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segunda-feira, 4 de julho de 2011

Na Natureza Selvagem- Com vocês, a Verdade

Poucos filmes me fizeram chorar de verdade, já tive ânsia de choro em vários, mas chorar mesmo só em três filmes: Click, Toy Story 3 e Na Natureza Selvagem. Não porque eu faço o tipo machão que nunca chora, mas porque realmente é difícil eu chorar em filme, só esses três me fizeram escorrer lágrimas, e deles o mais emocionante é sem dúvida Na Natureza Selvagem, que é na minha opinião uma das maiores obras primas do cinema!

O filme dirigido pelo excelente Sean Penn conta a história real de Alex, um jovem idealista que cansado da hipocrisia de seus pais foge de casa para a vida! Ele junta suas economias e coloca um objetivo na cabeça: aprender tudo que é necessário para sobreviver na natureza sem usar muita tecnologia e ir viver no Alasca selvagem por um tempo. No caminho ele vai encontrando pessoas incríveis que te ensinarão grandes lições de vida que lhe farão rever seus conceitos e ver se tudo aquilo realmente valerá a pena.

Inspirado no livro baseado numa história real, Na Natureza Selvagem tem um roteiro impressionante, cheio de citações de escritores famosos filosofando sobre vida e a sociedade, nos fazendo refletir bastante. Somado a isso, temos atuações pontuais de Emile Hirsh como Alex, e William Hurt como pai dele, que pra mim tem a melhor atuação do filme. No final, o olhar dele passa tanta emoção que é o gatilho para que as lágrimas comecem a cair, é realmente um grande ator.

Ilustrando bem a grande aventura, temos uma fotografia exuberante, enquadrando belas imagens da natureza na sua forma mais livre, captando momentos de luz e escuridão, além de nos dar belos contrastes com a luz do sol. Outro ponto técnico excelente é a trilha sonora entoada pelo vocalista do Pearl Jam, cujas músicas traduzem bem o momento em que a história se encontra.

Na Natureza Selvagem trata de vários assuntos ao longo da jornada de Alex, temos na história filosofias sobre a família, a sociedade, o materialismo, o amor, o certo, o errado, o trabalho, em resumo, sobre a vida. Alex sai de casa por não agüentar a hipocrisia dos pais e tudo aquilo que eles prezam, que pra ele não faz sentido algum, como status, carreira, dinheiro, e até mesmo família, já que a sua é seriamente desestruturada e representa pra ele um órgão opressor e controlador, e não protetor e acolhedor. Porém, no seu caminho, ele passa por um verdadeiro processo de renovação espiritual, encontrando pessoas extraordinárias que o acolhem como uma família, fazendo-o ver as coisas de um jeito diferente. Quer dizer, em termos, porque ele passa a não ver a família mais como uma instituição falida, acha apenas que exclusivamente a sua é. Na melhor passagem do filme (em minha opinião), Alex conversa com um senhor de idade sobre Deus, ele, como bom revolucionário não acredita, e o senhor de idade lhe dá a melhor definição de força superior que eu já vi, e a cena termina de uma maneira incrivelmente tocante, se tornando a referencia do filme pra mim. Alex caracteriza bem o espírito jovem ao rejeitar qualquer tipo de controle, seja dos pais ou da sociedade, e se rebelando contra eles, mas como todo jovem, as vezes comete erros pela empolgação, não enxergando precipícios eminentes e perdendo totalmente o objetivo de sua causa. Essa é a grande moral que o filme quer passar, quando chegamos no final, depois de ficarmos atônitos com a belíssima cena conclusiva e deixamos os créditos subirem sem nos movermos para trocar de canal ou desligar o DVD, ficamos pensando: será que tudo isso valeu a pena? Ele conseguiu a sua liberdade, mas a que preço? É triste, mas o final desse filme simples e revolucionário é moralista, totalmente moralista. Ele acaba com os sonhos. É pessimista. Mostra que o sistema é mais forte, ainda é mais forte. Na Natureza Selvagem tem grandiosas lições de vida, mas a maior delas é que no final não importa, tudo é em vão. Mas, com um ângulo mais otimista sobre o filme, talvez a grande mensagem seja que o que importa não é o destino, e sim a viagem, que é o que realmente ocorre. Enquanto não chega ao Alasca, Alex se sente vivo e pleno ao se relacionar com essas pessoas, pessoas que passam a representar sua família, de um modo que a sua verdadeira família nunca conseguiu representar pra ele. Sendo assim, podemos perceber que o filme é ambíguo em sua mensagem, escolha aquela que preferir, ou fique com as duas, sua visão sobre o mundo será ainda melhor.

O longa com certeza não é para qualquer um, é preciso ter uma mente aberta e pensante para compreende-lo por inteiro, então assista-o com bastante calma, num dia que você esteja disposto a raciocinar, mas não passe a vida sem vê-lo, por favor. Mesmo com um final cruelmente triste e destruidor de sonhos, Na Natureza Selvagem é um dos melhores filmes já feitos, e com certeza um dos mais belos, não por nos apresentar um mundo maravilhoso, mas por nos apresentar a verdade.

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Inverno da Alma- O Filme Mais Frio de Todos os Tempos

De todos os filmes da lista de indicados o único que eu não tinha ouvido falar era esse “O Inverno da Alma”. Não fiquei muito a fim de ver, seu estilo não combina nem um pouco com o Oscar, tem mais cara de filme de Festival de Cannes, mas de qualquer modo, tive que ver. No final das contas achei o filme legal, bom, mas é daqueles que a gente não quer ver de novo.

“Inverno da Alma elabora o retrato da adolescente Ree Dolly, uma jovem que vive numa região montanhosa localizada na região central dos EUA, e que, mesmo com a desaprovação das pessoas que lhe são mais próximas, atravessa a região selvagem das montanhas de Ozark, no coração dos Estados Unidos, para reencontrar o seu pai, um conceituado traficante de droga.”

