roteiro desse filme espetacular, simplesmente espetacular! O jogo de identidade proposto pelo longa é envolvente demais, tira seu fôlego com tamanha genialidade e originalidade. Em cenas temos um policial tendo que fingir ser um criminoso e criminoso tendo que fingir ser um policial, isso é brilhante, lembra muito “A Outra Face”, mas em proporções e profundidades diferentes.Os Infiltrados é um grande filme de espiões numa dança da morte em que se vê os dois lados da moeda e a linha tênue que os separa. Incrivel.

As atuações desse filme são vicerais! Com um elenco forte e pontual, tudo corre bem na narrativa que não se perde em momento algum. Em destaque podemos apontar DiCaprio, numa performance sofrida que conseguiu demonstrar todas as camadas de seu personagem que entra em desespero e depressão na situação incomoda em que se encontra; Matt Damon com uma arrongância e prepotencia exemplar, qualificando bem seu personagem egoísta e malicioso;Vera Farmiga numa personagem excepcional que é disputada pelos dois infiltrados sem que nenhum deles saibam; e o mestre Jack Nicholson que tem uma atuação fascinante, sendo uma das melhores de sua carreira e se equiparando a Marlon Brando como Don Vito Corleone, na minha singela opinião.

A edição do longa também é muito boa, dinâmica e ágil, acompanhando bem o clima tenso do filme, onde enquanto uma ação ocorre, uma reação já está sendo armada pela troca de informções entre os infiltrados e seus chefes, o que nos deixam eufóricos com os conflitos eminentes. A música tema do filme também é excelente, se chama “I’m Shipping up to Boston” da banda “Dropkick Murphys”, é realmente viciante. Embora a música tema seja ótima, a trilha num todo não é muito boa, tem muitas músicas desconexas com as cenas, o que fica estranho e acaba incomodando um pouco, mas nada demais.

O mais legal desse filme é a profundidade dos personagens. Todos foram tomados pelos papéis que representam, de forma boa e ruim. Ao se infiltrar no grupo de mafiosos, Billy entre em choque com seus próprios valores, luta contra si mesmo para poder manter as aparencias, o que promove um grande rebuliço de sentimentos nele que o afetam psicológicamente, se tornando algo muito reflexivo no filme. O mesmo acontece com Collin, que vê como é bom estar no poder no lado do “bem”, onde você recebe proteão e não precisa ficar se escondendo dos outros, tudo é legalizado e seu status é respeitoso, sendo o grande fator que o move em tudo, virando o jogo de maneira sensacional. Esses dois personagens caracterizam bem como um homem pode reagir as circunstancias que os cercam, aplicando a regra do Determinismo, ou melhor, colocando-a a prova uma vez que Billy representa aquele se mostra forte, resistindo ao meio e mantendo seus principios, sendo o que o próprio Costello disse no inicio (“não quero ser determinado pelo meio, mas sim determinar o meio), e Colin é aquele que se submete ao meio de certa forma, mais pelo fato de lhe ser conveniente do que por fraqueza ou algo do tipo. Essas relações no filme são fascinantes, nem tenho palavras, termino então esse paragrafo com a célebre, e já mencionada por mim antes, frase de Nietzche: “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

Em resumo, Os Infiltrados é um dos melhores filmes policiais já produzidos pelos EUA, e mesmo que os americanos não recebam o mérito de uma ideia tão genial eles souberam aproveita-la muito bem, dando toques estilosos a trama e profundidade, fazendo desse longa indispensável para os amantes do gênero de qualquer lugar do planeta. E fica o aviso, quando uma pessoa está armada, não importa se ela é um policial ou um bandido, ela é uma pessoa com o poder de tirar a sua vida, e ponto. (Que final de texto estranho e repressor :s)

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

Harry Potter 7- O Fenômeno da Minha Geração

O fim começou. Toda grande saga tem um final, e a saga de Harry Potter no cinema está a um passo do seu desfecho. Nós, fãs, torcemos para que tudo corra bem e que ninguem faça nenhuma merda que estrague o grand finale, então sem dúvida ficamos bastante apreensivos. Eu, particularmente, fiquei muito feliz com a primeira parte, que conseguiu se desenvolver bem e nos deixar ávidos de vontade de ver a próxima parte, onde enfim nos despediremos desse mundo mágico que viveu tanto no nosso imaginário durante todo o nosso crescimento. Aviso aos navegantes que no texto podem haver pequenos spoillers, então, CUIDADO!

