Eu sou imortal. Não ria de mim, você também é, só não tem certeza. O que é um ser imortal? Highlander. Um ser que nunca morre, que perpetua para sempre, que continua vivo, que se mantém em pé, em resumo, como disse anteriormente, um ser que nunca morre. Bem, você já morreu? Para estar lendo isso provavelmente não. Então, assim como eu, você é um Highlander em potencial. Só podemos realmente afirmar que somos mortais a partir do momento em que morremos, depois do momento mórbido, e dessa passagem de “respirando” para “não-respirando” é que podemos dizer que não somos imortais, mas aí como estaremos mortos não poderemos dizer nada, quem dirá são os que ainda estão vivos, os outros potenciais Highlanders. Como não há certeza até o fato consumado, prefiro dizer que sou imortal, e depois se eu morrer, e tudo que eu disse tiver sido uma grande mentira, dane-se, estarei morto, não é mais meu problema. Então, até esse último segundo que eu verifiquei eu sou imortal. Não que eu realmente queira ser imortal, é só uma questão de rotulação apropriada. Dizer que se é imortal é algo legal, mas se formos parar para pensar é uma merda. As pessoas que se descobrem mortais acabam morrendo, e você, se tiver algum laço afetivo com elas, acaba ficando triste ao vê-las partir, muito devido a incerteza do “depois”. O que acontece “depois”? A resposta infelizmente é incerta, para se ter certeza precisamos morrer, e “depois” disso não vamos saber se valeu a pena morrer para saber, afinal, depois de mortos, não sabemos, não sentimos, não entendemos mais nada. Deve ser algo frustrante, você descobre a sensação da morte, e “depois”, the end. Bem, há quem diga que há coisas “depois”, mas não sei, não quero morrer agora para descobrir e desmentir ou confirmar mitos, ou melhor, mesmo que conseguisse, provavelmente não conseguiria voltar para dizer, ninguém voltou ainda. Não me preocupo com isso, não mesmo. Prefiro curtir a minha imortalidade enquanto estou vivo, e enquanto estou vivo, sou imortal, só não me peça para provar.
segunda-feira, 18 de outubro de 2010
sexta-feira, 15 de outubro de 2010
Nosso Lar-Mais um passo a frente
A badalada religião espirita ultimamente vem ganhando espaço no cinema nacional, lançando filmes que ajudam as pessoas a entenderem um pouco mais de sua doutrina para que talvez o preconceito com ela termine. O filme da vez é “Nosso Lar”, inspirado no livro psicografado pelo famoso Chico Xavier através do espírito de Emmanuel, que mostra como é a vida após a vida.
O roteiro é simples e ao mesmo tempo perdido. Temos como personagem principal André Luís que morre e passa por todos os processos espirituais pós morte, até chegar no lugar onde os espíritos ficam aguardando o momento da próxima encarnação. Esse lugar se chama “Nosso Lar”, e é onde o filme se concentra. A história do nosso protagonista é meio arrastada, em muitos momentos perde o fio da meada, o que deixa o filme um pouco cansativo, mas temos que entender que o mais importante não é o protagonista, mas sim o lugar em questão que dá nome ao longa. A intenção clara do filme não é nos converter ao espiritismo, mas sim deixar acessivel a todos uma explicação melhor sobre o que a religião fala, para assim termos uma opinião formada para poder julgar ou concordar com aquilo tudo. “Nosso Lar” quer passar uma visão diferente das coisas, para sairmos um pouco do convencional católico: Deus-Céu-purgatório-inferno-diabo.
As atuações do filme são bem regulares, o tom novelístico dado as cenas faz com que elas fiquem forçadas e perdem-se as suas sutilezas e nuâncias. Realmente não há muito a que ressaltar, o protagonista Renato Prieto precisa ser polido um pouco, ele tem até uma boa atuação, mas falta carisma, falta personalidade e um pouco de convicção. A atriz Selma Egrei faz a mãe de André, com bastante carisma e simplicidade ela chamou minha atenção, mas nada muito a declarar. Até grandes nomes do elenco como Othon Bastos, Werner Schünemann, e Paulo Goulart sofreram com o roteiro fraco e ficaram com as atuações ofuscadas e sem forças, o que é realmente uma pena.
