O problema dos filmes ambiciosos é a sua falta de cuidado nos detalhes e sua pressa para que seja logo lançado e reconhecido como o novo “Poderoso Chefão” do cinema. “Um Olhar do Paraíso”, o novo filme do respeitável Peter Jackson, sofre infelizmente deste mal que acaba totalmente com um filme e o faz se tornar uma grande vergonha e decepção tanto para quem o fez quanto para quem o assiste.
A história melodrámatica que trata de temas sobrenaturais do pós-morte tem foco na vida (e morte) de Susie Salmon (Saoirse Ronan) que um dia ao voltar para casa do colégio é abordada por George Harvey (Stanley Tucci), um vizinho que mora sozinho que a convence de entrar em um “clube” subterrâneo que ele construíu. Lá dentro, Susie é assassinada. Os pais de Susie, Jack (Mark Wahlberg) e Abigail (Rachel Weisz), inicialmente se recusam a acreditar na morte da filha, mas precisam aceitar a situação quando seu gorro é encontrado em meio a um milharal, junto a destroços do retiro que estão repletos de sangue. Em meio às investigações, a polícia conversa com George mas não o coloca entre os suspeitos. Com o tempo Jack e Lindsey (Rose McIver), a irmã de Susie, passam a desconfiar de George. Toda esta situação é observada por Susie, que agora está em um local entre o paraíso e o inferno. Lá ela precisa lidar com o sentimento de vingança que nutre em relação a George e a vontade de ajudar sua
família a superar o trauma de sua morte.
O filme se esforçou tanto para ser “excelente” que acabou ficando, digamos assim, metido demais, e não acerta direito em seus objetivos principais, que seriam emocionar, comover e dar uma visão sobre a vida pós-morte. Ele parece querer sempre se exaltar, forçar a lágrima do telespectador, e não consegue, infelizmente não. Eu devo reconhecer que é um filme bonito, tem uma história densa, mas que não envolve, e se perde em muitos momentos, não tendo ritmo, e francamente, dando sono. Os personagens não são bem definidos também, e beiram muito a caricatura, mas uma vez sendo forçado. Tudo é tão “falso” e longe da realidade que não nos causa apatia, e muito menos simpatia porque os personagens também não são muitos simpáticos, então não nos causa emoções. O que nós temos na tela é uma visão hollywoodiana e blockbusteriana da vida após a morte, então fica muito forçado e grosseiro, então perdemos as nuâncias dos sentimentos.
O elenco é bom, tirando o Mark Wallberg que tá mais perdido que cego em labirinto, há ótimos atores que tentam levar a história pra frente, mas com o roteiro dando falas enlatadas e nada naturais não tem como. Susan Sarandon é uma atriz que gosto muito, e encarnou bem uma maluca no longa, mas não o salva. Stanley Tucci, um ótimo ator que realmente se destaca nos filmes que faz, atua bem no papel de assassino, dando umas vaciladas, mas nada que o impedisse de levar uma indicação ao Oscar ano passado. Rachel Weizz e Saoirse Ronan são duas atrizes que são ótimas no geral, mas nesse filme foram mal desenvolvidas para os papéis, ou melhor, os papéis foram mal desenvolvidas para elas. Num computo geral as performances são boas, mas são ofuscadas pelo roteiro mal desenvolvido.
Sendo um filme do Peter Jackson os efeitos especiais são no mínimo excelentes. A visão do diretor sobre o paraíso é magnífica, sensacionalista sem dúvida, mas magnífica em seus detalhes. Todas as cenas do além vida são verdadeiras obras de artes que enchem os olhos, lembrando muito, irônicamente ou propositalmente, o filme “Amor Além da Vida” cuja temática, como podem ver, também é “vida após a morte”. Ainda na parte técnica, os cenários e os figurinos são bem arrumados, beirando o caricato, porém segue a linha certa dos anos 80.
Recomendo o filme para quando não tiver nada melhor para se fazer, porque realmente não é dos melhores. Não é ruim, reconheço que não, deve agradar uma parte do público blockbuster, mas não garanto nada. Acredito que a abordagem usada pelo longa não deva agradar nem aqueles que crêem na vida após a morte devido ao seu surrealismo hollywoodiano, aqueles que sabem mais do assunto principalmente correm o risco de sairem ofendidos da sessão, então recomendo o filme com cuidado. O que me entristece é ver como um filme com tanto potencial deu tão errado, se fosse mais meticuloso esse seria a obra prima dos filmes “pós-morte”, foi uma grande chance perdida, mas enfim, a vida e a morte são imprevisiveis.
Outra coisa que não podemos dizer que não é genial em Matrix é a sua estratégia de marketing, graças a ela o longa se tornou um dos mais bem sucedidos da história. O filme agrada dois grandes públicos, os adoradores de filmes de ação e os cinéfilos cabeças, e de forma perfeitamente equilibrada, nenhum dos dois públicos sai perdendo. Matrix sobretudo é um filme cool demais, estabeleceu uma marca muito forte. O lance das roupas pretas, os óculos escuros, as armas pesadas, os efeitos especiais impressionantes, tudo soou muito “maneiro”, e reuniu num único filme tudo que um homem de bom gosto precisa: ótimas cenas de ação, roteiro inteligente e reflexivo, um estilo único e uma trilha sonora empolgante, só faltou nudez feminina. Bem, temos a Trinity de roupa colada pelo menos.
dá sentido a palavra “incrível”. Sua influencia no mundo do cinema é gigantesca, os filmes de ação depois dele foram enquadrados como filme “pós-matrix”, devido as inúmeras influencias que eram encontradas neles. Essa influencia podemos ver até hoje em dois ótimos exemplos que na verdade dividem Matrix em 2: Avatar, pegando a parte dos efeitos inovadores de Matrix, e Inception, pegando a parte reflexiva e cerebral do longa. Um comentário rápido: Matrix é superior a esses dois, mas enfim. É uma grande pena terem banalizado o longa com suas medíocres continuações, que se perderam no caminho reflexivo, ficou confuso e acabou virando uma série de efeitos fodas e nenhum sentido. Mas o bom é que Matrix 1 é um filme único que não precisa de continuação, ele se fecha, e termina o circulo, e pronto, já basta, então, esqueça as continuações. Não posso obrigar ninguém a ver o filme, mesmo que eu queira, é você que tem que tomar a decisão, você que tem que escolher se quer ficar na Matrix ou sair dela.