 

Na primeira parte do capítulo final, Harry, Rony e Hermione vão atrás das horcruxes, objetos enfeitiçados que contem parte da alma de Lord Voldermort, que se mantém imortal através delas. Mais do que procurar esses objetos, eles tem que descobrir como destruí-los de forma efetiva, para assim enfraquecer o grande vilão. O mundo dos bruxos e dos trouxas estão cada vez mais interligados, e Voldermort está ainda mais poderoso, interfirindo nos dois mundos, espalhando medo por toda a parte, visando ser o bruxo mais forte de todos os tempos e eliminar todos aqueles “sangues ruins” da sociedade. Numa trama bem traçada, com várias mortes importantes durante todo o longa, Harry Potter e as Reliquias da Morte parte 1 te deixará impressionado com a sua maturidade e excelência!

 

Quando anunciaram que o último livro da saga seria dividido em 2 partes eu fiquei feliz no primeiro momento, imaginei que dessa vez não tentariam compactar a história, decepando partes importantes e por algum motivo obscuro introduzindo cenas inventadas (vide todas as partes de Harry Potter e o Enigma do Principe), mas depois fiquei preocupado com o seguinte: um filme precisa ter começo, meio e fim satisfatórios, ou seja, precisa de uma história que se desenvolva até o ápice final, onde teríamos um belo clímax, como fazer isso com a história de um livro? É meio complicado criar um clímax no meio do livro, é como ter um orgasmo ainda nas preliminares, o que o filme realmente mostrou que pode acontecer. David Yates conseguiu editar o longa de forma que finalizasse bem a 1° parte e conseguisse o que de fato queria: explicar o que não foi explicado no 6 e nos deixar com vontade de ver a próxima parte. Temos uma boa ação final sim, não o que temos normalmente em filmes de HP, mas ainda assim satisfatória devido a situação em que se encontrava, só que para que possamos dizer que o ultimo filme tenha sido bem sucedido a próxima parte tem que ser um clímax contínuo, aí sim podemos nos sentir bem perante o final ok da primeira parte.

 

Eu não li esse último livro, mas amigos meus que leram disseram que o filme conseguiu adaptar muito bem as coisas, sem nenhum grande desfalque ou erro de concordância, tudo saiu nos conformes, então já dá pra ver que o filme foi realmente bom, já que até os leitores gostaram. A recriação do mundo de J.K Rowling está como sempre impecavel, os cenários, os figurinos, maquiagem, tudo está como devia ser, compondo uma belissima obra de arte. O que podemos destacar nesse filme é a fotografia, já que o trio não passa o seu tempo em Hogwarts como nos outros capitulos, mas sim peregrina pelo mundo bruxo atrás das horcruxes, passando por lugares belissimos, campos abertos que foram um prato cheio para o diretor. Temos ótimas cenas de ação e combate entre os bruxos, a câmera agil ajuda muito nesse instante, e nos dá a sensação exata de agitação da cena, porém em alguns momentos ela é usada em cenas de dialogos, o que não tem nenhum sentido e nos deixa tontos. Legal ver que as varinhas nesse filme viraram verdadeiros revolvers, nos proporcionando combates emocionantes.