O que mais importa no filme (para mim) é o avanço tecnologico no cinema brasileiro que ele proporciona. “Nosso Lar” é o filme nacional mais bem feito em questões técnicas da história brasileira! O longa faz uso de efeitos especiais e uma fotografia que enchem os olhos, com toda a sua iluminação paradísiaca e suas formas modernas de cenários, que nos dão uma ótima imagem na tela. Quando vi o filme no cinema fiquei orgulhoso do longa ser brasileiro, mesmo tendo uma história um pouco fraca e
perdida, o passo a frente dado em termos tecnológicos nos abrem muitas portas, o mais difícil que era reunir capital e mãos habilidosas para cuidar dos efeitos especiais nós já superamos, agora o resto é fácil. O lance do Brasil é que falta segurança em seus longas, nós temos muito receio de andar em áreas desconhecidas, nos privamos com comédias clichês e dramas sobre miséria, o que faz do cinema nacional um grande e chatissimo porre convencional, mas nós temos potencial para mudar para melhor, para muito melhor! Raciocinem comigo. Nós temos atores de altissimo nivel que já conseguiram reconhecimento internacional devido as suas soberbas atuações, como Fernanda Montenegro (Rainha), Wagner Moura, Selton Mello, Tony Ramos, Pedro Cardoso, Andrea Beltrão, Marieta Severo, Paulo José, Marília Pêra, Lazaro Ramos entre muitos outros (muitos mesmo!). Temos ótimos roteiristas que só precisam de uma chance para conseguir mais reconhecimento, como o casal Fernanda Young e Alexadre Machado, além de Miguel Falabela. Temos grandiosos diretores como Fernando Meirelles, Guel Arraes, Walter Salles, Daniel Filho, entre outros. E agora temos tecnologia o suficiente para grandes filmes com efeitos especiais, então o que falta para podermos competir de igual para igual com o cinema americano? CORAGEM! OUSADIA! ORIGINALIDADE! Só disso que precisamos, é só abandonarmos o jeito novelístico imposto pela Globo, confiarmos em nós mesmos e criar obras primas, que terão o luxo de ter como cenários as lindas praias do Rio de Janeiro, ou então a agitada metrópole paulista, as belas cidades do sul, ou até mesmo as florestas da Amazônia, nós temos muito potencial, só precisamos saber aproveita-los melhor, antes que outros venham e ganhem lucro em cima da gente, como o meu adorado James Cameron já está planejando fazer com as nossas florestas amazônicas. Já tínhamos potencial, agora temos know-how, só precisamos ousar, daqui para frente é só evoluir.
Ainda na parte técnica queria destacar a comovente trilha sonora, que dá a emoção certa para a cena, das mais animadas às mais tristes, lembrando muito (não sei porque) Central do Brasil.
Eu recomendo o filme com cautela, porque como longa, no geral, o filme não é muito bom, a parte estética é excelente, mas a história entedia com sua melancolia exagerada e seus diálogos enlatados, mas é aquela, prestigiar o cinema nacional e incentivar que mega produções continuem a serem feitas é sempre bom. Assista sem preconceitos, e sem um olhar muito crítico para atuações e roteiro, que assim fará a sessão valer a pena.
