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quinta-feira, 28 de julho de 2011

Harry Potter 7- This is the end…

It all ends. Nunca mais esperaremos ansiosos pelo trailer do próximo filme. Nunca mais correremos para as bilheterias ao saber que a pré venda de ingressos já começou. Nunca mais ficaremos horas nas filas das pré estreias rodeados de malucos vestidos a caráter. Nunca mais lutaremos com desconhecidos que conjuram Avadas Kedavras pelos melhores lugares na sala de cinema. Nunca mais escutaremos a tocante trilha sonora mágica enquanto o logo da Warner se aproxima. Nunca mais teremos a sensação que estamos cada vez mais perto do fim, porque, simplesmente, o fim já chegou.

Como podem ver, esse post será bem sentimental e fará uso de palavras terminais exaustivamente, uma vez que chegou ao fim a saga Harry Potter nos cinemas, talvez a mais importante série cinematográfica da minha geração. O último filme, como sempre, agradou muitos e desagradou vários, na eterna luta entre adaptação e original. Digo desde já que sou um sujeitinho de sangue ruim por não ter lido o livro, e dessa forma, adorei o filme e o analisarei como se não houvesse a série de livros. Além disso, não me preocuparei em esconder detalhes do filme, a partir de um parágrafo despejarei spoillers sobre a aventura final sem peso na consciência. Que o fim comece! (ahh terão várias frases de efeitos como essa também)

Na última parte da história do menino que sobreviveu, Harry, Rony e Hermione estão atrás das últimas horcruxes que restam para que seja possível destruir o poderoso Lord Voldemort de uma vez por todas, tarefa não muito fácil por simplesmente não fazerem ideia do que são e por poderem ser qualquer coisa. Enquanto o trio está ocupado com as horcruxes, Hogwarts está decadente sob o controle de Severo Snape, e o exército de Voldemort cresce a cada dia, deixando-o ainda mais forte para a inevitável batalha final. Últimos mistérios são revelados, e lados são enfim definitivamente estabelecidos, criando o momento angustiante onde apenas um pode sobreviver. (PAN PAN PANNNN)

[INÍCIO DA ZONA DE SPOILLERS]

Que trama magnífica foi criada com apenas uma cicatriz num sobrevivente da morte! Realmente me arrependo de não ter lido o livro, mas já vou consertar isso em breve. Nas suas 2h de duração, Harry Potter e as Relíquias da Morte parte 2, consegue nos impedir de piscar e respirar com gosto, arrancando suspiros de alívio, gargalhadas desesperadas, e palmas fervorosas em cenas que esperávamos a 10 anos! Quem leu meu post da primeira parte (umas 3 ou 4 pessoas) viu que, na minha opinião, para que a 2° parte ficasse boa, teria que ser em ritmo de clímax constante, e de fato foi isso que aconteceu! A batalha em Hogwarts tomou quase o filme todo, como devia ser, prestando atenção em detalhes primorosos que fizeram diferença na composição do longa. O tema do filme é a morte em sua essência, fazendo desta presente o tempo inteiro. Se preparem, personagens importantes vão morrendo em ritmo desesperador, e um erro do diretor foi não ter enfatizado algumas mortes para arrancar algumas saudosas lágrimas, como é o caso de Lupin, Tonks e principalmente Fred, mas enfim, não dá pra ser perfeito. A grande jogada desse filme é que nessa última parte, aconteceu tudo que nós queríamos que tivesse acontecido desde o primeiro filme. Citando algumas coisas temos o grande beijo de Rony e Hermione, que não foi nenhum selinho estilo Daniel Radclif; os professores de Hogwarts lutando contra os inimigos, fazendo deles bruxos badass, sendo a mais foda de todas a Minerva; a grande revelação sobre a vida de Snape, onde percebemos que ele sempre esteve do lado do Harry por amor a Lily Potter; e, na minha opinião, a melhor cena de todas, que foi a adorável Molly Weasley matando a Belatrix e proferindo com força digna de Samuel L. Jackson: “Not my daughter, BITCH!”.

Não podemos esquecer, é claro, do grande final, a luta entre Voldemort e Harry, que, sinceramente, não me agradou muito. Pra início de conversa, eu queria que o Harry morresse, mas isso nunca ia acontecer porque a Rowling não quer amanhecer morta. Se o Harry morresse, a série ficaria bem mais épica! Voldemort morreria também, é claro, mas Harry teria que ir junto, fazendo dele o maior herói de todos: aquele que se sacrifica. Nossa, ia ser uma chuva de elogios, os críticos iam adorar fazer comparações a Jesus Cristo e coisas assim, mas enfim, infelizmente todo blockbuster tem que seguir duas regras: final feliz e possibilidade de continuação. Voltando ao que realmente aconteceu, a luta dos dois não foi lá grandes coisas, foi bem rápida, nem metade do que poderia ter sido, mas não foi ruim a ponto de estragar o filme, então tudo bem.

Pra finalizar o filme, temos uma ceninha bem água com açucar, onde 19 anos se passaram, todo mundo casou e tiveram filhos que foram pra Hogwarts, e os grandes amigos se encontraram na Estação 9 3/4 vendo a nova geração seguir em frente. Esse foi o momento em que se apelou lágrimas, mas de mim não saiu nada, não esperava que isso acontecesse. Sei lá, pensei que ao chegar no final viria uma cena foda e nostálgica que me faria rever toda essa década e acabaria por arrancar algumas lágrimas, mas não. O momento mais tocante do filme foi mesmo as memórias de Snape, em que entendemos toda a sua história, seu amor escondido por Lily Potter, e sua posição na batalha que era de um espião duplo, confirmando o que eu digo a tempos, que o ele é o personagem mais foda e complexo da trama toda, que caiu como uma luva nas mãos do brilhante Alan Rickman.

Uma última observação na zona de spoiller: O HARRY É UMA MULA SEM CABEÇA COM RETARDO MENTAL! O viado termina com, nada mais nada menos, que: a pedra da ressurreição, a varinha das varinhas e a capa de invisibilidade, ou seja, as 3 relíquias da morte, ou seja, o demônio poderia se tornar o Senhor da Morte, o bruxo dos bruxos, o grande líder da nação, a mais nova paquita da xuxa se ele quisesse, mas nããããão, o que sequelado faz? QUEBRA A PORRA DA VARINHA DAS VARINHAS E JOGA LONGE!! A PEDRA FICA PERDIDA NA FLORESTA NEGRA! Ficando só com a capa da invisibilidade, provavelmente porque era presente do seu pai, o que vai ser útil pra ele se esconder da vergonha de não ter ficado com as coisas mais preciosas do mundo bruxo! Fazer o que né, mocinho tem que fazer burrice, se não não é mocinho, é vilão ¬¬

[FIM DA ZONA DE SPOILLERS]

Uma das coisas que sempre me irritou na série e estava presente nesse filme também é o roteiro seguir o “Harry Potter for dummies”, colocando o elenco todo para fazer perguntas óbvias para situar a platéia que já estava situada, além de fazê-los falar sozinhos para expressar suas brilhantes deduções epifânicas que todos nós já tínhamos feitos a 30 minutos atrás! Eu sei que por ser uma febre infanto-juvenil o filme tem que ser “compreensível” para crianças de 10 anos, mas por favor, elas são mais inteligentes que isso, e mesmo que não sejam, elas estão lá para ver efeitos especiais, dragões e vilões morrendo, não importando o “porquê”. Essa “bestialização” acabou estragando uma trama tão bem elaborada e criativa, reforçando a minha ideia de que se Harry Potter fosse feito para adultos, seria perfeito!