 

As atuações desse longa enfim se consolidaram, com um roteiro bem melhor trabalhado, os atores conseguiram mostrar toda a desenvoltura deles nos papéis que lhes marcarão para sempre. Do trio, infelizmente o único que ainda se mostra mal preparado é (irônicamente) Daniel Radcliffe no papel principal, ele ainda não consegue se impor direito diante certas cenas, acho que toda a responsabilidade jogada em cima dele atrapalhou seu desenvolvimento, mas não é nada que chegue a atrapalhar o andamento do filme. Rupert Grint está bem como sempre, no papel de melhor amigo do protagonista, rende ótimas tiradas que dão o tom cômico certo ao tão sombrio longa e até arrisca uma boa performance numa cena dramática, realmente se destaca. Agora, pra mim, o que me impressionou mais foi Emma Watson que a cada filme se mostrava melhor (em muitos sentidos) e nesse arrebata o telespectador logo de cara na primeira cena, onde ela usa um feitiço que faz seus pais esquecerem dela, como se ela nunca houvesse existido, tendo uma atuação magnifica e tocante sem dizer uma palavra, suas feições dizem tudo, e confesso que me deixou arrepiado. Fora eles, temos o brilhante elenco inglês de peso que rende boas participações, como Alan Rickman (Snape), que é um cara foda, sem mais nem menos, Helena Bonhan Carter (Bellatrix Lestrange) que tem a melhor atuação do filme, Bill Night (Rufus Scrimgeour) que é um dos atores que mais gosto, Brendan Gleeson (Olho-Tonto) mais irônico do que nunca, e Ralph Fiennes que encarna com maestria o Lord das trevas, sombrio e cruel na medida certa.

 

Tem uma parte desse longa em particular que eu gostei muito e que é uma novidade na série. Quando contam a história das tais Reliquias da Morte, é usado o recurso de animação gráfica que foi muito, mas muito bem feito, sendo um dos melhores momentos do filme! Eu não esperava por isso, é uma animação rica, detalhada, com cores fortes e traços impactantes, realmente excelente.

 

Algo que sempre gostei na saga de Harry Potter é a analogia ao racismo que se é feita, onde os bruxos legítimos discriminam aqueles que vêm de familias de trouxas, os chamados “sangues ruins”. Isso sempre apareceu de leve nos filmes, aumentando gradativamente a cada episódio, mas é nesse que se dá o devido tratamento ao tema, de forma mais madura e concreta, vemos a discriminação invadir as ruas do mundo bruxo, no ministério principalmente, que inicia uma perseguição aos impuros e dita novas regras de comportamento para com essas pessoas, fazendo uma critica forte e bem direta ao nazismo e é claro a discriminação! Graças ao tom maduro desse último filme, podemos perceber isso com mais força, a mensagem é passada de maneira mais eficaz, e Harry Potter enfim deixa de ser um filme superficial.

 

A grande jogada desse capítulo são os rituais de passagem que são demonstrados simbólicamente no filme. Quando saímos da infância, assim como os protagonistas, perdemos totalmente nossas bases e somos jogados no cruel mundo de “verdade”, não temos mais o conforto das nossas familias e nem do nosso colégio, agora é pra valer, é a vida! Perfeitamente vemos isso na tela, os 3 estão sozinhos no mundo bruxo, correndo atras de seus objetivos, sem ter nenhum familiar por perto ou nem sequer um professor amigo para acalenta-los, nada, eles só tem um ao outro, e assim seguirão daqui pra frente. Quando a coruja de Harry morre não é a toa, Rowling mais uma vez usando de simbologia mostra que a fase infantil inocente de Harry se foi, e agora ele tem que enfrentar seus problemas com maturidade e maldade. Por essas e outras coisas Harry Potter é uma série tão amada por nós jovens, crescemos junto com esses 3 amigos, nos identificamos, acompanhamos suas mudanças. Eu sou sortudo por me enquadrar perfeitamente na idade dos personagens, pude realmente acompanha-los a cada ano que passava. Nos 2 primeiros filmes eu odiava a Hermione, achava ela a estraga prazeres, quando chegou no 3°, minha cabeça já tinha mudado assim como a de Harry e Rony que começaram a notar ela de um jeito diferente, até chegar no 4° onde nos  petrificamos ao ver o quão gostosa ela ficou naquele vestido de baile! Acho isso muito legal, tenho certeza que não sou único que pensa assim. Harry Potter sem dúvidas é a série que marcou a minha infancia e juventude.