O filme todo é bem frio, fazendo eco com o título do filme. A fotografia é fria (e excelente), os personagens são frios, os cenários são gelados e a história é sufocantemente fria. Se o objetivo do filme era ser o mais frio possível, parabéns conseguiu. O filme funciona como um suspense não convencional, mas acaba virando um verdadeiro filme drámatico, mostrando o quão forte essa menina teve que ser para poder sustentar sua familia e protege-la o tempo todo.

“O Inverno da Alma” tem uma visão bem crítica sobre a sociedade em cidadezinhas pequenas. Ele mostra o quão forte as mulheres nesse lugar são, determinadas e auto suficientes, porém como contradição, todas acabam ficando reféns de seus maridos, que mandam nelas o tempo todo, e muitas das vezes, até as maltratam. Além disso, o filme faz questão de mostrar o lado cruel e (adivinhem) frio das pessoas que na luta pela sobrevivência pensam apenas nelas mesmas, não oferecendo ajuda por medo de se envolverem e acabarem presos.

O que surpreende em O Inverno da Alma é, sem dúvida nenhuma, a atuação forte e determinada de Jennifer Lawrence, que foi com razão indicada ao Oscar de Melhor Atriz, sendo uma grande pena competir com duas atrizes tão fortes como Natalie Portman e Annete Bening. John Hawks que faz um velho parceiro do pai da menina no filme recebeu uma indicação também, mas nem achei grandes coisas.

Não recomendo o filme para quase ninguem, só para o povo cinéfilo mesmo (não me enquadro nesse grupo), daqueles que adoram um filme de arte francês e filmes pós-modernos de Israel. Realmente não vejo uma chance sequer desse filme levar o Oscar de Melhor Filme.

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cisne Negro- A Dança da Morte com seu lado Negro

Mais uma grande aposta para o Oscar desse ano é o novo filme de Darren Aronofsky, Cisne Negro, que adentra no mundo do balé e principalmente no âmago da alma da bela, para não dizer gostosa, Nina (Natalie Portman) uma bailarina dedicada que consegue o grande papel de Cisne Rainha na nova montagem de O Lago dos Cisnes, tendo seu trabalho dobrado já que interpretará gêmeas antagônicas: a doce e bondosa Cisne Branco, e a pervesa e sexual Cisne Negro. Nina tem todas as características do Cisne Branco, ela é meiga, delicada, amavel, e beira a perfeição, porém seu auto controle é tanto que a impede desenvolver bem o papel de Cisne Negro, cujas características se assemelham mais a sua colega da companhia de balé, Lily (Mila Kunis) que é espontanea, sensual, debochada e até mesmo maliciosa. Com o tempo, Nina mergulha mais no seu papel de forma obcecada, passando a ter alucinações e entrando em contato com seu lado negro, até a transformação total onde nem ela se reconhecerá mais.

Com um roteiro magnífico, Aronofsky brinca com a mente do telespectador fazendo ele duvidar de tudo até o seu intrigante final, já que nossa protagonista permeia o tempo todo entre o mundo real e seu imaginário pertubado pelo Cisne Negro, fazendo com que entremos em suas alucinações junto com ela, o que é sensacional! O jeito que o diretor aborda o tema de bem e mal é realmente notável, nos faz pensar qual lado que verdadeiramente vale a pena, se é que um dos dois vale a pena, e ainda filosofa sobre o que é perfeição realmente, já que ser bom e correto nos dias de hoje não são o bastante para ser considerado perfeito. Além disso, o filme todo se sobrepõe a história do Lago dos Cisnes, fazendo uma ótima metalinguistica com seus personagens seguindo a ideia que Nina é o Cisne Branco, cuja irmã gêmea Lily, o Cisne Negro, quer roubar o seu lugar na academia e seu principe, o diretor artistico do espetaculo, vivido por Vicent Cassel, e que no final, bem, vocês verão.

Entoando o brilhante roteiro temos duas atrizes que souberam administrar muito bem os seus papéis, traduzindo as caracteristicas de cada cisne (negro e branco) para os seus personagens sem se tornar forçado, mas sim natural. Mila Kunis tem uma sensualidade fora de série, não consigo imaginar outra pessoa no seu papel! O jeito que ela fala, que ela se move, tem uma sensualidade natural, o que a torna ainda mais forte! E Natalie Portman tira o seu fôlego no filme, não tenho nem palavras direito, ela é uma excelente atriz e esse papel caiu como uma luva pra ela! Ela é perfeita, tem um dos rostos mais lindos que eu já vi, e tem uma sensualidade contida que nos faz perder a cabeça! Sua progressão de certinha para maliciosa é muito bem delineada, Natalie a faz com maestria, sem perder o tom, o que com certeza lhe renderá muitos prêmios. Agora impressionante mesmo é ver as duas interagindo entre si, fazendo sair faíscas da tela de tão fortes que eram as cenas, seja cenas de discussão, olhares ou as de pegação (que são as melhores). A cena de sexo entre as duas é muito bem filmada, acelerou meus batimentos cardíacos, e ainda me deixou maluco, porque ela foi feita de tal forma que não sabemos se elas realmente transaram ou foi uma ilusão de Nina que estava na verdade se masturbando, transando consigo mesma! É uma cena para nunca mais se esquecer!

A parte artistica do filme é uma obra prima por si só! Os cenários muito bem feitos acompanham o clima da cena e sempre fazem os contrastes do preto e do branco, o que é brilhante! A fotografia sabe balancear muito bem os momentos claros e negros, e câmera captura com perfeição os movimentos das atrizes, dando o foco certo para o momento certo. O filme ainda conta com uma ótima maquiagem, que ajuda a dar o aspecto certo para as ilusões perturbadoras de Nina.