Bem, não tenho mais nada para dizer, é o fim. Não quero encher mais linhas sobre como esse filme foi importante pra mim e meu crescimento e etc tal, mas não posso terminar esse post sem dizer que vai fazer falta o convívio com os personagens da série e tudo que a envolve, é uma despedida triste com certeza. Tudo que nos resta são essas boas lembranças que a saga nos proporcionou e a certeza de que mostraremos todos os filmes e livros para nossos filhos um dia, que rirão da nossa cara cheia de lágrimas comovidas e diremos com nostalgia: “não se fazem mais sagas como antigamente”. Por enquanto, é isso, o fim, e nós, bem, ficamos órfãos, tendo a certeza de que com esse fim, não estamos voltando para casa, não mesmo.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Na Natureza Selvagem- Com vocês, a Verdade

Poucos filmes me fizeram chorar de verdade, já tive ânsia de choro em vários, mas chorar mesmo só em três filmes: Click, Toy Story 3 e Na Natureza Selvagem. Não porque eu faço o tipo machão que nunca chora, mas porque realmente é difícil eu chorar em filme, só esses três me fizeram escorrer lágrimas, e deles o mais emocionante é sem dúvida Na Natureza Selvagem, que é na minha opinião uma das maiores obras primas do cinema!

O filme dirigido pelo excelente Sean Penn conta a história real de Alex, um jovem idealista que cansado da hipocrisia de seus pais foge de casa para a vida! Ele junta suas economias e coloca um objetivo na cabeça: aprender tudo que é necessário para sobreviver na natureza sem usar muita tecnologia e ir viver no Alasca selvagem por um tempo. No caminho ele vai encontrando pessoas incríveis que te ensinarão grandes lições de vida que lhe farão rever seus conceitos e ver se tudo aquilo realmente valerá a pena.

Inspirado no livro baseado numa história real, Na Natureza Selvagem tem um roteiro impressionante, cheio de citações de escritores famosos filosofando sobre vida e a sociedade, nos fazendo refletir bastante. Somado a isso, temos atuações pontuais de Emile Hirsh como Alex, e William Hurt como pai dele, que pra mim tem a melhor atuação do filme. No final, o olhar dele passa tanta emoção que é o gatilho para que as lágrimas comecem a cair, é realmente um grande ator.

Ilustrando bem a grande aventura, temos uma fotografia exuberante, enquadrando belas imagens da natureza na sua forma mais livre, captando momentos de luz e escuridão, além de nos dar belos contrastes com a luz do sol. Outro ponto técnico excelente é a trilha sonora entoada pelo vocalista do Pearl Jam, cujas músicas traduzem bem o momento em que a história se encontra.

Na Natureza Selvagem trata de vários assuntos ao longo da jornada de Alex, temos na história filosofias sobre a família, a sociedade, o materialismo, o amor, o certo, o errado, o trabalho, em resumo, sobre a vida. Alex sai de casa por não agüentar a hipocrisia dos pais e tudo aquilo que eles prezam, que pra ele não faz sentido algum, como status, carreira, dinheiro, e até mesmo família, já que a sua é seriamente desestruturada e representa pra ele um órgão opressor e controlador, e não protetor e acolhedor. Porém, no seu caminho, ele passa por um verdadeiro processo de renovação espiritual, encontrando pessoas extraordinárias que o acolhem como uma família, fazendo-o ver as coisas de um jeito diferente. Quer dizer, em termos, porque ele passa a não ver a família mais como uma instituição falida, acha apenas que exclusivamente a sua é. Na melhor passagem do filme (em minha opinião), Alex conversa com um senhor de idade sobre Deus, ele, como bom revolucionário não acredita, e o senhor de idade lhe dá a melhor definição de força superior que eu já vi, e a cena termina de uma maneira incrivelmente tocante, se tornando a referencia do filme pra mim. Alex caracteriza bem o espírito jovem ao rejeitar qualquer tipo de controle, seja dos pais ou da sociedade, e se rebelando contra eles, mas como todo jovem, as vezes comete erros pela empolgação, não enxergando precipícios eminentes e perdendo totalmente o objetivo de sua causa. Essa é a grande moral que o filme quer passar, quando chegamos no final, depois de ficarmos atônitos com a belíssima cena conclusiva e deixamos os créditos subirem sem nos movermos para trocar de canal ou desligar o DVD, ficamos pensando: será que tudo isso valeu a pena? Ele conseguiu a sua liberdade, mas a que preço? É triste, mas o final desse filme simples e revolucionário é moralista, totalmente moralista. Ele acaba com os sonhos. É pessimista. Mostra que o sistema é mais forte, ainda é mais forte. Na Natureza Selvagem tem grandiosas lições de vida, mas a maior delas é que no final não importa, tudo é em vão. Mas, com um ângulo mais otimista sobre o filme, talvez a grande mensagem seja que o que importa não é o destino, e sim a viagem, que é o que realmente ocorre. Enquanto não chega ao Alasca, Alex se sente vivo e pleno ao se relacionar com essas pessoas, pessoas que passam a representar sua família, de um modo que a sua verdadeira família nunca conseguiu representar pra ele. Sendo assim, podemos perceber que o filme é ambíguo em sua mensagem, escolha aquela que preferir, ou fique com as duas, sua visão sobre o mundo será ainda melhor.

O longa com certeza não é para qualquer um, é preciso ter uma mente aberta e pensante para compreende-lo por inteiro, então assista-o com bastante calma, num dia que você esteja disposto a raciocinar, mas não passe a vida sem vê-lo, por favor. Mesmo com um final cruelmente triste e destruidor de sonhos, Na Natureza Selvagem é um dos melhores filmes já feitos, e com certeza um dos mais belos, não por nos apresentar um mundo maravilhoso, mas por nos apresentar a verdade.

domingo, 24 de abril de 2011

Minority Report- O Futuro é Certo [?]

Que Steven Spielberg é um cara foda, todos nós sabemos. Que ele é o rei dos blockbusters e responsável por toda a banalização do cinema para fins lucrativos também sabemos. Mas o que temos esquecido (e ele também) é que ele já fez coisas realmente muito boas, e uma delas, que poucos falam, é Minority Report, um filmaço de ficção cientifica policial que mexe com vários temas e nos deixa ligados até o fim. Minority Report é um filme que NÃO PODE ser esquecido de maneira alguma!