sexta-feira, 8 de outubro de 2010
Entendendo Donnie Darko
Como disse no post do filme, eu faria um post extra explicando detalhadamente toda a genialiade do cult que mudou o meu jeito de ver as coisas (sério). Bem, na verdade, toda essa dissecação sagaz do filme não foi eu quem bolou, achei na internet, mas de qualquer forma, queria dividir com vocês. Desnecessário dizer que esse post terá spoillers o tempo todo, mas como já disse, lá vai: SE VOCÊ AINDA NÃO VIU O FILME NÃO LEIA ESSA JOÇA! O FILME PERDERÁ O ELEMENTO SURPRESA E VOCÊ NÃO TERÁ A SENSAÇÃOINCRIVEL QUE EU TIVE! Mas se você for daqueles que não está nem aí para isso, bem, a vida é sua, faça o que quiser. Aqui está a imagem que irá responder todas as dúvidas angustiantes geradas pelo longa:
Vendo o filme uma vez não consiguimos notar isso tudo, não mesmo.Donnie Darko é o tipo de filme que deve ser visto pausadamente, analisando cena por cena, para assim percebermos o quão genial ele é, embora pouco atrativo em termos de entretenimento, como já disse, Efeito Borboleta é melhor. Lendo essa explicação finalmente entendemos o que o filme quis nos mostrar, e o faz ainda mais inteligente em suas metáforas e estranhisses a primeira vista. Como podemos perceber, tudo se encaixa num ciclo perfeito, o roteirista fez um excelente trabalho na construção desse jogo sagaz que reproduz muito bem a vida, por incrivel que pareça. Como nossas ações somadas ao acaso, constroem nosso futuro, como tudo isso é meticulosamente armado para ser assim, ou talvez, como essa sucessão de erros e acertos desordenados fazem o nosso trajeto de vida?! Não sabemos, muito menos o roteirista, mas por ele elaborar a ideia já merece um prêmio. Assistindo Donnie Darko vemos como pequenas ações ou decisões mudam nossas vidas e as vidas ao redor. No caso, a sobrevivencia de Donnie alterou tudo, bagunçou com a linha temporária que aparentava estar certa, mas também talvez apenas a concertou, ou não fez nenhuma das duas coisas uma vez que não podemos analisar o que realmente foi certo ou errado de se acontecer. O tempo é incerto, as coisas que acontecem nele consequentemente também são. Esse simples fato da sobrevivencia de Darko desencadeou uma série de novos “destinos”, sendo esta a principal mensagem do filme: suas ações são definitivas para a sua vida e para aqueles que estão a sua volta. Achei genial quando li sobre a parte final, quando começa tocar a excelente música Mad World e a câmera vai mostrando os personagens que tiveram suas vidas afetadas acordando de um pesadelo, que era na verdade o Universo Tangente criado pela turbina, é realmente algo a se pensar depois. Legal também é a resolução dos problemas de Darko, que viu em seu sacrifico uma maneira de impedir que as coisas “ruins” acontecessem e de dar algum sentido a sua vida, ou melhor, a sua morte, morrendo feliz, satisfeito e pleno. Viram? Tudo se encaixa na mais perfeita ordem, as coisas acontecem por que elas tem que acontecer mediante o destino, porém o destino é mudado a cada instante que passa, a cada decisão que se toma, dessa forma não é o destino que manda nas nossas ações, mas sim nossas ações que mudam nossos destinos…
segunda-feira, 4 de outubro de 2010
Donnie Darko- O Tempo É Estranho
O tempo é realmente algo fascinante. Mesmo que tentemos medi-lo com relógios e calendários, ele é algo que não podemos tocar, e as vezes nem sequer sentir, ele simplesmente passa frenéticamente sem parar. No enigmático cult Donnie Darko, o tempo e suas propriedades ganham foco numa narrativa que faz o telespectador pensar bastante no sinistro jogo de causas e consequências da vida.