O legal de Cisne Negro é todo o jogo psicológico que ele cria, nesse ponto Aronofsky acertou em cheio, sabendo expressar muito bem os conflitos de uma mente inquieta de uma suposta bailarina perfeita, que na verdade sofre com a pressão que sempre lhe foi imposta pela mãe e até por si mesma, que a travava muito, a impedia de fazer o que realmente queria, descartando qualquer hipótese de ela tomar alguma atitude por impulso. Quando ela entra em contato com seu lado negro, no caso a sua rival/amante Lily, ela se liberta, se torna agressiva, impulsiva, passa a encarar a vida de frente e se permite ter mais prazeres. Essa transgressão se reflete muito bem no seu psicológico que vira do avesso e é belamente mostrado para nós pelas mãos do gênio Darren Aronofsky.

Cisne Negro é um filme impactante, acho que é essa a palavra que melhor o descreve: impacto. Nós somos completamente envolvidos pela trama, não há um momento sequer que nos desconcentremos dessa história tão densa e fascinante que a cada segundo que passa se torna mais sombria e viceral. Recomendo a todos aqueles com cabeça para pensar e que esteja disposto a enfrentar um thriller diferente que adentrará na sua mente e talvez nunca mais sairá, convidando você para uma dança da morte eterna com o seu lado negro, que talvez você nem conhecesse (sinistro). Recomendo esse filme até para você, machão que não quer ver o filme porque é sobre bailarinas e isso afetará a sua suposta masculinidade, larga de ser viado e assista a essa obra prima moderna do brilhante Darren Aronofsky.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Manhattan-Pelo o que vale a pena viver

Uma das maiores marcas do célebre Woody Allen é o seu cenário predileto: Nova York! Nos seus filmes mais famosos e referenciais os personagens habitavam essa fascinante cidade que tinha o clima perfeito para as histórias neuróticas de Allen. O amor de Woody por NY é tão grande que ele fez um filme dedicado a cidade, “Manhattan”, uma de suas obra primas que mostram os relacionamentos complicados que surgem nessa tão misteriosa e agitada cidade.

As relações que se desenrolam no filme giram em torno de Isaac Davis (Woody Allen), um roteirista de um progama televisivo que namora uma menina de 17 anos, Tracy (Mariel Hemingway), mas que está insatisfeito com ambos (o emprego e a garota). Até que ele conhece a amante de seu melhor amigo, Mary (Diane Keaton), uma atraente e inteligente mulher que também se interessa por ele, iniciando assim um caso a parte, o que vai agitar bastante as coisas na vida de todos esses habitantes complexos de Nova York.

Sem perder o seu bom humor critico, Woody Allen tece uma envolvente história de casais se entrelaçando de modo que te entretem e ao mesmo tempo te faz pensar sobre o que realmente vale a pena viver, sendo uma verdadeira jóia do cinema americano. Outras marcas da era de ouro de Allen também estão presentes, como personagens neuróticos, trilha sonora a base do bom jazz e dialogos longos e referenciais que enchem tanto os olhos.

O legal desse filme é a visão retratada sobre os relacionamentos de hoje em dia, onde compromissos e valores não importam tanto e o que se busca na verdade é uma necessidade de aceitação do próximo, desmascarando toda a pseudo segurança das pessoas, mostrando como elas são inseguras e frageis, fazendo com que elas busquem relacionamentos que não queriam realmente, mas que forçam pela simples necessidade de afeto e atenção. Woody Allen é o Freud do cinema.

Por mais que a história gire em torno dessas complicadas relações, na maior parte das vezes, o que a câmera está focando não são os atores (excelentes diga-se de passagem), mas sim a cidade, seus pontos turisticos e seus melhores angulos, que se tornam verdadeiras obras de arte sobre a fotografia preto e branco muito bem escolhida por Allen.

Sem muitas delongas, Manhattan é um filme obrigatório para todo bom cinéfilo, ainda mais aqueles que apreciam uma boa comédia dramática reflexiva, coisa que Allen faz como ninguém. A sensação que temos após o longa é de compreensão e ao mesmo tempo confusão interna de pensamentos, e percebemos que o que vale na vida são as coisas que amamos de verdade, que nos fazem bem, e que nos amam de volta. Manhatan é um espelho das relações amorosas modernas.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

A Outra Face- A Identidade é uma arma letal!

Dos filmes de ação que costumam passar no “Domingo Maior” este talvez seja um dos mais inteligentes, que conta com a direção de John Woo e no elenco com Nicholas Cage e John Travolta que trocam de personagem, ou melhor, de rosto, e nos dão excelentes provas de boa atuação e convicção

A história do longa é fascinante. Temos como protagonistas o agente especial do FBI Sean Archer (Travolta) que é obcecado por capturar o grande terrorista Castor Troy (Cage), que á um tempo atrás matou acidentalmente seu filho. Numa emboscada, Sean consegue pegar Castor, mas este entra em coma, e Archer precisa de provas mais concretas sobre o plano terrorista de Castor para prendê-lo e evitar a explosão. Então, para conseguir essas provas, Sean se submete a uma cirurgia em que ficaria com o rosto de Castor, para assim arrancar a informação do plano com o irmão do terrorista. Mas para essa cirurgia, obviamente, era preciso tirar o próprio rosto, que ficou guardado numa capsula para depois retornar a cara de seu dono, porém Castor acorda do coma em que foi envolvido e quer respostas pela sua falta de rosto. O médico lhe responde a força, e percebendo a situação favorável, Castor manda que coloquem o rosto do agente nele, dando inicio a um jogo de identidade e perseguições que te deixará ligado até a cena final.