A história inteligentíssima gira em torno da agência Pré Crime, que conta com 3 gêmeos “videntes”, os pré-cogs, que prevêem futuros crimes, e assim, os agentes são capazes de impedir o criminoso antes do ato em si, garantindo a “segurança” nacional. Nenhum crime tem ocorrido desde sua implantação, e a eficiência do agente John (Tom Cruise) tem contribuído para isso. Tudo vai bem até que os pré-cogs prevêem John assassinando um homem, um homem que até então John nem conhecia. Quando John fica sabendo disso, entra em desespero e foge em busca de respostas, e de segurança própria, já que agora toda a agência está atrás dele, afinal, o sistema é perfeito, não tem e nem pode ter erros, e o destino de John tem que ser confirmado, se não toda a agência entrará em caos.

O brilhante roteiro é baseado no livro do genial Phillip K. Dick, responsável também por Blade Runner, e é muito bem conduzido por Spielberg, colocando em tela todo o suspense do livro. A história em si é muito bem elaborada, ao longo do filme percebemos que vários crimes que nos são apresentados “a toa” na verdade estão interligados de maneira tal que um não teria acontecido se não fosse pelo outro, e a rede de mistérios formada é resolvida apenas no segundo final, onde contemplamos toda a genialidade de Dick ao bolar tudo isso.

E o legal de todo o filme é a questão do “futuro” que ele debate. Ao prender um futuro criminoso, os agentes poderiam estar cometendo uma grande injustiça, afinal o sujeito ainda não tinha consumido o ato em si, mas de qualquer forma o prendem e previne a sociedade do possível crime. Então aí vem a questão: o nosso futuro está escrito? O sistema responde que sim para não haver falhas, mas se contradiz, já que os agentes impedem o crime e mudam radicalmente o futuro. Temos um impasse. Quando John descobre que irá matar alguém que nem conhece em 30 horas ele vai atrás de respostas, e cada caminho que pega para isso acaba o conduzindo para a cena do crime previsto e ele no final o comete. Aí então temos 2 dilemas: primeiro, se ele não soubesse que iria cometer o crime, ele simplesmente não o cometeria, ele não chegaria no lugar do assassinato com uma arma na mão, ficaria em casa se drogando e ponto; e segundo, ele sabendo do crime, ele também poderia evitá-lo ficando em casa se drogando, ou seja ele tinha a escolha, mas mesmo assim o fez. E agora? Somos realmente donos dos nossos destinos ou estamos a mercê deles? Será que mesmo quando tomamos escolhas “diferentes” o destino já se encarregou de mudar seu caminho para o lugar que deve ser segundo ele? Haha, é realmente de pirar mesmo, o filme consegue fazer a gente refletir bastante sobre isso tudo e nos deixa no chão, em posição fetal sem a menor sombra de resposta. Philip K. Dick é o mestre em fazer isso, né Blade Runner?

Gosto desse filme também pelo “futuro segundo Steven Spielberg”. Nem preciso dizer que o filme é cheio de efeitos especiais, mas como já disse, afirmo que são da melhor qualidade! Os cenários são bem tecnológicos, mas não piram loucamente a ponto de ficar parecendo os Jetsons! O filme se passa em 2046, sendo assim, aqueles que podem tem acesso a tecnologia avançada e os outros continuam com a vida mais ou menos como estamos agora. Além disso, as casas permanecem um pouco aos moldes de hoje, nada muito extravagante com luzes por todo lado e portas que se abrem com comando de voz, o que dá realidade e bom senso ao longa. Spielberg foi esperto em usar uma fotografia iluminada nesse ponto, conseguiu mostrar que é um filme do futuro sem perder as estribeiras, demonstrando toda a sua maestria na direção.

Minority Report merece tomar 2h20 do seu tempo, sua genialidade misturada a um thriller de tirar o fôlego faz do filme uma verdadeira obra prima de Spielberg que vai abalar as suas estruturas com uma concepção de futuro diferente do que vimos até agora! E como se isso fosse pouco, ainda faz você refletir bastante sobre a vida e os caminhos que nós pegamos. Será que seríamos assim se tivéssemos virado a direita e não a esquerda? E se tivéssemos tomado a pílula azul?

segunda-feira, 14 de março de 2011

Onze Homens e Um Segredo-Roubar é uma arte

Filmes de grandes roubos sempre são interessantes, os planos perfeitamente calculados e as viradas sensacionais no final sempre são emocionantes e fazem você exclamar “PUTA QUE PARIU” com gosto. O filme símbolo desse gênero é sem dúvida Onze Homens e um Segredo (mais recente), que junta um elenco carismático e de peso para contar a história do grande roubo de 3 cassinos numa única noite. Não vi o filme original com Frank Sinatra e Cia, por isso não vou saber dizer se esse é melhor que o outro, só vou dizer que esse é bom.

Daniel Ocean (George Clooney) acaba de sair da prisão e a única coisa que pensa é em voltar a ativa (será?), e para isso precisa reunir um bom grupo para aplicar o golpe do século: roubar o dinheiro de 3 cassinos de uma só vez! Aos poucos Daniel vai reencontrando velhos aliados como (Brad Pitt), (Bernie Mac) e (Don Cheadle), além de contratar novos como (Matt Damon). Cada um terá uma função essencial para adentrarem no grande cofre e sair de lá com a grana sem serem notados. Tudo seria relativamente fácil se o cassino não pertencesse ao inescrupuloso (Andy Garcia), que não só controla seus negócios com mãos de ferro, como também agora está com a ex-mulher de Ocean, Tess (Julia Roberts), o que vai pesar bastante no funcionamento desse grandioso roubo.

O que diferencia esse filme dos tantos outros do gênero são duas coisas: o elenco  perfeitamente escolhido, é legal ver todos esses grandes atores juntos interagindo na tela; e a astúcia do golpe, somos conduzidos a achar que será de tal modo, mas na hora a situação vira do avesso e dá tudo impressionantemente certo, ficamos dando risadas no final por não conseguir entender como fomos enganados, estava tudo tão claro! Embora tenhamos que engolir muitos “chutes” hollywoodianos para que aquilo tudo fosse possível no mundo real, o filme é uma ótima diversão para fechar a noite com muito estilo. As grandes doses de humor no roteiro, muitas vezes irônico e negro, deixam o filme ainda mais interessante e essencial para qualquer um que goste do gênero.

Como uma grande diversão estilosa e bem feita, Onze Homens e um Segredo é um filme memorável! O grande elenco sustenta perfeitamente bem toda a história sem ninguém ofuscar ninguém, o que o faz uma grande pérola do cinema americano e merece ser visto por todos, sem exceção! Esqueçam as penosas continuações e fiquem só com esse primeiro filme que vai explodir a sua cabeça com o brilhante plano de Dany Ocean e seus 10 parceiros de crime, além de sua linda mulher Tess, que consegue ser a mais perigosa de todos.

domingo, 27 de fevereiro de 2011

127 Horas-História Simples, Filme Soberbo

Comprovando a minha tese de que para realmente adorarmos um filme temos que detesta-lo antes de vê-lo, 127 Horas calou minha boca nos primeiros 20 minutos de filme, me apresentando um jeito inteligentíssimo de se contar uma história que conta com pouco recursos, que se resume a: um aventureiro, uma pedra gigante sobre seu braço e um canivete cego.

