quarta-feira, 28 de julho de 2010

Sideways- Comédia que exala o aroma do vinho

Simples como uma uva, e fino como uma garrafa de pinot noir, “Sideways- Entre Umas e Outras” é uma pérola dos filmes americanos, que deve ser apreciado com uma bela taça de vinho e se possível uma boa companhia.

 

A comédia com traços dramáticos conta a história de Miles (Paul Giamatti) e Jack (Thomas Haden Church) dois amigos trintões que estão viajando pela Costa Central da Califórnia para celebrar a despedida de solteiro de Jack. A região, que contem uma grande número de vinículas, foi escolhida por Miles, um enófilo que pretende presentear o amigo com uma despedida de solteiro estilosa, tomando muitas taças de vinhos finos, jogando golf e admirando belas paisagens californianas. Mas Jack tem outros planos, prefere curtir seus últimos dias de solteiro como um verdadeiro solteiro, e se aventura com uma mulher que encontra por lá que o faz repensar sériamente sobre se casar. Miles também tem uma aventura amorosa com uma antiga conhecida que também adora vinhos. Em meio de muito vinho e belas paisagens, os quatro personagens dão ritmo a história que segue muitos caminhos diferentes.

 

O roteiro de Sideways é brilhante em sua simplicidade. O filme todo gira em torno dos quatro personagens principais e fica nisso, cada um com suas histórias, alegrias e angustias, que são postas a mesa nesse incrivel longa banhado a vinho. As atuações dão o tom certo a trama. Paul Giamatti é um ator que não funciona só como personagem secundário, ele como protagonista dá um show de nuâncias e expressões detalhadas, encarnando um personagem inteligente, divertido e por vezes melancólico. Thomas Haden Church é o típico amigo engraçado pegador, leve e descontaído, traz a comicidade ao longa. Sandra Oh e Virginia Madsen interpretam com bastante eficiência as mulheres que interagem com a dupla protagonista, fechando o grupo de personagens principais.

 

Acima de tudo, Sideways é uma declaração de amor ao vinho e todas as suas características, sendo também uma boa aula de cultura enóloga. Miles é um amante do bom vinho e ensina a Jack todas as táticas de se apreciar uma taça de vinho, dizendo o que fazer, como assimilar o gosto e quais vinhos escolher, o que serve para nós também que ao vermos o filme passamos a ter uma ideia melhor sobre esse incrível mundo dos vinhos. E o mais interessante do filme é que ele passa por momentos em que pode receber características de vinho, ele pode ser leve, intenso, encorpado, insosso, embriagante, revigorante, doce, ácido, picante, entre muitos outros adjetivos, mas ele se mantém o tempo todo delicioso. Outro ponto interessantíssimo do longa são as reflexões sobre o vinho, e a comparação feita entre ele e as pessoas, que realmente acontece. Em resumo: a medida que o tempo passa as pessoas e os vinhos amadurecem até chegar ao seu ápice, ao seu ano mais glorioso, depois disso, se não aproveitado bem, começa seu declinio impiedoso e massacrante até o seu inevitavel fim, se tornando um azedo vinagre. Profundo.

 

Sideways é uma ótima comédia, simples, porém com um conteúdo incrível. Cheio de ótimas tiradas e filosóficas reflexões, Sideways é um bom filme que deixará uma noite de inverno bem mais agradavel. Uma dica de ouro é ver o filme com uma boa garrafa de vinho, pois acreditem, você sentirá a vontade de sentir o sabor delirante de uma taça de vinho a cada cena, é inevitável. Acho que isso acontece principalmente pela essência do filme, que é basicamente o vinho, essa bebida dos deuses que agrada os bons paladares, sendo assim, o longa chega a exalar o aroma irresistível do vinho. Aproveitem Sideways sem moderação!