Com esse roteiro simplesmente brilhante, John Woo desenvolve um filme de ação excelente, repleto de tomadas de tirar o fôlego, crises de caráter e reviravoltas de explodir a cabeça! “A Outra Face” é muito bem filmado, os ângulos escolhidos pelo diretor nos fazem acompanhar bem as cenas, principalmente as de ação, o que resulta num ótimo entretenimento para os fãs do gênero. Os tiroteiros que permeiam o filme são bem armados, e não puro bang bang, além disso há vários confrontos “cara a cara” entre os protagonistas, que rendem excelentes cenas de tensão que dão ao filme o tom de suspense certo.

As atuações são formidáveis. A trama envolvendo a troca de rostos possibilita aos atores demonstrarem toda a sua versatilidade e feições, o que é um verdadeiro presente para nós espectadores. Tanto Cage quanto Travolta tiveram um trabalho quase que triplicado, já que um teria que interpretar o personagem A (1), que troca de rosto e finge ser o personagem B (2), o ator A em questão teria que interpretar o B fingindo ser o A (3), ou seja, teria que captar o modo de como um fingiria ser o outro, coisa de mestre! Ambos se mostram eficientes no serviço de interpretar o personagem do outro, fazendo de “A Outra Face” um dos filmes mais fascinantes que eu já vi.

O legal desse filme é justamente a questão de como a identidade de uma pessoa é importante, e mais ainda, como nosso jeito de agir está sujeito a fatores exteriores, seguindo a brilhante teoria que uma amiga minha não me deixa esquecer: DETERMINISMO, o meio determina o homem. Quando um está com o rosto do outro eles mudam de vida, as pessoas que os cercam mudam e sendo assim eles acabam, querendo ou não, mudando também, adquirindo caracteristicas que antes eles até repugnavam, gerando uma troca de identidade não só exteriormente mas também interiormente, sendo este o maior conflito que temos na tela. Vale citar também outra frase filosófica, “Quando se olha muito para o abismo, o abismo olha de volta”, o que representa muito bem a situação que temos no longa.

Recomendo com orgulho o longa para qualquer um que curte um bom filme de ação estando certo que a pessoa vai gostar desse excelente jogo de gato e rato onde saber quem é quem e principalmente saber quem se é, é fundamental para permanecer vivo até o final.

domingo, 31 de outubro de 2010

O Iluminado- Um Filme-Enigma Multi-interprepretativo

Nesse especial que homenageia os filmes de terror, eu não poderia deixar de falar do meu filme favorito do gênero: O Iluminado. Pra mim não há filme mais impactante e bem feito do que este na categoria terror, Kubrick soube usar muito bem as suas técnicas de filmagem para criar um longa de terror psicológico que atormentará muitas mentes eternamente.

 

Sendo um dos filmes que mais gosto acabarei me atrapalhando na sua descrição, dizendo coisas inuteis, perdendo o fio da meada, então colarei uma sinopse da net aqui, é melhor pra mim e para vocês :D Lá vai: Durante o inverno, um homem (Jack Nicholson) é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher (Shelley Duvall) e seu filho (Danny Lloyd). Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais sérios e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado, que também foram causados pelo isolamento excessivo.

 

Caracterizado por mim como um filme enigma multi-interpretativo, O Iluminado tem um roteiro magnifico que te envolve de modo incondicional, nada mais do que esperado de um filme baseado num livro do mestre supremo Stephen King. A história nos apresenta fatos que sugerem muitas coisas, que as vezes não se conectam entre si, mas independentemente fazem “sentido”. Ao chegar ao final, temos pelo menos 3 interpretações de tudo que vimos, uma mais sinistra que a outra, e uma deixando mais dúvida do que a outra. Realmente não conseguimos nos basear num fato firme e concreto para poder dizer o que aconteceu de verdade no misterioso hotel. Mais para frente no post farei uma zona de spoiller dizendo a minha interpretação do filme. O Iluminado é mais um filme que mostra com perfeição que os piores monstros da humanidade é o próprio homem, que basta um empurrão num momento de fraqueza para adentrar as trevas e se tornar um ser cruel e inconsciente.

 

No campo das atuações esqueçam todos os outros e concentre-se em Nicholson, ele rouba a cena com categoria, incorporando um perfeito homem em decadencia emocional que cai no abismo da insanidade, transpirando insensatez em seu olhar que chega a gelar a espinha. Por mais que Jack seja realmente um excelente ator temos que levar em conta o seguinte, fazê-lo interpretar um maluco é o mesmo que fazer a Bruna Surfistinha interpretar uma prostituta, então daí deduzimos a excelencia de seu trabalho em O Iluminado.

 

A movimentação das câmeras durante o filme é sensacional, perseguimos perfeitamente os atores percorrendo o hotel, seja em tomadas rápidas ou lentas, tendo uma visão ampliada do espaço em questão e admirando toda a beleza do cenário meticulosamente arrumado pelo perfeccionista Stanley Kubrick. Outro fato que podemos perceber no posicionamento das câmeras é a simetria que Stanley sempre quer mostrar, que só se perde quando a lucidez vai embora e dar lugar ao medo e ao terror por ter um lunático te perseguindo, isso é genial. Dá pra ver perfeitamente o quadro armado por Kubrick, o ator fica no meio certo da tela, dos seus 2 lados temos 2 objetos de decoração iguais, como se a imagem direita fosse um reflexo da esquerda, nos dando uma cena cuja simetria incomoda, criando o clima de tensão certo. As cores fortes usadas no hotel também colaboram muito com isso, o vermelho sangue que cobre as paredes parecem sair da tela nos causando muito desconforto, que é justamente o objetivo do diretor. Além disso, Kubrick usa o recurso de imagens soltas passando na tela rapidamente para desenvolver nosso psicológico para o terror que está por vir. As imagens chocantes te pegam  desprevenido, rendendo bons sustos, e ainda fazem questão de não sairem da sua mente por um bom tempo, sendos essas as cenas mais fortes que se guarda do filme. Outra coisa que mexe bastante com a nossa cabeça é a trilha sonora visceral que dá o ritmo de suspense perfeito para as cenas angustiantes de perseguição. As vezes até a ausencia de trilha ajuda a compor o suspense da cena, como exemplo os momentos em que só ouvimos o barulho do velotrol de Danny percorrendo o hotel, silenciando ao passar num tapete e voltando a fazer a barulho ao passar pelo piso de madeira, até nos depararmos com as sinistras irmãs gêmeas fantasmas. A trilha tem a incrivel habilidade de reproduzir o barulho que seria a mente de uma pessoa se entregando a loucura, num ritmo frenético, aumentando cada vez mais o som, adentrando no labirinto insano da mente de Jack. BRILHANTE!

