domingo, 7 de março de 2010

Um Sonho Possível- Utopia incrívelmente real

Mais um drama sobre história de vida difícil indicado ao Oscar desse ano, Um Sonho Possível conquista o público pela sua abordagem simples, comovente e bem humorada.

O filme conta uma história bem peculiar nos tempos insanamente cruéis em que vivemos: Michael Oher, um adolescente pobre com dimensões gigantescas que vive sozinho no mundo, é acolhido por Leigh Anne e sua família ao encontrá-lo vestindo um short e uma camiseta numa noite fria de inverno. Leigh o convida a ficar na tua casa sem hesitar ao saber que ele estuda na mesma sala de sua filha e ao ver que ele é uma pessoa doce e confiante. Simpatizando com Michael, Leigh e sua família praticamente o adotam, fazendo dele um membro da família. Eles então descobrem o grande potencial de Michael para o futebol americano, e Leigh, que tem seus contatos na área, o incentiva a cada instante, dando a Michael uma chance de reescrever sua história.

O filme é uma ótima lição de vida, e saber que é uma história real nos dá esperança, ao saber que ainda existem boas pessoas nesse mundo podre. É meio difícil de acreditar nisso tudo, mas no final do filme temos imagens da família comprovando isso tudo, o que mexe muito com a gente. E não é um filme que apela muito, não é melodramático, é bem leve e divertido, tem ótimas tiradas a todo instante, então você o assiste numa boa, ele te desarma, e assim você, no final, quando digere aquilo tudo, se emociona facilmente, o que é um grande truque o longa.

A atuação destaque do filme, e posso até ousar dizer do ano, é de Sandra Bullock, que exprime uma naturalidade no papel de uma mulher forte, decidida e divertida digna de Oscar, assim espero. Realmente, agora estou apostando nela, antes já apostava pelo o que todos diziam e elogiavam, mas agora pude ver com os próprios olhos, é algo que palavras não explicam. Cada gesto dela condiz perfeitamente com a da personagem, e suas expressões conseguem dizer mais que monólogos, acho que isso é o que faz de uma atuação boa. A performance dela me lembrou muito a Julia Roberts no papel da Erin Brockovich (que a premiou, by the way), quem viu sabe que há como comparar, é bem interessante. Um Sonho Possível foi indicado também na categoria de Melhor Filme (lógico, se não, não estaria nessa minha meta)!

Gostei muito, tenho quase certeza de que não leva o de Melhor Filme, mas como filme, puro e simplesmente, é um dos melhores do ano. Assistam, e talvez quem sabe, você não se motiva a mudar essa porra de sociedade!

sábado, 6 de março de 2010

O Silêncio dos Inocentes-Como gelar o sangue

Mais um ótimo filme da Maratona do Oscar, Silêncio dos Inocentes é um dos meus filmes de perseguição à psicopata favorito, porque tem na sua fórmula: um ótimo roteiro de base, atuações magníficas, cenas de ação de tirar o fôlego, um visual gelado aterrorizante e um dos maiores vilões de todos os tempo, Hannibal Lecter, vivido por Anthony Hopkins na atuação mais marcante de sua vida.

Gosto muita da história pela sua originalidade simples. Ao invés de botar Hannibal como o grande psicopata canibal a ser perseguido, o longa nos apresenta uma nova configuração de filmes como este, colocando Lecter como um “ajudante” de Clarice (Jodie Foster) na busca pelo serial killer Buffalo Bill. Isso se dá porque Buffalo foi um ex-paciente de Hannibal, então a policial Clarice, a mando de seu chefe, vai atrás dele para buscar informações sobre o assassino, mas Lecter não aceitará fazer isso gratuitamente, é claro, ele pede para que Calrice divida sua vida com ele, contando relatos do passado dela, criando um laço sinistro com o canibal enjaulado que transpira tensão. Clarice aceita a proposta de Hannibal, mas fica a cada encontro mais abalada com as coisas que Lecter diz, e sente a cada instante que ele está entrando aos poucos em sua mente.

O filme é uma obra prima do suspense, sendo o 1º filme do gênero suspense/terror a levar a estatueta de Melhor Filme, dando mais prestígio ao estilo. Silêncio dos Inocentes levou ainda mais 4 Oscars: Melhor Diretor (Jonathan Demme), Ator (Anthony Hopkins), Atriz (Jodie Foster) e Roteiro Adaptado, conseguindo então os 5 prêmios mais desejados da noite.

