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terça-feira, 1 de março de 2011

Oscar 2011- Que porra foi essa?!

 

Quando a lista de indicados ao Oscar desse ano saiu eu exclamei um sonoro: Caralho, esse ano vai ser épico! Além dos filmes indicados para o grande prêmio serem interessantíssimos, a categoria de melhor diretor estava super concorrida, com os nomes grandiosos de Joel e Ethan Coen, Darren Aronofsky e David Fincher! Para ser perfeito só faltava o melhor diretor do ano ter sido indicado: Christopher Nolan! Mas enfim, ignorando essa gafe fatal, eu tinha certeza que seria um Oscar muito bom, bem distribuído e eclético, garantindo minha diversão durante o mês todo atrás dos longas da lista. Pois bem, eu me enganei, e me enganei feio.

Eu tinha quase certeza que pelo barulho que Rede Social estava fazendo nos prêmios preliminares, ele que seria o grande vencedor da noite mesmo não sendo na minha opinião o melhor filme da lista. Eu estava bem com essa ideia, A Rede Social foi um filme legal de se ver e é do Fincher, um cara que mais que merece o reconhecimento da academia, então tudo para caminha va bem. Mas aí, do nada, o jogo vira. De repente começam a falar muito desse tal Discurso do Rei, que estava papando vários prêmios por aí e ganhando simpatia de muitos. Nisso, começei a ficar preocupado, mas ainda sim, nada demais. No Globo de Ouro, ele perdeu para Rede Social, o que me deixou aliviado pensando: é, esse ano é desse filme mesmo, não tem jeito. Mais uma vez, me enganei.

Mais prêmios rolaram, Discurso do Rei foi ficando cada vez mais aclamado e eu mais preocupado, mas ao mesmo tempo intrigado com a força “ do nada” do filme, cheguei a pensar:”porra, esse filme deve ser bom então, o elenco é maneiro, tenho que ver”. Mas aí adivinhem! Me enganei de novo! O filme é bom, mas realmente nada demais! É totalmente passível de prêmio, é só um filme ok, ele não merece todo esse estardalhaço, sem falar que é super quadrado, não mostrando a virtude “moderna” que a Academia quer passar (coisa que passaria muito bem se dessem o prêmio para Rede Social, ou melhor ainda, para Inception). Fiquei com raiva só em pensar que esse filme “ok” poderia passar a mão e roubar o Oscar de Rede Social, Inception, Cisne Negro e Toy Story 3! Se eu fiquei com raiva só de pensar, imaginem quando eu na grande noite ouvi da boca de Spielberg: “The King’s Speech”! Xinguei muito em plena madrugada com meus pais dormindo do lado! Quem me acompanhou no twitter viu minha reação, foi realmente um choque! E minhas reclamações não param só nessa categoria fatídica, vou postar aqui todos os ganhadores e fazer os devidos comentários:

Melhor direção de arte
- "Alice no País das Maravilhas"

Merecido, uma vez que é a única coisa que presta no filme

Melhor fotografia
- "A origem"

Vocês vão achar estranho eu estar torcendo contra, mas nessa categoria estava torcendo para Bravura Indômita, que tem uma fotografia espetacular! Mas beleza, contribuiu para que A Origem seja o grande ganhador da noite (em números) junto com o Discurso do Rei.

Melhor atriz coadjuvante:
- Melissa Leo – “O vencedor”

Melhor curta-metragem de animação
- "The lost thing", de Shaun Tan, Andrew Ruheman

Melhor longa-metragem de animação:
- "Toy story 3"

Nenhuma surpresa!

Melhor roteiro adaptado
- “A rede social”

Melhor roteiro original
- “O discurso do rei”

Pois então, que merda né! A Origem tem esse prêmio no nome praticamente! Não é possível, o academia deve ter fumado muito antes de votar! ROTEIRO ORIGINAL, me mostrem algo mais ORIGINAL que a A ORIGEM! Quero ver! E outra, até mesmo Minhas Mães e Meu Pai tinham mais direito de levar esse filme pra casa do que O Discurso do Rei!

Melhor filme de língua estrangeira
- "Em um mundo melhor" (Dinamarca)

Uma categoria bem bipolar, temos que dizer. O mês todo anunciam que Biutiful era um grande filme, que poderia até ser indicado a Melhor Filme de fato, aí chega na premiação quem leva é outro! Vai entender.

Melhor ator coadjuvante
- Christian Bale – “O vencedor”

Melhor trilha sonora original
- "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor mixagem de som
- "A origem"

\o/ Muito merecido \o/

Melhor edição de som
- "A origem"

\o/ Muito merecido \o/

Melhor maquiagem
- "O lobisomem"

Melhor figurino
- "Alice no País das Maravilhas"

Melhor documentário em curta-metragem
"Strangers no more"

Melhor curta-metragem
- "God of love"

O cara que fez esse filme é muito bizarro, pqp!

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Trabalho interno"

Melhores efeitos visuais
- "A origem"

Mega merecido! Efeitos especiais melhores que Avatar \o/

Melhor edição
- "A rede social"

Merecido, embora 127 Horas tenha uma edição que se equipara bem.

Melhor canção original
- "We belong together", de "Toy story 3"

Melhor diretor
- Tom Hooper – “O discurso do rei”

Agora chegamos aonde eu queria. O pior erro da noite não foi na categoria de melhor filme, foi na de melhor diretor! Como a academia prestigiou aquele diretor de merda, Young Cameron (é a cara dele) quando podia entregar o prêmio para 4 dos maiores diretores da atualidade: Darren Aronofsky(Requiem para um Sonho, Pi), David Fincher (Clube da Luta, Seven, O Curioso Caso de Benjamin Button) e Joel e Ethan Coen (Onde os Fracos não tem vez)?! Eu fiquei putasso quando vi que eles perderam para esse cara! Nossa, tipo, tava na maior torcida por Aronofsky e Fincher, qualquer um que levasse eu ficaria muito feliz e aí vem esse cara, Tom Hooper, que já é odiável só por parecer com o James Cameron, levando o Oscar! Isso foi sem dúvida nenhuma, o maior desastre da noite, um verdadeiro balde de água fria, mas que parando para analisar nos mostra uma coisa boa, os grandes diretores que tanto adoramos hoje como Alfred Hitchcock, Stanley Kubrick e Quentin Tarantino nunca ganharam um Oscar, apenas indicações, invalidando quaase que totalmente a premiação xD

Melhor atriz
- Natalie Portman – “Cisne negro”

Ufa, depois de Tom Hooper levar de melhor diretor, só faltava Annete Bening levar de Atriz.

Melhor ator
- Colin Firth – “O discurso do rei”

Melhor filme
- “O discurso do rei”

Porque Kubrick, por que? (Deus do cinema, entenderam?) Olha, dos 10 indicados, qualquer um, exceto O Inverno da Alma, poderia ganhar o Oscar e me deixar feliz! E desses nove 8 restantes, 5 me deixariam em orgasmo eterno: Inception (dã), Rede Social, Cisne Negro, Toy Story 3 e Minhas Mães e Meu Pai. Mas não, quem levou o prêmio foi a porra do Discurso do Rei! Na relação que eu fiz dos filmes indicados, de ordem de superiodade, ele só é melhor que O Vencedor e O Inverno da Alma, vejam só: Inception>Cisne Negro>Toy Story 3>Rede Social>Minhas Mães e Meu Pai>127 Horas>Bravura Indômita>Discurso do Rei>O Vencedor>Inverno da Alma. Agora, vamos a explicação porque do filme levou o prêmio: A ACADEMIA ADORA ESSE TIPO DE FILME! Mais “oscariano” impossível! Sem falar que na minha ideia de teoria de conspiração, O Discurso do Rei só recebeu mais atenção ultimamente para que no Oscar (facilmente manipulado) não fique tão estranho esse filme de merda levar o troféu. Acho que a Academia não está preparada para tanta modernidade que vemos em Inception, Cisne Negro e Rede Social, e muito menos, disposta a dar o prêmio para uma animação. Mas agora, sendo otimista e adaptando o que Spielberg disse muito bem, o ganhador da noite vai para um lista de filmes que conta com Lista de Schindler, Os Infiltrados, Rocky, e Poderoso Chefão, e os nove outros filmes vão para a mesma lista de Star Wars, Taxi Driver, Apocalypse Now! E é realmente assim que funciona, esqueceremos Discurso do Rei com um tempo, mas Cisne Negro, Inception e Rede Social se manteram presentes em nossas mentes e nas listas de filmes favoritos, sem dúvida nenhuma!