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Sangue e Cores Fortes, a Estética de Kill Bill

É, eu sei, vocês já devem estar cansados de posts sobre Kill Bill, mas como eu já disse estou me redimindo por ter demorado tanto para fazer posts sobre o longa que mudou minha vida. Prometo que é o último, sério. É que o seguinte, uma das coisas que mais me chama atenção em Kill Bill é a sua estética cheia de cores fortes e vibrantes, estética que é muito bem representada em seus posters, que pra mim são os melhores da história do cinema, então faço este post apenas para mostrar essas imagens, fazendo pequenos comentários. Vamos lá:

 

 

 

  

Sim, para as fãs da maluca da Lady Gaga, essa é a mesma picape usada no clip Telephone, julgo eu que terá conexão com o próximo filme de Tarantino que contará com Gaga no elenco.

   

 

     

Agora, uns posters mais conceituais, que eu acho que são os melhores!

    

Acho que não há posters que exemplifiquem melhor a ideia estética dos dois longas do que esses dois de de cima. É exatamente esse jogo de cores que acontece, no volume um há a predominancia das cores preta e amarela resultando num ótimo contraste visual, enquanto no volume dois as cores que predominam são amarela e vermelha que saltam a tela e são um grande deleite para os olhos!

Nossa famosa Hattori Hanzo

  

Esses dois posters a seguir foram feitos por um gênio da internet desconhecido que fez imagens minimalistas de Kill Bill:

  

Geniais, não são?

 

É por isso tudo, na somatória de todos os posts, que eu amo Kill Bill, seu jeito inovador e descolado de contar uma história de vingança frenética, sem moralismos ou convencionalismos, me fizeram abrir os olhos para o mundo do bom cinema, e assim espero que abra de muitos outros. Não percam essa chance de se deliciar com uma obra prima moderna!

domingo, 18 de julho de 2010

Kill Bill Definitivo!

A obra prima de Quentin Tarantino que está marcada como um dos melhores filmes da década tem uma força e personalidade sem igual, estabelecendo-se como o melhor filme de vingança já feito. Tem alguns pequenos spoillers durante o texto, então se ainda não viu o filme, veja e depois volte aqui!

 

Kill Bill era para na verdade ser um único longa, mas devido as suas quase 5 horas totais, incluindo as cenas que não foram exibidas, os produtores- sempre os produtores- decidiram dividir o filme em 2 partes, o que acabou por se converter em algo muito bom nas mãos do gênio Tarantino. Ele fez algo nunca antes visto, conseguiu fazer 2 filmes que contam uma história em seqüência só que cada um com sua particularidade, com o seu estilo, fazendo assim dois filmes praticamente independentes na sua estética audiovisual. Kill Bill vol. 1 tem um estilo mais “kung fu”,  com ótimas doses de lutas coreografadas que desafiam a lei da física, lembrando muito “O Tigre e o Dragão”. Além disso, existe uma vertente trash na primeira parte bem nítida, o sangue jorrando, o exagero nas sequências, mas acaba sendo uma característica incompleta, porque o filme não é todo trash, com filmagem ruim e péssimo áudio, sendo assim juntou o melhor dos dois mundos: o exagero delicioso dos filmes trash e a qualidade soberba dos filmes hollywoodianos. Já o volume 2 presta homenagem intensa aos western italianos, com ótimas cenas de desertos e uma trilha sonora que remete aos faroestes de Eastwood e a traços mexicanos que são delirantes de tão bom. Uma curiosidade é que o big brother do Tarantino, Robert Rodriguez, foi quem ajudou na escolha da trilha do segundo filme, o que da para perceber pelo rock mexicano presente no longa.

O legal de Kill Bill são suas pequenas gags que deixam o filme ainda mais divertido. Achei inusitadamente genial o fato de não sabermos o nome da Noiva até o filme 2, e até lá ouvir seu nome sendo censurado por um “pi”, ninguém esperava por isso mesmo! Só o Taranta para ter uma ideia maluca dessas. E o jeito que ficamos sabendo também é ótimo! Aparece, numa cena-hipótese, uma professora fazendo a chamada na sala de aula, quando chama pela Beatrix Kiddo aparece a Uma Turman dizendo “presente”, ri muito nessa hora! Além disso temos também as lembranças das violências cometidas contra a Noiva toda vez que ela olha para um de seus inimigos, e aí a tela fica vermelha, vem essas imagens da violência e de fundo a música Iron Side! Foda demais! Uma curiosidade do e Kill Bill, é que no volume 2 a única pessoa que ela realmente mata é o Bill, porque o Bud quem mata é a Elle Driver, e esta por sua vez não sabemos se morreu, apenas que perdeu o segundo olho.

