domingo, 7 de fevereiro de 2010

Clube da Luta- Um soco na consciência, literalmente

Este é simplesmente um dos filmes mais essenciais na vida de um homem, nenhum cara pode morrer antes de ver esta obra prima violentamente filosófica ou filosóficamente violenta, que te dá um nocaute a cada cena, fazendo críticas a sociedade e nos propondo teorias completamente racionais e verdadeiras.

A história é de uma originalidade assustadora, nosso narrador sem nome vivido por Edward Norton leva uma vida de fudido que pode ser comparado a vida de muitas outras pessoas: emprego medíocre, uma vida sem emoções, sem amor, vive em função do consumismo de supérfulos impostos pela sociedade e passa por uma fase difícil de insônias que o impede de dormir a noite, mas que o coloca em sono profundo durante o dia de trabalho, sem falar das vezes em que ele se vê dormindo num lugar e acordando em outro. Seu médico o aconselha a visitar grupos de apoio sobre problemas pessoais para que assim ele possa de certa forma ajudar os outros e se ajudar, vendo que a vida dele é ótima comparada com a dos outros desgraçados. Ele começa a ficar viciado em ir nesses grupo, e começa a ir em todos, mesmo não tendo nenhum desses problemas. Num certo dia ele percebe que existe outra “enganadora” (Marla, interpretada pela Helena Bonhan Carter) que assim como ele, vai nesses grupos por prazer e não porque tem realmente o problema, e começa assim uma estranha relação entre eles. Numa viagem de negócios ele conhece no avião o ousado Tyler Durden, que fala ao nosso narrador diversas coisas e teorias interessantes e aaba criando um vinculo com ele também. Chegando em casa, o protagonista vê que seu apartamento explodiu, e numa súbita ação espontanea liga para Tyler para conversar e ver se ele poderia dormir na casa dele, eles então vão para um bar onde se conhecem mais a fundo. Como condição para o narrador poder dormir na casa de Tyler, este o pede que o bata com toda força, do nada. Essas lutas começam a se tornarem frequentes na vida deles, e acaba chamando atenção daqueles que passam e vêem a briga, e começa então a terem mais adeptos a “terapia”, até chegar num ponto em que essas brigas se tornem um clube, o Clube da Luta, onde homens se batem para ativar seu lado animal e assim aliviar o estresse do dia a dia. A coisa vai tomando proporções maiores, e o clube se torna um grupo terrorista que tem o objetivo de acabar de vez com a industria do consumismo. E assim, o longa vai te conduzindo a uma grande reviravolta final com uma cena que continua uma incógnita até hoje.

O roteiro é muito inteligente, cheio de tiradas sarcaticas e humor negro, além de teorias incriveis, como a das máscaras de oxigênio nos aviões que são usadas para deixarem os passageiros doidões no caso de alguma turbulência e eles assim não entrarem em pânico. O filme passa muitas mensagens para o telespectador, mensagens de encorajamento para que nós vivamos do jeito que queremos e não como a sociedade quer, nos impondo, nos dando valor, nos tornando mais seguros! Clube da Luta é a Sociedade dos Poetas Mortos mais subversiva e violenta, e muito mais chocante. É realmente um soco na nossa cara, o filme nos chaqualha e nos pergunta aos berros “O QUE VOCÊ ANDA FAZENDO COM A SUA VIDA?” E é aí que nós paramos e refletimos a respeito, e propomos a nós mesmo uma mudança, o que se torna o ponto mais alto do filme, a força incrivel do seu poder de nos fazer refletir.

As atuações são ótimas, Brad Pitt encarna um dos personagens mais cools do cinema com perfeição, fazendo as coisas certas nos momentos certos, assim como Helena Bonhan Carter, uma atriz que eu gosto muito e que nesse filme transpira insanidade. Também não fica para trás o Edward Norton que vai mudando gradativamente durante o filme de uma maneira espetacular!

Não deixe de ver esse filme, se ainda não viu baixe, alugue, ou compre, mas não deixe de assistir esse filme, que lhe provocará uma vontade imensa de assitir novamente assim que ele acaba, para que assim você consiga ver com novos olhos as pistas deixadas durante todo o filme sobre o grande final revelador. Prepare-se para se surpreender!

Obs: repare durante o filme que aparecerão rapidamente imagens do nada nas cenas, que faz referencia ao próprio filme,não posso dizer mais nada…

Música foda final: Where is my mind- The Pixies

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Inimigos Públicos-Estilo de volta as telas

Quando vi os cartazes desse filme nos cinemas me deu muita vontade de assisti-lo por inúmeros motivos: o diretor, que é consagrado em filmes de ação como Colateral e Fogo Contra Fogo (Michael Mann); o elenco composto por um trio muito bem alinhado, Johnny Deep, Christian Bale e a belissíma Marion Cotillard; o tema, que é um dos meus favoritos, histórias de gângsters; e todo o visual dele que prometia e cumpriu muito bem. Mas mesmo assim, ainda não foi um filme que eu adorei 100%, explico mais tarde.