 

Harry Potter é um filme que nem preciso recomendar, você simplesmente vai ver, não há como fugir! Quem é mais velho pode achar bobeira, mas realmente é um filme muito bom, maduro, sombrio, misterioso, encantador, inteligente, divertido, mágico, fenômenal. Harry Potter é o fenômeno da minha geração!

E que venha enfim o final!

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Tropa de Elite 2- O Nascimento de um herói

É inevitável. Tropa de Elite 2 é o grande estrondo do momento no cinema brasileiro! Já está na sua 3° semana de exibição e os cinemas não param de lotar de pessoas insandecidas para ver o Capitão Nascimento em ação, enchendo as salas e esgotando os ingressos com dias de antecedência.Tropa de Elite 2 é um ótimo exemplo de filme que agrada aos 2 públicos principais: os blockbusterianos e os críticos, que saem do cinema satisfeitos com um excelente filme de ação de conteúdo, que critica a sociedade do inicio ao fim, chamando a atenção dos brasileiros dos problemas que o cercam nesse ano de eleição.

 

Como diz o subtítulo do longa, dessa vez o inimigo é outro, e agora o Capitão Nascimento após um incidente é promovido a Coronel trabalhando no serviço de inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado, o que na verdade foi uma jogada dos poderosos para afastar Nascimento das ruas e assim impedir que ele atrapalhe estes a continuar faturando ilegalmente. Mas eles não sabem com quem estão lidando, e Nascimento corre atrás de justiça, descobrindo todo o esquema inescrupuloso que envolve o estado, políticos, policia, milicias e traficantes, num jogo de perseguição de tirar o fôlego, que aumenta a partir do momento que a vida pessoal do Coronel passa a se misturar com a  profissional, gerando conflitos explosivos.

 

Mais uma vez o cinema brasileiro me deixou muito orgulhoso. Tropa de Elite 2 está bombástico com uma qualidade de filme de ação americano, sem perder o conteúdo, o que é melhor ainda. As cenas de ação estão muito realistas, captando bem as tensões dos momentos e a agilidade das coisas acontecendo, fazendo do longa incansavel, prendendo a atenção em todas as cenas. Os efeitos sonoros são impactantes, nos colocando dentro das cenas, como se tudo estivesse acontecendo do seu lado. Ouvimos com perfeição o som das armas engatilhando, das balas caindo no chão, e obviamente dos tiros, o que ajuda ainda mais a acelerar nossos batimentos cardíacos. A trilha sonora em si também é excelente, não se limitando apenas a música tema do Tihuanna, mas como outras cuja intensidade traduz bem o clima sério e empolgante do longa.

 

No campo das atuações não tem jeito, quem rouba a cena com fúria é Wagner Moura, encarnando com excelência mais uma vez o Capitão Nascimento, que explode na tela nos dando cada nuancia de seu forte personagem. Wagner tem uma expressão facial muito boa, ele consegue demonstrar raiva sem cair na repetição ou numa atuação forçada, ele encorpora o personagem, essa é a diferença, ele é autêntico. E não só nas cenas de raiva ele dá show, como também nos conflitos internos silenciosos, onde um olhar dele basta para nos dizer o que está se passando em sua cabeça. O personagem em si é muito bem desenvolvido, ele é humano, tem problemas pessoais que se confundem com os profissionais, o que lhe faz muito mal internamente e Wagner consegue expor muito bem isso externamente, sua atuação é visceral e ponto final. Eu posso estar falando bobeira, mas Tropa de Elite 2 sendo levado para o circuito americano como quer fazer Spielberg, poderá render uma indicação ao Oscar de Melhor ator para Wagner Moura, não acho muito dificil não. Entre outros atores que se destacam no filme estão André Ramiro como o já famoso Matias, Seu Jorge numa participação rápida porém forte, Irandhir Santos como o humanista Fraga que tem uma atuação ótima, André Mattos numa caricata atuação que faz presença, Milhem Cortaz numa hilária performance recheada de tiradas engraçadas (“Quer me foder me beija!”) e Sandro Rocha como o vilão principal que esbanja arrogância e antipatia, nos dando raiva a cada fala debochada.