“Baseado na história de Aron Ralston, montanhista que, em 2003, durante uma escalada no Estado americano de Utah, sofreu um acidente e ficou com o antebraço preso sob uma rocha durante cinco dias. Ele teve de amputar seu braço com uma faca que carregava. O drama durou cerca de 127 horas.”

127 Horas é um excelente exemplo de filme bem explorado. Ele foi além do que poderia ser. Danny Boyle poderia simplesmente fincar uma camera no meio do Grand Canion e registrar James Franco aflito por 1h30, vê-lo cortar o braço e pronto, eis um filme ok baseado numa história real. Mas não, o cara foi esperto e pegou essa simples história de superação e sobrevivencia e a aprofundou de maneira categórica! Não só preocupado em mostrar a situação desesperadora do cara, ele entrou na sua mente, colocou em tela tudo que estava passando na cabeça de Aron, suas lembranças, seus arrependimentos e seus desejos (no caso, o principal era sair de lá, coisa que me surpreendeu bastante).

Tendo que carregar o filme todo nas costas (e a pedra na mão), James Franco surpreende a todos com uma atuação magnífica! Ele quando está preso só fala quando vai registrar seu momento de agonia em sua câmera, sendo que boa parte do tempo ele fica em silêncio, mostrando o que está sentido apenas com o olhar, com as expressões de dor, de desespero, e isso faz com que ele seja sim, um grande concorrente para o Oscar desse ano.

A parte técnica do filme é impecável. Embora tenha certas partes de “câmera na mão”, coisa que eu odeio, o longa nos oferece ótimos angulos de câmeras e vários truques de filmagem que deixam o filme ainda mais interessante de se ver. Uma parte que me chamou muita atenção foi em que tinhamos o rosto de Aron sendo mostrado de 3 perspectivas diferentes sobre o mesmo plano. Foi mais ou menos assim: aparece Aron no fundo falando, o visor da câmera dele o filmando, e a lente da câmera o mostrando também. Achei isso de uma sagacidade sem tamanho, muito criativo mesmo! Acompanhando bem os truques de câmera, a edição do filme é sensacional e essencial também, uma vez que enquanto Aron está refletindo sobre seu passado e tem suas lembranças, as imagens são entrecortadas com o presente e as vezes até dividem a tela com ele, o que o torna dinâmico e incansável de se assistir. A Rede Social encontrou um concorrente bem forte nesse quisito. Outras coisas que chamam atenção também são a fotografia, que realmente é muito bem feita, mostrando lindas imagens do deserto e das pedras num tom de amarelo bem forte, e a trilha sonora que acompanha bem os momentos de tensão e principalmente o de superação final no seu clímax intenso e perfeitamente elaborado, dando uma naturalidade fora de série para o corte de braço de Aron, cena que dificilmente será esquecida tão cedo.

Além de contar a história real do cara que passou 127 horas preso numa pedra e que teve que cortar o próprio braço para sair de lá, o longa faz reflexão sobre algo muito importante: independencia. Aron costumava se orgulhar por ser um cara que nunca precisou de ninguém, que sempre gostou de ser sozinho e que raramente pediu ajuda ou deu satisfações para alguem. Quando ele se encontra naquela situação complicada (palavra fraca para tal) ele percebe que não tem como viver na singularidade, sem ninguém, ele precisa sim de alguém ao seu lado, ele precisa sim de ajuda, e isso é uma puta mensagem, que é muito bem passada com as imagens de pessoas unidas se sentido bem em grupo, se sentindo fortes para o que der e vier. Além disso, 127 Horas passa sutilmente uma boa “bronca” na gente, nos fazendo ver o quão sortudos nós somos por estarmos bem acomodados numa cadeira de cinema, desfrutando de uma coca cola gelada e uma pipoca quentinha, enquanto que o cara teve que guardar sua própria urina para beber mais tarde para garantir sua sobrevivencia por mais alguns dias.

Mais do que excelente, 127 Horas é um filme obrigatório, e o melhor de tudo é que é um filme acessivel, nada massante demais, todos podem ver que sairão do cinema realizados, tocados pela história e satisfeitos com a certeza de que foi dinheiro bem gasto. Como se isso fosse pouco, ainda irão para casa com ótimas mensagens na cabeça como: agradeça pela boa vida que tem; aproveite suas relações sociais,elas são muito importantes; sempre saía com um canivete bom no bolso; e principalmente, NÃO VÁ PAGAR DE AVENTUREIRO RADICAL SUBINDO NUMA MONTANHA PARA DEPOIS DESCER, ISSO É COISA DE BABACA, BUCOLISMO É O MEU CU!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Inverno da Alma- O Filme Mais Frio de Todos os Tempos

De todos os filmes da lista de indicados o único que eu não tinha ouvido falar era esse “O Inverno da Alma”. Não fiquei muito a fim de ver, seu estilo não combina nem um pouco com o Oscar, tem mais cara de filme de Festival de Cannes, mas de qualquer modo, tive que ver. No final das contas achei o filme legal, bom, mas é daqueles que a gente não quer ver de novo.

“Inverno da Alma elabora o retrato da adolescente Ree Dolly, uma jovem que vive numa região montanhosa localizada na região central dos EUA, e que, mesmo com a desaprovação das pessoas que lhe são mais próximas, atravessa a região selvagem das montanhas de Ozark, no coração dos Estados Unidos, para reencontrar o seu pai, um conceituado traficante de droga.”

O filme todo é bem frio, fazendo eco com o título do filme. A fotografia é fria (e excelente), os personagens são frios, os cenários são gelados e a história é sufocantemente fria. Se o objetivo do filme era ser o mais frio possível, parabéns conseguiu. O filme funciona como um suspense não convencional, mas acaba virando um verdadeiro filme drámatico, mostrando o quão forte essa menina teve que ser para poder sustentar sua familia e protege-la o tempo todo.

“O Inverno da Alma” tem uma visão bem crítica sobre a sociedade em cidadezinhas pequenas. Ele mostra o quão forte as mulheres nesse lugar são, determinadas e auto suficientes, porém como contradição, todas acabam ficando reféns de seus maridos, que mandam nelas o tempo todo, e muitas das vezes, até as maltratam. Além disso, o filme faz questão de mostrar o lado cruel e (adivinhem) frio das pessoas que na luta pela sobrevivência pensam apenas nelas mesmas, não oferecendo ajuda por medo de se envolverem e acabarem presos.

O que surpreende em O Inverno da Alma é, sem dúvida nenhuma, a atuação forte e determinada de Jennifer Lawrence, que foi com razão indicada ao Oscar de Melhor Atriz, sendo uma grande pena competir com duas atrizes tão fortes como Natalie Portman e Annete Bening. John Hawks que faz um velho parceiro do pai da menina no filme recebeu uma indicação também, mas nem achei grandes coisas.