Com seus acertos (na parte de atuação, não houve nenhuma injustiça) e erros, o Oscar 2011 fez polêmica e tirou o sono de muita gente que ficou indignada com Discurso do Rei levando tudo, mas enfim, ninguem disse que esse mundo é justo. Para finalizar, digo apenas o seguinte: Nolan, você é um puta gênio, mas cometeu um erro bobo de marketing, não deixou para lançar Inception no final do ano! Se ele tivesse estreiado só agora, com toda certeza, Inception teria maior presença no Oscar, levaria de melhor filme, Nolan de melhor diretor e Marion Cottilard pelo menos levaria uma indicação a melhor atriz coadjuvante! Disso, tenho certeza! Nolan, deu mole!

domingo, 27 de fevereiro de 2011

Meus votos finais para o Oscar 2011

Agora ta valendo mesmo. Tirando meu emocional de lado, votei naqueles que realmente acho que serão os escolhidos pela academia. Espero que eu esteja errado em algumas xD #inceptionnascabeças

Melhor filme:
---> “A rede social”
- “O discurso do rei”
- “Cisne negro”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “Toy Story 3”
- “Bravura indômita”
- “Minhas mães e meu pai”
- “127 horas”
- “Inverno da alma”

Melhor diretor:
---> David Fincher – “A rede social”
- Tom Hooper – “O discurso do rei”
- Darren Aronofsky – “Cisne negro”
- Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
- David O. Russell – “O vencedor”

Melhor ator:
- Jesse Eisenberg – “A rede social”
---> Colin Firth – “O discurso do rei”
- James Franco – “127 horas”
- Jeff Bridges – “Bravura indômita”
- Javier Bardem – “Biutiful”

Melhor atriz:
- Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
---> Natalie Portman – “Cisne negro”
- Nicole Kidman - “Rabbit hole”
- Michelle Williams - “Blue valentine”
- Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”

Melhor ator coadjuvante:
- Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
- Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
---> Christian Bale – “O vencedor”
- Jeremy Renner – “Atração perigosa”
- John Hawkes – "Inverno da alma"

Melhor atriz coadjuvante:
- Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
---> Melissa Leo – “O vencedor”
- Amy Adams – “O vencedor”
- Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
- Jacki Weaver - “Reino animal”

Melhor roteiro original:
---> “Minhas mães e meu pai”
- “O vencedor”
- “A origem”
- “O discurso do rei”
- "Another year"

Melhor roteiro adaptado:
---> “A rede social”
- “127 horas”
- “Bravura indômita”
- “Toy Story 3”
- "Inverno da alma"

Melhor longa-metragem de animação:
- "Como treinar o seu dragão"
- "O mágico"
---> "Toy Story 3"

Melhor direção de arte:
- "Alice no País das Maravilhas"
- "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
---> "Bravura indômita"

Melhor fotografia
- "Cisne negro"
- "A origem"
- "O discurso do rei"
- "A rede social"
---> "Bravura indômita"

Melhor figurino
---> "Alice no País das Maravilhas"
- "I am love"
- "O discurso do rei"
- "Bravura indômita"
- "The tempest"

Melhor documentário (longa-metragem)
- "Exit through the gift shop"
- "Gasland"
---> "Inside job"
- "Restrepo"
- "Lixo extraordinário"

Melhor documentário (curta-metragem)
- "Killing in the name"
---> "Poster girl"
- "Strangers no more"
- "Sun come up"
- "The warriors of Qiugang"

Melhor edição
- "Cisne negro"
- "O vencedor"
- "O discurso do rei"
- "127 horas"
---> "A rede social"

Melhor filme de língua estrangeira
---> "Biutiful"(México)
- "Dogtooth" (Grécia)
- "In a better world" (Dinamarca)
- "Incendies" (Canadá)
- "Outside the law" (Argélia)

Melhor trilha sonora original
- "Como treinar seu dragão" -  John Powell
- "A origem" - Hans Zimmer
- "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
- "127 horas" - A.R. Rahman
---> "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross

Melhor canção original
- "Coming home", de "Country Strong"
- "I see the light", de "Enrolados"
- "If I rise", de "127 horas"
---> "We belong together", de "Toy Story 3"

Melhor curta-metragem
- "The confession"
- "The crush"
---> "God of love"
- "Na wewe"
- "Wish 143"

Melhor curta-metragem de animação
---> "Day & night"
- "The gruffalo"
- "Let's pollute"
- "The lost thing"
- "Madagascar, carnet de voyage"

Melhor edição de som
---> "A origem"
- "Toy Story 3"
- "Tron: o legado"
- "Bravura indômita"
- "Incontrolável"

Melhor mixagem de som
---> "A origem"
- "O discurso do rei"
- "Salt"
- "A rede social"
- "Bravura indômita"

Melhores efeitos visuais
- "Alice no País das Maravilhas"
- Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
- "Além da vida"
---> "A origem"
- "O Homem de Ferro 2"

Melhor maquiagem
- "Minha versão para o amor"
- "Caminho da liberdade"
---> "O lobisomem"

Se esse Oscar fosse meu…

… Inception seria indicado para todas as categorias (inclusive animação, filme estrangeiro, curta metragem e etc, porque o Oscar é meu porra) e ganharia em todas, além de levar um Oscar honorário por sua contribuição a história da sétima arte! Mas não serei tão escroto assim, e terei um pouco de bom senso. Antes de mandar meus votos oficiais para a noite, colocarei aqui pra quem eu daria o Oscar se tudo dependesse da minha escolha. And the oscar goes to…

  • Melhor filme:
    - “A rede social”
    - “O discurso do rei”
    - “Cisne negro”
    - “O vencedor”
    ---> “A origem”
    - “Toy Story 3”
    - “Bravura indômita”
    - “Minhas mães e meu pai”
    - “127 horas”
    - “Inverno da alma”
  • Melhor diretor:
    ---> David Fincher – “A rede social”
    - Tom Hooper – “O discurso do rei”
    - Darren Aronofsky – “Cisne negro”
    - Joel e Ethan Coen – “Bravura indômita”
    - David O. Russell – “O vencedor”
  • Melhor ator:
    - Jesse Eisenberg – “A rede social”
    - Colin Firth – “O discurso do rei”
    ---> James Franco – “127 horas”
    - Jeff Bridges – “Bravura indômita”
    - Javier Bardem – “Biutiful”
  • Melhor atriz:
    - Annette Bening – “Minhas mães e meu pai”
    ---> Natalie Portman – “Cisne negro”
    - Nicole Kidman - “Rabbit hole”
    - Michelle Williams - “Blue valentine”
    - Jennifer Lawrence - “Inverno da alma”
  • Melhor ator coadjuvante:
    - Mark Ruffalo – “Minhas mães e meu pai”
    - Geoffrey Rush – “O discurso do rei”
    ---> Christian Bale – “O vencedor”
    - Jeremy Renner – “Atração perigosa”
    - John Hawkes – "Inverno da alma"
  • Melhor atriz coadjuvante:
    - Helena Bonham Carter – “O discurso do rei”
    ---> Melissa Leo – “O vencedor”
    - Amy Adams – “O vencedor”
    - Hailee Steinfeld – “Bravura indômita”
    - Jacki Weaver - “Reino animal”
  • Melhor roteiro original:
    - “Minhas mães e meu pai”
    - “O vencedor”
    ---> “A origem”
    - “O discurso do rei”
    - "Another year"
  • Melhor roteiro adaptado:
    - “A rede social”
    ---> “127 horas”
    - “Bravura indômita”
    - “Toy Story 3”
    - "Inverno da alma"
  • Melhor longa-metragem de animação:
    - "Como treinar o seu dragão"
    - "O mágico"
    ---> "Toy Story 3"
  • Melhor direção de arte:
    - "Alice no País das Maravilhas"
    - "Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
    ---> "A origem"
    - "O discurso do rei"
    - "Bravura indômita"
  • Melhor fotografia
    - "Cisne negro"
    - "A origem"
    - "O discurso do rei"
    - "A rede social"
    ---> "Bravura indômita"
  • Melhor figurino
    - "Alice no País das Maravilhas"
    - "I am love"
    - "O discurso do rei"
    ---> "Bravura indômita"
    - "The tempest"
  • Melhor documentário (longa-metragem)
    - "Exit through the gift shop"
    - "Gasland"
    - "Inside job"
    - "Restrepo"
    ---> "Lixo extraordinário"
  • Melhor documentário (curta-metragem)
    ---> "Killing in the name"
    - "Poster girl"
    - "Strangers no more"
    - "Sun come up"
    - "The warriors of Qiugang"
  • Melhor edição
    - "Cisne negro"
    - "O vencedor"
    - "O discurso do rei"
    ---> "127 horas"
    - "A rede social"
  • Melhor filme de língua estrangeira
    ---> "Biutiful"(México)
    - "Dogtooth" (Grécia)
    - "In a better world" (Dinamarca)
    - "Incendies" (Canadá)
    - "Outside the law" (Argélia)
  • Melhor trilha sonora original
    - "Como treinar seu dragão" -  John Powell
    - "A origem" - Hans Zimmer
    - "O discurso do rei" - Alexandre Desplat
    - "127 horas" - A.R. Rahman
     ---> "A rede social" - Trent Reznor e Atticus Ross
  • Melhor canção original
    - "Coming home", de "Country Strong"
    - "I see the light", de "Enrolados"
    - "If I rise", de "127 horas"
    ---> "We belong together", de "Toy Story 3"
  • Melhor curta-metragem
    - "The confession"
    - "The crush"
    ---> "God of love"
    - "Na wewe"
    - "Wish 143"
  • Melhor curta-metragem de animação
    ---> "Day & night"
    - "The gruffalo"
    - "Let's pollute"
    - "The lost thing"
    - "Madagascar, carnet de voyage"
  • Melhor edição de som
    ---> "A origem"
    - "Toy Story 3"
    - "Tron: o legado"
    - "Bravura indômita"
    - "Incontrolável"
  • Melhor mixagem de som
    ---> "A origem"
    - "O discurso do rei"
    - "Salt"
    - "A rede social"
    - "Bravura indômita"
  • Melhores efeitos visuais
    - "Alice no País das Maravilhas"
    - Harry Potter e as relíquias da morte - Parte 1"
    - "Além da vida"
    ---> "A origem"
    - "O Homem de Ferro 2"
  • Melhor maquiagem
    - "Minha versão para o amor"
    - "Caminho da liberdade"
    ---> "O lobisomem"