A história é incrivel, te prende do início ao fim, mas o que sustenta o filme e deu toda a sua popularidade são os personagens/atores interessantíssimos, só vendo para realmente enteder o que eu estou falando. A relação firmada entre Hannibal/Anthony Hopkins e Clarice/Jodie Foster é uma mistura de medo e tensão sexual reprimida que na tela é algo nunca antes visto na história do cinema, é sensacional. Hopkins rouba a cena interpretando um psicopata canibal calmo,inteligente e perspicaz, que repara cada detalhe e consegue delinear com isso o perfil da pessoa num segundo. Foster também mantém sua força e se impõe no filme, não se deixando ser apagada por Hopkins. Ambos encorporaram muito bem seus papéis e ficaram marcados por eles para sempre.

Hannibal Lecter merece um páragrafo a parte, o jeito dele falar é de gelar o sangue, tudo é dito com tanta calma e segurança que nós não acreditamos que ele é um cara que come carne humana. Mas então vemos ele protagonizando cenas de ação canibalescas e ele se torna um monstro diante de nosso olhos, só o cinema para nos proporcionar uma experiência como esta. Sua frase mais  memorável, entre inúmeras, é “Um recenseador uma vez tentou me testar. Eu comi seu fígado com grãos de ervilha e um bom Chianti.”Ele dizendo isso é delicioso (péssima palavra), é inevitável fugir daqueles olhos psicóticos fixos, chega a dar arrepio.

Esse filme é essencial para qualquer um que gosta de filme de suspense, é um dos melhores do gênero, se não o melhor. Ele teve sequencias colocando em evidência, é claro, Hannibal, mas nenhuma é realmente destacável, eu ainda não vi nenhuma, mas as críticas não são simpáticas com essas continuações. Então recomendo no momento apenas esse, que é um suspense diferente de tudo aquilo que você já viu e verá.

sexta-feira, 5 de março de 2010

Preciosa- Realidade que incomoda

Faltam poucos dias para o Oscar, e poucos filmes que eu ainda tenho que assistir antes do grande evento, e este foi um da lista que me surpreendeu, em vários aspectos, me surpreendeu muito. Não é uma típica história de jornada de vida difícil, Preciosa inova no meio de contar os acontecimentos, com uma edição bem legal nos mostrando outros pontos de vistas interessantíssimos.

Nosso foco no filme é a vida sofrida de Claireece "Preciosa" Jones (Gabourey Sidibe), uma menina de 16 anos, obesa, pobre, grávida do segundo filho, sendo que ambos são do pai que a estrupava e deixava a mãe problemática com ciúmes (Mo'Nique). Ela vive com a mãe numa casa mal arrumada e largada pela mãe que a faz de empregada o tempo todo, e ainda a menospreza por tudo que faz, trocando xingamentos e agressões físicas, tornando o ambiente familiar o mais hostil de todos. Claireece tem problemas de adaptação na escola que frequenta pelas suas características físicas, mas demonstra um ótimo rendimento em matemática, despertando a atenção da diretora, mas o fato de estar grávida a leva a expulsão, só que Claireece não sabe que essa pode ter sido a melhor coisa da sua vida. A diretora então recomenda que ela vá à uma escola alternativa, onde vê que em sua imaginação pode estar a resolução de seus problemas.

Preciosa é um dos melhores dramas do ano, não tenho dúvida, o jeito que a história é conduzida te faz refletir sobre muitas coisas e os sentimentos que o filme lhe proporciona são diversos, fazendo o longa ganhar certo destaque. O que mais me agradou no filme foram as atuações. De todos os lados, vemos ótimas atuações dignas de Oscar, realmente todas conseguem transmitir uma convicção, uma verossímilhança que é raro de se ver em tanta abundância nos filmes de hoje. Quero destacar a estreiante Gabourey Sidibe e a Mo’Nique, ambas indicadas ao Oscar, uma de Melhor Atriz e outra de Melhor Atriz Coadjuvante, que tiveram desempenhos excelentes, cada uma com sua forma excepcional de atuar, sem se forçar a mostrar sentimento, simplesmente sentiram e deixaram as palavras sairem naturalmente, demonstrando um ótimo trabalho do diretor, também indicado ao Oscar, Lee Daniels. Outra atuação motherfucker é a de Paula Patton, que faz a professora da escola alternativa que se mantém rígida e firme diante da situação de Claireece e a ajuda a ser mais confiante e segura, além disso, o filme nos dá ótimas cenas dela deixando a sua imagem de durona de lado ao encarar a realidade absurdamente difícil e triste de Preciosa. Agora, pra mim, a atuação que mais me surpreendeu e simplesmente calou a minha boca preconceituosa foi a da Mariah Carey! Quando eu vi que ela ia fazer o filme, já pensei, “cantora pop, fazendo filme dramático, coisas que não combinam não costumam dar certo, bla bla bla”, e outra, o papel dela é de uma assistente social, “lá se vai a integridade do filme, não existem assistentes socias loiras gostosas que usam mini saias”. Mas aí fui ver o filme, quando ela apareceu pela primeira vez eu mal a reconheci: cabelos pretos, sem maquiagem, roupas que disfarçam seus belos seios e acima de tudo atuando bem, com convicção, meu queixo caiu à uma altura de um metro e setenta! Não esperava mesmo, ela tá ótima, ela soube o que sua personagem era, como ela deveria se comportar, afastando-se completamente da imagem luxuosa da cantora. O papel dela é de uma assistente social que cuida dos casos de Preciosa e que tem no olhar uma imagem de cansaço representado pelas enormes olheiras que nos dá uma sensação de realidade impressionante, sei que ela nunca lerá isso, mas dou os parabéns a ela!