Não recomendo o filme para quase ninguem, só para o povo cinéfilo mesmo (não me enquadro nesse grupo), daqueles que adoram um filme de arte francês e filmes pós-modernos de Israel. Realmente não vejo uma chance sequer desse filme levar o Oscar de Melhor Filme.

O Discurso do Rei-Poder da Expressão e Expressão do Poder

Um dos grandes favoritos para o grande prêmio desse domingo infelizmente não é o melhor filme da lista dos indicados, uma vez que a boa história não é explorada como poderia, deixando a desejar bastante, além disso, o filme compete com o extremamente superior Inception (que tem toda a minha torcida mesmo sabendo que não vai levar). Mesmo não sendo tão bom quanto anunciam, o filme tem seus bons momentos além de passar ótimas mensagens indiretas para o espectador sobre força, poder e expressão.

“Albert, duque de York, relutantemente assume o reino como George VI, depois que seu irmão abdica. Perseguido por soluços nervosos e considerado inapto para reinar, George VI pede ajuda a um fonoaudiólogo nada ortodoxo chamado Lionel Logue. À medida em que a Inglaterra se aprofunda na Segunda Guerra Mundial, a voz do rei e os seus discursos se tornam mais exigidos.” (é eu copiei de novo a sinopse, e daí?)

Não posso negar que o filme é bem trabalhado em seus diálogos, porém perdeu-se um pouco no ritmo de contar a história. No filme podemos perceber um bom equilibrio entre cenas dramáticas e engraçadas, de modo que o filme não fica tão massante quanto eu imaginava. O roteiro tem umas tiradas irônicas bem espertas sobre a vida  "real" (no sentido de "realeza", é um bom trocadilho). Com isso, acaba nos fazendo ver o outro lado da história, de toda complicação que envolve a familia real, sendo vigiada a cada segundo e tendo que se conter em seus momentos mais trágicos.

No filme temos grandes atores em ótimas performances muito tocantes. Colin Firth protagoniza o filme com extrema segurança, sabendo irônicamente se expressar bem como um gago, soando bem natural e nos traduzindo com perfeição o sentimento de incapacidade e raiva que ele tem por ser desse jeito na sua posição de rei. Helena Bohan Carter tem uma atuação até que bem pontual, embora não apareça muito e fique meio apagada, de forma que não acho q mereceria o Oscar, ela já teve performances bem mais "premiaveis". E Geoffrey Rush mais uma vez dá uma aula de atuação como o professor do rei, que com muita simplicidade e firmeza estabele uma relação de confiança com ele, fazendo o ter mais segurança e força para guiar a sua nação no período de guerra que está passando. Ao longo do filme ainda encontramos rostos “conhecidos” como Guy Pearce, o novo Dumbledore, e o Rabicho!

Uma coisa que muitos acharam bom mas que eu achei bem fraco foi o cenário. Sendo um filme dessa proporção, com toda essa preocupação histórica, podiam ter caprichado mais. Até a fotografia e o figurino não vão muito bem, perdendo um pouco a “graça” de filmes épicos inglês.

O Discurso do Rei vale mais pelas mensagens de força que ele passa. Na sequencia final do filme, onde temos o rei fazendo seus exercicios vocais junto com o professor dele para poder comunicar ao povo as suas decisões sobre o cenário de guerra que se instala, podemos sentir todo o poder que invadiu o rei naquele momento. Vamos gradativamente vendo como ele foi ganhando confiança para se expressar, de se impor, e isso é emocionante demais. Os diálogos entre o rei e o professor não saíram da minha cabeça pelas suas mensagens. “Porque você merece ser ouvido?”. “Porque eu tenho uma voz, droga!” Cara, isso é bonito demais. Todos podemos e temos que nos expressar, somos mais fortes e seguros do que imaginamos. Nós somos capazes de falar, tudo que precisamos está dentro da gente! Yes, we can! (Don’t stop belieeeeeven!)

Mesmo o filme tendo me desapontado por todo alarde que o povo tava fazendo e no final nem ser grandes coisas, O Discurso do Rei merece ser visto, mas infelizmente, não merece o Oscar de Melhor Filme. O pior de tudo é saber que as chances dele ganhar são gigantes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita-Fotografia impressionante, e os Coen de sempre

Com a refilmagem de Bravura Indômita, pela primeiríssima grande vez os irmãos Coen realmente me fizeram dizer: caralho, quero muito ver esse filme! O mais perto que eles chegaram disso antes foi com Queime Depois que Ler e Fargo, mas mesmo assim não foi com a mesma força. Embora tenha animado muito para ver um genuino western de antigamente, na hora que eu vi, mais uma vez os brothers não conseguiram me agradar por inteiro. Nem “Onde os Fracos Não Tem Vez” me agradou, embora seja um filme excelente, é muito estranho, sei lá, não gera grandes emoções na gente. Bravura Indômita, pelo menos chega perto disso, mas falo desde já que não acho que mereça o Oscar.

O filme acompanha o bêbado, grosseiro e totalmente destemido comissário Rooster Cogburn (Jeff Bridges). O rabugento Rooster é contratado por uma decidida garota (Hailee Steinfeld) para encontrar o homem que matou seu pai e fugiu com as economias da família. Quando a nova patroa de Cogburn insiste em acompanhá-lo na empreitada, voam faíscas. Mas a situação vai de problemática a desastrosa quando o inexperiente, mas entusiasmado, Texas Ranger entra na festa. [sinopse copiada de um site pois estou sem tempo (e saco) para isso]

Pois bem, como o filme não foi originalmente idealizado pelos Coen, acreditem ou não o filme é conclusivo! \o/ Tem começo, meio e fim bem declarados. Não que eu não goste de mudanças brutas na cronologia, na verdade adoro, mas com os Coen fica seco, sem graça, sem emoção.Voltando, temos uma história muito boa de vingança e os personagens são muito bem feitos e interpretados, mas poderia ser melhor, bem melhor. Não sei como explicar, mas o filme não te envolve, não te faz perder o fôlego na cadeira, você não fica tocado pela história, nada. Se o filme tivesse um pouco mais de sal, com certeza Bravura Indômita disputaria pelo meu voto para o grande prêmio (que importa muito, vocês sabem). O filme tem um humor bem legal, te proporciona risadas sinceras com as situações de impasse ente os 3 protagonistas e as tiradas sagaz de Rooster, sendo um ponto bem positivo do filme.

Agora, os dois pontos fortes mesmo do filme são: atuações e parte técnica. Jeff Bridges está mais que perfeito no papel do sarcástico Rooster, com uma voz bem “faroéstica” e olhares profundos (ou olhar xD). Mas a grande estrela na verdade é Hailee Steinfeld, numa interpretação fortissima! Não conseguia tirar o olho dela, as expressões, os olhares, as entonações de sua voz, tudo está num nível de atriz grande, num nível de (vão me crucificar) Meryl Streep, falando sério, ela deu um show, apagando os ditos grandes atores Matt Damon (ta bem fraco) e Josh Brolin (infelizmente quase não aparece).