Inception levaria 6 prêmios e o mundo seria um lugar melhor, mas enfim, acho dificil rolar isso hoje xD Nas categorias mais “excluídas” como curta metragem, documentário e tals, eu fui no chute da ignorancia mesmo, não vi nenhum deles e não tenho base para opinar em nada (essa regra vale também para as minhas apostas finais).

127 Horas-História Simples, Filme Soberbo

Comprovando a minha tese de que para realmente adorarmos um filme temos que detesta-lo antes de vê-lo, 127 Horas calou minha boca nos primeiros 20 minutos de filme, me apresentando um jeito inteligentíssimo de se contar uma história que conta com pouco recursos, que se resume a: um aventureiro, uma pedra gigante sobre seu braço e um canivete cego.

“Baseado na história de Aron Ralston, montanhista que, em 2003, durante uma escalada no Estado americano de Utah, sofreu um acidente e ficou com o antebraço preso sob uma rocha durante cinco dias. Ele teve de amputar seu braço com uma faca que carregava. O drama durou cerca de 127 horas.”

127 Horas é um excelente exemplo de filme bem explorado. Ele foi além do que poderia ser. Danny Boyle poderia simplesmente fincar uma camera no meio do Grand Canion e registrar James Franco aflito por 1h30, vê-lo cortar o braço e pronto, eis um filme ok baseado numa história real. Mas não, o cara foi esperto e pegou essa simples história de superação e sobrevivencia e a aprofundou de maneira categórica! Não só preocupado em mostrar a situação desesperadora do cara, ele entrou na sua mente, colocou em tela tudo que estava passando na cabeça de Aron, suas lembranças, seus arrependimentos e seus desejos (no caso, o principal era sair de lá, coisa que me surpreendeu bastante).

Tendo que carregar o filme todo nas costas (e a pedra na mão), James Franco surpreende a todos com uma atuação magnífica! Ele quando está preso só fala quando vai registrar seu momento de agonia em sua câmera, sendo que boa parte do tempo ele fica em silêncio, mostrando o que está sentido apenas com o olhar, com as expressões de dor, de desespero, e isso faz com que ele seja sim, um grande concorrente para o Oscar desse ano.

A parte técnica do filme é impecável. Embora tenha certas partes de “câmera na mão”, coisa que eu odeio, o longa nos oferece ótimos angulos de câmeras e vários truques de filmagem que deixam o filme ainda mais interessante de se ver. Uma parte que me chamou muita atenção foi em que tinhamos o rosto de Aron sendo mostrado de 3 perspectivas diferentes sobre o mesmo plano. Foi mais ou menos assim: aparece Aron no fundo falando, o visor da câmera dele o filmando, e a lente da câmera o mostrando também. Achei isso de uma sagacidade sem tamanho, muito criativo mesmo! Acompanhando bem os truques de câmera, a edição do filme é sensacional e essencial também, uma vez que enquanto Aron está refletindo sobre seu passado e tem suas lembranças, as imagens são entrecortadas com o presente e as vezes até dividem a tela com ele, o que o torna dinâmico e incansável de se assistir. A Rede Social encontrou um concorrente bem forte nesse quisito. Outras coisas que chamam atenção também são a fotografia, que realmente é muito bem feita, mostrando lindas imagens do deserto e das pedras num tom de amarelo bem forte, e a trilha sonora que acompanha bem os momentos de tensão e principalmente o de superação final no seu clímax intenso e perfeitamente elaborado, dando uma naturalidade fora de série para o corte de braço de Aron, cena que dificilmente será esquecida tão cedo.

Além de contar a história real do cara que passou 127 horas preso numa pedra e que teve que cortar o próprio braço para sair de lá, o longa faz reflexão sobre algo muito importante: independencia. Aron costumava se orgulhar por ser um cara que nunca precisou de ninguém, que sempre gostou de ser sozinho e que raramente pediu ajuda ou deu satisfações para alguem. Quando ele se encontra naquela situação complicada (palavra fraca para tal) ele percebe que não tem como viver na singularidade, sem ninguém, ele precisa sim de alguém ao seu lado, ele precisa sim de ajuda, e isso é uma puta mensagem, que é muito bem passada com as imagens de pessoas unidas se sentido bem em grupo, se sentindo fortes para o que der e vier. Além disso, 127 Horas passa sutilmente uma boa “bronca” na gente, nos fazendo ver o quão sortudos nós somos por estarmos bem acomodados numa cadeira de cinema, desfrutando de uma coca cola gelada e uma pipoca quentinha, enquanto que o cara teve que guardar sua própria urina para beber mais tarde para garantir sua sobrevivencia por mais alguns dias.

Mais do que excelente, 127 Horas é um filme obrigatório, e o melhor de tudo é que é um filme acessivel, nada massante demais, todos podem ver que sairão do cinema realizados, tocados pela história e satisfeitos com a certeza de que foi dinheiro bem gasto. Como se isso fosse pouco, ainda irão para casa com ótimas mensagens na cabeça como: agradeça pela boa vida que tem; aproveite suas relações sociais,elas são muito importantes; sempre saía com um canivete bom no bolso; e principalmente, NÃO VÁ PAGAR DE AVENTUREIRO RADICAL SUBINDO NUMA MONTANHA PARA DEPOIS DESCER, ISSO É COISA DE BABACA, BUCOLISMO É O MEU CU!

sábado, 26 de fevereiro de 2011

O Inverno da Alma- O Filme Mais Frio de Todos os Tempos

De todos os filmes da lista de indicados o único que eu não tinha ouvido falar era esse “O Inverno da Alma”. Não fiquei muito a fim de ver, seu estilo não combina nem um pouco com o Oscar, tem mais cara de filme de Festival de Cannes, mas de qualquer modo, tive que ver. No final das contas achei o filme legal, bom, mas é daqueles que a gente não quer ver de novo.

“Inverno da Alma elabora o retrato da adolescente Ree Dolly, uma jovem que vive numa região montanhosa localizada na região central dos EUA, e que, mesmo com a desaprovação das pessoas que lhe são mais próximas, atravessa a região selvagem das montanhas de Ozark, no coração dos Estados Unidos, para reencontrar o seu pai, um conceituado traficante de droga.”

O filme todo é bem frio, fazendo eco com o título do filme. A fotografia é fria (e excelente), os personagens são frios, os cenários são gelados e a história é sufocantemente fria. Se o objetivo do filme era ser o mais frio possível, parabéns conseguiu. O filme funciona como um suspense não convencional, mas acaba virando um verdadeiro filme drámatico, mostrando o quão forte essa menina teve que ser para poder sustentar sua familia e protege-la o tempo todo.