A história baseada em fatos reais mostra os grandes roubos e a vida conturbada do famoso ladrão da época da depressão americana, John Dillinger (Deep) e sua gangue de mafiosos que levavam a vida roubando grandes bancos com uma astucia incrivel. Cansados dos crimes de John, inicia-se na polícia uma grande caça ao ladrão liderada pelo agente J. Edgar Hoover (Bale) que prometia colocar em cana Dillinger e qualquer um que desafiasse a lei, propondo uma revolução no exterminio do crime  organizado. Dillinger no meio da história acaba se apaixonando pela bela Billie (Cotillard) colocando agora não só em risco ele, mas também seu novo grande amor. Com um final até um pouco emocionante, o filme mostra mais que um ladrão, mostra uma pessoa.

Como bom filme do Michael Mann, o longa não deixa a desejar nas cenas de ação, onde as armas da época dão um estilo excepcional nas batalhas. O filme já começa explodindo, mostrando Dillinger fugindo da prisão com toda sua audácia e sua força diante dos guardas. Um único ponto q eu não gostei, mas isso é mais questão de gosto do que de erro do diretor, é a questão dos movimentos da câmera que em alguns momentos parecem ser imagens de um documentario ou clipe musical estranho, creio que a ideia de Mann era tentar passar uma imagem de realismo ao filme e tals, mas sei lá, um filme tão estiloso como esse tinha que ter uma câmera mais focada, e não “imagens de um cenegrafista amador”, entende?

As atuações são formidaveis, Deep, assim como disse uma das minhas leitoras (únicas), não funciona só com o Tim Burton, seu desempenho demonstra a todo instante segurança, ousadia e ao mesmo tempo empatia, transformando um ladrão terrível dos anos 40 em um grande herói, uma inversão de papéis que é possível com apenas uma simples mudança de ponto de vista, de modo que se vissemos a história a partir do ponto de vista de Hoover, John seria um grande vilão fdp! Cotillard está ótima como sempre, carregada de emoções em suas falas na medida certa. Bale é o q fica um pouco atras, mas ainda assim consegue seguir o ritmo do elenco.

A reconstrução histórica está perfeita em cada detalhe, os cenários, os figurinos, os carros e as armas como já foi dito, tudo muito bem alinhado, compondo a estética perfeita para um filme de gângster.Gosto muito do filme pelo seu estilo, é uma época muito refinada. Recomendo a todos que gostam desse estilo, como eu, principalmente pq faz tempo que o cinema não produz um filme de gângster dessa qualidade, digo, até teve aquele do Ridley Scott com o Denzel Washington e o Russel Crowe (O Gângster), mas não foi lá grandes coisas, enfim assistam Inimigos Públicos, não se arrependeram.

“Bye Bye black birdie”

sábado, 16 de janeiro de 2010

Avatar-Revolução visual, história habitual

Muito tempo depois de ter estreiado no cinema, só agora eu finalmente vi o tão comentado filme do aclamado diretor James Cameron, que antes de seu lançamento já prometia revolucionar tudo aquilo que chamamos de cinema. E assim o fez, não posso negar, mesmo não tendo idolatrado o filme como alguns tenho que reconhecer que este filme é um puta trabalho artístico, sendo uma obra de arte, e não uma obra prima.

Normalmente, no segundo páragrafo eu escrevo com as minhas palavras a história do filme e tals, mas  como neste caso a história é bem complexa e até mesmo confusa, preferi colocar a sinopse fornecida pelo filme:

“Jake Sully (Sam Worthington) ficou paraplégico após um combate na Terra. Ele é selecionado para participar do programa Avatar em substituição ao seu irmão gêmeo, falecido. Jake viaja a Pandora, uma lua extraterrestre, onde encontra diversas e estranhas formas de vida. O local é também o lar dos Na'Vi, seres humanóides que, apesar de primitivos, possuem maior capacidade física que os humanos. Os humanos desejam explorar a lua, de forma a encontrar metais valiosos, o que faz com que os Na'Vi aperfeiçoem suas habilidades guerreiras. Como são incapazes de respirar o ar de Pandora, os humanos criam seres híbridos chamados de Avatar. Eles são controlados por seres humanos, através de uma tecnologia que permite que seus pensamentos sejam aplicados no corpo do Avatar. Desta forma Jake pode novamente voltar à ativa, com seu Avatar percorrendo as florestas de Pandora e liderando soldados. Até conhecer Neytiri (Zoe Saldana), uma feroz Na'Vi que conhece acidentalmente e que serve de tutora para sua ambientação na civilização alienígena.”