 

O interessante de Tropa de Elite 2 é sua história muito bem elaborada, que conecta vários problemas reais da sociedade num único contexto proporcionando ainda grandes reviravoltas e muitas cenas de ação bem posicionadas. O ponto forte do filme está em suas críticas ácidas aos poderosos que nos regem, elevando o filme a um patamar ainda maior, principalmente por ser em ano de eleição, sendo um grande protesto documentado, além de um gigante aviso a todos de como as coisas realmente são por trás dos sorrisos falsos dos políticos. E é legal ver o personagem utópico de Wagner Moura, que é sem mais nem menos o maior herói de todos os tempos do cinema nacional, defendendo os brasileiros com punhos de ferro, querendo a justiça e se indignando com a corrupção que está a sua volta, isso é simplesmente sensacional. Fazia tempo que eu não torcia tanto num cinema para que o herói (ou será anti-herói?) acabasse com a raça dos vilões, isso me deixou empolgado, com o coração acelerado. O que eu queria que acontecesse com Inception acabou acontecendo com Tropa de Elite 2, um blockbuster brasileiro, que coisa não? Aquela sensação indescritivel que eu tive com Dark Knight e não se repetiu nem com Bastardos Inglórios nem com Inception, veio acontecer com um filme que eu fui ver por curtição, sem esperar muito. Daí confirmo o que eu já estava pensando, não posso criar muitas expectativas, acabo me frustrando de algum modo, então é melhor ir ver os filmes desarmado, a sensação será melhor. Isso é uma dica para vocês também.

 

Recomendo o filme sem medo para os dois grupos amantes do cinema: os blockbusters e os cinéfilos criticos, ambos sairão satisfeitos com esse sensacional filme de ação que ainda vai dar muito o que falar. Tenho certeza que se surpreenderão com a história bem bolada que vai tirar seu fôlego e só vai devolver quando os créditos subirem. Usando as sábias palavras do Capitão Fábio (Milhem Cortaz), Tropa de Elite 2 é a pica das galaxias desse ano!

domingo, 24 de outubro de 2010

Halloween O Início- Para o monstro que existe em você

Começando esse especial com categoria nada melhor que um filme cujo título tem tudo a ver com o assunto: HALLOWEEN. O que estou me referindo agora é, acreditem ou não, ao reboot mais recente do sucesso dos anos 80, que é realmente muito bem feito e desmente 2 verdades universais criadas por mim: filme de terror bom é filme de terror antigo; e remakes e reboots nunca são melhores que os originais. Halloween foge muito bem dessas duas regras.

 

O reboot de Halloween é ao mesmo tempo um prequel e um remake do filme original, pois remonta com fidelidade a origem do psicopata Michael Myers e tem como seu clímax a terrível noite de Halloween em que ele volta a sua cidade natal para atender suas vontades psicóticas, como no filme original. Bem, como diria o próprio protagonista, vamos por partes (tudum tizz-som de bateria de piada sem graça), tudo começa quando Michael é uma criança estranha que vive numa família totalmente desestruturada, com uma mãe prostituta, uma irmã gostosa que dá pra todo mundo, e um “padrasto” que come as duas, a única coisa que “salva” é a sua irmã mais nova que ainda é um bebê. Myers é um garoto problemático, que tem tendências psicóticas, gosta de observar seres vivos sofrendo e em alguns ataques de raiva consegue ter forças sobrenaturais surgidas de sua fúria animalesca. Numa noite de Halloween ele tem um desses ataques, e usando sua máscara preferida (ele gostava muito de máscaras por achar seu rosto feio) ele mata todos que estão na casa, seu “padastro”, sua irmã vadia e o namorado dela que estava a come-la, deixando viva apenas sua irmãzinha mais nova, e sua mãe que eventualmente não estava em casa, mas sim trabalho no clube de strippers. Depois dessa carnificina, o menino foi levado para um reformatório onde seu caso foi estudado por vários psicólogos que ficavam abismados com o potencial assassino dele. Após 17 anos lá, Myers consegue fugir, e o que ele quer agora é ir terminar o que começou, caçando seu último traço familiar que restou, sua querida irmã.