“O Inverno da Alma” tem uma visão bem crítica sobre a sociedade em cidadezinhas pequenas. Ele mostra o quão forte as mulheres nesse lugar são, determinadas e auto suficientes, porém como contradição, todas acabam ficando reféns de seus maridos, que mandam nelas o tempo todo, e muitas das vezes, até as maltratam. Além disso, o filme faz questão de mostrar o lado cruel e (adivinhem) frio das pessoas que na luta pela sobrevivência pensam apenas nelas mesmas, não oferecendo ajuda por medo de se envolverem e acabarem presos.

O que surpreende em O Inverno da Alma é, sem dúvida nenhuma, a atuação forte e determinada de Jennifer Lawrence, que foi com razão indicada ao Oscar de Melhor Atriz, sendo uma grande pena competir com duas atrizes tão fortes como Natalie Portman e Annete Bening. John Hawks que faz um velho parceiro do pai da menina no filme recebeu uma indicação também, mas nem achei grandes coisas.

Não recomendo o filme para quase ninguem, só para o povo cinéfilo mesmo (não me enquadro nesse grupo), daqueles que adoram um filme de arte francês e filmes pós-modernos de Israel. Realmente não vejo uma chance sequer desse filme levar o Oscar de Melhor Filme.

O Discurso do Rei-Poder da Expressão e Expressão do Poder

Um dos grandes favoritos para o grande prêmio desse domingo infelizmente não é o melhor filme da lista dos indicados, uma vez que a boa história não é explorada como poderia, deixando a desejar bastante, além disso, o filme compete com o extremamente superior Inception (que tem toda a minha torcida mesmo sabendo que não vai levar). Mesmo não sendo tão bom quanto anunciam, o filme tem seus bons momentos além de passar ótimas mensagens indiretas para o espectador sobre força, poder e expressão.

“Albert, duque de York, relutantemente assume o reino como George VI, depois que seu irmão abdica. Perseguido por soluços nervosos e considerado inapto para reinar, George VI pede ajuda a um fonoaudiólogo nada ortodoxo chamado Lionel Logue. À medida em que a Inglaterra se aprofunda na Segunda Guerra Mundial, a voz do rei e os seus discursos se tornam mais exigidos.” (é eu copiei de novo a sinopse, e daí?)

Não posso negar que o filme é bem trabalhado em seus diálogos, porém perdeu-se um pouco no ritmo de contar a história. No filme podemos perceber um bom equilibrio entre cenas dramáticas e engraçadas, de modo que o filme não fica tão massante quanto eu imaginava. O roteiro tem umas tiradas irônicas bem espertas sobre a vida  "real" (no sentido de "realeza", é um bom trocadilho). Com isso, acaba nos fazendo ver o outro lado da história, de toda complicação que envolve a familia real, sendo vigiada a cada segundo e tendo que se conter em seus momentos mais trágicos.

No filme temos grandes atores em ótimas performances muito tocantes. Colin Firth protagoniza o filme com extrema segurança, sabendo irônicamente se expressar bem como um gago, soando bem natural e nos traduzindo com perfeição o sentimento de incapacidade e raiva que ele tem por ser desse jeito na sua posição de rei. Helena Bohan Carter tem uma atuação até que bem pontual, embora não apareça muito e fique meio apagada, de forma que não acho q mereceria o Oscar, ela já teve performances bem mais "premiaveis". E Geoffrey Rush mais uma vez dá uma aula de atuação como o professor do rei, que com muita simplicidade e firmeza estabele uma relação de confiança com ele, fazendo o ter mais segurança e força para guiar a sua nação no período de guerra que está passando. Ao longo do filme ainda encontramos rostos “conhecidos” como Guy Pearce, o novo Dumbledore, e o Rabicho!

Uma coisa que muitos acharam bom mas que eu achei bem fraco foi o cenário. Sendo um filme dessa proporção, com toda essa preocupação histórica, podiam ter caprichado mais. Até a fotografia e o figurino não vão muito bem, perdendo um pouco a “graça” de filmes épicos inglês.

O Discurso do Rei vale mais pelas mensagens de força que ele passa. Na sequencia final do filme, onde temos o rei fazendo seus exercicios vocais junto com o professor dele para poder comunicar ao povo as suas decisões sobre o cenário de guerra que se instala, podemos sentir todo o poder que invadiu o rei naquele momento. Vamos gradativamente vendo como ele foi ganhando confiança para se expressar, de se impor, e isso é emocionante demais. Os diálogos entre o rei e o professor não saíram da minha cabeça pelas suas mensagens. “Porque você merece ser ouvido?”. “Porque eu tenho uma voz, droga!” Cara, isso é bonito demais. Todos podemos e temos que nos expressar, somos mais fortes e seguros do que imaginamos. Nós somos capazes de falar, tudo que precisamos está dentro da gente! Yes, we can! (Don’t stop belieeeeeven!)

Mesmo o filme tendo me desapontado por todo alarde que o povo tava fazendo e no final nem ser grandes coisas, O Discurso do Rei merece ser visto, mas infelizmente, não merece o Oscar de Melhor Filme. O pior de tudo é saber que as chances dele ganhar são gigantes.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

Bravura Indômita-Fotografia impressionante, e os Coen de sempre

Com a refilmagem de Bravura Indômita, pela primeiríssima grande vez os irmãos Coen realmente me fizeram dizer: caralho, quero muito ver esse filme! O mais perto que eles chegaram disso antes foi com Queime Depois que Ler e Fargo, mas mesmo assim não foi com a mesma força. Embora tenha animado muito para ver um genuino western de antigamente, na hora que eu vi, mais uma vez os brothers não conseguiram me agradar por inteiro. Nem “Onde os Fracos Não Tem Vez” me agradou, embora seja um filme excelente, é muito estranho, sei lá, não gera grandes emoções na gente. Bravura Indômita, pelo menos chega perto disso, mas falo desde já que não acho que mereça o Oscar.

O filme acompanha o bêbado, grosseiro e totalmente destemido comissário Rooster Cogburn (Jeff Bridges). O rabugento Rooster é contratado por uma decidida garota (Hailee Steinfeld) para encontrar o homem que matou seu pai e fugiu com as economias da família. Quando a nova patroa de Cogburn insiste em acompanhá-lo na empreitada, voam faíscas. Mas a situação vai de problemática a desastrosa quando o inexperiente, mas entusiasmado, Texas Ranger entra na festa. [sinopse copiada de um site pois estou sem tempo (e saco) para isso]

Pois bem, como o filme não foi originalmente idealizado pelos Coen, acreditem ou não o filme é conclusivo! \o/ Tem começo, meio e fim bem declarados. Não que eu não goste de mudanças brutas na cronologia, na verdade adoro, mas com os Coen fica seco, sem graça, sem emoção.Voltando, temos uma história muito boa de vingança e os personagens são muito bem feitos e interpretados, mas poderia ser melhor, bem melhor. Não sei como explicar, mas o filme não te envolve, não te faz perder o fôlego na cadeira, você não fica tocado pela história, nada. Se o filme tivesse um pouco mais de sal, com certeza Bravura Indômita disputaria pelo meu voto para o grande prêmio (que importa muito, vocês sabem). O filme tem um humor bem legal, te proporciona risadas sinceras com as situações de impasse ente os 3 protagonistas e as tiradas sagaz de Rooster, sendo um ponto bem positivo do filme.

Agora, os dois pontos fortes mesmo do filme são: atuações e parte técnica. Jeff Bridges está mais que perfeito no papel do sarcástico Rooster, com uma voz bem “faroéstica” e olhares profundos (ou olhar xD). Mas a grande estrela na verdade é Hailee Steinfeld, numa interpretação fortissima! Não conseguia tirar o olho dela, as expressões, os olhares, as entonações de sua voz, tudo está num nível de atriz grande, num nível de (vão me crucificar) Meryl Streep, falando sério, ela deu um show, apagando os ditos grandes atores Matt Damon (ta bem fraco) e Josh Brolin (infelizmente quase não aparece).

A parte técnica do filme é uma obra prima a parte. Pegando traços da fotografia excelenlente de Onde os Fracos Não Tem Vez, os irmãos Coen esbanjam habilidade em Bravura Indômita, nos proporcionando imagens áridas de extrema qualidade, além de ótimos momentos de contraste, coisa que aprecio muito mesmo. Na sequencia final do filme, os diretores exibem uma das cenas mais bonitas fotograficamente que eu já vi, quando vocês a verem a reconhecerão na hora, é realmente impressionante.