 

Para tentar acalmar aqueles que terminaram o filme sem ter mais noção de nada, como se tivessem perdido o chão, aí vai a minha interpretação na ZONA DE SPOILLER!!!

-----------------------------------------ZONA DE SPOILLER--------------------------------------------

Na minha concepção, sim, o menininho realmente tinha poderes especiais, que viam não só o passado como o próprio futuro, e ainda se comunicava com os seres que habitam o hotel eternamente, ponto. As “pessoas” que aparecem no hotel aos pouco não são meras ilusões de Jack, uma vez que elas abrem portas, machucam o menino e aparecem para todos, incluindo Wendy, que até então estava sã, ponto de novo. O grande lance é que o seguinte, o hotel tem vida própria e vida residindo nela, por assim dizer. No grande baile de 1921 que ocorreu lá deve ter acontecido alguma chacina ou sei lá, algo que matasse todos os convidados, que depois passaram a residir o local como espiritos, e sendo seres que não partiram em paz eles querem companhias, no caso, todos os zeladores que passam pelo hotel no inverno, fazendo com que eles sucumbam a loucura psicótica, matando os familiares e se matando, para assim a grande “familia” do hotel aumente. Seguindo essa teoria podemos ver que Jack foi o primeiro a sucumbir, devido a sua fragilidade emocional ligado ao seu passado alcoolatra, que o fez facilmente perder o controle, acreditando nos fantasmas que via, e obedecendo a eles, “corrigindo” a sua familia. Outra coisa que podemos relacionar a isso é o fato do hotel ter cores muito “vivas”, entendem? Isso quer dizer simbólicamente que o hotel tem vida, e se você for notar, parece que as cores vão mudando ao longo do filme, ficando mais fortes, de onde podemos perceber a tal vida do hotel. A força do lugar é muito forte, de modo que eles nem chegam na verdade a convencer Jack, mas sim incorporá-lo, percebemos isso no jeito dele de falar, que se parece com os fantasmas a sua volta. E isso tudo se conclui no enigmático final, em que aparece Jack na foto do baile de 1921, explicando que agora, com ele morto, ele faz parte do hotel, ele é mais uma alma que penará pela suas paredes, se unindo a sua nova “familia”, que provavelmente aumentará no próximo inverno.

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Com certeza, qualquer um que ver o filme terá uma visão diferente, o que é o mais interessante do longa, permitindo diversos pontos de vistas, que se relacionam com muitas coisas do sobrenatural, sem perder a postura e o nexo, fazendo de O Iluminado uma obra prima do terror que muito dificilmente será superada no futuro. Recomendo o filme com orgulho, esse é o tipo de filme que deve ser assistido independente do gosto, é genialmente bem feito e atrativo. Se você for ver apenas um filme de terror nesse halloween, que seja O ILUMINADO!

Here is a master piece!

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Donnie Darko- O Tempo É Estranho

O tempo é realmente algo fascinante. Mesmo que tentemos medi-lo com relógios e calendários, ele é algo que não podemos tocar, e as vezes nem sequer sentir, ele simplesmente passa frenéticamente sem parar. No enigmático cult Donnie Darko, o tempo e suas propriedades ganham foco numa narrativa que faz o telespectador pensar bastante no sinistro jogo de causas e consequências da vida.

 

A estranha história do longa gira em torno do estranho adolescente Donnie Darko, que vive uma vida peculiarmente normal e entediante até o dia em que tem um sonho com um coelho medonho, e num processo de sonambulismo saí do seu quarto e salva-se da morte eminente da queda de uma turbina de um avião em cima da sua cama. Depois desse “milagre”, Donnie passar a sonhar frequentemente com o tal coelho estranho, que insiste em dizer a data do fim do mundo e lhe induz a fazer coisas bizarras para chamar a atenção, o que acaba por afetar a vida das pessoas ao seu redor. Com o passar do tempo, Donnie começa a entender o que está acontecendo, e depois de uma conversa com o coelho bizarro, passa a querer saber mais sobre viagens no tempo, o que fará com que ele entre num enigmático jogo em que ele tomará a decisão mais importante de sua vida.

 

Com um roteiro conciso e confuso, Donnie Darko não perde tempo em muitas explicações, as conclusões sobre o que está acontecendo no filme fica a cargo do espectador, o que pode deixar muitas pessoas perdidas durante todo o filme. Fazendo uso de uma inteligência absurda, o roteirista cria um perfeito círculo de acontecimentos onde não há erros de continuidade nem falhas no sistema, o que o filme propõe é bem realizado, como tinha que ser. Os diálogos são bem estranhos, mas condiz bem com a atmosfera do filme que é sem sombras de dúvidas estranha, já que nela temos personagens estranhos, com histórias estranhas, e principalmente com um coelho bizarro e assustadoramente estranho.