 

Quando Kill Bill foi lançado o cinema levou um tapa na cara de originalidade, se diferenciando de tudo que se tinha feito até aquele momento. O jeito que Quentin escolheu para nos contar essa magnífica e colossal (adoro essa palavra [spqm]) história de vingança é um jeito único, diferente, ousado, e acima de tudo foda! A edição usada no longa é excepcional, e acaba por se encaixar perfeitamente no roteiro não linear de Tarantino que faz tudo ficar ainda melhor. Com essa mistura excêntrica de recursos, surge um filme que renova o cinema que estava bem caído nesse momento.

 

Além disso tudo, Kill Bill chegou para calar as bocas de todos os babacas que diziam que o Tarantino havia perdido a mão depois de Jackie Brown. Foi realmente uma volta triunfal em grande estilo, toda a genialidade do cara e toda a sua maluca paixão pelo cinema estão em Kill Bill. E agora ele está a mil, fazendo sucesso atrás de sucesso, tendo agora não só sua originalidade em mãos, mas também confiança no mundo do cinema e dinheiro para poder pagar pelos seus filmes. A propósito, Tarantino está escrevendo uma continuação para Kill Bill, mas por motivos óbvieis não se chamará “Kill Bill”, terá a Beatrix Kiddo e sua filha, mas terá outro nome.

 

Kill Bill é um verdadeiro marco no cinema, e como a maioria dos filmes de Quentin Tarantino chega para abalar as nossas estruturas e nos fazer mudar toda a nossa idéia de cinema! Tudo é novo num filme de Tarantino, e Kill Bill transpira novidade, conseguindo um misto de sentimentos e emoções que ficarão guardados para sempre nas suas memórias. Adjetivos que eu posso dar para Kill Bill? Inacreditável, original, divertido, irônico, exagerado, vibrante, emocionante, sensacional, inteligente, engraçado, empolgante, FODA!

terça-feira, 13 de julho de 2010

ROCK TARANTINO! Go, Paulistas, Go!

Post rápido para comunicar aos cinéfilos um dos maiores eventos cinematográficos desse ano que poucos sabem: O ROCK TARANTINO! Hoje, 13 de julho, o dia internacional do ROCK começa uma mostra de cinema e música em SP que tem como tema QUENTIN TARANTINO (o que eu to fazendo aqui nesta bosta de Volta Redonda?)! A mostra vai exibir filmes que inspiraram o cara a fazer seus filmes, ou seja, veremos os principais títulos que influenciaram o diretor e são as fontes de suas referências cinéfilas! Além disso, serão exibidos os próprios filmes de Quentin, incluindo o ainda inédito aqui no Brasil, mesmo depois de 3 anos de seu lançamento nos EUA, DEATH PROOF (À Prova de Morte)! Vai ser o 1° lugar aqui no Brasil a exibir o longa, que só deve chegar realmente no “grande” circuito só no dia 23/07. A mostra vai acontecer no Cine Olido e Centro Cultural São Paulo e no Centro Cultural da Juventude, tudo de graça! (o que que eu estou fazendo aqui nessa merda de cidade!?). Aconselho a todos o programa, é cultura cool de graça, não tem nem o que reclamar! Essa mostra vai até dia 31 de julho, vou ver aqui se consigo ir, vai ser  dificil, mas não custa tentar!

Mostra Rock Tarantino - CCSP: R. Vergueiro, 1000. Grátis. (ingressos 1 hora antes). Cine Olido: Av. São João, 473. Ingressos: R$ 1. Centro Cultural da Juventude: Av. Dep. Emílio Carlos, 3641, Vila Nova Cachoeirinha. Grátis (ingressos 30 min antes).

 

Agora aproveitando do post, alguns avisos. Esse tema (foda) do blog vai continuar até o final do mês, mantendo o especial KILL BILL até lá, ainda tem mais posts sobre o longa por aí, mas não terá só sobre ele, continuarei a postar normalmente também, só não farei agora pois estou em período de provas (FUU), sexta feira retomo as atividades do blog! Aguardem, e btw, deixem mais comentários!

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