Bravura Indômita, no geral é um filme bom, mas não é aquilo tudo que esperamos. Sei lá, os Coen tem um jeito estranho de dirigir que acaba cortando alguns dos grandes baratos do cinema, e na maioria das vezes nem passam grandes mensagens escondidas, apenas filmam, de forma fria, uma história peculiar, não gosto disso. Eu sei que posso estar vomitando ignorancias aqui, mas fazer o que? Não consigo achar os filmes dos caras tão bom assim! De qualquer forma, recomendo o filme, dá para distrair, e em questão de filme como um todo, contando com a parte de “te entreter”, Bravura Indômita é melhor que Onde os Fracos Não Tem Vez.

terça-feira, 15 de fevereiro de 2011

O Vencedor- Atuações brilhantes num clichê filme de boxe

Umas das coisas que a academia mais gosta são filmes de lutadores! Pode ver, a lista de ocorrências é grande: Rocky, O Touro Indomável, Menina de Ouro, Ali, O Lutador, e agora o filme da vez é O Vencedor, que mostra as dificuldades de ser reconhecido como boxeador e os dramas das famílias envolvidas no esporte.

O filme gira em torno de Micky (Mark Walberg), lutador de boxe real, que tenta alavancar a carreira com o seu irmão, Dick (Christian Bale), ex-lutador, como treinador e sua mãe (Melissa Leo) como agente. As coisas não vão muito bem, uma vez que seu irmão é irresponsável e é viciado em crack, trazendo transtornos para toda a família e atrapalhando a carreira de Micky. Ao conhecer Charlene (Amy Adams), Micky passa a ver sua carreira de modo diferente, já que ela o incentiva a se valorizar mais e não deixar a sua família atrapalhá-lo, propondo que ele corte as relações profissionais com os parentes, o que vai trazer ainda mais problemas para Mickey.

Com um estilo meio “falso documentário”, a história é bem desenvolvida embora enjoada em alguns momentos. Como um bom filme de boxe, temos a progressão clichê: o cara só se fode no inicio e no final se levanta vitorioso, dando uma grande lição de moral. Incrível como isso ainda funciona tão bem, já que ao vermos as lutas ficamos angustiados com o cara levando porrada e vibramos ao ver que ele conseguiu se reerguer e jogar o cara na lona! Acho que essa é a grande graça dos filmes de boxe!

O que realmente impressiona no filme são as atuações assustadoramente naturais! Não conseguimos enxergar na tela Christian Bale, Amy Adams e muito menos Melissa Leo, o que vemos são pessoas reais, pessoas com manias pessoais, esquecendo do que iam falar, errando as vezes, e isso é o ponto máximo de uma boa atuação, naturalidade e espontaneidade de pessoas reais. Essas soberbas atuações, creio eu, levarão os Oscars da noite de coadjuvantes, Christian Bale e Melissa Leo são as minhas apostas até o momento, e acho difícil mudar de opinião. Bale está irreconhecível, seu papel requer uma leveza misturada a uma prepotência que ele soube equilibrar muito bem. Agora, a grande performance do filme é da, até então desconhecida por mim, Melissa Leo que incorpora uma escandalosa mãe de gênio forte, parecendo muito com aquelas que vemos em reallity shows whatever da TV a cabo, uma interpretação realmente impressionante.

Valendo mais pelas atuações do filme, O Vencedor fará presença na noite do Oscar, mas está longe do prêmio principal, o que não significa que não mereça uma olhada. Recomendo para aqueles que gostam de boas atuações, sairão do cinema bem satisfeitos, se sentindo os Vencedores. (É P.A, vc não conseguiu terminar o texto de nenhum jeito melhor né?)

sexta-feira, 11 de fevereiro de 2011

Cisne Negro- A Dança da Morte com seu lado Negro

Mais uma grande aposta para o Oscar desse ano é o novo filme de Darren Aronofsky, Cisne Negro, que adentra no mundo do balé e principalmente no âmago da alma da bela, para não dizer gostosa, Nina (Natalie Portman) uma bailarina dedicada que consegue o grande papel de Cisne Rainha na nova montagem de O Lago dos Cisnes, tendo seu trabalho dobrado já que interpretará gêmeas antagônicas: a doce e bondosa Cisne Branco, e a pervesa e sexual Cisne Negro. Nina tem todas as características do Cisne Branco, ela é meiga, delicada, amavel, e beira a perfeição, porém seu auto controle é tanto que a impede desenvolver bem o papel de Cisne Negro, cujas características se assemelham mais a sua colega da companhia de balé, Lily (Mila Kunis) que é espontanea, sensual, debochada e até mesmo maliciosa. Com o tempo, Nina mergulha mais no seu papel de forma obcecada, passando a ter alucinações e entrando em contato com seu lado negro, até a transformação total onde nem ela se reconhecerá mais.

Com um roteiro magnífico, Aronofsky brinca com a mente do telespectador fazendo ele duvidar de tudo até o seu intrigante final, já que nossa protagonista permeia o tempo todo entre o mundo real e seu imaginário pertubado pelo Cisne Negro, fazendo com que entremos em suas alucinações junto com ela, o que é sensacional! O jeito que o diretor aborda o tema de bem e mal é realmente notável, nos faz pensar qual lado que verdadeiramente vale a pena, se é que um dos dois vale a pena, e ainda filosofa sobre o que é perfeição realmente, já que ser bom e correto nos dias de hoje não são o bastante para ser considerado perfeito. Além disso, o filme todo se sobrepõe a história do Lago dos Cisnes, fazendo uma ótima metalinguistica com seus personagens seguindo a ideia que Nina é o Cisne Branco, cuja irmã gêmea Lily, o Cisne Negro, quer roubar o seu lugar na academia e seu principe, o diretor artistico do espetaculo, vivido por Vicent Cassel, e que no final, bem, vocês verão.

Entoando o brilhante roteiro temos duas atrizes que souberam administrar muito bem os seus papéis, traduzindo as caracteristicas de cada cisne (negro e branco) para os seus personagens sem se tornar forçado, mas sim natural. Mila Kunis tem uma sensualidade fora de série, não consigo imaginar outra pessoa no seu papel! O jeito que ela fala, que ela se move, tem uma sensualidade natural, o que a torna ainda mais forte! E Natalie Portman tira o seu fôlego no filme, não tenho nem palavras direito, ela é uma excelente atriz e esse papel caiu como uma luva pra ela! Ela é perfeita, tem um dos rostos mais lindos que eu já vi, e tem uma sensualidade contida que nos faz perder a cabeça! Sua progressão de certinha para maliciosa é muito bem delineada, Natalie a faz com maestria, sem perder o tom, o que com certeza lhe renderá muitos prêmios. Agora impressionante mesmo é ver as duas interagindo entre si, fazendo sair faíscas da tela de tão fortes que eram as cenas, seja cenas de discussão, olhares ou as de pegação (que são as melhores). A cena de sexo entre as duas é muito bem filmada, acelerou meus batimentos cardíacos, e ainda me deixou maluco, porque ela foi feita de tal forma que não sabemos se elas realmente transaram ou foi uma ilusão de Nina que estava na verdade se masturbando, transando consigo mesma! É uma cena para nunca mais se esquecer!

A parte artistica do filme é uma obra prima por si só! Os cenários muito bem feitos acompanham o clima da cena e sempre fazem os contrastes do preto e do branco, o que é brilhante! A fotografia sabe balancear muito bem os momentos claros e negros, e câmera captura com perfeição os movimentos das atrizes, dando o foco certo para o momento certo. O filme ainda conta com uma ótima maquiagem, que ajuda a dar o aspecto certo para as ilusões perturbadoras de Nina.

O legal de Cisne Negro é todo o jogo psicológico que ele cria, nesse ponto Aronofsky acertou em cheio, sabendo expressar muito bem os conflitos de uma mente inquieta de uma suposta bailarina perfeita, que na verdade sofre com a pressão que sempre lhe foi imposta pela mãe e até por si mesma, que a travava muito, a impedia de fazer o que realmente queria, descartando qualquer hipótese de ela tomar alguma atitude por impulso. Quando ela entra em contato com seu lado negro, no caso a sua rival/amante Lily, ela se liberta, se torna agressiva, impulsiva, passa a encarar a vida de frente e se permite ter mais prazeres. Essa transgressão se reflete muito bem no seu psicológico que vira do avesso e é belamente mostrado para nós pelas mãos do gênio Darren Aronofsky.