 

As atuações do longa são bem legais, nada muito a exaltar. Jake Gyllenhaal está bem no papel principal, e Drew Barrymore e Patrick Swayze fazem ótimo trabalho em seus papéis secundários. O que estraga um pouco filme é a atuação deslocada de Jena Malone, que realmente ficou um pouco forçada.

 

O que importa mesmo em Donnie Darko é a sua genialidade ao tratar sobre o tema “tempo”, que está relacionado a muitos outros, como destino, escolhas, ações e reações. Tendo isso em mãos, o roteirista elaborou uma história cujo final impactante deixa todos perplexos com tudo aquilo que viram, e faz com que reflitam sobre suas próprias vidas, ou melhor sobre a vida em geral, que é realmente muito estranha se pararmos para analisar. Por ser um filme sem explicações não conseguimos entender tudo logo na primeira vez que se vê, mas graças a internet podemos compreender melhor tudo que vimos em poucos cliques. No próximo post virá um esquema explicando muito bem todos os fatos de Donnie Darko, acalmando todas as dúvidas existenciais que surgirão após o longa. Depois de verem o post eu tenho certeza que vocês pararam por um minuto, respiraram fundo e exclamaram um belo e sonoro “Que foda!”. A explicação é de cair o queixo, tudo é muito bem calculado para encaixar no esquema, e funciona, além de esclarecer o final simbólico que ganha uma dimensão ainda maior com a explicação, que já era incrivelmente legal devido ao fundo músical de Gary Jules e sua música melancólica e densa Mad World. Tudo isso faz de Donnie Darko um dos filmes mais inteligentes/intrigantes da história, explicando conceitos  que nunca paramos para pensar ou analisar.

 

Na minha opinião singela Donnie Darko é muito bom, beira a excelência, mas pelo que diziam desse filme eu esperava mais em tela, digo, eu pensei que era ainda mais reflexivo e explicativo, fazendo-nos entender cada nuância do longa, então por isso não foi um dos filmes mais excelentes que eu já vi. Numa comparação, entre filmes de viagens no tempo, prefiro Efeito Borboleta, que de certa forma bebeu da água de Donnie Darko, mas (na minha opinião) foi melhor elaborado. Não recomendo a todos, não mesmo, esse tipo de filme é para pessoas que gostam de ficar uma boa parte do tempo sem entender nada e ir assimilando as coisas aos poucos, além disso, toda estranheza que ronda o filme pode perturbar os mais blockbusterianos, então indico Donnie Darko para cabeças pensantes que curtem longas peculiares. Depois de ver Donnie Darko (e ler a explicação), você se sentirá atônito, ficará desolado talvez, mas principalmente verá as coisas de um novo jeito, de um jeito estranho…

Boa sessão

domingo, 12 de setembro de 2010

Vicky Cristina Barcelona-Épico Sensual!

Woody Allen é um cara sensacional. Me desculpem por essa atitude de fãnatico, mas é algo inegável, Woody é um cineasta genial quando se trata de comédias dramáticas ou de dramas cômicos, ele é praticamente infálivel! Conhecido pelo seu padrão de história passada em NY, onde o que está em foco é um relacionamente peculiar entre um homem neurótico e uma mulher complexa, Woody Allen estabeleceu sua marca no cinema de filmes nesse estilo. Mas ultimamente, ele tem se aventurado e se desafiado a mudar, e posso afirmar, está conseguindo manter a excelência.

 

Em Vicky Cristina Barcelona, Woody abandona sua querida NY e parte para as belas ruas de (adivinhem) Barcelona. Lá seus personagens tecem suas histórias entrelaçadas de forma deliciosa e provocativa. No centro temos Vicky (Rebecca Hall) uma mulher certinha que está prestes a se casar e vai a Barcelona estudar artes com sua amiga Cristina (Scarllet Johansson) que acaba de se sair de um relacionamento errante e quer partir para outro, sendo ela um pouco mais atirada. Num restaurante de lá elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um artista charmoso e direto que as convida sem muitos rodeios para que elas voem com ele para Oliviedo para que elas fiquem na casa dele durante o verão. Vicky destesta a ideia e também o cara, ao contrário de Cristina que se apaixona de cara por ele e acaba convencendo a amiga de ir para a casa dele, e assim o fazem. Muitas coisas acontecem, até que a história chegue num ponto em que Vicky após se entender melhor com Juan se apaixona por ele e fica com remorso por ser comprometida, ele também se apaixona por Vicky, mas também passa a gostar de Cristina, que vai morar na casa dele por também estar apaixonada por este. Como se a situação não estivesse complicada o bastante, chega a ex-mulher problemática (e extremamente gostosa) de Juan, María Helena (Penélope Cruz), para morar na casa dele, já que esta tentou suicidio. Então com essa complicação toda Woody Allen se diverte dando diversos rumos para a trama e filosofando sobre a vida, o amor, as relações, o sexo, a sociedade e todo o resto.

 

Vicky Cristina Barcelona é sem dúvida um filme charmoso até a sua cena final. Woody Allen tem um toque que consegue dar elegância a qualquer trama que ele deseja elaborar, em qualquer lugarr, seja em New York, Barcelona, Londres, favela da rocinha, não importa, seus filmes sempre serão charmosos, e esse principalmente por ter um elenco impecável! Na boa, esqueçamos o Javier Bardem, ele tem uma boa atuação e tals, mas nossos olhos (nós homens e as lésbicas) estarão olhando apenas para o trio feminino enlouquecedor! Rebecca Hall é a menos bonita (o que já quer dizer que o resto é foda), ela não desenvolve seu lado sensual, seu papel é a de intelectual formal, mas não deixa de ser belíssima. Scarllet Johansson é uma perfeição, seu rosto, seu corpo, nossa, ela é fantástica e soube encarnar bem o seu papel, ficando com o segundo lugar de mais bela. Agora, com muita certeza que falo isso, Penélope Cruz é a mais sensacional de todas presentes no filme, e provavelmente no mundo do cinema! Sua beleza fora do comum, seu corpo bem modelado aos toques espanhóis, seu olhar  forte e convicto, e sua atuação arrebatadora faz dela uma atriz magnífica, porque acima de toda a sua perfeição ela ainda atua bem, então é do tipo com quem se casa (Penélope, quer casar comigo?). Sua personagem é a mais interessante de todas e caiu feito uma luva para ela! María Helena é uma mulher maluca, deprimida, auto destrutiva, mas encantadora ao mesmo tempo, e extremamente sensual em cada coisa que faz, ela rouba a cena sem dó nem piedade. Além disso, é mente aberta como Juan, e aceita um relacionamento a três juntamente com Cristina, o que nos dá belas cenas, poucas, porém belas cenas…