A estranha história do longa gira em torno do estranho adolescente Donnie Darko, que vive uma vida peculiarmente normal e entediante até o dia em que tem um sonho com um coelho medonho, e num processo de sonambulismo saí do seu quarto e salva-se da morte eminente da queda de uma turbina de um avião em cima da sua cama. Depois desse “milagre”, Donnie passar a sonhar frequentemente com o tal coelho estranho, que insiste em dizer a data do fim do mundo e lhe induz a fazer coisas bizarras para chamar a atenção, o que acaba por afetar a vida das pessoas ao seu redor. Com o passar do tempo, Donnie começa a entender o que está acontecendo, e depois de uma conversa com o coelho bizarro, passa a querer saber mais sobre viagens no tempo, o que fará com que ele entre num enigmático jogo em que ele tomará a decisão mais importante de sua vida.
Com um roteiro conciso e confuso, Donnie Darko não perde tempo em muitas explicações, as conclusões sobre o que está acontecendo no filme fica a cargo do espectador, o que pode deixar muitas pessoas perdidas durante todo o filme. Fazendo uso de uma inteligência absurda, o roteirista cria um perfeito círculo de acontecimentos onde não há erros de continuidade nem falhas no sistema, o que o filme propõe é bem realizado, como tinha que ser. Os diálogos são bem estranhos, mas condiz bem com a atmosfera do filme que é sem sombras de dúvidas estranha, já que nela temos personagens estranhos, com histórias estranhas, e principalmente com um coelho bizarro e assustadoramente estranho.
As atuações do longa são bem legais, nada muito a exaltar. Jake Gyllenhaal está bem no papel principal, e Drew Barrymore e Patrick Swayze fazem ótimo trabalho em seus papéis secundários. O que estraga um pouco filme é a atuação deslocada de Jena Malone, que realmente ficou um pouco forçada.
O que importa mesmo em Donnie Darko é a sua genialidade ao tratar sobre o tema “tempo”, que está relacionado a muitos outros, como destino, escolhas, ações e reações. Tendo isso em mãos, o roteirista elaborou uma história cujo final impactante deixa todos perplexos com tudo aquilo que viram, e faz com que reflitam sobre suas próprias vidas, ou melhor sobre a vida em geral, que é realmente muito estranha se pararmos para analisar. Por ser um filme sem explicações não conseguimos entender tudo logo na primeira vez que se vê, mas graças a internet podemos compreender melhor tudo que vimos em poucos cliques. No próximo post virá um esquema explicando muito bem todos os fatos de Donnie Darko, acalmando todas as dúvidas existenciais que surgirão após o longa. Depois de verem o post eu tenho certeza que vocês pararam por um minuto, respiraram fundo e exclamaram um belo e sonoro “Que foda!”. A explicação é de cair o queixo, tudo é muito bem calculado para encaixar no esquema, e funciona, além de esclarecer o final simbólico que ganha uma dimensão ainda maior com a explicação, que já era incrivelmente legal devido ao fundo músical de Gary Jules e sua música melancólica e densa Mad World. Tudo isso faz de Donnie Darko um dos filmes mais inteligentes/intrigantes da história, explicando conceitos
que nunca paramos para pensar ou analisar.
Na minha opinião singela Donnie Darko é muito bom, beira a excelência, mas pelo que diziam desse filme eu esperava mais em tela, digo, eu pensei que era ainda mais reflexivo e explicativo, fazendo-nos entender cada nuância do longa, então por isso não foi um dos filmes mais excelentes que eu já vi. Numa comparação, entre filmes de viagens no tempo, prefiro Efeito Borboleta, que de certa forma bebeu da água de Donnie Darko, mas (na minha opinião) foi melhor elaborado. Não recomendo a todos, não mesmo, esse tipo de filme é para pessoas que gostam de ficar uma boa parte do tempo sem entender nada e ir assimilando as coisas aos poucos, além disso, toda estranheza que ronda o filme pode perturbar os mais blockbusterianos, então indico Donnie Darko para cabeças pensantes que curtem longas peculiares. Depois de ver Donnie Darko (e ler a explicação), você se sentirá atônito, ficará desolado talvez, mas principalmente verá as coisas de um novo jeito, de um jeito estranho…
Boa sessão