Cisne Negro é um filme impactante, acho que é essa a palavra que melhor o descreve: impacto. Nós somos completamente envolvidos pela trama, não há um momento sequer que nos desconcentremos dessa história tão densa e fascinante que a cada segundo que passa se torna mais sombria e viceral. Recomendo a todos aqueles com cabeça para pensar e que esteja disposto a enfrentar um thriller diferente que adentrará na sua mente e talvez nunca mais sairá, convidando você para uma dança da morte eterna com o seu lado negro, que talvez você nem conhecesse (sinistro). Recomendo esse filme até para você, machão que não quer ver o filme porque é sobre bailarinas e isso afetará a sua suposta masculinidade, larga de ser viado e assista a essa obra prima moderna do brilhante Darren Aronofsky.

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Os Infiltrados- Dando uma olhada no abismo..

Um dos filmes mais aclamados da carreira de Martin Scorsese, e, sem dúvida, um dos melhores longas de ação de ultimamente, Os Infiltrados com toda a sua riqueza de detalhes e uma história incrivelmente impactante e sufocante atinge o principal requisito de um bom filme: entreter o público, sem perder o conteúdo e a classe. E digo desde de já, não querendo fazer polêmica, que acho que Os Infiltrados é a verdadeira obra prima de Scorsese! Taxi Driver é ótimo, realmente gosto muito e vou um dia fazer um post sobre ele, mas Os Infiltrados é um filme muito mais completo e até mesmo mais complexo, sendo assim, na minha opinião, a grande obra prima de Martin Scorsese é Os Infiltrados (levando em consideração todos dele que eu já vi).

Baseado no filme oriental (também muito bom) “Conflitos Internos”, Os Infiltrados mostra dois pontos de vista antagonicos: o da polícia e o dos criminosos, e propõe a seguinte reflexão genial, “quando se esta com uma arma na mão, qual a diferença?”. De um lado vemos o novato policial Billy Costigan (Leonardo DiCaprio) que por ter crescido em meio a criminalidade se torna a pessoal certa para se infiltrar no grupo do grande mafioso Frank Costello (Jack Nicholson). Seus chefes (Mark Wahlberg e Martin Sheen) o colocam lá como espião, com o intuito de prender o tão procurado chefão do crime. Porém, eles não sabem que Costello também tem um infiltrado na policia que lhe mantém informado de tudo, Colin Sullivan (Matt Damon). Com essa grande rede de segredos e inversão de papéis, tece-se um impressionante história, onde não existe bem nem mal, e muito menos lados realmente declarados, mas sim interesse individual.

Acho o roteiro desse filme espetacular, simplesmente espetacular! O jogo de identidade proposto pelo longa é envolvente demais, tira seu fôlego com tamanha genialidade e originalidade. Em cenas temos um policial tendo que fingir ser um criminoso e criminoso tendo que fingir ser um policial, isso é brilhante, lembra muito “A Outra Face”, mas em proporções e profundidades diferentes.Os Infiltrados é um grande filme de espiões numa dança da morte em que se vê os dois lados da moeda e a linha tênue que os separa. Incrivel.

As atuações desse filme são vicerais! Com um elenco forte e pontual, tudo corre bem na narrativa que não se perde em momento algum. Em destaque podemos apontar DiCaprio, numa performance sofrida que conseguiu demonstrar todas as camadas de seu personagem que entra em desespero e depressão na situação incomoda em que se encontra; Matt Damon com uma arrongância e prepotencia exemplar, qualificando bem seu personagem egoísta e malicioso;Vera Farmiga numa personagem excepcional que é disputada pelos dois infiltrados sem que nenhum deles saibam; e o mestre Jack Nicholson que tem uma atuação fascinante, sendo uma das melhores de sua carreira e se equiparando a Marlon Brando como Don Vito Corleone, na minha singela opinião.

A edição do longa também é muito boa, dinâmica e ágil, acompanhando bem o clima tenso do filme, onde enquanto uma ação ocorre, uma reação já está sendo armada pela troca de informções entre os infiltrados e seus chefes, o que nos deixam eufóricos com os conflitos eminentes. A música tema do filme também é excelente, se chama “I’m Shipping up to Boston” da banda “Dropkick Murphys”, é realmente viciante. Embora a música tema seja ótima, a trilha num todo não é muito boa, tem muitas músicas desconexas com as cenas, o que fica estranho e acaba incomodando um pouco, mas nada demais.

O mais legal desse filme é a profundidade dos personagens. Todos foram tomados pelos papéis que representam, de forma boa e ruim. Ao se infiltrar no grupo de mafiosos, Billy entre em choque com seus próprios valores, luta contra si mesmo para poder manter as aparencias, o que promove um grande rebuliço de sentimentos nele que o afetam psicológicamente, se tornando algo muito reflexivo no filme. O mesmo acontece com Collin, que vê como é bom estar no poder no lado do “bem”, onde você recebe proteão e não precisa ficar se escondendo dos outros, tudo é legalizado e seu status é respeitoso, sendo o grande fator que o move em tudo, virando o jogo de maneira sensacional. Esses dois personagens caracterizam bem como um homem pode reagir as circunstancias que os cercam, aplicando a regra do Determinismo, ou melhor, colocando-a a prova uma vez que Billy representa aquele se mostra forte, resistindo ao meio e mantendo seus principios, sendo o que o próprio Costello disse no inicio (“não quero ser determinado pelo meio, mas sim determinar o meio), e Colin é aquele que se submete ao meio de certa forma, mais pelo fato de lhe ser conveniente do que por fraqueza ou algo do tipo. Essas relações no filme são fascinantes, nem tenho palavras, termino então esse paragrafo com a célebre, e já mencionada por mim antes, frase de Nietzche: “Aquele que luta com monstros deve acautelar-se para não tornar-se também um monstro. Quando se olha muito tempo para um abismo, o abismo olha para você”.

Em resumo, Os Infiltrados é um dos melhores filmes policiais já produzidos pelos EUA, e mesmo que os americanos não recebam o mérito de uma ideia tão genial eles souberam aproveita-la muito bem, dando toques estilosos a trama e profundidade, fazendo desse longa indispensável para os amantes do gênero de qualquer lugar do planeta. E fica o aviso, quando uma pessoa está armada, não importa se ela é um policial ou um bandido, ela é uma pessoa com o poder de tirar a sua vida, e ponto. (Que final de texto estranho e repressor :s)

domingo, 12 de setembro de 2010

Vicky Cristina Barcelona-Épico Sensual!

Woody Allen é um cara sensacional. Me desculpem por essa atitude de fãnatico, mas é algo inegável, Woody é um cineasta genial quando se trata de comédias dramáticas ou de dramas cômicos, ele é praticamente infálivel! Conhecido pelo seu padrão de história passada em NY, onde o que está em foco é um relacionamente peculiar entre um homem neurótico e uma mulher complexa, Woody Allen estabeleceu sua marca no cinema de filmes nesse estilo. Mas ultimamente, ele tem se aventurado e se desafiado a mudar, e posso afirmar, está conseguindo manter a excelência.

 

Em Vicky Cristina Barcelona, Woody abandona sua querida NY e parte para as belas ruas de (adivinhem) Barcelona. Lá seus personagens tecem suas histórias entrelaçadas de forma deliciosa e provocativa. No centro temos Vicky (Rebecca Hall) uma mulher certinha que está prestes a se casar e vai a Barcelona estudar artes com sua amiga Cristina (Scarllet Johansson) que acaba de se sair de um relacionamento errante e quer partir para outro, sendo ela um pouco mais atirada. Num restaurante de lá elas conhecem Juan Antonio (Javier Bardem), um artista charmoso e direto que as convida sem muitos rodeios para que elas voem com ele para Oliviedo para que elas fiquem na casa dele durante o verão. Vicky destesta a ideia e também o cara, ao contrário de Cristina que se apaixona de cara por ele e acaba convencendo a amiga de ir para a casa dele, e assim o fazem. Muitas coisas acontecem, até que a história chegue num ponto em que Vicky após se entender melhor com Juan se apaixona por ele e fica com remorso por ser comprometida, ele também se apaixona por Vicky, mas também passa a gostar de Cristina, que vai morar na casa dele por também estar apaixonada por este. Como se a situação não estivesse complicada o bastante, chega a ex-mulher problemática (e extremamente gostosa) de Juan, María Helena (Penélope Cruz), para morar na casa dele, já que esta tentou suicidio. Então com essa complicação toda Woody Allen se diverte dando diversos rumos para a trama e filosofando sobre a vida, o amor, as relações, o sexo, a sociedade e todo o resto.