 

Uma coisa marcante em todo filme de Allen é a sua preocupação com o cenário e a trilha sonora, que nesse longa estão andando em perfeita harmonia. O lugar escolhido para a história é incrível por si só. As ruas de Barcelona são supremamente charmosas devido a sua arquitetura rústica, e isso somado a uma trilha sonora bem característica do país entonadas por guitarras espanholas faz de Vicky Cristina Barcelona uma verdadeira obra de arte requintada, do tipo que se aprecia tomando vinho numa noite fria.

 

Outra coisa que não podia faltar num filme de Allen são seus diálogos bem armados e naturais, que fogem um pouco do estilo paranóico dos seus filmes mais antigos e se tornam mais voltados as relações entre os personagens e as decisões que tomarão num caráter mais sexual, porque o longa no geral é bem sensual. Em Vicky Cristina Barcelona não temos os famosos monólogos neuróticos dos filmes de Allen, mas temos ótimas conversas que refletem sobre o que vale a pena na vida.

 

Mesmo sendo Woody Allen um gênio, não são todos que gostam do estilo dele. Muitos repudiam, até mesmo cinéfilos, acham que ele é muito enrolado e suas histórias sempre terminam como começaram, sendo assim, Vicky Cristina Barcelona não é o tipo de filme que recomendo a todos. Mas para quem gosta de comédias sobre relacionamentos complicados e arte, este é um excelente filme que agradará bastante com todo o seu charme, elegância, sensualidade e Penélope Cruz!

Scarllet Johansson+Penélope Cruz+Mente Aberta=épico sensual

sábado, 21 de agosto de 2010

Os Homens Que Encaravam Cabras- Que a força hippie esteja com você!

“Que porra é essa?” Deve ter sido a primeira coisa que veio na sua cabeça ao ler o título do filme baseado no livro homônimo de Jim Ronson, que abusa da criatividade e cultura hippie na sua história. Com um elenco de peso, formado por George Clooney, Ewan McGregor, Jeff Bridges e Kevin Spacey, essa comédia irreverente pode não agradar a todos, mas diverte aos bons entendedores de mentes abertas.

 

A história do longa é bem maluca, não tão maluca quanto o insuperável “Quero Ser John Malkovich”, mas se comparado aos filmes atuais, esse é o mais inusitado. Bob Wilton (Ewan McGregor) é um jornalista que foi abandonado por sua esposa. Para se recuperar do divórcio, ele aceita a tarefa de cobrir a guerra no Iraque. Lá ele conhece Lyn Cassady (George Clooney), que diz ser um vendedor. Ao saber seu nome Bob logo se lembra de uma entrevista que fez, meses antes, com Gus Lacey, que dizia que conseguia matar animais apenas com o poder da mente, ao encará-lo. Ele ganhou esta habilidade ao integrar um setor especial do exército americano dedicado a estudos psíquicos, liderado por Bill Django (Jeff Bridges) e que tinha Cassady como seu principal pupilo. Bob conta o que sabe a Cassady, que lhe confirma a história. Ele na verdade está no Kuwait em uma missão secreta e precisa entrar escondido no Iraque. Animado com o furo, Bob o convence a ir junto. É o início de uma trajetória que fará com que Bob conheça melhor o Exército de Terra Nova e os poderes de seus integrantes.

 

Como podem ver o roteiro é bem armado, embora haja momentos meio arrastados e sem a mínima graça. Mas de um modo geral, o longa é bem interessante. Há ótimas piadas inteligentes e muitas das vezes irônicamente escondidas fazendo afiadas críticas, o que elevam o filme a um patamar de inteligência incrível. Além disso, o tema escolhido pelo filme é bem divertido, falando da onda hippie que, vejam só, chegou até ao exército. E o mais legal é que toda essa maluquice de poderes especias para supersoldados que conseguem matar o oponente apenas com a força do pensamento é tratado de forma séria até, mesmo se trantando de uma comédia, os atos são levados a sério, o que acaba ironicamente gerando ainda mais humor.

 

O elenco é ótimo. Os atores conseguiram o ritmo certo da insanidade levada a sério do longa, o que é o mais importante. Todos tem boas atuações, mas os que se destacam na tela é George Clooney, que está divertidíssimo em seu papel fazendo feições cômicas nunca antes imaginadas no galã, e ainda mantendo a elegância, Jeff Bridges que está um perfeito hippie, e Kevin Spacey que arrasa sempre e nesse filme não é diferente. Fazia tempo que não via o Spacey num filme atual, foi bom revê-lo, acho ele incrível, é um dos meus atores favoritos.