A parte técnica do filme é uma obra prima a parte. Pegando traços da fotografia excelenlente de Onde os Fracos Não Tem Vez, os irmãos Coen esbanjam habilidade em Bravura Indômita, nos proporcionando imagens áridas de extrema qualidade, além de ótimos momentos de contraste, coisa que aprecio muito mesmo. Na sequencia final do filme, os diretores exibem uma das cenas mais bonitas fotograficamente que eu já vi, quando vocês a verem a reconhecerão na hora, é realmente impressionante.

Bravura Indômita, no geral é um filme bom, mas não é aquilo tudo que esperamos. Sei lá, os Coen tem um jeito estranho de dirigir que acaba cortando alguns dos grandes baratos do cinema, e na maioria das vezes nem passam grandes mensagens escondidas, apenas filmam, de forma fria, uma história peculiar, não gosto disso. Eu sei que posso estar vomitando ignorancias aqui, mas fazer o que? Não consigo achar os filmes dos caras tão bom assim! De qualquer forma, recomendo o filme, dá para distrair, e em questão de filme como um todo, contando com a parte de “te entreter”, Bravura Indômita é melhor que Onde os Fracos Não Tem Vez.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Vencedor- Atuações brilhantes num clichê filme de boxe

Umas das coisas que a academia mais gosta são filmes de lutadores! Pode ver, a lista de ocorrências é grande: Rocky, O Touro Indomável, Menina de Ouro, Ali, O Lutador, e agora o filme da vez é O Vencedor, que mostra as dificuldades de ser reconhecido como boxeador e os dramas das famílias envolvidas no esporte.

O filme gira em torno de Micky (Mark Walberg), lutador de boxe real, que tenta alavancar a carreira com o seu irmão, Dick (Christian Bale), ex-lutador, como treinador e sua mãe (Melissa Leo) como agente. As coisas não vão muito bem, uma vez que seu irmão é irresponsável e é viciado em crack, trazendo transtornos para toda a família e atrapalhando a carreira de Micky. Ao conhecer Charlene (Amy Adams), Micky passa a ver sua carreira de modo diferente, já que ela o incentiva a se valorizar mais e não deixar a sua família atrapalhá-lo, propondo que ele corte as relações profissionais com os parentes, o que vai trazer ainda mais problemas para Mickey.

Com um estilo meio “falso documentário”, a história é bem desenvolvida embora enjoada em alguns momentos. Como um bom filme de boxe, temos a progressão clichê: o cara só se fode no inicio e no final se levanta vitorioso, dando uma grande lição de moral. Incrível como isso ainda funciona tão bem, já que ao vermos as lutas ficamos angustiados com o cara levando porrada e vibramos ao ver que ele conseguiu se reerguer e jogar o cara na lona! Acho que essa é a grande graça dos filmes de boxe!

O que realmente impressiona no filme são as atuações assustadoramente naturais! Não conseguimos enxergar na tela Christian Bale, Amy Adams e muito menos Melissa Leo, o que vemos são pessoas reais, pessoas com manias pessoais, esquecendo do que iam falar, errando as vezes, e isso é o ponto máximo de uma boa atuação, naturalidade e espontaneidade de pessoas reais. Essas soberbas atuações, creio eu, levarão os Oscars da noite de coadjuvantes, Christian Bale e Melissa Leo são as minhas apostas até o momento, e acho difícil mudar de opinião. Bale está irreconhecível, seu papel requer uma leveza misturada a uma prepotência que ele soube equilibrar muito bem. Agora, a grande performance do filme é da, até então desconhecida por mim, Melissa Leo que incorpora uma escandalosa mãe de gênio forte, parecendo muito com aquelas que vemos em reallity shows whatever da TV a cabo, uma interpretação realmente impressionante.

Valendo mais pelas atuações do filme, O Vencedor fará presença na noite do Oscar, mas está longe do prêmio principal, o que não significa que não mereça uma olhada. Recomendo para aqueles que gostam de boas atuações, sairão do cinema bem satisfeitos, se sentindo os Vencedores. (É P.A, vc não conseguiu terminar o texto de nenhum jeito melhor né?)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cisne Negro- A Dança da Morte com seu lado Negro

Mais uma grande aposta para o Oscar desse ano é o novo filme de Darren Aronofsky, Cisne Negro, que adentra no mundo do balé e principalmente no âmago da alma da bela, para não dizer gostosa, Nina (Natalie Portman) uma bailarina dedicada que consegue o grande papel de Cisne Rainha na nova montagem de O Lago dos Cisnes, tendo seu trabalho dobrado já que interpretará gêmeas antagônicas: a doce e bondosa Cisne Branco, e a pervesa e sexual Cisne Negro. Nina tem todas as características do Cisne Branco, ela é meiga, delicada, amavel, e beira a perfeição, porém seu auto controle é tanto que a impede desenvolver bem o papel de Cisne Negro, cujas características se assemelham mais a sua colega da companhia de balé, Lily (Mila Kunis) que é espontanea, sensual, debochada e até mesmo maliciosa. Com o tempo, Nina mergulha mais no seu papel de forma obcecada, passando a ter alucinações e entrando em contato com seu lado negro, até a transformação total onde nem ela se reconhecerá mais.

Com um roteiro magnífico, Aronofsky brinca com a mente do telespectador fazendo ele duvidar de tudo até o seu intrigante final, já que nossa protagonista permeia o tempo todo entre o mundo real e seu imaginário pertubado pelo Cisne Negro, fazendo com que entremos em suas alucinações junto com ela, o que é sensacional! O jeito que o diretor aborda o tema de bem e mal é realmente notável, nos faz pensar qual lado que verdadeiramente vale a pena, se é que um dos dois vale a pena, e ainda filosofa sobre o que é perfeição realmente, já que ser bom e correto nos dias de hoje não são o bastante para ser considerado perfeito. Além disso, o filme todo se sobrepõe a história do Lago dos Cisnes, fazendo uma ótima metalinguistica com seus personagens seguindo a ideia que Nina é o Cisne Branco, cuja irmã gêmea Lily, o Cisne Negro, quer roubar o seu lugar na academia e seu principe, o diretor artistico do espetaculo, vivido por Vicent Cassel, e que no final, bem, vocês verão.