Em questões técnicas esse filme atinge a perfeição, sendo assim deve levar todas as estatuetas técnicas do Oscar. É tudo muito bem trabalhado, cada detalhe tem sua importância, transformando Cameron num novo Peter Jackson. Queria ter visto o filme em 3D, o que deve ser uma experiência magnífica, o longa deve realmente ganhar “vida” diante de nossos olhos. Se em 2D o filme já quase conseguiu esse feito, imagina em 3D! Cameron já havia conseguido escrever seu nome na história do cinema com seu grandioso Titanic, mas agora ele escreveu seu nome na história da tecnologia dos efeitos especiais. Os filmes que vierem a serem lançados agora com efeitos visuais beberá da fonte de Cameron, e será enquadrado como filme pós-Avatar, assim como ocorreu com os filmes depois de Matrix (pós-Matrix). O cinema não vê uma mega produção dessas desde de Senhor dos Anéis, por isso há tanto mérito para Cameron, que desde 95 vem criando um novo “mundo”, com diferentes espécies, uma sociedade totalmente nova, com diferentes conceitos e formas de se relacionarem entre eles e com a natureza, o que é belíssimo na tela. Ouso fazer a comparação (estranha) que Pandora é a Terra Média do futuro! Ainda na área dos efeitos, Avatar tem uma fotografia estupenda! Pandora é um lugar incrível, não dá pra explicar o quão belo ele é. Lá é um ambiente todo natural, digamos assim, cheio de florestas e montanhas flutuantes, com uma fauna e flora exóticas, completamente diferentes das nossas e que se relaciona com os nativos de uma forma excepcional, como se fossem um único organismo vivo. Nisso o filme realmente agrada, e muito.

O filme é realmente inacreditavel visualmente, mas tem uma história que ao meu ver já está bem passada. Claro que não é todo dia que vemos um filme em que os personagens criam avatares alienígenas para poderem se adaptar num lugar estranho para roubarem uma pedra estranha, claro, mas eu estou falando dos personagens e da história em si, tirando todas essas “excentricidades” em questão. Se formos avaliar é uma história que já foi contada diversas vezes, esse lance de amor proibido entre pessoas totalmente diferentes (levado ao extremo) está manjado desde de Shakespeare! Também é manjado a história do cara mauricinho q paga por algo que lhe vai trazer mais riqueza e destruir o meio ambiente, mas que depois se ferra no final e se arrepende de tudo. Ainda mais manjado de todos é a história do cara infiltrado que tem como missão se aproximar de uma mulher para obter informações mas que depois acaba se apaixonando por esta e tem toda aquela carga melodramatica de “você me traiu, nunca me amou, bla bla bla”. O que eu quero dizer é que enquanto Cameron está mais preocupado com a parte técnica ele meio que se esquece do roteiro, o que é o grande mal dos blockbusters, deixando o filme mais “pobre” nesse sentido. Enquanto ele inova de um lado, copia de outro!

A história é simplesmente uma mistura de várias ficções cientificas, conseguimos perceber traços claros de diversos filmes como Matrix, Jurassic Park, Alien, King Kong, A ilha, 2001 uma odisseia no espaço e por aí vai, tendo até semelhança com a história de Pocahhontas. Esses traços não estão na história necessariamente, na maioria das vezes eles exercem mais influencias na parte visual, nos aparelhos e nos cenários. Percebi traços também de Star Wars e Apocalypse Now.

Uma coisa positiva que eu aponto do filme é a metáfora que ele passa, q mesmo q já esteja muito usada hoje em dia, em Avatar gera um bom impacto, que é o grande debate homem X natureza, onde o homem ferra com a natureza e a natureza ferra com o homem, bonito não? Pandora nada mais é do que o nosso meio ambiente (metafóricamente) e que nós destruimos para obtermos algo de valor, no caso a pedrinha estranha lá, e que assim como o nosso meio ambiente, revida contra nós e acaba, por fim, ganhando, não importando o quão tecnologicamente avançado estivermos. Outra lição que o filme passa é que não tem como nós tirarmos algo da natureza sem que ela não nos venha cobrar depois, o que deveria estar na cabeça de muitas pessoas atualmente. É muito legal ver no filme os nativos interagindo com o ambiente em que vivem, sendo que nesse momento eles se mostram superiores aos humanos, pois eles são plenos, não precisando de bens materiais para serem felizes, pois vivem em harmonia com o lugar deles, é uma coisa foda, é o Cameron dizendo para nós nessa era de aquecimento global: Para vivermos bem devemos conviver bem com a natureza!