 

Além disso tudo, o filme ainda nos passa uma boa mensagem de renovação pessoal, bem no estilo hippie mesmo, profundo e ao mesmo tempo descontraído. O seu grande final, igualmente hippie, é sensacionalmente hilário, e te faz sair da sala de cinema com um belo sorriso no rosto cantando More Than I Felling da banda Boston. Eu recomendo o longa às pessoas que tenham a mente aberta, gostam de assistir filmes estranhos, não convencionais e que principalmente gostem ou pelo menos entendam piadas políticas e Star Wars (sim, Star Wars também ta no meio). Tendo esse perfil “Os Homens Que Encaravam Cabras” se torna um prato cheio! Inteligente, inusitado, hilariante!

domingo, 15 de agosto de 2010

Revólver- Muito mais que um mero filme de ação

Guy Ritchie é um diretor que já marcou sua presença no mundo do cinema com seu estilo único de edição e velocidade na hora de contar uma história com seu filme mais famoso, Snatch. Mas, em minha singela opinião, é em Revolver, um filme que se disfarça bem de apenas mais uma ação clichê, que Ritchie demonstra toda a sua genialidade num roteiro brilhante que se mostra inteligente em cada cena.

 

A história concisa e rápida do longa gira em torno de Jake Green (Jason Statham), um jogador inveterado, audacioso, com muita sorte, mas pouco dotado de senso. Está proibido de jogar em diversos casinos por uma razão simples: Jake ganha sempre. Quando estava preso na solitária, conheceu dois criminosos que lhe ensinou uma técnica infalivel de se ganhar sempre em qualquer jogo, fazendo dele um grande jogador. Ao longo dos anos conseguiu tornar-se tão rico que é agora o único cliente de Billy (Andrew Howard), seu irmão e contabilista. Uma noite, Jake, Billy e o outro irmão Joe são convidados para um jogo privado. Nessa noite é esperado que Jake perca contra Dorothy Macha (Ray  Liotta), líder de um grupo do crime e proprietário de um casino. Mas ao contrário do esperado, Jake vence e humilha Dorothy e a partir daí instala-se a confusão na sua vida.

 

Eu, quando comecei a ver o filme, achei que era apenas um filme de ação whatever, história simples, tiroteios, perseguições de carro e só, mas me enganei, e nunca fiquei tão feliz em ter me enganado. A genialidade do roteiro é tamanha que eu nem sei explicar sem entregar o grande ponto forte do longa, então farei o seguinte, uma pequena zona de spoiller a seguir (nem estou plágiando nerdcast) despejando tudo que achei do filme, e depois o texto volta a sua habitual rotina de análise. Então:

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ZONA DE SPOILLER:

Achei incrivelmente foda a jogada que o filme faz com nossas mentes. O que começa como um simples filme de gangsters, se transforma numa obra-prima reflexiva à la Clube da Luta. O lance do ego ser nosso maior inimigo e que ele ser dessa forma o grande vilão do filme que não aparece, o temido Sam Gold, é genial. Não esperava algo assim tão profundo, e faz o maior sentido. A única pessoa que pode nos destruir é nós mesmos, ou melhor, nosso ego, que aje de forma que nós achemos que somos ele. Isso é brilhantemente demonstrado no longa pela narração em off dos personagens, que nós achamos no início ser apenas um recurso para tornar o filme mais dinâmico, quando na verdade representa o ego de cada personagem falando com ele mesmo ( a pessoa), coisa que só descobrimos no final, com o grande combate do longa, que ocorre entre Jake e seu ego num elevador parado. FODA! No final do filme, aparecem entrevistas com psicólogos a respeito do assunto (ego), e é realmente muito interessante isso tudo, porque nunca paramos para pensar sequer na real existência dele, pelo menos eu nunca fiz isso. É muito bizarro pensar que somos controlados por algo que achamos que somos nós, quando na verdade não é, chega a dar arrepios. O filme explica que o ego pode ser visto como o mal que existe dentro de nós, e até mesmo como o diabo, é a famosa voz na tua cabeça, muito sinistro. Eu ainda preciso rever o filme para entendê-lo melhor, há muita informação que passa despercebida na história, até mesmo pela sua velocidade, mas acho que ainda há mais coisas por trás. No filme há muitas cenas de jogo de xadrez, mostrando a tal fórmula de sucesso infalivel, e o filme todo parece um grande jogo de xadrez por metáforas, não sei explicar, mas consigo perceber algumas coisas relacionadas, alguns personagens que se assemelham as peças. Se for realmente isso, Revolver pode ser o filme mais bem bolado dos últimos tempos! Sem mais nenhum spoiller a dizer, eis que termina aqui a ZONA DE SPOILLER!

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As atuações principais são normais, nada muito a exaltar. Statham nunca foi lá grandes coisas, nesse filme ele não chega a estragá-lo, ele mantem o ritmo e tem uma boa performance no clímax do filme. Digo a mesma coisa para Ray Liotta, no momento final, ele chega a impressionar. Agora quem rouba a cena de modo confiante e silencioso é Andre Benjamin, que interpreta com classe um dos criminosos que ajuda Jake, e Mark Stronger, que é um dos assassinos profissionais de Macha, que executa seus trabalhos com grande frieza e tranquilidade. Fora esses, o filme se sustenta mais na sua brilhante história.

 

O filme deve ser visto com muita atenção, ele é bem curto, e, como todo filme de Ritchie, é extremamente rápido, não perde muito tempo em explicações. O longa na verdade não explica muito os fatos, simplesmente os mostra, e cabe a nós pensarmos o porque daquilo tudo, sendo assim, pode ser meio confuso assistí-lo. É realmente um filme muito dinâmico, e a edição feita no longa contribui, e muito, para isso, o que é muito bom, as cenas de ação ficam incríveis com esse efeito.

 

Recomendo o filme às cabeças pensantes, tenho certeza que gostarão e admirarão muito esse longa, que levanta mais dúvidas do que responde. Como por exemplo: porque um filme tão brilhante recebeu o banal nome de um filme de ação qualquer, “Revolver”? Mas pode ter certeza, que depois de assistí-lo, essa será a menor de suas dúvidas…

 

“O maior inimigo se esconderá onde você menos espera”

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