Entoando o brilhante roteiro temos duas atrizes que souberam administrar muito bem os seus papéis, traduzindo as caracteristicas de cada cisne (negro e branco) para os seus personagens sem se tornar forçado, mas sim natural. Mila Kunis tem uma sensualidade fora de série, não consigo imaginar outra pessoa no seu papel! O jeito que ela fala, que ela se move, tem uma sensualidade natural, o que a torna ainda mais forte! E Natalie Portman tira o seu fôlego no filme, não tenho nem palavras direito, ela é uma excelente atriz e esse papel caiu como uma luva pra ela! Ela é perfeita, tem um dos rostos mais lindos que eu já vi, e tem uma sensualidade contida que nos faz perder a cabeça! Sua progressão de certinha para maliciosa é muito bem delineada, Natalie a faz com maestria, sem perder o tom, o que com certeza lhe renderá muitos prêmios. Agora impressionante mesmo é ver as duas interagindo entre si, fazendo sair faíscas da tela de tão fortes que eram as cenas, seja cenas de discussão, olhares ou as de pegação (que são as melhores). A cena de sexo entre as duas é muito bem filmada, acelerou meus batimentos cardíacos, e ainda me deixou maluco, porque ela foi feita de tal forma que não sabemos se elas realmente transaram ou foi uma ilusão de Nina que estava na verdade se masturbando, transando consigo mesma! É uma cena para nunca mais se esquecer!

A parte artistica do filme é uma obra prima por si só! Os cenários muito bem feitos acompanham o clima da cena e sempre fazem os contrastes do preto e do branco, o que é brilhante! A fotografia sabe balancear muito bem os momentos claros e negros, e câmera captura com perfeição os movimentos das atrizes, dando o foco certo para o momento certo. O filme ainda conta com uma ótima maquiagem, que ajuda a dar o aspecto certo para as ilusões perturbadoras de Nina.

O legal de Cisne Negro é todo o jogo psicológico que ele cria, nesse ponto Aronofsky acertou em cheio, sabendo expressar muito bem os conflitos de uma mente inquieta de uma suposta bailarina perfeita, que na verdade sofre com a pressão que sempre lhe foi imposta pela mãe e até por si mesma, que a travava muito, a impedia de fazer o que realmente queria, descartando qualquer hipótese de ela tomar alguma atitude por impulso. Quando ela entra em contato com seu lado negro, no caso a sua rival/amante Lily, ela se liberta, se torna agressiva, impulsiva, passa a encarar a vida de frente e se permite ter mais prazeres. Essa transgressão se reflete muito bem no seu psicológico que vira do avesso e é belamente mostrado para nós pelas mãos do gênio Darren Aronofsky.

Cisne Negro é um filme impactante, acho que é essa a palavra que melhor o descreve: impacto. Nós somos completamente envolvidos pela trama, não há um momento sequer que nos desconcentremos dessa história tão densa e fascinante que a cada segundo que passa se torna mais sombria e viceral. Recomendo a todos aqueles com cabeça para pensar e que esteja disposto a enfrentar um thriller diferente que adentrará na sua mente e talvez nunca mais sairá, convidando você para uma dança da morte eterna com o seu lado negro, que talvez você nem conhecesse (sinistro). Recomendo esse filme até para você, machão que não quer ver o filme porque é sobre bailarinas e isso afetará a sua suposta masculinidade, larga de ser viado e assista a essa obra prima moderna do brilhante Darren Aronofsky.

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família-Tudo que temos é um elenco!

A continuação da divertida série Entrando numa Fria chegou ao cinema fazendo sucesso, chamando o grande público para as salas pela promessa de gargalhadas incessantes com os personagens mais adorados da década. Pena que a promessa não é totalmente comprida.

Mesmo com todo o excelente elenco dos filmes anteriores e o acréscimo de Jessica Alba, Laura Dern e Harvey Keitel, o filme não passa de “legalzinho”, não apresentando nenhuma grande novidade e mantendo mais ou menos a mesma fórmula: maus entendidos que fazem Jack (De Niro) desconfiar da lealdade de Greg (Ben Stiller). Agora com um casal de gêmeos, Greg e Pam (Teri Polo) passam a enfrentar o cotidiano da vida com filhos, tendo três grandes desafios pela frente: matricular os filhos numa boa escola, terminar a construção de sua nova casa a tempo de preparar a festa de aniversário deles lá. Além disso, Jack não está muito bem de saúde, tendo algumas complicações cardíacas e ficando preocupado com a continuidade da perfeição de sua família, passando a procurar algum parente para ser o próximo Poderoso Chefão, e esse parente é justamente Greg, sendo assim, Jack passa a avaliar cada passo do genro para ver se ele é capaz de assumir tamanha responsabilidade. Tudo vai bem até que ele comece a desconfiar que Greg está tendo um caso com sua nova parceira de trabalho (Jessica Alba), colocando Greg mais uma vez por um fio no “circulo de confiança” de Jack. No filme ainda reaparecem os divertidos personagens de Dustin Hoffman, Barbara Streisser e Owen Wilson. Harvey Keitel também aparece como chefe de obras da nova casa de Greg.

Quando eu vi o trailer no cinema, fiquei muito animado com a sequencia, gostei muito dos dois primeiros e sempre achei os personagens muito bem armados, e no trailer tinha várias passagens de Jack aliciando Greg para ser o novo patriarca da família, fazendo várias piadas com Poderoso Chefão e tals, o trocadilho de God Focker me fez rir bastante. Mas o filme em si não faz mais que isso, esperava mais referencias a esses filmes, e até mesmo alguma piada interna entre De Niro e Keitel de Taxi Driver, mas nada, foi um filminho bem água com açúcar mesmo.

O que vale mesmo em Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família (ou Little Fockers que é bem mais legal) é o elenco de peso! Todos desempenham seus papéis muito bem, e tiram mais gargalhadas pelo jeito de serem do que pelo texto em si. Além dos antagonistas eternos De Niro e Stiller, podemos destacar Dustin Hoffman e Barbara Streisser que são divertidíssimos, a química entre eles é perfeita e suas excentricidades não se excedem a ponto de ficarem surreais, sendo os mais engraçados em cena na minha opinião.

Não é um grande filme de comédia, não é mesmo, mas Little Fockers merece uma olhada num sábado a toa com a galera pelos personagens, por quem tomamos tanta simpatia ao longo da sua evolução. Sem muito mais a acrescentar, me despeço com o seguinte anuncio: não esperem um filme melhor que Entrando numa Fria Maior Ainda.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os Infiltrados- Dando uma olhada no abismo..

Um dos filmes mais aclamados da carreira de Martin Scorsese, e, sem dúvida, um dos melhores longas de ação de ultimamente, Os Infiltrados com toda a sua riqueza de detalhes e uma história incrivelmente impactante e sufocante atinge o principal requisito de um bom filme: entreter o público, sem perder o conteúdo e a classe. E digo desde de já, não querendo fazer polêmica, que acho que Os Infiltrados é a verdadeira obra prima de Scorsese! Taxi Driver é ótimo, realmente gosto muito e vou um dia fazer um post sobre ele, mas Os Infiltrados é um filme muito mais completo e até mesmo mais complexo, sendo assim, na minha opinião, a grande obra prima de Martin Scorsese é Os Infiltrados (levando em consideração todos dele que eu já vi).