 

Sem medo do “politicamente incorreto”, o diretor e guitarrista Rob Zombie fez um filme de psicopata excelente, daqueles de fazer machões se contorcerem em algumas cenas, trazendo para o cinema mais popular um verdadeiro filme de terror que escandalizou os jovens que acharam que veriam só mais um filme enlatado da série com umas cenas de sangue falso a toa. O longa captou bem a alma do personagem, todos os seus disturbios e psicoses estão muito bem alinhados e condizentes com a realidade. No filme é traçado todos os fatores que caracterizam Myers, sua máscara bizarra, sua repugnancia a sexo, e seu ódio por qualquer coisa viva. Tenho que parabenizar o ator mirim Daeg Faerch pela atuação impecável do assassino quando criança, ele conseguiu traduzir bem sua frieza e indiferença sobre as coisas que fazia, além de dar o tom sombrio perfeito ao personagem, que nos assusta por vermos uma criança tão nova e angelical esconder um monstro tão demoníaco. Em questões de atuação, só ele posso ressaltar, o resto é bem fraco, mas como uma boa curiosidade temos no elenco ninguém menos que Malcolm McDowell, nosso querido Alex de Laranja Mecânica, interpretando o psicólogo que se aprofunda no caso de Myers.

 

As cenas de assassinato são brutais e violentas, como realmente tem que ser, fazendo de Halloween um longa bem visceral para o grande circuito, correndo o risco de fazer com que pessoas mais sensíveis desistam de vê-lo ao chegar na metade dele. As mortes são bem armadas, conseguimos perceber a fúria e o medo da situação de ver um monstro inparavel indo atacar suas vítimas, batendo, derrubando-as, esfaqueando-as, até que elas fiquem caídas ao chão e seus olhares não transmitem mais nenhum sinal de vida. As cenas são bem filmadas, dá para acompanhar bem os movimentos,  principalmente nas cenas de perseguição, onde o susto se esconde nos momentos mais calmos e dão um ótimo final para o filme. Não posso esquecer de comentar que no fundo disso tudo, temos a sinistra trilha sonora do filme, cujo a qual estou ouvindo agora e me arrepiando, é algo inexplicável. Um som forte, continuo, frenético, permeado por pequenos gemidos, que remetem tanto a sexo quanto a gritos mortais, sendo um componente essencial para criar o ritmo de suspense e terror da trama.

 

Halloween foi uma grande surpresa para mim, não esperava ver algo assim tão forte e animal num filme de terror atual. A ideia do filme de mostrar que dentro de nós há um monstro terrível é genial, e obviamente assustador, que mostra que não é preciso apelar para o sobrenatural para criarmos grandes criaturas para nos assustar, nós humanos somos terríveis o bastante para tal tarefa, somos o maior monstro que já existiu. Por ser um filme que beira o trash e não tem vergonha de mostrar sangue, tripas e sexo explícito, recomendo o filme para poucos, para aqueles que tem estômago forte e estão cansados desses filmes de terror para menininhas escandalosas.Halloween é uma ótima pedida para a noite do dia 31 de outubro, vistam suas máscaras, e preparem-se para o monstro que existe em você.

 

Acho essa mascara mais sinistra do que a original

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