 

Vicky Cristina Barcelona é sem dúvida um filme charmoso até a sua cena final. Woody Allen tem um toque que consegue dar elegância a qualquer trama que ele deseja elaborar, em qualquer lugarr, seja em New York, Barcelona, Londres, favela da rocinha, não importa, seus filmes sempre serão charmosos, e esse principalmente por ter um elenco impecável! Na boa, esqueçamos o Javier Bardem, ele tem uma boa atuação e tals, mas nossos olhos (nós homens e as lésbicas) estarão olhando apenas para o trio feminino enlouquecedor! Rebecca Hall é a menos bonita (o que já quer dizer que o resto é foda), ela não desenvolve seu lado sensual, seu papel é a de intelectual formal, mas não deixa de ser belíssima. Scarllet Johansson é uma perfeição, seu rosto, seu corpo, nossa, ela é fantástica e soube encarnar bem o seu papel, ficando com o segundo lugar de mais bela. Agora, com muita certeza que falo isso, Penélope Cruz é a mais sensacional de todas presentes no filme, e provavelmente no mundo do cinema! Sua beleza fora do comum, seu corpo bem modelado aos toques espanhóis, seu olhar  forte e convicto, e sua atuação arrebatadora faz dela uma atriz magnífica, porque acima de toda a sua perfeição ela ainda atua bem, então é do tipo com quem se casa (Penélope, quer casar comigo?). Sua personagem é a mais interessante de todas e caiu feito uma luva para ela! María Helena é uma mulher maluca, deprimida, auto destrutiva, mas encantadora ao mesmo tempo, e extremamente sensual em cada coisa que faz, ela rouba a cena sem dó nem piedade. Além disso, é mente aberta como Juan, e aceita um relacionamento a três juntamente com Cristina, o que nos dá belas cenas, poucas, porém belas cenas…

 

Uma coisa marcante em todo filme de Allen é a sua preocupação com o cenário e a trilha sonora, que nesse longa estão andando em perfeita harmonia. O lugar escolhido para a história é incrível por si só. As ruas de Barcelona são supremamente charmosas devido a sua arquitetura rústica, e isso somado a uma trilha sonora bem característica do país entonadas por guitarras espanholas faz de Vicky Cristina Barcelona uma verdadeira obra de arte requintada, do tipo que se aprecia tomando vinho numa noite fria.

 

Outra coisa que não podia faltar num filme de Allen são seus diálogos bem armados e naturais, que fogem um pouco do estilo paranóico dos seus filmes mais antigos e se tornam mais voltados as relações entre os personagens e as decisões que tomarão num caráter mais sexual, porque o longa no geral é bem sensual. Em Vicky Cristina Barcelona não temos os famosos monólogos neuróticos dos filmes de Allen, mas temos ótimas conversas que refletem sobre o que vale a pena na vida.

 

Mesmo sendo Woody Allen um gênio, não são todos que gostam do estilo dele. Muitos repudiam, até mesmo cinéfilos, acham que ele é muito enrolado e suas histórias sempre terminam como começaram, sendo assim, Vicky Cristina Barcelona não é o tipo de filme que recomendo a todos. Mas para quem gosta de comédias sobre relacionamentos complicados e arte, este é um excelente filme que agradará bastante com todo o seu charme, elegância, sensualidade e Penélope Cruz!

Scarllet Johansson+Penélope Cruz+Mente Aberta=épico sensual

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sideways- Comédia que exala o aroma do vinho

Simples como uma uva, e fino como uma garrafa de pinot noir, “Sideways- Entre Umas e Outras” é uma pérola dos filmes americanos, que deve ser apreciado com uma bela taça de vinho e se possível uma boa companhia.

 

A comédia com traços dramáticos conta a história de Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church) dois amigos trintões que estão viajando pela Costa Central da Califórnia para celebrar a despedida de solteiro de Jack. A região, que contem uma grande número de vinículas, foi escolhida por Miles, um enófilo que pretende presentear o amigo com uma despedida de solteiro estilosa, tomando muitas taças de vinhos finos, jogando golf e admirando belas paisagens californianas. Mas Jack tem outros planos, prefere curtir seus últimos dias de solteiro como um verdadeiro solteiro, e se aventura com uma mulher que encontra por lá que o faz repensar sériamente sobre se casar. Miles também tem uma aventura amorosa com uma antiga conhecida que também adora vinhos. Em meio de muito vinho e belas paisagens, os quatro personagens dão ritmo a história que segue muitos caminhos diferentes.

 

O roteiro de Sideways é brilhante em sua simplicidade. O filme todo gira em torno dos quatro personagens principais e fica nisso, cada um com suas histórias, alegrias e angustias, que são postas a mesa nesse incrivel longa banhado a vinho. As atuações dão o tom certo a trama. Paul Giamatti é um ator que não funciona só como personagem secundário, ele como protagonista dá um show de nuâncias e expressões detalhadas, encarnando um personagem inteligente, divertido e por vezes melancólico. Thomas Haden Church é o típico amigo engraçado pegador, leve e descontaído, traz a comicidade ao longa. Sandra Oh e Virginia Madsen interpretam com bastante eficiência as mulheres que interagem com a dupla protagonista, fechando o grupo de personagens principais.

 

Acima de tudo, Sideways é uma declaração de amor ao vinho e todas as suas características, sendo também uma boa aula de cultura enóloga. Miles é um amante do bom vinho e ensina a Jack todas as táticas de se apreciar uma taça de vinho, dizendo o que fazer, como assimilar o gosto e quais vinhos escolher, o que serve para nós também que ao vermos o filme passamos a ter uma ideia melhor sobre esse incrível mundo dos vinhos. E o mais interessante do filme é que ele passa por momentos em que pode receber características de vinho, ele pode ser leve, intenso, encorpado, insosso, embriagante, revigorante, doce, ácido, picante, entre muitos outros adjetivos, mas ele se mantém o tempo todo delicioso. Outro ponto interessantíssimo do longa são as reflexões sobre o vinho, e a comparação feita entre ele e as pessoas, que realmente acontece. Em resumo: a medida que o tempo passa as pessoas e os vinhos amadurecem até chegar ao seu ápice, ao seu ano mais glorioso, depois disso, se não aproveitado bem, começa seu declinio impiedoso e massacrante até o seu inevitavel fim, se tornando um azedo vinagre. Profundo.

 

Sideways é uma ótima comédia, simples, porém com um conteúdo incrível. Cheio de ótimas tiradas e filosóficas reflexões, Sideways é um bom filme que deixará uma noite de inverno bem mais agradavel. Uma dica de ouro é ver o filme com uma boa garrafa de vinho, pois acreditem, você sentirá a vontade de sentir o sabor delirante de uma taça de vinho a cada cena, é inevitável. Acho que isso acontece principalmente pela essência do filme, que é basicamente o vinho, essa bebida dos deuses que agrada os bons paladares, sendo assim, o longa chega a exalar o aroma irresistível do vinho. Aproveitem Sideways sem moderação!

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Pulp Fiction-A violência como estilo de vida

Descrever obras-primas é sempre difícil, a gente acaba tentando falar de tudo, aí fica um post gigantesco e confuso e você acaba não falando aquilo que realmente sente em relação ao filme, por isso nesse post tentarei ser bem direto e objetivo ao falar do meu filme favorito: PULP FICTION *-*.

 

Baseado nos livros pulp de antigamente que eram cheios de contos violentos, o filme segue o estilo de “várias histórias independentes que se entrelaçam” mas inova em seu roteiro não linear onde o inicio é o fim, o meio é o final, e o final é o inicio, de um jeito que brinca com nossa memória e percepção. Inicialmente, o filme é dividido em 3 histórias: a primeira mostra os criminosos Jules (Samuel L. Jackson) e Vincent (John Travolta) indo buscar uma maleta misteriosa de seu chefe Marcellus na casa de uns moleques que acaba de modo inesperado; depois temos a história da missão especial de Vicent que era entreter a mulher de seu chefe, Mia (Uma Thurman) enquanto este viaja; e fechando o ciclo temos a história de Butch (Bruce Willis), um boxeador que ganha uma luta que era para ele ter perdido e agora tem que fugir do mafioso que o contratou para perder, que é o próprio Marcellus Wallace. No final, vemos como cada uma  parte perfeitamente se encaixa na outra, fazendo com que Pulp Fiction seja um dos filmes mais bem bolados e complexos que o cinema americano já viu.