O longa foi indicado a 6 Oscars: Melhor Filme, Diretor, Roteiro Adaptado,Atriz principal, Atriz Coadjuvante e Edição. Acho que deve levar o de Melhor Atriz Coadjuvante, a atuação de Mo’Nique é soberba, essa mulher sabe como ser escrota mesmo, então deve levar a estatueta, embora eu torça para qualquer uma das duas atrizes de Amor Sem Escalas indicadas (Vera Farmiga e Anna Kendrick), tenho que ser sensato e ver que a possibilidade de Mo’Nique ganhar é bem maior.

Esse filme é legal de assistir pelo choque de realidade que ele nos proporciona, e a sensação de incômodo de estar em pleno conforto enquanto o vê é quase insuportável, mas se deve assistir o filme até o fim, aguente o sofrimento e não perca essa incrível história de superação.

terça-feira, 2 de março de 2010

Um Homem Sério-assim como o filme…

Continuando com a minha promessa de assistir e postar sobre todos os indicados do Oscar de Melhor Filme desse ano, me deparei com o novo filme dos Coen, Um Homem Sério, que não me agradou nem anteriormente nem posteriormente de eu assistir ao filme. Realmente não gostei, mas é bem feito, tenho que reconhecer, e sua história tem lá sua originalidade, então, adivinhem, prefiro que ele ganhe no lugar de Avatar! #morteaAVATAR

Não me darei o trabalho de escrever a história, que a propósito eu nem entendi tão bem, então copiarei a sinopse original: “1967. Larry Gopnik (Michael Stuhlberg) trabalha como professor de física na Universidade de Midwestern. Ele vê sua vida mudar radicalmente quando sua esposa, Judith (Sari Lennick), decide deixá-lo por Sy Ableman (Fred Melamed). Além disto, uma carta anônima ameaça sua carreira na universidade. Larry ainda precisa lidar com os problemas de Arthur (Richard Kind), seu irmão, que mora em sua casa e dorme no sofá; seu filho Danny (Aaron Wolff), problemático e rebelde; e ainda Sarah (Jessica McManus), sua filha, que constantemente pega dinheiro de sua carteira para uma futura cirurgia plástica no nariz. Sem saber o que fazer, Larry busca os conselhos de três rabinos.” No desenvolver da história, ela se mostra bem diferente dos filmes que tratam de dramas familiares (nunca espere algo convencional dos Coen), é um filme bem firmado na religião judáica, e bem reprimido, então acho que é por isso que eu achei tão tedioso.

O roteiro é bem elaborado, admito, e quer nos dizer algo, ele quer nos passar uma mensagem, isso eu sei, mas só não sei que mensagem é essa. Tem a mensagem óbvia do “não seja certinho”, mas há mais coisas além dessa simples camada, se alguem descobrir, divida conosco :D. O filme é engraçado em certas partes, afinal é categorizado muitas das vezes como uma comédia, mas ele tem momento realmente, perdoem o trocadilho, mto sérios, e também nem chegam a emocionar, então fica nesta linha 0 fellings, o que não me agradou muito. O final é igual aos demais filmes dos Coen, não é uma grande cena final com o protagonista tomando a paixão de sua vida nos braços e dando-a um beijo de tirar o fôlego, não, é aquele final cortado grosseiramente, por assim dizer, as coisas ainda rolarão mas não serão mostradas. O filme foi indicado à 2 Oscars: Melhor Filme e Roteiro, acho que não leva nenhum.

Eu não recomendo o filme para aqueles que não são cinéfilos. Vai ter gente que vai gostar do filme, sem dúvida, judeus talvez, mas para a pessoa que conhece os Coen por Queime Depois de Ler ou Onde Os Fracos não tem vez o filme não trará grandes emoções e será rapidamente categorizado como “filme mais chato que a pessoa já viu”. Um Homem Sério para mim é Queime Depois de Ler sem as piadas, e Onde os Fracos Não Tem Vez sem o suspense e a ação, então, já visualizou o resultado. Assistam, talvez, para conhecer um pouco mais sobre a cultura judáica, porque não?

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