Há rumores e críticos que estão prevendo uma indicação ao Oscar de Melhor Filme para Avatar. Eu posso até engolir uma indicação, mas se ganhar aí eu fico puto. O filme é muito “surreal” pra Oscar, não tem base pra isso, a não ser se for pela sua metáfora, mas mesmo assim ainda não se enquadra nos parâmetros do Oscar. Mas estou bem tranquilo em relação a isso, já que se for indicado ele provavelmente irá competir com filmes muito, mas muito mais superiores a ele, como Invictus do Clint Eastwood (bye bye Avatar) e o badalado Nine, cheio de estrelas ganhadoras de Oscar do calibre de Nicole Kidman e Daniel Day Lewis e que tem a cara do Oscar, so don’t worry about the thing..

Numa analise geral, Avatar é só bom! Ganha na parte dos efeitos, perde na história, então acaba no zero a zero, não fede nem cheira, pra mim é claro, mas eu aconselho a todos a virem esse filme enquanto está no cinema, pois é um filme que merece ser visto numa tela gigante com um som fodástico para assim podermos realmente senti-lo, se tiverem a oportunidade de verem em 3D não percam, deve ser uma experiência e tanto! No fim de tudo ainda levanto meu chapéu a James Cameron devido ao seu puta trabalho artistico, nunca esqueceremos.

 

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Sherlock Holmes- Revivendo o mistério

Já era tempo do cinema reviver as grandes histórias de detetives do século retrasado e que tanto entretinham seus leitores nas noites em que não se tinha televisão, estreiou sexta o novo filme de Guy Ritchie, Sherlock Holmes que mostra aos jovens (falou agora o Cid Moreira) quem é o tão falado Sherlock, grande detetive inglês das páginas dos livros de Sir Arthur Conan Doyle que era capaz de resolver qualquer crime com a ajuda de seu fiel escudeiro Watson.

O grande caso que cabe a Sherlock (Robert Downey Jr) resolucionar dessa vez são os mistérios e crimes relacionados ao sinistro Lorde Blackwood que vem aterrorizando a Inglaterra devido aos seus atos estranhos de magia negra. Holmes como sempre atuará ao lado de Watson (Jude Law) e ainda enfrentará no seu caminho Irene Adler (Rachel McAdams, uma antiga paixão que sempre está a um passo a frente.

O filme é de tirar o fôlego, com um ritmo acelerado, característico de Ritchie, faz você ficar grudado na tela todo tempo, onde nada acontece por acaso e cada detalhe é de suma importancia para a resolução do caso. Uma coisa incrivel desse filme é como ele nos mostra o jeito do Sherlock de pensar, nos apresentando com detalhes como o detetive calcula perfeitamente seus passos, principalmente nas lutas, e depois mostra como que o lance realmente aconteceu. Muito legal isso, me lembrou um pouco “Uma Mente Brilhante”, é de fazer você babar diante da tela!

  As atuações estão ótimas, cada personagens teve um ator q mereceu, Downey Jr está ótimo no papel do irônico e astuto Sherlock Holmes, mas não rouba totalmente a cena, dando espaço a seu parceiro Watson, interpretado com calma e perfeição por Jude Law. E ainda temos Rachel McAdams no melhor papel da sua vida (minha opinião,claro) interpretando Irene Adler, que assim como Holmes é rapida e esperta.

O roteiro é bem encaixado, todos os detalhes que ajudaram a Holmes a resolver o mistério nos é mostrado, nós é que não percebemos e temos aquela grande surpresa no final, gosto de filme assim, q nos engana. Além disso, o longa tem uma ótima dose de humor que cai como uma luva nas mãos de Downey e Law. As questões técnicas dos filmes tbm estão bem afiadas, os figurinos, os cenários e a trilhas estão bem alinhadas.

O filme já apresenta uma deixa para um próximo filme, onde teremos como vilão o arquinimigo de Holmes, Prof. Moriarty, e assim com certeza se transformará numa franquia (não sei pq mas esse lance me lembra Batman Begins).

Recomendo o filme pra todos os entediados entediantes das férias que eu tenho certeza que adorarão a história e talvez até tenham vontade de sair do ócio profundo e pegar um livro do Sherlock Holmes, que acreditem são muitos, e começar a ler!

“Elementar meu caro Watson”

(Estranho é q eu não me lembro de ter ouvido essa frase no filme D:)

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