 

Acho o roteiro de Pulp Fiction o melhor já feito, não só pela riqueza das histórias, mas principalmente pelos diálogos. Em todas cenas, eu disse todas, tem um diálogo que não tem muito a ver com a trama, mas que demonstra os pontos de vistas dos personagens sobre coisas que nunca paramos para pensar. Os diálogos vão de nomes de sanduiches à silêncios que incomodam, passando por regras de condutas masculinas e a sensação de matar uma pessoa, sendo assim um filme bem reflexivo e muito divertido, já que são sempre regados de muito humor negro.

 

As atuações são exatas, se adequam muito bem aos papéis, o que é quase um dom do Tarantino, o de escolher personagens para os atores certos. Ele conseguiu nesse filme ressucitar John Travolta num papel cool demais, tirando ele do esquecimento. Nesse filme onde o que não faltam são personagens, temos ainda participações ótimas de Tim Roth, Harvey Keitel, Christopher Walken e inclusive uma ponta do próprio Tarantino! Gosto especialmente da atuação de Thurman nesse filme, que atinge um charme sensual e superficial incrivel, além de transparecer  naturalidade e ironia, fazendo com que a parte dela no filme seja a que eu mais gosto, e sendo também uma das personagens que eu mais gosto do cinema, prestigiando assim a imagem de abertura do meu blog.

 

A trilha sonora do filme ficou famosa por englobar grandes hits antigos e atuais, além de se encaixarem perfeitamente ao filme. As músicas que eu mais curto são: Misirlou do Dick Dale que toca no início bombástico do filme e Girl You’lll Be A Woman Soon de Leonard Cohen.

 

O legal de Pulp Fiction é o modo como ele aborda seu tema principal: a violência. Ele nos mostra ela como se fosse algo comum, rotineiro na vida daqueles personagens, sem muita melancolia e muito menos moralismo. A questão da violência no filme é tratada de modo divertido, porém ainda maduro, usando o humor negro para amenizá-la e fazê-la ser melhor ingerida pelos telespectadores. Tarantino também não faz apologia a violência como muitos acham, nesse filme principalmente ele enfatiza o lado ruim da vida dessas pessoas, mas não sendo muito moralista como eu já disse, e também não se comprometendo muito com a realidade, fazendo realmente uma ficção sobre a vida de pessoas que adotaram a violência como estilo de vida.

 

Esse é o tipo de filme que se assiste pulando no sofá, ele tem um ritmo envolvente e que agrada a todo momento, com ótimas tiradas, diálogos e tramas intrigantes, sendo um prato cheio para aqueles que apreciam um bom roteiro. Pulp Fiction é um filme simplesmente atemporal, acredito que daqui a 10 anos eu o assistirei e sentirei as mesmas emoções empolgantes da 1º vez, sendo este o trunfo do filmaço dirigido pelo sempre genial Quentin Tarantino.

Frases Fodas do Filme (FFF):

  • “We should have shotguns for this kind of deal” -Jules (Nós devíamos ter shotguns para este tipo de trabalho)
  • “Any of you fucking pricks move, and I'll execute every motherfucking last one of ya!” –Honey Bunny (Que se mova qualquer filho da puta, e eu vou matar todos os filhos da puta até restar um)
  • “Say 'what' again. Say 'what' again, I dare you, I double dare you motherfucker, say what one more Goddamn time!” – Jules (Diga ‘o que’ denovo. Diga ‘o que’ denovo, eu te desafio, eu duplamente te desafio filho da puta, diga ‘o que’ mais uma maldita vez!)

Músicas Fodas do Filme:

  • Misirlou- Dick Dale
  • Comanche-The Revels
  • Girl You’ll Be A Woman Soon- Urge Overkill
  • Surf Rider-The Lively Ones

domingo, 4 de abril de 2010

Nine-O pior jeito de matar um filme é falar sobre ele

Sabe qual é o maior problema dos filmes que são muito esperados? Serem muito esperados. Frase óbvia e sem graça nenhuma de seu escritor que aqui vos fala, mas que caracteriza bem o que aconteceu com Nine, o musical comentadissimo do mesmo diretor do excelente Chicago. O filme foi muito aguardado pelos amantes do cinema, todos comentavam pela sua grandiosidade, pelo seu elenco estrelar e principalmente por se tratar de uma remontagem da obra prima de Fellini, e quando o dia de sua estreia finalmente chegou, derrubou um grande balde de agua fria na plateia e foi exculhambado pela critica, mesmo sendo um bom filme, me explicarei mais tarde.

Nine conta a história de Guido Contini (Daniel Day Lewis), um diretor italiano que posteriormente fizera muito sucesso, sendo um dos grandes nomes do cinema italiano, mas que se encontra num momento de bloqueio criativo que pode ter, ou não, uma conexão com sua vida completamente excêntrica que lhe vem tirado o sono. Ele sempre foi rodeado por belas mulheres, mas nunca soube escolher apenas uma. Contini é casado com Luisa (Marion Cottilard), mas tem como amante fixa a gostosa Carla Albanese (Penélope Cruz), além disso tem a sua atriz preferida Claudia (Nicole Kidman) como musa inspiradora. Na sua vida ainda há: o fantasma de sua mãe, que sempre aparece nas lembranças de Contini, a sua figurinista Lili (Judi Dench) que sempre tem bons conselhos para dar, a prostituta de sua infância Saraghina (Fergie) que nas suas lembranças ainda habita, e por último ainda tem a reporter Stephanie (Kate Hudson) que fará de tudo para saber mais da vida do misterioso diretor. No meio de tantos casos a parte a história se desenrola tentando equilibrar a criação do filme e a vida de Contini que está por um triz.

Serei direto: eu achei bom, nada mais. A história é bem legal, o roteiro tem ótimas tiradas e te envolve bem, porém há momentos bem cansativos, tanto musicais quanto normais, por assim dizer. Acho que até talvez funcionaria melhor se não fosse musical, porque realmente se formos comparar com Chicago, as músicas não são tão empolgantes. Apenas duas me chamaram atenção, mas foram bem intensas, a da Fergie, “Be Italian”, que tem uma boa montagem e um ritmo ótimo, e da melhor cena do filme na minha opinião, cantada e encenada por Cotillard “Take it All”, que é algo inexplicavel de tão bom, só vendo pra entender. Analisando agora como um filme “normal”, ele tem uma boa intenção e na minha opinião à atinge, que é fazer a metalinguagem entre o filme Nine em si e o filme que Guido está “dirigindo”, o que é algo bem interessante e bem elaborado, e que me fez gostar do filme mesmo com os momentos borings.

As atuações são boas, não de todos, mas analisando aqueles que mais importam, que são Lewis, Cruz e Cotillard, tudo sicroniza com perfeição. Lewis nem precisa de elogios, ele é um dos melhores atores, se não o melhor, da nossa geração, e no filme não é diferente, e mostra toda sua desenvoltura fazendo um papel diferente daqueles em que ele está acostumado, sendo um ótimo e irônico diretor mulherengo. Penélope Cruz está de tirar o fôlego, sua primeira apresentação musical é a mais sexy do filme, fazendo poses que divertirão todos os marmanjos (me divertiu), e como sempre tem ótimas performances nas partes mais densas do longa, conseguindo mais uma indicação ao Oscar de melhor atriz coadjuvante. E Cotillard nos conquista da primeira à última cena, seu olhar expressivo, acompanhado de sua atuação formidável nos apresenta uma personagem que por mais que pareça submissa, nos surpreende e tem, como eu já disse, a melhor cena do longa. As outras mulheres ajudam a compor o cenário, mas nenhuma tem grandes participações, a não ser Dench, que não adianta, em qualquer filme que faça chamará minha atenção, é uma das melhores.

Aqueles que criticaram Nine não estão completamente errados, há falhas no filme sim, mas não é algo a ser tão condenável, há muitos filmes piores nesse vasto mundo incerto do cinema, e merece sim ser visto. O grande pecado irônico de Nine é ter sido muito aguardado, por tudo aquilo que eu já disse, e como diz o próprio Contini no filme “há vários jeitos de matar seu filme, e o pior deles é falando sobre ele”. Ironia meus caros, ironia. Pra resumir, eu recomendo, mas vá assistir desarmado, esqueça qualquer coisa que tenha lido sobre o filme e até esqueça do filme do Felini se possível, e acredito que você vá achar o filme pelo menos bom.

Obs: As mulheres do elenco estão mais bonitas do que o normal, é uma coisa impressionante, é um musical que merece ser visto por todos os homens, principalmente aqueles que torcem o nariz para musicais.

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