Baseado no filme oriental (também muito bom) “Conflitos Internos”, Os Infiltrados mostra dois pontos de vista antagonicos: o da polícia e o dos criminosos, e propõe a seguinte reflexão genial, “quando se esta com uma arma na mão, qual a diferença?”. De um lado vemos o novato policial Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) que por ter crescido em meio a criminalidade se torna a pessoal certa para se infiltrar no grupo do grande mafioso Frank Costello (Jack Nicholson). Seus chefes (Mark Wahlberg e Martin Sheen) o colocam lá como espião, com o intuito de prender o tão procurado chefão do crime. Porém, eles não sabem que Costello também tem um infiltrado na policia que lhe mantém informado de tudo, Colin Sullivan (Matt Damon). Com essa grande rede de segredos e inversão de papéis, tece-se um impressionante história, onde não existe bem nem mal, e muito menos lados realmente declarados, mas sim interesse individual.

Acho o roteiro desse filme espetacular, simplesmente espetacular! O jogo de identidade proposto pelo longa é envolvente demais, tira seu fôlego com tamanha genialidade e originalidade. Em cenas temos um policial tendo que fingir ser um criminoso e criminoso tendo que fingir ser um policial, isso é brilhante, lembra muito “A Outra Face”, mas em proporções e profundidades diferentes.Os Infiltrados é um grande filme de espiões numa dança da morte em que se vê os dois lados da moeda e a linha tênue que os separa. Incrivel.

As atuações desse filme são vicerais! Com um elenco forte e pontual, tudo corre bem na narrativa que não se perde em momento algum. Em destaque podemos apontar DiCaprio, numa performance sofrida que conseguiu demonstrar todas as camadas de seu personagem que entra em desespero e depressão na situação incomoda em que se encontra; Matt Damon com uma arrongância e prepotencia exemplar, qualificando bem seu personagem egoísta e malicioso;Vera Farmiga numa personagem excepcional que é disputada pelos dois infiltrados sem que nenhum deles saibam; e o mestre Jack Nicholson que tem uma atuação fascinante, sendo uma das melhores de sua carreira e se equiparando a Marlon Brando como Don Vito Corleone, na minha singela opinião.

A edição do longa também é muito boa, dinâmica e ágil, acompanhando bem o clima tenso do filme, onde enquanto uma ação ocorre, uma reação já está sendo armada pela troca de informções entre os infiltrados e seus chefes, o que nos deixam eufóricos com os conflitos eminentes. A música tema do filme também é excelente, se chama “I’m Shipping up to Boston” da banda “Dropkick Murphys”, é realmente viciante. Embora a música tema seja ótima, a trilha num todo não é muito boa, tem muitas músicas desconexas com as cenas, o que fica estranho e acaba incomodando um pouco, mas nada demais.

O mais legal desse filme é a profundidade dos personagens. Todos foram tomados pelos papéis que representam, de forma boa e ruim. Ao se infiltrar no grupo de mafiosos, Billy entre em choque com seus próprios valores, luta contra si mesmo para poder manter as aparencias, o que promove um grande rebuliço de sentimentos nele que o afetam psicológicamente, se tornando algo muito reflexivo no filme. O mesmo acontece com Collin, que vê como é bom estar no poder no lado do “bem”, onde você recebe proteão e não precisa ficar se escondendo dos outros, tudo é legalizado e seu status é respeitoso, sendo o grande fator que o move em tudo, virando o jogo de maneira sensacional. Esses dois personagens caracterizam bem como um homem pode reagir as circunstancias que os cercam, aplicando a regra do Determinismo, ou melhor, colocando-a a prova uma vez que Billy representa aquele se mostra forte, resistindo ao meio e mantendo seus principios, sendo o que o próprio Costello disse no inicio (“não quero ser determinado pelo meio, mas sim determinar o meio), e Colin é aquele que se submete ao meio de certa forma, mais pelo fato de lhe ser conveniente do que por fraqueza ou algo do tipo. Essas relações no filme são fascinantes, nem tenho palavras, termino então esse paragrafo com a célebre, e já mencionada por mim antes, frase de Nietzche: “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

Em resumo, Os Infiltrados é um dos melhores filmes policiais já produzidos pelos EUA, e mesmo que os americanos não recebam o mérito de uma ideia tão genial eles souberam aproveita-la muito bem, dando toques estilosos a trama e profundidade, fazendo desse longa indispensável para os amantes do gênero de qualquer lugar do planeta. E fica o aviso, quando uma pessoa está armada, não importa se ela é um policial ou um bandido, ela é uma pessoa com o poder de tirar a sua vida, e ponto. (Que final de texto estranho e repressor :s)

domingo, 19 de dezembro de 2010

Manhattan-Pelo o que vale a pena viver

Uma das maiores marcas do célebre Woody Allen é o seu cenário predileto: Nova York! Nos seus filmes mais famosos e referenciais os personagens habitavam essa fascinante cidade que tinha o clima perfeito para as histórias neuróticas de Allen. O amor de Woody por NY é tão grande que ele fez um filme dedicado a cidade, “Manhattan”, uma de suas obra primas que mostram os relacionamentos complicados que surgem nessa tão misteriosa e agitada cidade.

As relações que se desenrolam no filme giram em torno de Isaac Davis (Woody Allen), um roteirista de um progama televisivo que namora uma menina de 17 anos, Tracy (Mariel Hemingway), mas que está insatisfeito com ambos (o emprego e a garota). Até que ele conhece a amante de seu melhor amigo, Mary (Diane Keaton), uma atraente e inteligente mulher que também se interessa por ele, iniciando assim um caso a parte, o que vai agitar bastante as coisas na vida de todos esses habitantes complexos de Nova York.

Sem perder o seu bom humor critico, Woody Allen tece uma envolvente história de casais se entrelaçando de modo que te entretem e ao mesmo tempo te faz pensar sobre o que realmente vale a pena viver, sendo uma verdadeira jóia do cinema americano. Outras marcas da era de ouro de Allen também estão presentes, como personagens neuróticos, trilha sonora a base do bom jazz e dialogos longos e referenciais que enchem tanto os olhos.

O legal desse filme é a visão retratada sobre os relacionamentos de hoje em dia, onde compromissos e valores não importam tanto e o que se busca na verdade é uma necessidade de aceitação do próximo, desmascarando toda a pseudo segurança das pessoas, mostrando como elas são inseguras e frageis, fazendo com que elas busquem relacionamentos que não queriam realmente, mas que forçam pela simples necessidade de afeto e atenção. Woody Allen é o Freud do cinema.

Por mais que a história gire em torno dessas complicadas relações, na maior parte das vezes, o que a câmera está focando não são os atores (excelentes diga-se de passagem), mas sim a cidade, seus pontos turisticos e seus melhores angulos, que se tornam verdadeiras obras de arte sobre a fotografia preto e branco muito bem escolhida por Allen.

Sem muitas delongas, Manhattan é um filme obrigatório para todo bom cinéfilo, ainda mais aqueles que apreciam uma boa comédia dramática reflexiva, coisa que Allen faz como ninguém. A sensação que temos após o longa é de compreensão e ao mesmo tempo confusão interna de pensamentos, e percebemos que o que vale na vida são as coisas que amamos de verdade, que nos fazem bem, e que nos amam de volta. Manhatan é um espelho das relações amorosas modernas.

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